Ali ibne Jafar ibne Falá

Cutbe Adaulá Alboácem Ali ibne Jafar ibne Falá (em árabe: قطب الدولة علي بن جعفر بن فلاح; romaniz.: Quṭb al-Dawla Abū al-Ḥasan ʿAlī ibn Jaʾfar ibn Fallāh) (fl. 1000 – 1021) foi um comandante e governador fatímida a serviço do califa Aláqueme (r. 996–1021).

Vida

Ali era filho de Jafar ibne Falá, um proeminente general cotama berbere. Ali sucedeu seu irmão Solimão — um general que havia servido como governador de Damasco no final do século X — como chefe da família.[1] Após a morte do sucessor de Solimão no governo de Damasco, o comandante berbere Jaixe ibne Sansama, em 1000, Ali tornou-se governador.[2] Ali retornou ao Egito por volta de 1005 ou antes. Lá, enfrentou um exército nômade árabe-berbere liderado pelo chefe omíada Abu Racua. Este derrotou Ali em Guiza, e a notícia de sua derrota para os nômades de Abu Racua causou pânico no Cairo. Abu Racua ignorou o Cairo e avançou para saquear o oásis de Faium, ao sul, onde foi derrotado por um exército fatímida sob o comando de Alfadle ibne Sale.[3] Ali é provavelmente a pessoa mencionada em uma inscrição encontrada acima da mesquita de Salamia na Síria central, como responsável pela construção de um mausoléu para um dos "imames ocultos" dos fatímidas, Abedalá. Ali havia capturado Salamia para os fatímidas e provavelmente construiu o mausoléu em 1009. Ele foi posteriormente restaurado pelo chefe local Calafe ibne Mulaibe em 1088.[4][5]

Em julho de 1013, o califa fatímida Aláqueme concedeu a Ali o título de Cutbe Adaulá (Qutb al-Dawla; Eixo do Estado) e o nomeou comandante de um exército cotama de 24 mil homens, com a missão de conter os jarráidas, uma clã tribal beduína que controlava a Palestina.[6][7] Ali entrou na capital da Palestina, Ramla, e os filhos do chefe jarráida Mufarrije ibne Daguefal, Ali e Mamude, declararam sua lealdade a Aláqueme. Mufarrije, por sua vez, foi envenenado e morto por seu secretário, a mando de Aláqueme, que posteriormente executou o secretário.[6] Segundo o historiador Hugh N. Kennedy, Ali foi o "comandante mais confiável de Aláqueme ... o grande sobrevivente político do reinado",[8] um período em que diversos comandantes e oficiais de alto escalão foram executados por Aláqueme.[9] Ali morreu pouco antes do califa, c. 1021, em um acidente de montaria.[8] O filho de Ali, Safi Adaulá, serviu como governador fatímida de Alepo em 1022–1023.[10]

Referências

  1. Kennedy 2004, pp. 328, 331.
  2. Kennedy 2004, p. 331.
  3. Kennedy 2004, p. 332.
  4. Sharon 2007, pp. 160–161.
  5. Kramers & Daftary 1995, p. 922.
  6. a b Gil 1997, pp. 383–384.
  7. Kennedy 2004, p. 333.
  8. a b Kennedy 2016, p. 284.
  9. Kennedy 2004, pp. 331, 335.
  10. Zakkar 1971, pp. 64–65.

Bibliografia

  • Gil, Moshe (1997) [1983]. A History of Palestine, 634–1099. Cambrígia: Imprensa da Universidade de Cambrígia. ISBN 0-521-59984-9 
  • Kennedy, Hugh N. (2004). The Prophet and the Age of the Caliphates: The Islamic Near East from the 6th to the 11th Century 2ª ed. Harlow, RU: Pearson Education Ltd. ISBN 0-582-40525-4 
  • Kennedy, Hugh N. (2016). The Prophet and the Age of the Caliphates: The Islamic Near East from the 6th to the 11th Century 3ª ed. Londres e Nova Iorque: Routledge. ISBN 978-1-138-78760-5 
  • Kramers, J. H.; Daftary, F. (1995). «Salamiyya». In: Bosworth, C. E.; van Donzel, E.; Heinrichs, W. P. & Lecomte, G. The Encyclopaedia of Islam, Second Edition. Volume VIII: Ned–Sam. Leida: E. J. Brill. pp. 921–923. ISBN 978-90-04-09834-3 
  • Sharon, Moshe (2007). Squeezes in the Max Van Berchem Collection (Palestine, Trans-Jordan, Northern Syria): Squeezes 1 - 84. Leida e Boston: Brill. ISBN 978-90-04-15780-4 
  • Zakkar, Suhayl (1971). The Emirate of Alepo: 1004–1094. Beirute: Dar al-Amanah. OCLC 759803726