A Tempestade sob o Cume

A Tempestade sob o Cume
AutorKatsushika Hokusai
Data1830 ou 1831
TécnicaGravura em madeira
LocalizaçãoNova Iorque

A Tempestade sob o Cume ou A Trovoada sob o Cume (japonês: 山下白雨, Hepburn: Sanka hakuu), mais conhecida simplesmente como O Fuji Negro (黒富士 (Kurofuji), é uma famosa xilogravura do mestre japonês Hokusai, especialista em ukiyo-e. É a obra número 3 da série Trinta e seis vistas do monte Fuji[1] e foi realizada em 1830 ou 1831 [nt 1].

A composição desta obra é muito semelhante à de Vento Fresco em uma Manhã Clara (ou Fuji Vermelho) da mesma série, mas a atmosfera é muito diferente. Nesta gravura, em vez de uma vista nebulosa e calma, o Monte Fuji é mostrado de forma ameaçadora, em tons pesados ​​e intensos. Os contornos da montanha são mais nítidos. O pico com neve ergue-se abruptamente acima de uma massa escura e ameaçadora, atravessada por relâmpagos representados por linhas em ziguezague poderosas, quase abstratas. Tal como em Vento Fresco em uma Manhã Clara, uma fina linha de azul da Prússia é usada na parte superior do céu, mas aqui as nuvens têm uma aparência vaporosa e parecem agarrar-se à montanha.[2] Os três picos do cume sugerem que esta vista é da parte posterior do Fuji (ou seja, vista do oeste), outra diferença em relação à gravura Vento Fresco em uma Manhã Clara[3].

Variantes

Pouco depois da sua publicação, os blocos da composição foram ligeiramente danificados: um dos pontos castanho-escuros localizados abaixo do topo desapareceu, assim como a extremidade do ideograma "hitsu" ("pincel") na assinatura de Hokusai. As impressões anteriores mostravam "um azul contínuo no céu, desbotado no centro, revelando assim a forma completa das nuvens cumulonimbus, em vez de deixar uma ampla faixa de céu sem tinta no centro e assim obscurecer o topo.[3]

Numa impressão posterior, o editor introduziu mudanças significativas. O céu agora é representado em cinza púrpura encimado por uma faixa amarela no topo. O relâmpago destaca-se nitidamente contra a silhueta de um grupo de pinheiros ao pé da montanha; esses pinheiros são esculpidos em um novo bloco, dando a impressão de que estão próximos do observador.[2][3].

Referências

  1. Hélène Bayou, Marie-Christine Enshaian (2008). Réunion des musées nationaux, ed. Hokusai - 1760-1849 - L'affolé de son art (em francês). [S.l.: s.n.] p. 240. 2-7118-5406-X 
  2. a b Gian Carlo Calza (2003). Hokusai (em inglês). [S.l.]: Phaidon. 471 páginas. ISBN 0714844578 .
  3. a b c Timothy Clark (2001). 100 Views of Mount Fuji (em inglês). [S.l.]: British Museum Press. ISBN 9780714114941 .

Notas

  1. O Centre culturel du Marais afirma que a data da publicação é 1831 ou posterior (Le Fou de peinture - Hokusai et son temps, 1980, páginas 143 e 144). Mas Hélène Bayou, no livro Hokusai, l'affolé de son art (2008), refere que as 10 primeiras xilogravuras «foram propostas ao editor em 1830» e que a data de 1831 (e o anúncio publicitário feito pelo editor para anunciar as tiragens aizuri-e) diz respeito ao segundo grupo de 9 ou 10 xilogravuras da série