Abedalá ibne Amir

Abu Abderramão Abedalá ibne Amir ibne Curaiz ibne Rabia (em árabe: أبو عبد الرحمن عبد الله بن عامر بن كريز بن ربيعة; romaniz.: Abū ʿAbd al-Raḥmān ʿAbd Allāh b. ʿĀmir b. Kurayz b. Rabīʿa) foi um político e general do Califado Ortodoxo.

Vida

Dracma árabo-sassânida de 37 A.H. com o nome de Abedalá ibne Amir

Abedalá nasceu em 626. Seu pai, Amir ibne Curaiz, era filho de Albaida, tia paterna de Maomé. Durante a 'Umrat al-Qada' ou por ocasião da conquista de Meca, quando tinha ainda cerca de três anos de idade, diz-se que foi levado à presença de Maomé, que o acariciou e disse: "Ele é nosso filho; entre vós, é o que mais se parece conosco", e fez por ele a seguinte súplica: "Que jamais padeça de sede." Aos 25 anos de idade, em 29/650, foi nomeado governador de Baçorá pelo califa Otomão (r. 644–656). Durante o seu governo completaram-se as conquistas do Irã e do Coração. Em consequência dessas conquistas realizadas em sua época, Baçorá deixou de ser um pequeno acampamento militar e transformou-se num centro responsável pela administração das regiões situadas a leste do golfo. Barém também passou a depender dela. Como os divãs dessas regiões foram transferidos para Baçorá, a cidade sob a administração de Abedalá conheceu grande desenvolvimento econômico.[1]

No ano 35/656, quando Otomão foi sitiado em sua casa, solicitou ajuda a Abedalá, governador de Baçorá. Este enviou em socorro uma unidade militar sob o comando de Mujaxi ibne Maçude. Ao chegar a Arrabada, a tropa tomou conhecimento do assassinato do califa e retornou. Em seguida, Abedalá dirigiu-se a Meca. Ali encontrou-se com Aixa, Tala e Zobair, que se preparavam para se opor ao califado de Ali (r. 656–661) e pensavam em ir à Síria; convenceu-os, porém, a irem a Baçorá em vez disso, prestando-lhes também apoio financeiro. Participou da Batalha do Camelo juntamente com seu filho Abderramão; na batalha perdeu o filho e ele próprio foi ferido na cabeça. Após o combate, dirigiu-se à Síria e aliou-se a Moáuia.[1]

O governador da Síria, Moáuia, enviou Abedalá a Haçane, para negociar em seu nome, juntamente com Busre ibne Abi Arte ou, segundo outra versão (Albicari, Ṣulḥ, 9; Fitan, 20), com Abderramão ibne Samura (41/661). Após o acordo, Moáuia proclamou-se califa e nomeou Busre governador de Baçorá. Contudo, Abedalá, alegando ter assuntos inacabados relacionados à cidade, pediu ao califa que o enviasse novamente para lá. Muʿāwiya então destituiu Busre e nomeou Abedalá. Durante esse segundo governo, Abedalá reconquistou o Coração e o Sijistão, e enviou também um exército à região de Sinde, sob o comando de Raxide ibne Anre Aljudaidi. Assim, tornou-se governador não apenas de Baçorá, mas também de Pérsis, Sijistão e Coração. Entretanto, Moáuia acabou por destituí-lo do cargo (45/665), por considerá-lo hesitante em recorrer à força contra os carijitas e os salteadores que provocavam distúrbios em Baçorá e arredores, além de excessivamente tolerante com os criminosos. Depois disso, excetuando-se uma campanha de inverno contra territórios bizantinos em 670, Abedalá passou o restante de sua vida em Meca; após sua morte, foi sepultado em Arafate.[2]

Abedalá desempenhou papel muito ativo nos âmbitos político e militar, distinguindo-se sobretudo pelas conquistas que realizou no Irã e no Coração. Destacam-se também suas obras de urbanização: para suprir as necessidades hídricas da população, mandou abrir dois canais em Baçorá e um em Ubula; arborizou Nibaje e Cariataim; adquiriu e demoliu algumas casas e palácios, abrindo em seu lugar estradas e mercados. Para os peregrinos, construiu um reservatório em Arafate, trazendo água até ele por meio de poços. As fontes atribuem suas qualidades pessoais — especialmente seu êxito nas obras relacionadas à água — à súplica que o profeta fizera por ele quando ainda era criança.[3]

Referências

  1. a b Fayda 1997, p. 84.
  2. Fayda 1997, p. 84-85.
  3. Fayda 1997, p. 85.

Bibliografia

  • Fayda, Mustafa (1988). «ABDULLAH b. ÂMİR». TDV İslâm Ansiklopedisi’nin [Enciclopédia Islâmica TDV]. 1. Istambul: Turkiye Diyanet Vakfi Islâm Ansiklopedisi [Fundação Religiosa Turca Enciclopédia Islâmica]. Consultado em 1 de janeiro de 2026