Têmpera (pintura)

A têmpera é uma técnica de pintura na qual os pigmentos ou os corantes podem ser misturados com um aglutinante geralmente à base de emulsões naturais, como a gema de ovo. Esse aglutinante pode ser uma emulsão de água e gema de ovo, ou à base de caseîna, dextrina, PVA, ou muitos outros ligantes.[1] Como tal, existem muitos tipos diferentes de têmpera, mas a mais conhecida é a têmpera à base de gema de ovo, ou têmpera de ovo.
Os exemplos mais antigos de têmpera de ovo descobertos até agora são as pinturas murais dos túmulos neolíticos de Domus de Janas, na Sardenha, que datam de 3400-2700 AC.[2]
Referida na obra de Cennino Cennini, Il Libro dell´Arte, escrito no século XIV[3], a técnica de pintura a têmpera de ovo foi largamente utilizada na arte italiana nos séculos XIV e XV, tanto em frescos como em painéis de madeira preparados com gesso ou cré.[4] Dadas as limitações da técnica na gradação das tonalidades de uma cor, ela viria a ser substituída, por pintores e artesãos, pela pintura a óleo.
Do ponto de vista tecnológico, a gradação de tonalidades e a fusão de cores são difíceis na têmpera de ovo, por causa da secagem muito rápida. Daí, a técnica utilizada para esse fim ser de sobreposição de pinceladas finas, com pontos ou linhas claras ou escuras, e com cruzamento de traços em trama cruzada. Quanto ao resultado final, as cores da têmpera de ovo são brilhantes e translúcidas, semelhantes ao fresco. No entanto é possível criar cores opacas e fortes, desde que o pigmento seja menos diluído no aglutinante.[1]
Referências
- ↑ a b Andrew Graham-Dixon (2012). Arte, o guia visual definitivo. [S.l.]: Publifolha. 612 páginas. Materiais e técnicas p. 24.
- ↑ Rampazzi, Laura. «Prehistoric wall paintings: The case of the Domus De Janas necropolis (Sardinia, Italy)». ResearchGate
- ↑ «Cennino Cennini, Il libro dell'arte (detail)». Google Arts & Culture (em inglês). Consultado em 4 de novembro de 2025
- ↑ Cennino Cennini. Il libro dell´Arte. Commentato e Annotato da Franco Brunello con una introduzione di Licisco Magagnato. Vicenza: Neri Pozza Editore, 1997.


