Saturnino Bello
Saturnino Bello | |
|---|---|
![]() Saturnino Bello | |
| 38º Governador do Maranhão | |
| Período | 16 de fevereiro de 1946 até 10 de abril de 1947 |
| Antecessor(a) | Eleazar Soares Campos |
| Sucessor(a) | João Pires Ferreira |
| Dados pessoais | |
| Nascimento | 8 de outubro de 1890[carece de fontes] São Luís, (MA) |
| Morte | 16 de janeiro de 1951 (60 anos) São Luís, (MA) |
| Cônjuge | Maria Lúcia de Gallas Bello, (PA) |
| Filhos(as) | Fernando Raimundo de Gallas Bello e Maria Teresa Bello de Freitas |
Saturnino Bello (São Luís, 8 de outubro[carece de fontes] de 1890 — 16 de janeiro de 1951) mais conhecido com Satu, foi um político brasileiro.
Foi governador do Maranhão, de 16 de fevereiro de 1946 a 10 de abril de 1947.[1] Na década de 1950, candidatou-se novamente ao cargo, depois de romper com Vitorino Freire, porém depois de uma eleição conturbada, e envolta de denúncias de fraude, foi derrotado.[2] Faleceu no dia 16 de janeiro de 1951 em decorrência de um Acidente Vascular Cerebral (AVC).
Origens e formação
Saturnino Bello nasceu em 1890 na capital maranhense São Luís. Pouco se conhece sobre sua formação intelectual inicial, mas fontes indicam que foi advogado e ocupou cargos na Procuradoria do Estado do Maranhão antes de ingressar na política ativa.[3] De origem familiar local, destacou-se como técnico em assuntos jurídicos e administrativos do governo estadual. Em 1946 já figurava na imprensa como “o interventor federal Saturnino Bello” do Maranhão[4], o que atesta sua posição de destaque no quadro político e burocrático do estado. Contraiu matrimônio com Maria Lúcia de Gallas (natural do Pará) e teve filhos, entre eles Fernando Raimundo de Gallas Bello e Maria Teresa Bello de Freitas
Trajetória política inicial
A carreira política de Saturnino Bello consolida-se no contexto do retorno da democracia. Em fins de 1945, com o fim do Estado Novo, foram realizadas eleições estaduais em dezembro de 1945 para a Assembleia Constituinte do Maranhão. As apurações daquela eleição levaram à escolha de Eleazar Campos como governador (interventor nomeado anteriormente) e indicaram Saturnino Bello como interventor federal a partir de 16 de fevereiro de 1946.[3][4] Já naquele período prévio às eleições de 1947, Bento Viana liderava o PSD local sem interferência de Vitorino Freire. Durante esse interregno, Saturnino Bello consolidou-se como auxiliar do governo estadual e integrou organogramas oficiais, especialmente no Tribunal de Contas e na área jurídica, prestando serviços ao governo maranhense.
Em sua gestão provisória como chefe do Executivo estadual (Entre fevereiro de 1946 até abril de 1947), sua atuação teve ênfase em modernizar a máquina pública e a educação. Um exemplo notório foi o decreto estadual que reformulou o ensino normal e primário do estado, conforme normas federais recentes.[5] Outro feito institucional marcante foi a criação do Tribunal de Contas estadual em dezembro de 1946[3], encerrando o antigo Conselho Administrativo e iniciando uma nova fase de fiscalização contábil no Maranhão. Seus correligionários e a imprensa da época destacaram sua iniciativa em enfrentar deficiências do ensino no interior do estado[4], o que demonstra preocupação com a assistência aos professores e escolas rurais
Atuação Política
Nomeado interventor federal, Saturnino Bello governou o Maranhão no período crítico da transição democrática. Apesar da curta duração do mandato (fevereiro de 1946 a abril de 1947), ele promoveu ações administrativas de relevo. Ele combateu problemas no interior relacionados à remuneração de professores, enfrentando tais questões “com ânimo deliberado”[4]. No final de 1946, decretou-se a reorganização do sistema de ensino estadual (Decreto-Lei nº 1.462, adaptando leis federais).[5] Além disso, deu início ao funcionamento do recém-criado Tribunal de Contas do Maranhão, instalado em 2 de janeiro de 1947, instituindo o controle fiscal sobre os gastos públicos.[3][6] Seu governo interventor também modernizou setores da administração pública, fomentando obras de infra‑estrutura e reorganizando secretarias estatais (especialmente Justiça, Fazenda e Educação). Esses projetos institucionais lançaram bases que influenciaram a gestão pública local em décadas posteriores.
Após a redemocratização, o primeiro governo civil eleito (1947–1951) teve Sebastião Archer como governador. Saturnino Bello foi indicado para vice-governador em eleição indireta pelo parlamento estadual. Em sessão solene da Assembleia Legislativa de 13 de outubro de 1947, ele foi eleito ao cargo[4], obtendo 57 votos favoráveis contra 8 do deputado rival.[4] O próprio governador Archer saudou a escolha, enfatizando as qualidades de “patriota e homem da sociedade” atribuídas a Bello.[4] Assim, Saturnino Bello exerceu o vice-governo a partir de abril de 1947. No cargo, acumulou o vice-executivo com outras funções (presidência da Assembleia, por exemplo, cabia ao titular empossado). Esse período coincidiu com disputas internas do PSD maranhense: ele alinhou-se à ala oposicionista de Clodomir Cardoso e Genésio Rego, que questionava a hegemonia do senador Vitorino Freire.
Cronologia
- 8 de outubro de 1890 – Nasce em São Luís do Maranhão Saturnino Brasileiro Bello, “Satu”, filho de família tradicional local. [carece de fontes]
- Início do século XX – Forma-se em Direito e atua como advogado na Procuradoria-Geral do Estado do Maranhão, exercendo cargos na Procuradoria e como consultor jurídico de secretarias estaduais.
- 2 de dezembro de 1945 – Participa como liderança política nas primeiras eleições estaduais após o fim do Estado Novo; o pleito para Assembleia Constituinte do Maranhão define intervenções federais e abre caminho para sua nomeação.
- 16 de fevereiro de 1946 – Empossado interventor federal do Maranhão pelo presidente Eurico Gaspar Dutra, conduzindo o Estado na transição de poder, sucedendo Eleazar Campos e preparando o terreno para eleições livres.[7]
- 30 de dezembro de 1946 – Promulga o Decreto-Lei nº 134, criando o Tribunal de Contas do Estado do Maranhão, instalado em 2 de janeiro de 1947 no Palácio dos Leões, com os conselheiros Humberto Pinho Fonseca, Celso Ribeiro de Aguiar, Cícero Neiva Moreira e Joaquim Salles Itapary.[8]
- 1946–1947 – Reforma o sistema de ensino normal e primário do Maranhão por meio de normas federais e decretos estaduais; destaca-se o Decreto-Lei nº 1 462/1946, publicado em *Diário Oficial* e respaldado por circular do Ministério da Educação e Saúde Pública.[9]
- 10 de abril de 1947 – Encerra a interventoria federal, entregando o governo ao civil eleito João Pires Ferreira, após eleições diretas realizadas em janeiro de 1947, garantindo a primeira transição democrática do período.
- 13 de outubro de 1947 – É eleito vice-governador do Maranhão pela Assembleia Legislativa, recebendo 57 dos 65 votos, atuando ao lado do governador Sebastião Archer e presidindo comissões estaduais.[10]
- 1950 – Rompe com o grupo político de Vitorino Freire e candidata-se ao governo do Maranhão; disputa marcada por denúncias de fraude nas urnas, tumulto em seções eleitorais e contestação judicial, sendo derrotado.[11]
- 16 de janeiro de 1951 – Falece em São Luís em decorrência de Acidente Vascular Cerebral, aos 60 anos; velório e funeral reunem autoridades do Executivo, Judiciário e membros da Ordem dos Advogados do Brasil – seção Maranhão.[12]
Bibliografia
- CPDOC-FGV. Verbetes da Primeira República: entrada “Bello, Saturnino”. Rio de Janeiro: Fundação Getulio Vargas, 2013.
- Tribunal de Contas do Estado do Maranhão. “História do Tribunal”. São Luís: TCE-MA, 2025.
- Tribunal Superior Eleitoral. “Resultados das eleições estaduais no Maranhão em 1945 e 1947”. Brasília: TSE, 2025.
- Procuradoria-Geral do Estado do Maranhão. “História da Procuradoria-Geral”. São Luís, 2025.
- Assembleia Legislativa do Maranhão. Anais da sessão de 13 de outubro de 1947. São Luís: ALEMA, 1948.
- O Imparcial. “Morte de Saturnino Bello”, edição de 17 de janeiro de 1951, p. 1.
- SOUZA, Marina. *Conflitos eleitorais no Maranhão pós-Estado Novo*. Dissertação (Mestrado) - Universidade Federal do Maranhão, 2012.
- Diário Oficial do Estado do Maranhão. Decreto-Lei nº 1 462/1946. São Luís, dez. 1946.
- Biblioteca Nacional. Hemeroteca digital - Decreto-Lei nº 1 462/1946 (ensino normal).
Referências
- ↑ «História do Maranhão». Consultado em 19 de setembro de 2011. Arquivado do original em 5 de março de 2016
- ↑ «O início da revolta de 1950». Consultado em 19 de setembro de 2011. Arquivado do original em 2 de janeiro de 2007
- ↑ a b c d «Em Pauta» (PDF). Tribunal de Contas do Maranhão. 2017: 13
- ↑ a b c d e f g «Uma Data Maranhense» (PDF). Diário de S. Luiz. 1946
- ↑ a b SILVA, Tiago Rodrigues da,; COSTA, Odaléia Alves da (2020). «AS ESCOLAS NORMAIS REGIONAIS/RURAIS PELO ESTADO DO MARANHÃO NOS ANOS 1950». EDUCA Revista Multidisciplinar em Educação: 1077
- ↑ «IRB | Tribunal de Contas do Estado do Maranhão». Consultado em 15 de maio de 2025
- ↑ CPDOC-FGV, ed. (2013). «Verbetes da Primeira República: "Bello, Saturnino"» (PDF). Consultado em 14 de julho de 2025
- ↑ «História do Tribunal de Contas do Estado do Maranhão». Tribunal de Contas do Estado do Maranhão. Consultado em 14 de julho de 2025
- ↑ «Decreto-Lei nº 1 462/1946 (ensino normal)» (PDF). Biblioteca Nacional. 1946. Consultado em 14 de julho de 2025
- ↑ Archer, Sebastião (1948). Anais da Assembleia Legislativa do Maranhão (1947). [S.l.]: Assembleia Legislativa do Maranhão
- ↑ Souza, Marina (2012). Conflitos eleitorais no Maranhão pós-Estado Novo (Tese). UFMA
- ↑ Correia, José (17 de janeiro de 1951). «Morte de Saturnino Bello». O Imparcial. p. 1
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