Alfadle ibne Abas

Alfadle ibne Abas (em árabe: فضل بن عباس; romaniz.: al-Faḍl b. al-ʿAbbās b. ʿAbd al-Muṭṭalib) foi um irmão de Abedalá ibne Abas e primo do profeta islâmico Maomé.

Vida

Alfadle era filho de Alabás ibne Abedal Motalibe, tio de Maomé, e Lubaba binte Alharite, a irmão de Maimuna, uma das esposas de Maomé. Alfadle esteve com o profeta na conquista de Meca (630) e na Batalha de Hunaine. No dia de Hunaine, quando o exército entrou em debandada, ele foi um dos que não se afastaram de Maomé, permanecendo ao seu redor e protegendo-o. Durante a peregrinação de despedida (ḥajj al-wadāʿ), por ter seguido montado na garupa do camelo do Maomé desde Musdalifa até Mina, passou a ser chamado Ridfu Rasūl Allāh ("aquele que vai na garupa do Mensageiro de Deus"), alcunha pela qual ficou conhecido desde então. Diz-se que Alfadle, ainda jovem e solteiro, deixou seu olhar deter-se sobre uma moça entre os participantes da peregrinação de despedida. Maomé então, por várias vezes, voltou-lhe o rosto para o outro lado com a mão e disse: "Ó meu sobrinho, este é um dia tal que, quem nele dominar seus olhos, seus ouvidos e sua língua, Deus lhe perdoará os pecados".[1]

Por conselho de seu pai, Alfadle pediu a Maomé que o nomeasse coletor do zacate. O profeta, porém, afirmando que o zacate é a impureza dos bens e que, por isso, não considerava apropriado confiar essa função à família de Maomé, casou-o com Safia, filha de Mamia ibne Jaz, e ele próprio fixou o dote da noiva. Desse casamento, Alfadle teve apenas uma filha, chamada Ume Cultume. Ume Cultume casou-se primeiro com Haçane ibne Ali e, depois de separar-se dele, contraiu matrimônio com Abu Muça Alaxari. Sabe-se que, durante a última enfermidade de Maomé, Alfadle, juntamente com Ali, tomou-o pelo braço e o conduziu à mesquita, e que, no momento de seu falecimento, estava ao seu lado, vertendo a água quando seu corpo foi lavado para o funeral.[1]

Após a morte de Maomé, Alfadle participou da campanha à Síria com o exército islâmico. Pouco se sabe sobre sua vida posterior e, por isso, as fontes divergem quanto ao local e à data de sua morte. Algumas afirmam que ele participou da Batalha de Ajenadaim, que morreu durante o surto da Peste de Emaús, no ano 18/639, nas proximidades da Jordânia, durante o califado de Omar (r. 634–644), e que foi sepultado num antigo cemitério em Ramla, na Palestina. Outras dizem que foi martirizado na Batalha de Marje Assafar, ocorrida em 14/635. Segundo Albucari e Ibne Hajar, porém, ele foi martirizado na Batalha do Jarmuque (ou de Iamama). Ibne Hibane registra que, nessa ocasião, ele tinha vinte e dois anos. Alfadle transmitiu vinte e quatro hádices do profeta. Transmitiram dele seus irmãos Abedalá e Cutame, seu sobrinho Alabás ibne Ubaide Alá, Abu Huraira e outros. Diz-se que, por ter falecido jovem, as transmissões atribuídas a ele — excetuadas as de Abedalá ibne Abas e Abu Huraira — são do tipo mursal. Seus relatos figuram nos Kutub al-Sitta e em outras coleções clássicas de hádice.[2]

Referências

  1. a b Başaran 1995, p. 272.
  2. Başaran 1995, p. 273.

Bibliografia

  • Başaran, Selman (1995). «Fazl b. Abbas b. Abdulmuttalib». TDV İslâm Ansiklopedisi’nin [Enciclopédia Islâmica TDV]. 12. Istambul: Turkiye Diyanet Vakfi Islâm Ansiklopedisi [Fundação Religiosa Turca Enciclopédia Islâmica]. Consultado em 1 de janeiro de 2026