Adélfio (bispo)


Adélfio (em latim: Adelfius; fl. 314) foi um bispo romano-britânico, possivelmente de Londinium (Londres), Lindum (Lincoln), Camulodunum (Colchester) ou Legionensium (Caerleon), que fez parte da delegação britânica que participou do concílio da Igreja realizado em Arles, na Gália, em 314.

Concílio de Arles (314)

O primeiro concílio de Arles foi o primeiro concílio convocado por Constantino e teve lugar em Arelate, na Gália, em 314, um ano após o Édito de Milão, que tornou o Cristianismo uma religião legal.[1]

A lista dos que assinaram a Acta — as decisões tomadas pelo Concílio — incluía três bispos da Grã-Bretanha, juntamente com um presbítero e um diácono.[2][3] W. H. C. Frend, no Dictionary of National Biography, afirma que o presbítero e o diácono acompanhavam Adelfius, sugerindo que este era o bispo sênior.[4]

Essa lista só sobreviveu em cópias manuscritas posteriores, sendo que a mais antiga e melhor delas (o Códice de Corbie, do século VI ou VII) nomeia os bispos britânicos como:[5][6]

O códice de Toulouse lista Adelfius simplesmente como “ex civitate Colonia”.[7]

Carta ao Papa Silvestre

Haddan e Stubbs observam que Adelfius também aparece como signatário de uma carta sinodal ao Papa Silvestre I; no entanto, sua não é mencionada.[6][8]

Incerteza em relação a sé

É consenso geral que as cópias sobreviventes da Acta do Concílio de Arles devem estar corrompidas ao atribuir dois bispos a Londres.

Como Londres não era uma colônia, suspeita-se da origem de Adelfius, listado como bispo da “colônia do povo de Londres”.[nt 1][9][10]

A maioria das autoridades sugeriu alterar “Colonia Londenensium” para “Colonia Lindensium” – a colônia do povo de Lindum (Lincoln).[3][11][12]

Outros, incluindo Haddan e Stubbs e o Dictionary of National Biography de 1885, propuseram a leitura do local como Legionensium (Caerleon-on-Usk), embora Miller tenha contestado isso, pois também não era uma colônia e parecia um lugar improvável para dar origem a um bispo.[5][8][13][14]

S. N. Miller considerou que a palavra “colônia” também era suspeita, observando que, embora muitas outras colônias tivessem enviado bispos para Arles, incluindo Iorque, Colônia, Trier e Lyon, nenhuma havia sido designada como “colônia” na lista. Miller argumentou que “de civitate Colonia Londenensium” era um erro para “de civitate Camu/lodunensium” – “a cidade do povo de Camulodunum” (Colchester). Essa opinião foi apoiada pelo arqueólogo Sir Ian Richmond.[15]

Ver também

Notas

  1. Richmond identifica quatro colônias – na Grã-Bretanha romana – Camulodunum (Colchester), Lindum (Lincoln), Eboracum (York) e Glevum (Gloucester) – embora Howorth diga que a identificação de Lindum é suspeita.

Referências

  1. Arles, Synod of" in Chambers's Encyclopædia. London: George Newnes, 1961, Vol. 1, p. 597.
  2. Munier, C., ed. (1963). Concilia Galliae a. 314-a. 506. Corpus Christianorum. Series Latina. (in Latin). Vol. 148. Turnhout: Brepols. pp. 15–22.
  3. a b Rivet, A. L. F.; Smith, Colin (1979). The Place-Names of Roman Britain. London: Batsford. pp. 48–50.
  4. W. H. C., Frend (2004). «Eborius». www.oxforddnb.com. doi:10.1093/ref:odnb/8431. Consultado em 30 de setembro de 2025 
  5. a b MILLER, S. N. (1927). «The British Bishops at the Council of Aries (314)». The English Historical Review (CLXV): 79–80. ISSN 0013-8266. doi:10.1093/ehr/xlii.clxv.79. Consultado em 29 de janeiro de 2025 
  6. a b Labbe, Philippe (1607-1667) Auteur du texte; Cossart, Gabriel (1615-1674) Auteur du texte (1901–1927). Sacrorum conciliorum nova et amplissima collectio. Tomus 2 / in qua praeter ea quae Phil. Labbeus et Gabr. Cossartius ; et novissime Nicolaus Coleti in lucem edidere, ea omnia insupar suis in locis optime disposita exhibentur, quae Joannes Dominicus Mansi,... ; ed. novissima ab eodem patre Mansi, potissimum favorem etiam et opem praestante emmo cardinali Dominico Passioneo,... aliisque item eruditissimis viris manus auxiliatrices ferentibus, curata... (em francês). [S.l.: s.n.] Consultado em 1 de outubro de 2025 
  7. Oman, Charles (1949). England Before the Norman Conquest (em inglês). [S.l.]: Рипол Классик. Consultado em 1 de outubro de 2025 
  8. a b Haddan, Arthur West; Stubbs, William (1869–1878). Councils and ecclesiastical documents relating to Great Britain and Ireland. Robarts - University of Toronto. [S.l.]: Oxford Clarendon Press. Consultado em 1 de outubro de 2025 
  9. Richmond, I. A. «The four Coloniae of Roman Britain». Archaeological Journal. 103: 57–84. 
  10. Howorth, Henry H. (1885). «Christianity in Roman Britain». Transactions of the Royal Historical Society: 117–172. ISSN 0080-4401. doi:10.2307/3677866. Consultado em 4 de outubro de 2025 
  11. Mann, J. C. (dezembro de 1961). «The Administration of Roman Britain». Antiquity (em inglês) (140): 316–320. ISSN 0003-598X. doi:10.1017/S0003598X00106465. Consultado em 4 de outubro de 2025 
  12. Thomas, Charles; Thomas, Charles Christi (1 de janeiro de 1981). Christianity in Roman Britain to AD 500 (em inglês). [S.l.]: University of California Press. Consultado em 4 de outubro de 2025 
  13. Thackeray, Francis (1843). Researches into the ecclesiastical and political state of Ancient Britain under the Roman Emperors, with observations upon the principal events and characters connected with the Christian religion during the first five centuries. Robarts - University of Toronto. [S.l.]: London, Cadell. Consultado em 4 de outubro de 2025 
  14. «Dictionary of National Biography, 1885-1900/Eborius - Wikisource, the free online library». en.wikisource.org (em inglês). Consultado em 4 de outubro de 2025 
  15. Richmond, I. A. «The four Coloniae of Roman Britain». Archaeological Journal. 103: 57–84 at p. 64