Alberto Pasqualini
Alberto Pasqualini | |
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![]() Alberto Pasqualini | |
| Dados pessoais | |
| Nascimento | 23 de setembro de 1901 Ivorá, Rio Grande do Sul |
| Morte | 3 de junho de 1960 Rio de Janeiro |
| Alma mater | Universidade Federal do Rio Grande do Sul |
| Cônjuge | Susana Thompson Flores |
| Partido | Partido Libertador (1934–1937) União Social Brasileira (1945–1946) PTB (1946–1960) |
| Profissão | Advogado, professor, político |
Alberto Pasqualini (Ivorá, 23 de setembro de 1901 – Rio de Janeiro, 3 de junho de 1960) foi advogado, intelectual e político brasileiro, reconhecido como o principal formulador doutrinário[nota 1] do trabalhismo[nota 2] no Brasil. Atuou como senador da República pelo Rio Grande do Sul e exerceu papel central na elaboração do programa e da identidade ideológica do PTB.
Origem social e formação
Filho de imigrantes italianos, Pasqualini teve formação inicial marcada pela educação religiosa, chegando a ingressar em seminário católico. Posteriormente, cursou Direito na Faculdade de Direito de Porto Alegre, onde se graduou em 1929. Sua formação intelectual foi profundamente influenciada pelo humanismo cristão, pelo personalismo e pelo positivismo gaúcho, elementos que marcaram sua concepção de política como prática ética e social.[1]
Trajetória política
Primeiros anos e Revolução de 1930
Durante a Revolução de 1930, Pasqualini alinhou-se à Aliança Liberal e participou da mobilização armada em Porto Alegre. Após o movimento, iniciou atuação política mais sistemática no Rio Grande do Sul.
Vereança e Estado Novo
Filiado ao Partido Libertador, foi eleito vereador em Porto Alegre em 1934. Seu mandato foi interrompido em 1937 com a instauração do Estado Novo. Em 1944, durante a interventoria de Ernesto Dornelles, assumiu a Secretaria do Interior e Justiça do Rio Grande do Sul, cargo do qual renunciou após conflitos com o governo federal, notadamente em defesa de liberdades civis e da autonomia municipal.[2]
O trabalhismo pasqualinista
Pasqualini concebeu o trabalhismo como doutrina política autônoma, distinta tanto do liberalismo quanto do socialismo autoritário. Defendia a intervenção do Estado na economia como meio de assegurar justiça social, preservando, contudo, a dignidade da pessoa humana e o pluralismo político.
Atuação na imprensa
A atuação política e intelectual de Pasqualini foi amplamente acompanhada pela imprensa da época. Jornais como o Correio do Povo e o Diário de Notícias destacaram reiteradamente seu perfil ético e sua postura independente, inclusive durante sua renúncia à Secretaria do Interior e Justiça em 1944 e nos debates sobre o monopólio do petróleo na década de 1950.[3][4]
Personalismo e ética política
Influenciado pelo personalismo cristão, Pasqualini sustentava que a política deveria estar subordinada a princípios éticos e à centralidade da pessoa humana, rejeitando concepções meramente instrumentalistas do poder.[1]
Atuação no PTB
Após o fim do Estado Novo, Pasqualini participou da fundação do PTB, sendo um de seus principais ideólogos. Elaborou diretrizes programáticas e organizou o departamento de estudos do partido, influenciando gerações de lideranças trabalhistas, como João Goulart e Leonel Brizola.[5]
Senado Federal
Eleito senador em 1950, Pasqualini teve atuação destacada nos debates sobre a criação da Petrobras. Como relator do projeto no Senado, defendeu o monopólio estatal do petróleo, posicionamento alinhado ao nacionalismo econômico trabalhista.[6]
Pensamento político na historiografia
A historiografia reconhece Pasqualini como principal formulador teórico do trabalhismo brasileiro. Autores como Angela de Castro Gomes, Jorge Ferreira e Miguel Bodea destacam seu papel na construção doutrinária do PTB, enquanto Marcelo Badaró Mattos ressalta os limites e contradições do projeto trabalhista.[7][8][9]
Obras
- Diretrizes fundamentais do trabalhismo brasileiro
- Discursos parlamentares (1946–1956)
Doença e morte
Em 1956, Pasqualini sofreu um acidente vascular cerebral que o afastou definitivamente da vida pública. Faleceu em 1960, no Rio de Janeiro.
Legado e homenagens
A Refinaria Alberto Pasqualini, inaugurada em 1968 no Rio Grande do Sul, recebeu seu nome em homenagem à sua atuação em defesa do monopólio estatal do petróleo.
Notas
- ↑ Na historiografia, o trabalhismo pode ser interpretado tanto como ideologia política quanto como doutrina. Pasqualini é frequentemente citado como o principal responsável por conferir densidade teórica e sistematicidade conceitual ao trabalhismo brasileiro.
- ↑ O trabalhismo pasqualinista distingue-se do trabalhismo getulista por sua ênfase doutrinária e ética. Enquanto o getulismo privilegiou a liderança carismática e a mediação direta entre Estado e massas, Pasqualini concebeu o trabalhismo como sistema coerente de ideias, articulando personalismo cristão, nacionalismo econômico e justiça social.
Referências
- ↑ a b Vasconcellos, Laura Vianna (2009). Alberto Pasqualini e o trabalhismo no Brasil (Tese). Universidade do Estado do Rio de Janeiro
- ↑ «Pasqualini deixa a Secretaria do Interior». Correio do Povo. 15 de novembro de 1944
- ↑ «Pasqualini reafirma defesa das liberdades». Correio do Povo. 20 de novembro de 1944
- ↑ «O senador Pasqualini e o problema do petróleo». Diário de Notícias. 12 de março de 1953
- ↑ Bodea, Miguel (1992). Trabalhismo e populismo no Rio Grande do Sul. Porto Alegre: UFRGS
- ↑ «Debates sobre o monopólio do petróleo». Diário do Congresso Nacional. 1953
- ↑ Gomes, Angela de Castro (1994). A invenção do trabalhismo. Rio de Janeiro: Relume-Dumará
- ↑ Ferreira, Jorge (2001). O populismo e sua história. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira
- ↑ Mattos, Marcelo Badaró (2003). Greves e repressão ao sindicalismo carioca. Rio de Janeiro: APERJ/FAPERJ


