Abedalá Arradi
Abu Ali Huceine ibne Amade ibne Abedalá ibne Maomé ibne Ismail (em árabe: ابو علي الحسين بن أحمد ٱبْن عَبْد ٱللَّٰه ٱبْن مُحَمَّد ٱبْن إسْماعِيل; romaniz.: Abu ʿAlī al-Ḥusayn ibn Aḥmad ibn ʿAbd Allāh ibn Muḥammad ibn Ismāʿīl, c. 825 – 881), também conhecido como Azaqui (al-Zakī; lit. "o Puro"), Arradi (ar-Raḍī; lit. "o Satisfeito") e Almoctada Alhadi (al-Muqtadā al-Hādī; lit. "aquele cujo exemplo deve ser seguido, e que guia"), foi um descendente do profeta islâmico Maomé e o décimo dos imames ismaelitas, sucedendo seu pai, Maomé Ataqui (m. 840). Antes de sua morte em 881, ele confiou o cuidado de seu filho e sucessor, Abedalá Almadi Bilá, então com cerca de oito anos de idade, ao seu irmão pleno, Saíde Alcair, também conhecido como Abu Axalaguelague.
Antecedente histórico
Com a morte de Jafar Alçadique em 765, Ismail (m. 775) e Maomé (m. 813), a gravidade da perseguição aos imames ismaelitas (imames) e a seus apoiadores pelos abássidas aumentou consideravelmente.[1][2] Os imames ismaelitas foram obrigados a se ocultar; assim, o primeiro dawr al-satr ("período de ocultação")[a] vigorou de 765 a 909. Durante esse período, os imames eram conhecidos como al-a'imma al-mastūrīn (lit. "os imames ocultos").[1][4][5] A identidade do imame era ocultada para protegê-lo da perseguição abássida, e a comunidade continuava a operar sob a autoridade de Maomé ibne Ismail.[6] Segundo a tradição posterior, esses imames foram Abedalá (8.º imame), Amade (9.º imame) e Huceine (10º imame).[7][8] Entre os historiadores ismaelitas posteriores, Amade ibne Ibraim Anaissaburi, autor de Istitār al-Imām, compilado sob o imamato do califa fatímida Alaziz Bilá (r. 975–995), parece ser o primeiro a mencionar os nomes dos três imames "ocultos".[8] Uma historiadora moderna do período fatímida, Shainool Jiwa, explica que durante o dawr al-satr a doutrina ismaelita havia se espalhado desde o Iêmem até a Ifríquia (a atual Tunisia e o leste da Argélia), tendo como seus adeptos mais proeminentes os cotamas berberes do Norte da África.[9]
Vida
Huceine ibne Abade nasceu em 825 e assumiu o imamato em 840.[10] Seu hujate foi Amade, apelidado Aláqueme, um descendente de Huceine ibne Ali, a quem Abedalá ibne Maimune Alcada havia transmitido sua posição.[11][10] A residência de Arradi ficava em Salamia, onde ele vivia entre os haxemitas e agia como se fosse um deles.[12] Ele oferecia presentes aos governadores locais e era generoso em hospitalidade.[12][13][14] Diz-se que ele concedia auxílios de seus bens às pessoas pobres e incapacitadas em Salamia, sem distinção entre ismaelitas e não-ismaelitas.[10] Seu pai, Maomé Ataqui (Amade), é lembrado por sua Enciclopédia dos irmãos da pureza (Rasāʿil Ikhwān al-ṣafā), que seu filho teria resumido em seu Jāmiʿat al-Jāmiʿa. Arradi é lembrado por sua dawah ou atividade missionária.[12][15][16]
Ele organizou a propaganda, expandiu-a ainda mais, difundiu instruções a seus seguidores, tornando-a manifesta; estabeleceu provas, explicou as riçalas (aparentemente a Enciclopédia dos Ikhwān al-ṣafā’) e enviou seus dais por toda parte. Assim, tornou a verdadeira religião visível para aqueles que a buscavam.[16]
— Idris Imadadim, ʿUyūn al-Akhbār
Arradi viajou a Cufa, em peregrinação aos túmulos de Ali e de seu filho, Huceine.[14][12] Enquanto esteve ali, encontrou ibne Hauxabe, que era dos xiitas duodecimanos e estava ligado a Haçane Alascari. Encontrou também Ali ibne Alfadle Aljaixani. Ele enviou ambos ao Iêmem para estabelecer ali o caminho do ismaelismo.[12] Eles chegaram ao Iêmem, conquistaram Saná, a capital do país, exilaram a tribo governante dos laidiritas e estabeleceram a autoridade ismaelita no Iêmem.[15] Arradi morreu em 881, em Salamia, enquanto viajava na região. Antes de sua morte, nomeou seu irmão, Saíde Alcair, também conhecido como Abu Axalaguelague, como seu depositário. Ele designou igualmente Abu Axalaguelague como tutor de seu filho, Almadi.[15][17][18] Consta no Istitār al-Imām que o tutor, o “imame atuante”, tentou usurpar o imamato para sua própria linhagem, nomeando sucessivamente seus filhos como herdeiros, mas todos eles morreram.[19][20]
Notas
Referências
- ↑ a b c Tajddin 1997, p. 177.
- ↑ Daftary 2007, pp. 90, 95–96.
- ↑ Nasr 1966, p. 159.
- ↑ Makarem 1969.
- ↑ Daftary 2007, p. 712.
- ↑ Daftary 1998, p. 3.
- ↑ Daftary 2007, pp. 100, 507.
- ↑ a b Tajddin 1997, p. 205.
- ↑ Jiwa 2018, p. 79.
- ↑ a b c Tajddin 2009, p. 31.
- ↑ Ivanow 1942, p. 256.
- ↑ a b c d e Hollister 1953, p. 209.
- ↑ Tajddin 1997, p. 202.
- ↑ a b Ivanow 1942, p. 37.
- ↑ a b c Tajddin 2009, p. 32.
- ↑ a b Ivanow 1942, p. 36.
- ↑ Daftary 2007, pp. 99–100.
- ↑ Hollister 1953, pp. 210–211.
- ↑ Ivanow 1942, p. 42.
- ↑ Daftary 2007, p. 100.
Bibliografia
- Daftary, Farhad (1998). A short history of the Ismailis. Edimburgo: Edinburgh University Press. ISBN 978-0-7486-0687-0
- Daftary, Farhad (2007). The Isma'ilis: Their History and Doctrines. Cambrígia: Imprensa da Universidade de Cambrígia. ISBN 978-0-521-61636-2
- Hollister, John Norman (1953). The Shi'a of India. Hilversum: Luzac. ISBN 978-8170691068
- Ivanow, Vladimir (1942). Ismaili Tradition Concerning the Rise of the Fatimids. [S.l.]: Islamic Research Association. ISBN 978-0-598-52924-4
- Jiwa, Shainool (2018). The Fatimids. 1. The Rise of a Muslim Empire. Londres e Nova Iorque: I.B. Tauris. ISBN 978-1-78453-935-1
- Makarem, Sami Nasib (1969). «The Hidden Imams of the Ismailis». al-Abhath. XXI: 23–37
- Nasr, Seyyed Hossein (1966). Ideals and Realities of Islam. Londres: Praeger
- Tajddin, Mumtaz Ali (1997). Ismailis Through History (PDF). Carachi: Islamic Book Publisher
- Tajddin, Mumtaz Ali (2009). Brief history of the Shia Ismaili Imams. Carachi: Islamic Book Publisher