Totó Caiado

Antônio Ramos Caiado
Totó Caiado
Caiado em data desconhecida.
Senador por Goiás
Período1 de fevereiro de 1921
até 24 de outubro de 1930[a]
Legislaturas33.ª
34.ª
Deputado Federal por Goiás
Período1909 a 1921
(3 mandatos consecutivos)
2.º Presidente do Partido Democrata
Período1912
até 1917
Antecessor(a)Leopoldo de Bulhões
Sucessor(a)Miguel da Rocha Lima
Interventor federal de Goiás
PeríodoNão tomou posse devido à Revolução de 1930.
PresidenteWashington Luís
Secretário do Interior, Justiça e Segurança Pública do Estado de Goiás
Períodomarço de 1904
até junho de 1908
Deputado Estadual por Goiás
Período1897
até 1899
Conselheiro Municipal de Goiás
Período1899
até 1902
Dados pessoais
Nome completoAntônio Ramos Caiado
Nascimento15 de maio de 1874
Vila Boa de Goyaz, Goyaz, Império do Brasil
Morte14 de janeiro de 1967 (92 anos)
Goiânia, Goiás, Brasil
Nacionalidadebrasileiro
ProgenitoresPai: Torquato Ramos Caiado
Alma materFaculdade de Direito da Cidade de São Paulo (Largo do S. Francisco)
CônjugeMaria Adalgisa de Amorim Caiado
Filhos(as)Emival Ramos Caiado
Elcival Ramos Caiado
Edenval Ramos Caiado
PartidoPD (1909-1930)
Coligação Libertadora (1934-1937)
UDN (1945-1965)
ReligiãoCatolicismo romano
Profissãopolítico
advogado
jornalista
fazendeiro
Serviço militar
Serviço/ramoBrasão do Exército Brasileiro Exército Brasileiro
Anos de serviço1893-1895
Graduação Primeiro-Tenente
ConflitosRevolta da Armada

Antônio Ramos Caiado, mais conhecido por Totó Caiado (Goiás, 15 de maio de 1874Goiânia, 14 de janeiro de 1967), foi um jurista, advogado, militar, jornalista, agropecuarista e político brasileiro, conhecido por sua atuação na política do Estado de Goiás, no período anterior à Revolução de 1930, e de forma menor na década de 1950.[1][2][3]

Primeiros anos

Filho de Torquato Ramos Caiado, senador estadual por Goiás, e Claudina Fagundes de Azevedo; Antônio Ramos Caiado nasceu em 15 de maio de 1874 na Cidade de Goiás, então capital da Província de Goiás. Membro da família Caiado, grupo genealógico que exercia bastante influência política e econômica na região, era neto de Antônio José Caiado, político de carreira, que presidiu a então província, e futuro estado, durante o Brasil Império e começo do Brasil República, além de ter ocupado o Senado Federal.[2]

Carreira militar e jurídica

Mudou-se para a cidade de São Paulo, a fim de bacharelar direito pela Faculdade de Direito da Cidade de São Paulo, ou Faculdade São Francisco do Largo. Florianista de início, formalizou um grupo em prol da continuidade do Governo Floriano Peixoto, enquanto aluno também lutou durante a Revolta da Armada, em 1893, sendo promovido a primeiro-tenente do Exército Brasileiro. Concluiu o bacharelado em 1896, retornando ao seu estado natal. Exerceu a advocacia por um ano, quando ingressou na política.[2]

Carreira política

Deputado estadual e conselheiro municipal

Ao ingressar na política, era membro do mesmo partido que seu pai e seu avó, o Partido Republicano de Goiás (PRG). Elegeu-se deputado estadual por Goiás em 1897, até 1899, quando exerceu a função de conselheiro municipal de Goiás. [4][5][6]

Secretário de Interior, Justiça e Segurança Pública

Em 1904, foi o secretário de Interior, Justiça e Segurança Pública do governo de José Xavier de Almeida; que assim como Almeida, estava se distanciando da figura e grupo de José Leopoldo de Bulhões Jardim; auxiliando Xavier de Almeida a fundar o grupo regional do Partido Republicano Federal. Também nesse espaço de tempo, Bulhões sofreu derrota nas Eleições estaduais em Goiás em 1905, além de ter tido a solicitação de intervenção federal declinada, pelo relator do Congresso Nacional do Brasil, deputado Estevão Lobo Leite Pereira.[7][8]

Revolução de 1909: Deputado Federal, desavenças com o xavierismo e Legião Democrata

Todavia, com uma série de desavenças e discordâncias, inclusive com as homologações de candidatura de Hermenegildo Lopes de Morais à presidência do estado, no lugar de João Alves de Castro (caiadista do PRF) e de Gonzaga Jaime, igualmente aliado de Caiado e Rocha Lima, ao Senado Federal; esse último foi substituído pelo próprio José Xavier. Tais ações levaram Caiado a deixar a Secretaria em julho de 1908, marcando o início da reaproximação de sua família e grupo político aos Bulhões.[8]

Foi fundador e dirigente do jornal A República, à época em que se tornou um dos chefes da Revolução de 1909, que marcou a queda do grupo chefiado por José Xavier de Almeida e o início da etapa de domínio político do Partido Democrata (1909-1930). No mesmo ano do conflito, elegeu-se deputado federal por Goiás, reelegendo-se em duas legislaturas. Combateu, em Goiás, a Coluna Prestes no ano de 1925, formando os chamados Batalhões patrióticos.

Senador por Goiás, ascensão política, Revolução de 1930 e prisão

Alçou ao Senado Federal do Brasil, após ostracizar politicamente José Leopoldo Bulhões Jardim, em 1921. Com o início da Revolução de 1930, Washington Luís designou o então senador Antônio Ramos Caiado como interventor de Goiás para executar o estado de sítio.[9] Após serem interceptadas comunicações de Caiado em que se revelava a intenção de invadir o Triângulo Mineiro, Getúlio Vargas resolveu reagir, arregimentando forças em Minas Gerais para combater a frente goiana.[10]

O então presidente de Minas Gerais, Olegário Maciel, aliado de Getúlio Vargas, concedeu a Quintino Vargas, fazendeiro e político de Paracatu, a patente de coronel da Polícia Militar do Estado de Minas Gerais, equipamentos e autorização para unir soldados, formando o 6.º Batalhão de Caçadores.[11][12]

Quintino Vargas formou a Coluna Artur Bernardes, ou Coluna Mineira, juntamente a outros batalhões mineiros oriundos de Uberlândia e arredores, marchou por solo goiano até chegar à capital, a cidade de Goiás. Caiado foi deposto e formou-se uma junta governativa composta por Mário de Alencastro Caiado, Francisco Emílio Póvoa e Pedro Ludovico Teixeira, sendo o último posteriormente nomeado por Getúlio Vargas como interventor federal[9], cargo que ocuparia por quinze anos.[11]

Coligação Libertadora

Em 1934, ao lado de Domingos Vellasco, antigo aliado de Vargas e Teixeira, e de Alfredo Lopes de Morais, Totó Caiado funda a Coligação Libertadora, que surge na união do extinto Partido Democrata e do Partido Libertador. Todavia, o partido acabaria sendo dissolvido com o Golpe de Estado no Brasil em 1937 e a instauração do Estado Novo.[13]

Filiação à UDN e morte

Em 1945, com a Deposição de Vargas, ele não retorna à política em cargos eletivos, porém se filia à União Democrática Nacional[14], chegando a presidir o Diretório Estadual do partido em 1958. Por fim, faleceu em 14 de janeiro de 1967, em Goiânia, nova capital estadual.[15]

Totó teve vários filhos, advindos do seu primeiro e do segundo casamento, realizado em 17 de agosto de 1909 com Maria Augusta de Amorim, pois seu matrimônio com Iracema de Carvalho durou até a morte dessa e sua viuvez. Antônio Ramos era católico e seus matrimônios foram efetivados todos na Matriz de Goiás.[16] Sua prole e netos que seguiram pelo lado da política, como seu filho Emival Ramos Caiado, que foi deputado estadual, federal e senador por Goiás, Elcival Ramos Caiado, deputado estadual e federal pela mesma unidade federativa, e seu neto Ronaldo Caiado (sobrinho de Emival e Elcival e filho de Edenval), governador de Goiás, a partir de 2019.

Notas e referências

Notas

  1. mandato interrompido pela Revolução de 1930.

Referências

  1. «História & Educação» 
  2. a b c «CPDOC- Totó Caiado» (PDF). Consultado em 5 de outubro de 2023. Cópia arquivada (PDF) em 5 de outubro de 2023 
  3. «Portal NetEscola». portalnetescola.educacao.go.gov.br. Consultado em 25 de novembro de 2025. Arquivado do original em 4 de maio de 2017 
  4. RIBEIRO, Miriam Bianca Amaral (1996). «MEMÓRIA, FAMÍLIA E PODER: HISTÓRIA DE UMA PERMANÊNCIA POLÍTICA - OS CAIADO EM GOIÁS» (PDF). Universidade Federal de Goiás. Orientada por Nasr Fayad Chaul. Consultado em 26 de setembro de 2025. Cópia arquivada (PDF) em 26 de setembro de 2025 – via https://www.historiografia.com.br/tese/2671 
  5. «Antônio Ramos Caiado». Goiás Velho [ligação inativa]
  6. Manhã, Diario da (28 de junho de 2016). «Totó Caiado, Goyaz e o centenário do jornal O Democrata | Diario da Manhã». Diário da manhã. Consultado em 24 de abril de 2024 
  7. STEMMY, Adrianna. «CPDOC- Totó Caiado» (PDF). CPDOC. Consultado em 5 de outubro de 2023. Cópia arquivada (PDF) em 5 de outubro de 2023 – via FGV 
  8. a b RIBEIRO, Miriam Bianca Amaral (1996). «MEMÓRIA, FAMÍLIA E PODER: HISTÓRIA DE UMA PERMANÊNCIA POLÍTICA - OS CAIADO EM GOIÁS» (PDF). Universidade Federal de Goiás. Orientada por Nasr Fayad Chaul. Consultado em 26 de setembro de 2025. Cópia arquivada (PDF) em 26 de setembro de 2025 – via https://www.historiografia.com.br/tese/2671 
  9. a b GUEDES, Jales. «O PARTIDO REPUBLIANO DE GOIÁS NO PODER: CHEGA O CREPÚSCULO ÀS TRINCHEIRAS DEMOCRATAS» (PDF). Consultado em 20 de dezembro de 2023. Cópia arquivada (PDF) em 2023 
  10. O Partido Republicano de Goiás no poder: chega o crepúsculo às trincheiras democratas
  11. a b Portal de Notícias Paracatu.Net. «Portal de Notícias Paracatu.Net». Portal de Notícias Paracatu.Net. Consultado em 28 de setembro de 2025. Cópia arquivada em 5 de outubro de 2023 
  12. «História». Prefeitura Municipal de Cristalina. Consultado em 15 de outubro de 2025. Cópia arquivada em 15 de outubro de 2025 
  13. «O Poder Legislativo do Estado de Goiás». Portal da Alego. Consultado em 15 de outubro de 2025. Cópia arquivada em 15 de outubro de 2025 
  14. FERNANDES, Clever Luiz (2002). «História da UDN nas eleições em Goiás (1945-1966)» (PDF). Universidade Federal de Goiás (Dissertação de mestrado). Consultado em 26 de setembro de 2025. Cópia arquivada (PDF) em 26 de setembro de 2025 
  15. «Tem nova Direção Estadual a União Democrática Nacional de Goiás». Jornal de Notícias, resguardado na Hemeroteca da Biblioteca Nacional. 14 de maio de 1958. Consultado em 9 de julho de 2023. Cópia arquivada em 9 de julho de 2023 
  16. Silva, Maria da Conceição (2007). «MATRIMÔNIO E FAMÍLIA EM GOIÁS». Universidade Federal de Goiás. História Revista (1). ISSN 1984-4530. doi:10.5216/hr.v12i1.6851. Consultado em 28 de setembro de 2025. Cópia arquivada em 28 de setembro de 2025 – via https://revistas.ufg.br/historia/article/view/6851