Antônio Dino

 Nota: Não confundir com Flávio Dino.
Antônio Dino
Governador do Maranhão
Período14 de maio de 1970
até 15 de março de 1971
Antecessor(a)José Sarney
Sucessor(a)Pedro Santana
Vice-governador do Maranhão
Período1 de fevereiro de 1966
até 14 de maio de 1970
GovernadorJosé Sarney
Deputado estadual pelo Maranhão
Período19631966
Deputado federal pelo Maranhão
Período19551963
Dados pessoais
Nome completoAntônio Jorge Dino
Nascimento23 de maio de 1913
Cururupu, MA
Morte18 de junho de 1976 (63 anos)
São Luís, MA
PartidoPSD (1945-1965)
PSP (1965)
ARENA (1966-1976)
Profissãomédico e professor

Antônio Jorge Dino (Cururupu, 23 de maio de 1913São Luís, 18 de junho de 1976) foi um médico, professor, filântropo e político brasileiro. Ele foi deputado federal (1955–1963), deputado estadual (1963–1966), vice-governador (1966–1970) e governador do Maranhão (1970–1971).[1][2]

Biografia

Nascido no município maranhense de Cururupu, foi o único filho de Jorge, imigrante libanês e de Vicência, cearense vítima do flagelo da seca de 1877. Na sua cidade natal, estudou o primário e concluiu o curso de marceneiro, tendo se mudado para São Luís para cursar o Ginásio no colégio Ateneu Teixeira Mendes.[3][4]

Contrariando seu pai, decidiu deixar o Maranhão para estudar Medicina no Rio de Janeiro, onde foi aluno da Faculdade Nacional de Medicina. No período, tornou-se interno da Beneficência Espanhola, onde permaneceu até sua formatura.[3]

Nos anos 50, ele fundou a Associação Maranhense, para não deixar as raízes da terra, reunindo a colônia maranhense residente no Rio de Janeiro, que contava com assistência médica, alimentação e até hospedagem. A associação funcionava na própria casa de Antônio Dino.[3]

Carreira política

Após o casamento, iniciou sua carreira política, sendo eleito para o cargo de Deputado Federal pelo PSD no ano de 1954. Foi reeleito na eleição seguinte, em 1958.[3]

Por motivo de doença, retornou a São Luís e elegeu-se deputado Estadual em 1962.[3]

Foi indicado pelo partido para concorrer ao governo do estado como vice-governador da chapa de José Sarney. Após a renúncia de José Sarney para concorrer ao senado, assumiu o governo por 11 meses.[3]

Após sair do governo, abandonou a política para dedicar-se à Medicina.[3]

Filantropia e medicina

Durante toda sua carreira como médico, dedicou-se à filantropia, atendendo pacientes carentes, tanto no Rio de Janeiro, onde foi diretor vitalício do Hospital Alan Kardec, como em São Luís, na Santa Casa de Misericórdia e em seu consultório particular.[3]

Antônio Dino foi professor titular da cadeira de Cirurgia II, na Universidade Federal do Maranhão, e membro da Academia Maranhense de Medicina.[3]

Destacou-se nacionalmente na luta contra o câncer no estado do Maranhão e na história da cancerologia no Brasil a partir de 1965, quando assumiu a presidência da Liga Maranhense de Combate ao Câncer, enquanto sua esposa Enide Dino, assumia a presidência da Rede Feminina de Combate ao Câncer.[3]

O Hospital Aldenora Bello, inaugurado no governo Newton Bello tinha apenas um consultório, um aparelho de Raio-X precário e uma sala para as voluntárias. Antônio Dino, junto com Enide Dino e muitos amigos colaboradores, promoveram campanhas e promoções destinadas à ampliação do Hospital, com a construção de um centro cirúrgico e demais dependências e a importação de uma Bomba de Cobalto, utilizada no tratamento de radioterapia, completando assim o ciclo de tratamento: cirúrgico, quimio e radioterápico.[3]

Em 1976, Antônio Jorge Dino falece decorrente de problemas cardíacos.[3]

Fundação Antônio Dino

Nove meses após sua morte, é criada a Fundação Antônio Dino, que surgiu após a junção da Liga Maranhense e da Rede Feminina de Combate ao Câncer para dar continuidade ao seu legado. A entidade é presidida por Enide Moreira Lima Jorge Dino até os dias atuais.[3]

Além do Hospital do Câncer Aldenora Bello (HCAB), referência no tratamento de câncer no estado, a Fundação mantém um Núcleo de Voluntárias, duas casas de apoio (Erosilda Mota e Criança Feliz) para pacientes carentes, um Centro de Estudos do Câncer e um Centro de Capacitação de Recursos. [3]

Desempenho eleitoral

Cronologia

  • 23 de maio de 1913 - Nasce no município maranhense de Cururupu, filho de Jorge Antônio Dino, imigrante libanês, e de Vicência Faria Dino, cearense marcada pela grande seca de 1877. Era filho único.[5]
  • Anos 1920 - Estuda o curso primário em Cururupu, onde também se forma como marceneiro. Posteriormente muda-se para São Luís para cursar o Ginásio no Liceu Maranhense e no colégio Ateneu Teixeira Mendes.
  • 1934 - Deixa o Maranhão contra a vontade do pai e vai ao Rio de Janeiro para estudar Medicina. Ingressa na Faculdade Nacional de Medicina, onde atua como interno na Beneficência Espanhola até a formatura.
  • 1940 - Forma-se em Medicina e inicia sua atuação clínica no Rio de Janeiro. Passa a atender em consultório próprio e se destaca pela dedicação a pacientes carentes.
  • Início dos anos 1950 - Funda a Associação Maranhense, com sede em sua própria casa, para atender a maranhenses no Rio de Janeiro. A entidade oferece assistência médica, alimentação, hospedagem e apoio a estudantes e migrantes do Maranhão.[6]
  • 16 de março de 1953 - Casa-se em São Luís com Enide Moreira Lima, com quem teve oito filhos. Sua esposa viria a se tornar uma referência no trabalho voluntário em saúde e combate ao câncer.
  • 3 de outubro de 1954 - É eleito deputado federal pelo Partido Social Democrático (PSD) com base eleitoral no Maranhão. Assume o mandato em fevereiro de 1955.
  • 1955–1959 - Atua na Câmara dos Deputados, com destaque para temas relacionados à saúde, previdência e desenvolvimento regional. Afasta-se por motivos de saúde em algumas ocasiões.
  • 1958 - Reelege-se deputado federal pelo PSD, permanecendo no cargo até 1963. Participa de comissões como a de Valorização Econômica da Amazônia e realiza visitas técnicas ao Maranhão e Pará.
  • 1962 - Retorna ao Maranhão por motivo de saúde e é eleito deputado estadual pelo Partido Social Progressista (PSP). Passa a integrar o cenário político estadual.
  • 1965 - É eleito vice-governador do Maranhão na chapa encabeçada por José Sarney, então candidato ao governo estadual pela União Democrática Nacional (UDN). O pleito foi o último com voto direto antes do endurecimento do regime militar.
  • 14 de maio de 1970 - Assume o governo do Maranhão com a renúncia de Sarney, que se candidata ao Senado. Permanece no cargo de governador por 11 meses, encerrando o mandato em março de 1971.
  • 1971 - Decide deixar a vida política e retorna integralmente à Medicina e à atividade filantrópica. Reassume atendimento em seu consultório e na Santa Casa de Misericórdia de São Luís.
  • Década de 1970 - Atua como diretor vitalício do Hospital Espírita Alan Kardec, no Rio de Janeiro, além de ser professor titular da cadeira de Cirurgia II da Universidade Federal do Maranhão (UFMA) e membro da Academia Maranhense de Medicina.
  • 1965 em diante - Assume a presidência da Liga Maranhense de Combate ao Câncer, fortalecendo a estrutura do Hospital Aldenora Bello, até então precária. Ao lado de sua esposa, Enide Dino, desenvolve campanhas de arrecadação, amplia o hospital com centro cirúrgico e instala a primeira bomba de cobalto no Maranhão, essencial para a radioterapia.
  • Março de 1976 - A bomba de cobalto é instalada no Hospital Aldenora Bello, marco do combate ao câncer no estado. O ciclo de tratamento completo (cirúrgico, quimioterápico e radioterápico) passa a ser oferecido.
  • 18 de junho de 1976 - Antônio Jorge Dino falece em São Luís, aos 63 anos, em decorrência de problemas cardíacos. A morte causa comoção pública no estado.[1]
  • Março de 1977 - É criada a Fundação Antônio Dino, resultado da união da Liga Maranhense e da Rede Feminina de Combate ao Câncer, com o objetivo de preservar seu legado. Enide Dino assume a presidência da entidade.[7]
  • Anos seguintes - A Fundação passa a gerenciar o Hospital Aldenora Bello, amplia as atividades assistenciais com a criação de casas de apoio (Erosilda Mota e Criança Feliz), institui o Núcleo de Voluntárias, cria o Centro de Estudos do Câncer e um Centro de Capacitação em Saúde.
  • Atualidade - A Fundação Antônio Dino é referência nacional no tratamento do câncer, com milhares de atendimentos por ano e protagonismo em campanhas de prevenção e capacitação oncológica no Maranhão.[7]

Bibliografia

  • Câmara dos Deputados. Discursos que fizeram história: Maranhão - Antônio Dino. Brasília: Edições Câmara, 2004.
  • Academia Maranhense de Medicina. Cadeira 05 – Antônio Jorge Dino. Perfil institucional.[4]
  • Fundação Antônio Dino. Histórico e missão institucional. Disponível em: fundacaoantoniodino.org.br.
  • Assembleia Legislativa do Maranhão. Matéria especial sobre o legado da Fundação Antônio Dino. julho de 2022.
  • Braga, Flávio. Vultos ilustres da Baixada Maranhense: Antônio Dino. Blog do Estado do Maranhão, 2024.
  • Jornal O Imparcial. Enide Dino e a criação da Fundação. Edição de dezembro de 1977.
  • Relatórios da Fundação Antônio Dino (2023–2025). Portal Indicadores da ABIFICC.
  • Memorial Hospital Aldenora Bello. Linha do tempo institucional e acervo fotográfico. Acesso institucional.

Referências