Alcarràs (filme)
Alcarràs
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|---|---|
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2022 • cor • 120 min | |
| Género | drama |
| Direção | Carla Simón |
| Produção | Elastica Films Avalon P.C Vilaüt Films Kino Produzioni Movistar+ RTVE TV3 |
| Produção executiva | María Zamora Stefan Schmitz Tono Folguera Amorós Sergi Moreno Giovanni Pompili |
| Roteiro | Carla Simón Arnau Vilaró |
| Elenco | Jordi Pujol Dolcet Anna Otin Xènia Roset Albert Bosch Ainet Jounou Josep Abad Montse Oró |
| Música | Andrea Koch |
| Direção de fotografia | Daniela Cajías |
| Edição | Ana Pfaff |
| Lançamento | 29 de abril de 2022 |
| Idioma | catalão |
| Orçamento | € 3 000 000 |
| Receita | € 2 322 899 (até 06/11/2022)[1] |
Alcarràs é um longa-metragem hispânico-italiano de drama lançado em 2022 dirigido por Carla Simón e escrito pela mesma junto a Arnau Vilaró.[2][3] Ambientado e filmado em Alcarràs, Catalunha, no dialeto ocidental espanhol, catalão, apresentando um elenco não profissional de atores, conta uma história familiar sobre o desaparecimento de seu estilo vida baseado na colheita de pêssego. Vencedor do Urso de Ouro no 72.º Festival Internacional de Cinema de Berlim, converteu-se no primeiro filme da história nesta língua a receber este prémio.[4][5] Ademais, foi escolhido Representante Espanhol na corrida pelos Óscar como melhor filme internacional.[6]
Enredo
Ambientado em Alcarràs (localidade do leste da Catalunha), o enredo consiste num drama rural familiar sobre o desaparecimento das atividades agrícolas. Depois de 80 anos e três gerações cultivando as mesmas terras (uma plantação de pessegueiros), a família Solé é forçada a deixá-las no final do verão, pois no local vai ser instalado um campo de painéis fotovoltaicos.[7][8]
Alcarràs é a história desta espera, a crónica de um último verão ao longo dos dois meses de colheita. Em soma, a testemunha de um ecossistema rachado. A família atua como um só, sem esquecer as individualidades de cada uma das personagens e sua forma de enfrentar a adversidade.[9]
Elenco
- Jordi Pujol Dolcet: Quimet
- Anna Rodríguez Otín: Dolors
- Xènia Roset: Mariona[2]
- Albert Bosch: Roger
- Ainet Jounou: Iris
- Josep Abad: Rogelio
- Montse Oró: Nati
- Carles Cabós: Cisco
- Isaac Rovira: Paz[10]
- Joel Rovira: Pere
- Berta Pipó: Glòria
- Elna Folguera: Teia[11]
- Antònia Castells: Pepita[12]
Produção
Roteiro

A morte do seu avô fez que a cineasta Carla Simón sentisse a necessidade de pôr o holofote no seu legado e de se perguntar o que aconteceu com a terra que ele trabalhou. O roteiro foi escrito a quatro mãos por Simón, baseando-se na lembrança do seu avô e dos seus tios, que seguem a cultivar pêssegos, juntamente com Arnau Vilaró, filho e neto de camponeses, quem Simón conheceu na universidade.[13] O processo de escritura teve até 22 versões.[9]
Filmagem
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O filme foi produzido por Avalon e Vilaüt Filmes, juntamente com Kino Produzioni e TV3, com a participação de RTVE e Movistar+ e o apoio do Instituto da Cinematografia e das Artes Audiovisuais, o Instituto Catalão das Empresas Culturais, Creative Europe MEDIA, Eurimages, MIBACT e a Deputação de Lérida.[3] O orçamento aproximado foi de três milhões de euros.[14][15] A diretora de fotografia foi a boliviana Daniela Cajías, ganhadora de um prêmio Goya.[16]
A produção devia ter começado em março de 2020, mas o estouro da pandemia de COVID-19 obrigou a adiar temporariamente o projeto. A idade dos atores da filmagem, entre os quais há pessoas idosas, também fez aumentar as medidas sanitárias de prevenção.[17]
Finalmente, a equipe de filmagem começou o 1.º de junho de 2021 na localidade de Alcarràs no meio da temporada de colheita de fruta; em localizações reais e filmadas sem filtros.[13][18] Parte do filme também se filmou em vilarejos próximos como Sucs, Monral, el Puntal, la Llitera, Fraga, Massalcoreig e La Granja d'Escarp.[19][20][21][22]
A filmagem finalizou depois de oito semanas e, contudo, contou-se da colaboração de até 24 municípios das comarcas do Segrià, o Pla d'Urgell, a Noguera e a Faixa de Aragão.[3][23]
Casting

O elenco coral que integra a família Solé está formado por intérpretes amadores da região, selecionados em entrevistas individuais.[8][9] O casting iniciou-se em 2019, desempenhou-se durante um ano com a participação de mais de 9.000 aspirantes sem experiência prévia no mundo da interpretação. Segundo Simón, esta decisão foi tomada para selecionar pessoas que trabalhassem a terra e que falassem o dialeto catalão norte-ocidental.[24] A diretora de càsting foi Mireia Juárez, quem já selecionara o elenco de obras cinematográficas como Truman, El olivo e Estiu 1993.[25]
Intérpretes
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As personagens de ficção, portanto, têm características das pessoas reais que os interpretam. Jordi Pujol Dolcet (Quimet) tinha deixado de cultivas as terras da família catorze anos atrás por conta dos preços que se pagavam pela fruta; Anna Rodríguez Otín (Dolors) trabalhou colhendo fruta nos verões para poder pagar os estudos de magistério;[26] Josep Abad (Rogelio) é camponês desde os catorze anos, assim como Albert Bosch (Roger).[27][28] A única atriz profissional da filmagem é a Berta Pipó (irmã da diretora, Carla Simón), quem encarna a Glória, irmã do Quimet.[25]
Antes da filmagem, Simón convocou o elenco numa masia, onde trabalharam três meses se familiarizando com seus papéis de um jeito imformal, ensaiando algumas das cenas por duplas e em grupo; até gravaram cenas prévias à ação do filme, fato que os ajudou a entrar na história e ser mais conscientes dos seus papéis, e surgindo assim os vínculos e a familiaridade entre os atores que se reflete ao longo do filme.[26]
Pós-produção
Montagem
A montagem de Alcarràs, ao longo de quase num ano de trabalho, foi a cargo de Ana Pfaff, ganhadora de dois Prémios Gaudí por Verão 1993 (2018) e Els dies que vindran (2020), parcerias também com a diretora Carla Simón.[29]
Música
Entre a música que escuta-se durante o filme, destaca Cançó de pandero, uma música transmitida oralmente que acompanha os trabalhos agrícolas, que liga o passado à geração mais nova, que é quem a canta. Neste caso, trata-se de uma letra escrita pelos roteiristas do filme, Carla Simón e Arnau Vilaró, e arranjada pelo guitarrista de jazz Ernest Pipó. Também soam La presó del rei de França, interpretada pelos Grallers de Almacelles seguindo a versão instrumental que popularizou a Companyia Elèctrica Dharma; Plan 10 de Dr. Calypso e Ton pare no té nas, interpretada pelo Coro Banahà de Bellvís.[30]
Estreia

Cinco anos depois que Carla Simón ganhasse o Grande Prémio do Júri pela obra Verão 1993 ao 67.º Festival Internacional de Cinema de Berlim, Alcarràs foi exibida na competição oficial do 72.º Festival Internacional de Cinema de Berlim, em 15 de Fevereiro de 2022.
O júri do certamen distinguiu-a em 16 de fevereiro ganhou o Urso de Ouro dessa edição –fato que a tornou o primeiro filme em catalão a receber este prémio–[2][18] pelas «extraordinárias interpretações, tanto dos atores infantis como dos atores de mais de oitenta anos», e pela capacidade de «mostrar a tendresa e a comédia da família e o retrato da dependência da terra», em palavras do diretor de cinema e presidente do júri M. Night Shyamalan.[31] A retransmissão em direto da cerimónia de entrega de prémios do festival foi seguida numa tela gigante no casino de Alcarràs, por mais de duzentos vizinhos e uma dezena dos intérpretes que acabavam de chegar da capital alemã.[32]
Depois de ganhar o Urso de Ouro em Berlim, Alcarràs, que deveria ter competido pela Bisnaga de Ouro do 25.º Festival de Málaga, foi exibido só na secção oficial fora de concurso.[33]
A prê-estreia do filme aconteceu em 26 de abril na Llotja de Lleida, ante 1.000 espectadores, com a presença da diretora, a equipe artística, o presidente da Generalitat Pere Aragonès e o prefeito Miquel Pueyo, e foi objeto de uma longa ovação final. Distribuída por Avalon ao Estado espanhol, Alcarràs estreou-se comercialmente nas salas de cinema em 29 de Abril de 2022.[34][35]
Na primeira semana da sua exibição comercial, foram distribuídas 169 cópias. 13 treze localidades do leste catalão sem cinema reabriram suas salas para a estrear.[36] Alcarràs foi a melhor estreia em catalão da última década, desde Bruc (2010), e situou-se na segunda posição da bilheteria espanhola, chegando a convocar 60.000 espectadores e arrecadando mais de 400.000 euros, três quartas partes só na Catalunha, e contando de uma boa distribuição internacional; entre o verão e o outono estreou-se à maioria de países.[37] A distribuição internacional foi a cargo de MK2 Filmes e Mubi comprou os direitos para os países anglo-saxãos, a América Latina e o sudeste asiático.[14][38]
Em Portugal, Alcarràs foi lançado em 14 de julho;[39] enquanto no Brasil, o fime foi estreado na Mostra Internacional de Cinema de São Paulo, em 21 de outubro.[40]
Na sexta-feira 19 de Agosto de 2022, depois de somar 365.000 espectadores nas salas de cinema da Espanha e mais de 2,2 milhões de euros arrecadados, Alcarràs fez o salto às plataformas audiovisuais de reprodução em linha: Filmin, Prime Video, iTunes, Movistar Plus+, Vodafone TV, Orange TV, Google Play e Rakuten.[41]
Controvérsia
Como as salas de cinema têm liberdade para eleger a versão, isso fez que algumas optassem por projetar o filme legendado em castelhano em alguns cinemas catalães, argumentando que ajudava a entender todos os diálogos e que podia ser interessamte para a comunidade não catalanofalante. A cópia digital do filme que foi distribuída com a versão original (VO), com legendas em castelhano ou inglês e dublada ao castelhano. A polémica sobre as legendas acabou favorecendo a bilheteria das salas que programavam a VO.[42] Alguns espectadores reclamaram à sala a devolução do dinheiro do ingresso, por ter exibido a versão legendada em castelhano sem haver sido avisado.[43][44]
Crítica
Sergi Sánchez, na sua resenha na revista Fotogramas, destacou a transparência da câmara, o equilíbrio dos pontos de vista narrativos e o trabalho dos atores não profissionais.[45] Tim Robey, do The Telegraph, puntuou o filme com 5 estrelas sobre 5.[46] Na Variety, Guy Lodge, considerou que Alcarràs confirma «a força e a coerência da voz de Simón» depois de Estiu 1993, e ainda adicionou que «equilibra uma consciência política cativante com seu drama doméstico».[47]
Eulàlia Iglesias, no jornal Ara, viu um retrato de raiz neorrealista «que privilegia o compromisso de veracidade do meio retratado e a perspetiva humanista» de uma família camponesa, no que é «a crónica do fim de toda uma forma de entender um vínculo coletivo com a terra».[48] Na publicação digital Núvol, Carlota Rubio relacionou Alcarràs com o conceito «essencialismo estratégico» introduzido pela filósofa indiana Gayatri Spivak, pelo qual grupos diversos unem forças temporariamente por uma causa maior como acontece no filme com respeito à questão de género, a língua ou a descentralização territorial.[49]
Prémios
| Ano | Prémio | Categoria | Resultado |
|---|---|---|---|
| 2022 | 72.º Festival Internacional de Cinema de Berlim[50] | Urso de Ouro | Vencedor |
| 35.º Prémios do Cinema Europeu[51] | Melhor filme | Indicado | |
| Melhor roteiro | |||
| European University Film | |||
| 2023 | 15.º Prêmios Gaudí[52] | Melhor filme | Vencedor |
| Melhor direção | |||
| Melhor roteiro | |||
| Melhor dir. de produção | |||
| Prémio especial do público | |||
| Ator revelação (Albert Bosch) | Indicado | ||
| Atriz revelação (Xènia Roset) | |||
| Atriz secundária (Berta Pipó) | |||
| Atriz secundária (Montse Oró) | |||
| Ator secundário (Josep Abad) | |||
| Montagem | |||
| Música original | |||
| Fotografia | |||
| Figurino | |||
| Som | |||
| 10.º Prémios Feroz[53] | Melhor direção | Vencedor | |
| Melhor drama | Indicado | ||
| Melhor roteiro | |||
| 37.º Prémios Goya[54] | Melhor filme | Indicado | |
| Melhor direção | |||
| Melhor roteiro original | |||
| Ator revelação (Albert Bosch) | |||
| Ator revelação (Jordi Pujol) | |||
| Atriz revelação (Anna Rodríguez) | |||
| Montagem | |||
| Direção de produção | |||
| Fotografia | |||
| Direção de arte | |||
| Som |
Alcarràs foi um dos trinta filmes pré-selecionados para os 35.º Prémios do Cinema Europeu, entregues em 10 de Dezembro numa gala em Reykjavík; mas não ganhou nenhuma das três categorias às que foi indicado[55] A Academia de Cinema da Espanha escolheu Alcarràs para a corrida pelos Óscar como melhor filme internacional,[6] mas não foi uma das finalistas.[56] Nos prémios Gaudi, Alcarrás venceu em 5 das 15 categorias em que foi indicado;[52] enquanto nos Goya o filme não teve sucesso en nenhuma das 11 indicações que tinha recebido,[54] a surpresa negativa da noite.[57]
Análise Sociológica
Contexto rural
Segundo a pesquisadora em literatura comparada Aina Vidal-Pérez, a terra protagoniza os três temas principais do filme: o trabalho, a propriedade e a transmissão. Alcarràs é um município localizado em uma região originalmente desértica que foi modificada para agricultura, sendo implantados um canal e sistemas de irrigação. No enredo, explica-se que a família latifundiária de Pinyol foi escondida pela família Solé durante a Guerra Civil espanhola e, como forma de retribuição, cederam-lhes uma pequena propriedade em usufruto, onde a família inicia uma agricultura familiar intensiva, plantando frutos para seu sustento. Contudo, a família Solé se vê ameaçada por um processo mais amplo de transformação da atividade econômica da região cuja forma de produção e existência (agricultura) está sendo tolhida por uma mudança tecnológica. Pinyol, o responsável legal pelo latifúndio que abarca as terras ocupadas pela família Solé, adere às modernizações, sem considerar a família protagonista e permite o empreendimento de energia solar, mais rentável para ele que a agricultura, a se instalar em sua propriedade.
O peso dessas mudanças é mais sentido por Quimet, que herda as terras de seu pai (Rogelio) e exerce a função de chefe da família, sentindo-se responsável por tentar salvá-los da conjuntura apresentada. Nesse contexto, o avô Rogelio refere-se a um passado, não tão longínquo, em que a produção agrícola era o setor econômico central. A família não tinha precisado se adaptar às monoculturas, aos abusos do atual sistema de distribuição alimentar nem às pragas de coelhos – quando seus predadores naturais não tinham sido extintos.
Para além disso, as formas tradicionais de existência da família na terra já eram permeadas por dimensões tecnológicas, como o maquinário utilizado nas plantações além do próprio sistema de irrigação artificial: porém, o avanço tecnológico da instalação das placas fotovoltaicas constrange a permanência da família na terra assim como suas formas de existência, visto que essa tecnologia opera não como uma ferramenta que facilita o exercício da agricultura familiar, mas sim como um empreendimento potencialmente lucrativo (não para a família Solé) que impossibilita a manutenção de tais formas tradicionais de existência ao servir à lógica capitalista de produção, indo além do ser humano.
A narrativa retrata parte da história do século XX no interior do país e resgata os territórios periféricos do esquecimento sofrido; espaços que interessam pouco ao tecido produtivo dominante do capitalismo global.
Contexto familiar
O longa-metragem reúne três gerações caracterizadas, diferenciadas e generificadas, cujas relações internas são complexas e intrincadas, assim como suas relações com a terra, com os tempos e saberes. O impacto das mudanças tecnológicas escancara essa teia de relações e, muitas vezes, compromete-as com uma nova camada, criando tensões e aproximações.
Segundo o historiador Jacques Le Goff: “A distinção entre passado e presente é um elemento essencial da concepção de tempo.” No enredo, essas duas dimensões estão sobrepostas e em convergência, sendo mais explicitadas pelos personagens mais velhos. Os avós se sentem desesperados e desesperançosos ao serem incapazes de compreender as modernizações que ameaçam a família Solé, são vítimas de algo que tampouco conseguem enfrentar. Utilizando o conceito do historiador Reinhart Koselleck, seu espaço de experiência é limitado e não os instrui a como agir diante das transformações, enquanto que o horizonte de expectativas aparece como uma incerteza sobre o futuro e suas possibilidades de sobrevivência e resistência. Rogelio estava acostumado com uma percepção cíclica do tempo, inerente aos ciclos das plantações e estações. Dessa forma, tal dinâmica cíclica cria uma expectativa de repetição: espera-se que as épocas de plantio e colheita, o cotidiano rural e as formas tradicionais de existência sejam como costumam ser, dado que sempre foi assim. O espaço da experiência se alimenta, portanto, não somente das experiências do presente, mas também as do passado que se renovam e, de certa forma, demarcam o futuro. Porém, com a instalação dos painéis solares de forma imperativa, o abismo entre o espaço de experiência e o horizonte de expectativas se intensifica: Os membros da família Solé mas, principalmente, Rogelio, não possuem capacidade de articular suas experiências acumuladas de forma a lidar com o horizonte de expectativas, agora mais aberto e contingente. A confusão e certa passividade de Rogelio diante das drásticas transformações ocorre por conta desse presente que parece descolar-se de seu espaço de experiência.
Rogelio, porém, tenta ajudar a família à sua maneira. Visita a casa de Pinyol e sua família na cidade, presenteando-nos com frutos da colheita Solé e rememorando o auxílio que prestou a eles e, que como gesto de gratidão, tinham dado, com a legitimidade de suas palavras, à família Solé suas terras. A lógica da dádiva[58] que move essa atitude do avô vem de uma tradição de vínculos sociais baseados em confiança entendida como ciclo natural: dar, receber e retribuir. Porém, seus esforços são falhos: para Pinyol essa lógica não é válida e a modernização e burocratização das propriedades estão do seu lado. Os esforços do avô se provam insuficientes, alimentando os sentimentos de impotência.
Tal tensão gerada pela distância entre o espaço da experiência e o horizonte de expectativas também é sentida pelos outros personagens, mesmo que de forma menos acentuada. Quimet, o filho condenado a ser herdeiro da terra recebe impositivamente a responsabilidade da manutenção e defesa da propriedade, reagindo e respondendo às mudanças de forma ativa e sob o estresse de salvar a sua propriedade e sua família. Isso porque, como ilumina Pierre Bourdieu, “o herdeiro, o mais velho, é a terra (ou a empresa) feita homem, feita corpo, encarnada sob a forma de uma estrutura geradora de práticas conformes ao imperativo fundamental da perpetuação da integridade do patrimônio.”[59]. Sendo assim, Quimet possui uma relação de simbiose com a terra, também se sente sob ataque e adoece, sofre com a terra e amplifica esse sofrimento, se faz visto, porém não permite que ninguém da sua família divida com ele essa luta por salvação, proporcionando um afastamento nesse tempo de maior necessidade.
Como determina o segundo princípio de estratégia matrimonial, o do primado do mais velhos sobre os mais novos, de acordo com Bourdieu[59], o patrimônio tende a ser o verdadeiro sujeito das relações e decisões políticas e econômicas da família. Isso porque a arbitrariedade do ato que institui herdeiro o filho mais velho, em detrimento dos mais novos, atribuindo uma distinção social e uma responsabilidade inerente a uma diferença biológica, determina o herdeiro como defensor e garantidor da terra. Tal dinâmica é expressa nos conflitos internos entre as relações de Quimet, que prioriza, como lhe é esperado pela lógica da instituição do herdeiro, a manutenção e preservação da propriedade, mesmo que em detrimento das relações familiares. O desentendimento e afastamento de suas irmãs e de seu cunhado é uma das expressões desse fenômeno.
As irmãs de Quimet não compartilham de sua experiência, não são condenadas à posição de herdeiras da propriedade, tampouco têm esse vínculo intrínseco com a terra e, por isso, são livres de relações indissociáveis com ela. Glòria o faz ao morar na cidade, em oposição ao campo e Nati e seu marido Cisco têm as suas liberdades escancaradas ao aceitarem a oferta de emprego no empreendimento de energia solar que ameaça o resto da família. O trabalho também foi ofertado a Quimet, porém aceitá-lo nunca foi uma possibilidade, sua simbiose com a terra não o permitiria. Ao ver que o cunhado estava contribuindo para o projeto que representa a ruína da terra e de sua produção e, por extensão, de Quimet, ele se sente traído e não se contém: avança fisicamente contra Cisco e cria uma ruptura em sua relação com ele e com a irmã.
Esse conflito e o afastamento entre irmãos impacta fortemente a terceira geração da família: os filhos de Quimet e sua irmã Nati. Roger, o filho mais velho, sem a companhia de seu tio Cisco durante a colheita na plantação, se sente isolado, estressado e não visto por seu pai, em relação aos seus esforços na plantação. Mariona, a filha do meio, também é atravessada pelos conflitos, decidindo até não participar da apresentação de dança que ocorre no festival da cidade, a qual ansiava por. Íris, a filha mais nova, é a mais afetada pois sente falta da presença, companhia e brincadeiras frequentes com os primos Pau e Pepe, filhos de Nati e Cisco. Assim, tal conflito não se esgota entre Quimet, Cisco e Nati, configura-se como uma fragmentação dentre as relações familiares, refletindo o efeito das transformações tecnológicas que afetam a terra sob a qual as formas tradicionais de existência dos personagens se firmam.
Em meio às tensões, também se encontram elos e relações fortificadas. É o caso das dinâmicas entre avós e netos, que se aproximam e trazem leveza nos tempos de incerteza. Sob a lógica da dádiva[58] de Marcel Mauss, Rogelio conta para Mariona, novamente, a história de como a família Solé ganhou as terras da família Pinyol como gratidão pela ajuda durante a Guerra Civil espanhola, enquanto colhem frutos para presentear a família Pinyol. Tal tradição oral, fortemente presente no espaço de experiência de Rogelio, contrasta com a modernização e burocratização das propriedades de terra, que exigem um documento jurídico que comprove a posse da família Solé ao terreno das plantações.
Outro exemplo de resiliência por meio de vínculos familiares é o momento em que as diferentes gerações se juntam para cantar, sem que esqueçam o contexto em que estão inseridos. A música evoca o contexto rural, o papel do avô no cultivo e a centralidade da terra para a sobrevivência. Como afirma Karl Marx, o patrimônio que herda o proprietário, a terra que herda o herdeiro, relação ilustrada pela conexão entre os membros da família com sua terra, seja de forma econômica, geográfica, social ou subjetiva. A música é cantada por Iris, logo acompanhada por Rogelio, que ensinou e transmitiu a canção e seu significado, evidenciando a tradição cultural compartilhada.
Conforme percebe que não há possibilidades de resistência em face da certeza da expropriação de sua terra, Quimet permite certa participação das mulheres, em especial a mãe Dolors e a filha Mariona, na colheita de pêssegos, quando antes haviam sido criticadas ao oferecer ajuda no trabalho. Além disso, quando a impossibilidade de manter a terra se mostra evidente, Quimet cede e participa, junto com Roger, de uma manifestação dos agricultores em busca de aumento nos preços dos frutos. Tais mudanças no comportamento do chefe de família refletem o próprio processo de desabamento da estrutura agrícola, alicerce da família. Quando a regra se mostra ineficiente, a estratégia se apresenta como caminho, seja permitindo a ajuda das mulheres mesmo em face da participação majoritariamente masculina na colheita e plantio, seja ao canalizar a frustração das mudanças tecnológicas na ação política da manifestação, e não no exercício exaustivo do trabalho, como Quimet fazia. Dessa forma, o filme reflete Bourdieu ao retratar como as estratégias matrimoniais possuem por princípio as disposições orientadas pelas condições de existência, ou seja, as relações, posições e contextos sociais, e não escolhas e vontades tão somente individuais, como percebe-se na mudança de comportamento de Quimet devido às transformações sofridas.
No fim do filme, enfim, a família Solé como um todo aparece novamente reunida, assistindo impotentes à destruição de sua plantação. Esse momento em que os membros tornam-se meros observadores da situação expressa o limite do abismo entre o espaço da experiência e o horizonte de expectativas, onde o futuro contingente se impõe como um aglomerado de possibilidades, e nem o passado mobilizado é capaz de auxiliar na experiência do presente.
Conclusão
Com o sucesso da empreitada de instalação em massa das placas fotovoltaicas, a região volta a ser desértica e infértil, agora como um “latifúndio de painéis solares”, visto que as terras vizinhas de outras famílias agricultoras também foram compradas ou expropriadas para a instalação dos painéis. Assim, entende-se que a terra também sofre, muda, se transforma com e para as pessoas que a habitam e para a atividade econômica que ali se instala - a simbiose funciona para as duas partes.
Crítica social
Defesa da terra

O leste catalão foi históricamente maltratado pelos projetos de desenvolvimento da Espanha da pós-guerra, mas que perduram no século XXI, com projetos especulativos que atentam contra o jeito de viver dos seus habitantes: Em 2022, as empresas Ignis Energia e Solaria podem somar 800 hectares que produziriam 400 megawatts de potência. Uma linha de alta tensão de 17 km será instalada, atravessando os campos ainda que foram apresentada mais de 2.000 alegações contra o projeto.[60] O termo municipal de Alcarràs, de 9.500 pessoas, é a localidade dos Países Catalães com maior número de macro-fazendas de animais em confinamento, somando quase 250.000 porcos, além de frangos, galinhas, bois e ovelhas, sendo o segundo município da Europa com maior número de animais de granja.[61]
Já seja pela pecuária intensiva ou pelos macroprojectos energéticos, as grandes empresas espanholas (com a colaboração do Governo) podem desapropiar terras de «utilidade pública», ainda ganhando subvenções públicas para a implantação das energias renováveis, numa mal entendida transição energética.[62]
O povo do mundo rural sobrevive entre a subida dos custos de produção, os baixos preços das vendas, a burocracia, a falta de relevo generacional e o despovoamento da região; ainda deve afrontar o empobrecimento social, económico e ecológico do país. Os protagonistas do filme, porém, continuam a resistir à industrialização e à promessa de um duvidoso progresso social.[63]
Cinema em catalão
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O sucesso comercial de Alcarràs, equiparável ao de Pão negro (2010) que chegou a ser pré-candidata para os prémios Oscar, fez renascer o debate social sobre a falta de inversão no cinema em catalão e a pouca quantidade de conteúdos audiovisuais nesta língua. A presidenta da Academia do Cinema Catalão, a cineasta Judith Colell, lamentou que só 6 dos 59 títulos candidatos aos Prémios Gaudí de 2022 fossem filmados em língua catalã e que, de média, estes tivessem um orçamento de € 720.000, muito debaixo dos € 2.000.000 dos filmes em outras línguas.[64]
Dado que a inversão em coproduções da TV3 baixou um 50% na última década, os profissionais da indústria cinematográfica reclamam maior inversão na produção de longas-metragens, diante da situação do catalão como língua minorizada, sendo que as ajudas da Generalidade da Catalunha ao cinema tivessem representado só em 0,008% do PIB da Catalunha em 2020.[65]
Além do filme
Em 16 de junho de 2022, a editorial La Magrana publicou o livro Alcarràs. Una història sobre la terra, la pagesia i la família, do coguionista do filme e continuista da filmagem, Arnau Vilaró. A obra inclui o guião e narra a conceição do filme, como foi pensada, definida e explicada pela sua criadora, a cineasta Carla Simón.[66]
Referências
- ↑ «Acumulado cine español 2022, a 6 de noviembre» (PDF). Taquilla y espectadores. Ministerio de Cultura y Deporte. 6 de novembro de 2022. Consultado em 16 de novembro de 2022
- ↑ a b c «Alcarràs». Berlinale - Programm 2022 (em alemão). Consultado em 3 de agosto de 2022
- ↑ a b c «Família i terra a "Alcarràs", segon llargmetratge de Carla Simón». Corporació Catalana de Mitjans Audiovisuals (em catalão). 6 de agosto de 2021
- ↑ «Carla Simón fa història a la Berlinale amb el primer Os d'Or català per "Alcarràs"». Corporació Catalana de Mitjans Audiovisuals (em catalão). 16 de fevereiro de 2022. Consultado em 16 de novembro de 2022
- ↑ «Triomf històric: Carla Simón guanya el primer Ós d'Or català al Festival de Berlín». Vilaweb (em catalão). 17 de fevereiro de 2022. Consultado em 16 de novembro de 2022
- ↑ a b «'Alcarràs' competirà per l'Oscar a la millor pel·lícula estrangera». Vilaweb. 13 de setembro de 2022
- ↑ Silvestre, Juan (2 de junho de 2021). «Carla Simón arranca el rodaje de 'Alcarràs'». Fotogramas (em espanhol)
- ↑ a b «Dos películas participadas por RTVE competirán en la Sección Oficial de la Berlinale: 'Un año, una noche' y 'Alcarràs'». RTVE (em espanhol). 19 de janeiro de 2022
- ↑ a b c Vilaró, Arnau (25 de junho de 2022). «El procés d'escriure "Alcarràs"». Diari Segre. DIS: 1-2
- ↑ Brown, Pat (17 de fevereiro de 2022). «Alcarrás Review: A Richly Detailed, If Unforceful, Portrait of a Dying Way of Life». Slant Magazine (em inglês)
- ↑ «Així es va viure la victòria d'Alcarràs a la Berlinale». Diari Segre. 17 de fevereiro de 2022
- ↑ «L'experiència inoblidable dels protagonistes de la pel·lícula 'Alcarràs'». Diari Segre. 20 de fevereiro de 2022
- ↑ a b Boquerini (7 de junho de 2021). «Tras un año de espera Carla Simón rueda ya 'Alcarràs'». El Correo (em espanhol). Consultado em 16 de fevereiro de 2022. Cópia arquivada em 8 de junho de 2021
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Ver também
Bibliografia
- Vilaró, Arnau (2022). Alcarràs. Una història sobre la terra, la pagesia i la família. Barcelona: La Magrana. p. 208. ISBN 9788419013927
Ligações externas
- Entrevista a Carla Simón no programa Preguntes freqüents (TV3, 2 de abril de 2022)
- «Entrevista». a Arnau Vilaró pela Universidade Aberta da Catalunha (Youtube, 28/04/2022)
