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só filho, e mantem-se dos frutos silvestres. Este animal tem a boca por dentro até as goelas, e lingua tão negra, que faz espanto, pelo que lhe chamam noite, cuja carne os indios não comem por terem nojo d’ella.
Ha outro bicho que no mato se cria a que chamamos indios coandú, que é do tamanho de um gato; não corre muito, por ser pesado no andar; cria no tronco das arvores onde está mettido de dia; e de noite sahe da cova ou ninho a andar pela arvore, onde faz sua morada, a buscar uma casta de formigas que se cria n’ella, a que chamam copy, de que se mantem. Este bicho pare uma só criança, e tem a côr pardaça, o qual dorme todo o dia, e anda de noite. E no lugar onde pariu ahi vive sempre, e os filhos, e toda a sua geração que d’elle procede; e não buscam outro lugar senão quando não cabem no primeiro.
Cuim é outro bicho assim chamado dos indios, que é do tamanho de um laparo, tem os pés muito curtos, o rabo comprido, o focinho como doninha; e é todo cheio de cabellos brancos e tezos, e por entre o cabello é todo cheio de espinhos até o rabo, cabeça, pés, os quaes são tamanhos como alfinetes; com os quaes se defende de quem lhe quer fazer mal, sacodindo-os de si com muita furia, com o que fere os outros animaes; os quaes espinhos são amarellos, e tem as pontas pretas e mui agudas; e por onde estão pegados no couro são farpados. Estes bichos correm pouco, criam debaixo do chão, onde parem uma só criança, e mantem-se de minhocas e frutas, que acham pelo chão.
Acham-se outros bichos pelo mato a que os indios chamam queiroá, que são, nem mais nem menos, como ouriços cacheiros de Portugal, da mesma feição, e com os mesmos espinhos; e criam em covas debaixo do chão; mantem-se de minhocas e de frutas que cahem das arvores, cuja carne os indios não comem.
Agora cabe aqui dizermos que cobras são estas do Brazil, de que tanto se falla em Portugal e com razão; porque tantas e tão estranhas, não se sabe onde as haja.
Comecemos logo a dizer das cobras a que os indios chamam giboias, das quaes ha muitas de cincoenta e sessenta