Maimuna binte Alharite

Maimuna binte Alharite Alilalia (em árabe: مَيْمُونَة ٱبْنَت ٱلْحَارِث ٱلْهِلَالِيَّة; romaniz.: Maymūna bint al-Ḥārith al-Hilālīyya; c. 594671) foi a décima primeira e última esposa de Maomé.

Vida

Maimuna nasceu por volta do ano 590 e era filha de Alharite ibne Hasne e Hinde ibne Aufe. Entre seus irmãos consanguíneos estavam Lubaba binte Alharite (também chamada Lubaba Alcubra, "Lubaba, a Maior"), esposa de Ibne Abas, e Alasma binte Alharite ibne Hasne (conhecida como Lubaba Açogra, ou "Lubaba, a Menor"), mãe de Calide ibne Ualide; e, entre os irmãos uterinos, Salma binte Umais, esposa de Hâmeza, Asma binte Umais, esposa de Jafar ibne Abi Talibe, e Zainabe binte Cuzaima, que permaneceu casada com Maomé por cerca de três meses antes de falecer. Depois de se separar de Maçude ibne Anre Atacafi, com quem se casara pouco antes do surgimento do Islã, Maimuna casou-se com Abu Rume ibne Abede Aluza. Após a morte deste, confidenciou a Alasma binte Alharite seu desejo de casar-se com Maomé.[1]

Alabás ou Jafar ibne Abi Talibe também teriam proposto a Maomé que a desposasse. Enquanto se preparava para a ʿUmrat al-Qaḍaʾ, Maomé enviou mensagem a seu tio Alabás, em Meca, pedindo-lhe que intermediasse o casamento. Maimuna havia aceitado o Islã antes da Hégira (632) e, ao tomar conhecimento da intenção matrimonial, ofereceu-se ao profeta. Relata-se que, em razão desse episódio, foi revelado o versículo (al-Aḥzâb 33/50) que autoriza exclusivamente ao profeta contrair casamento com a mulher crente que se oferece a ele, caso ele assim o deseje. Diz-se ainda que Maomé lhe concedeu um dote de 500 dirrãs e que, a partir desse casamento, Maimuna não voltou a se casar. Antes de se casar com Maomé, Maimuna chamava-se Barra. Por considerar que portar esse nome — que significa "generosa, íntegra e obediente" — implicava uma forma de autojustificação, o profeta mudou-lhe o nome para Maimuna.[1]

Entende-se que Maomé, que em alguns de seus casamentos também visava objetivos políticos, buscou com essa união estabelecer laços de parentesco com a poderosa tribo árabe dos amiritas, à qual Maimuna pertencia, especialmente após o Massacre de Bir Mauna (625), no qual cerca de setenta companheiros foram martirizados. O profeta desejou celebrar o casamento em Meca, mas, como os politeístas alegaram que o prazo concedido para a umra havia expirado e o pressionaram a deixar a cidade, o matrimônio realizou-se no mês de Dulcada do ano 7 (março de 629), no local chamado Serife, na estrada entre Meca e Medina, hoje conhecido como Nuvairia. Embora haja divergências sobre se o casamento foi celebrado enquanto Maomé ainda estava em iḥrām ou após sair dele, conclui-se que o casamento (nikāḥ) foi realizado quando ele ainda se encontrava em iḥrām, e a consumação ocorreu após a umra. Após esse casamento, delegações da tribo amirita dirigiram-se a Medina, encontraram-se com Maomé e a tribo aceitou o Islã.[2]

Ibne Abas, desejando observar como o profeta realizava suas devoções noturnas, por vezes dormia na casa de Maimuna e pedia à tia que o despertasse quando Maomé acordasse; ele transmitiu suas observações a esse respeito.[3] Maimuna faleceu no ano 51 (671), quando se encontrava em Serife ou em Meca, e foi sepultada em Serife; a oração fúnebre foi conduzida por Ibne Abas. Embora se diga também que morreu nos anos 61 (680/1), 63 (682/3) ou 66 (685/6), a afirmação de Aixa (m. 58/678) — "Maimuna era a mais piedosa entre nós e a que mais zelava pelos laços de parentesco" — indica que ela faleceu antes de 678, demonstrando a imprecisão do relato segundo o qual Maimuna teria sido a última das mães dos crentes a morrer. Também se registra que ela teria falecido em 39 (659/60) ou em 49 (669). Consta que Maimuna transmitiu setenta e seis hádices de Maomé, incluídos nos Kutub al-Sitta: sete nos Ṣaḥîḥayn, um apenas no Ṣaḥîḥ de Albucari e cinco apenas no Ṣaḥîḥ de Muslim ibne Alhajaje. Sessenta de seus relatos encontram-se no al-Musnad de Amade ibne Hambal (VI.329–336). Esses hádices foram transmitidos por seus sobrinhos Ibne Abas, Abedalá ibne Xadade ibne Alhade, Iázide ibne Assame, Abderramão ibne Saíde, por seus libertos Solimão ibne Iassar e Ata ibne Iassar, pelo liberto de Ibne Abas, Curaibe, e por outros.[2]

Referências

  1. a b Kandemir 2004, p. 506.
  2. a b Kandemir 2004, p. 507.
  3. Kandemir 2004, p. 506-507.

Bibliografia

  • Kandemir, M. Yaşar (2004). «Meymûne». TDV İslâm Ansiklopedisi’nin [Enciclopédia Islâmica TDV]. 29. Istambul: Turkiye Diyanet Vakfi Islâm Ansiklopedisi [Fundação Religiosa Turca Enciclopédia Islâmica]. Consultado em 1 de janeiro de 2026