Antipalestinismo

Anti-palestinianismo,[1] anti-palestinismo,[2] também chamado de racismo antipalestino,[3] refere-se ao preconceito, à hostilidade coletiva e à discriminação sistemática dirigidos ao povo palestino. O fenômeno pode ter diferentes motivações e manifestações, variando de contextos políticos a culturais. Desde meados do século XX, o antipalestinismo tem se sobreposto ao racismo antiárabe e à islamofobia, uma vez que a maioria dos palestinos é árabe e muçulmana.[4][5] Historicamente, o antipalestinismo foi intimamente associado ao antissemitismo europeu [en], com setores da extrema-direita associando os judeus a uma origem exótica e indesejável, identificando-os como "estrangeiros vindos da Palestina", dentro de uma lógica antissemita de rejeição à presença judaica.[6][7]

No contexto contemporâneo, o antipalestinismo, entendido como xenofobia, negação de direitos e marginalização, é mais frequente em países como Israel,[8][9][10][11] nos Estados Unidos,[12] no Líbano,[13] na Alemanha,[14][15][16] entre outros. O racismo antipalestino se expressa de diversas formas, por exemplo, na negação de direitos humanos básicos, na recusa em reconhecer a dignidade e o valor igualitário dos palestinos, na defesa de atos de violência contra essa população e na rejeição do reconhecimento dos palestinos como um povo com identidade coletiva própria.[17] A professora e escritora paquistanesa Sunaina Maira,[18] ao citar o especialista em estudos islâmicos Shahzad Bashir, observa que um dos aspectos recorrentes do antipalestinismo é o pânico moral criado em torno da suposta "radicalização" de jovens muçulmanos e árabes americanos [en], frequentemente acusados de antissemitismo apenas por expressarem críticas às políticas do Estado de Israel.[19] O pesquisador Moustafa Bayoumi destaca que o antipalestinismo antecede historicamente a onda moderna de islamofobia e, em muitos casos, ajudou a moldar os discursos que a sustentam.[20]

Ver também

Referências

  1. «Gustavo Ioschpe: De quando o preconceito é "compreensível" - 23/01/2004». www1.folha.uol.com.br. Folha de S.Paulo. 23 de janeiro de 2004. Consultado em 14 de junho de 2025 
  2. «Conferência em Cracóvia debate aumento do antissemitismo». euronews. 24 de janeiro de 2024. Consultado em 14 de junho de 2025 
  3. Abu-Laban & Bakan 2021, pp. 143–149
  4. Abu-Laban & Bakan 2021, pp. 143–149
  5. Beinart 2021
  6. Kant, Immanuel (1974). Anthropology from a Pragmatic Point of View (PDF). Traduzido por Mary J. Gregor. Haia: Martinus Nijhoff. Citação discutida em Chad Alan Goldberg, Politicide Revisited, University of Wisconsin-Madison 
  7. Gelbin, Cathy S.; Gilman, Sander L. (2017). Cosmopolitanisms and the Jews. Ann Arbor: University of Michigan Press. ISBN 978-0-4721-3041-2 
  8. Beinart 2021
  9. Riemer, Nick. Boycott Theory and the Struggle for Palestine: Universities, Intellectualism and Liberation. Rowman & Littlefield, 2022. p. 76.
  10. Gendzier, Irene L. (1 de janeiro de 1999). «Minority Alliances». Journal of Palestine Studies (em inglês). 28 (2): 97–99. ISSN 0377-919X. doi:10.2307/2537939 
  11. Biddle, Alice Speri, Sam (27 de março de 2023). «Anti-Palestinian Hate on Social Media Is Growing, Says a Facebook Partner». The Intercept. Consultado em 6 de novembro de 2024 
  12. Beinart 2021
  13. Moor 2010
  14. Fekete, Liz (2024). «Anti-Palestinian racism and the criminalisation of international solidarity in Europe». Race & Class (em inglês). 66 (1): 99–120. ISSN 0306-3968. doi:10.1177/03063968241253708 
  15. Jegić, Denijal. «Why is Germany so viciously anti-Palestinian?». Al Jazeera. Consultado em 6 de novembro de 2024 
  16. «Geopolitics as anti-Palestinianism». Mondoweiss. 22 de agosto de 2022. Consultado em 6 de novembro de 2024 
  17. Sirleaf, Matiangai V. S. (2024). «Palestine as a Litmus Test for Transitional Justice». The International Journal of Transitional Justice. 18: 162–188. doi:10.1093/ijtj/ijae012 
  18. «Canary Mission». canarymission.org. Consultado em 17 de abril de 2022 
  19. Maira 2016, p. 150
  20. Bayoumi, Moustafa. «Decades of spying and repression: the anti-Palestinian origins of American Islamophobia». The Guardian. Consultado em 23 de maio de 2024 


Bibliografia