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Não menos são de notar os pescados, que se eriam nos rios de agua doce da Bahia, que os que se criam no mar d’ella; do que é bem que digamos d’aqui por diante.
E comecemos das eirós, que ha n’estes rios, que se criam debaixo das pedras, a que os indios chamam mocim, as quaes são da feição e sabor das de Portugal.
Tareîras são peixes tamanhos como mugens, e maiores; mas são pretos, da côr dos enxarrocos, e tem muitas espinhas, os quaes se tomam á linha, nos rios de agua doce: tem boas ovas e nenhuma escama: do que ha grandes pescarias.
Juquiás chamam os indios a outros peixes da feição dos safios de Hespanha, mas mais pequenos; os quaes se tomam ás mãos, entre as pedras; o qual peixe não tem escama, e é mui saboroso.
Tamoatás são outro peixe d’estes rios que se não escama, por terem a casca mui grossa e dura, e que se lhe tira fóra inteira depois de assados ou cozidos, os quaes se tomam á linha; e é peixe miudo, muito gostoso e sadio.
Piranha quer dizer tesoura é peixe de rios grandes, e onde o ha, é muito; e é da feição dos sargos, e maior, de côr mui prateada; este peixe é muito gordo e gostoso, e toma-se á linha; mas tem taes dentes que corta o anzol cerceo; pelo que os indios se não atrevem a metter n’agua onde ha este peixe; porque remete a elles muito e morde-os cruelmente; se lhes alcançam os genitaes, levá-lhes cerceos, e o mesmo faz á caça que atravessa os rios onde este peixe anda.
Querico é um outro peixe de agua doce da feição das savelhas, e tem as mesmas espinhas e muitas, e é muito estimado e saboroso, o qual peixe se toma á linha.
Cria-se n’estes rios outro peixe, a que os indios chamam oaquari, que são do tamanho e feição das choupas de Portugal, mas tem o rabo agudo, a cabeça mettida nos hombros e duas pontas como cornos; e tem a pelle grossa, a qual os indios tem por contrapeconha para mordeduras de cobras e outros bichos, o qual se toma á cana.
Tomam-se n’estes rios outros peixes, a que os indios chamam piábâ, que são pequenos, da feição dos pachões do