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casa; que são mais peçonhentas que as das arvores, onde andam sempre saltando de ramo em ramo.
Ha nos matos da Bahia outros bogios, a que os indios chamam saîanhangá, que quer dizer bogio diabo, que são muito grandes, e não andam senão de noite; são da feição dos outros, e criam em concavos de arvores; mantem-se de frutas silvestres; e o gentio tem agouro n’elles, e como os ouvem gritar, dizem que ha de morrer algum.
Pelo sertão ha uns bichos a que os indios chamain saviá e são tamanhos como laparos; tem o rabo comprido, o cabello como lebre; criam em covas no chão; mantem-se das frutas silvestres tomam-n’os em armadilhas, cuja carne é muito estimada de toda a pessoa, por ser muito saborosa, e parece-se com a dos coelhos.
Aperiás são outros bichos tamanhos como laparos, que não tem rabo; e tem o rosto da feição de leitão, as orelhas. como coelho, e o cabello como lebre; criam em covas, comem frutas e cannas de assucar, a que fazem muito damno, cuja carne é muito saborosa. Mais pela terra dentro ha outros bichos da feição de ratos, mas tamanhos como coelhos, com o cabello branco, a que os indios chamam saviátinga, os quaes criam em covas, e comem frutas; cuja carne é muito boa, sadia e saborosa.
No mesmo sertão ha outros bichos da feição de ratos, tamanhos como coelhos, a que os indios chamam saviácoca, que tem o cabello vermelho, criam em covas, e mantem-se da fruta do mato; cuja carne é como de coelhos.
Em toda a parte dos matos da Bahia se criam coelhos como os de Hespanha, mas não são tamanhos, a que os indios chamam tapotim; e todas as feições tem de coelhos, senão o rabo, porque o não tem; os quaes criam em covas, e as femeas parem muitos; cuja carne é como a, dos coelhos e muito saborosa.
Em algumas partes dos matos da Bahia se criam uns bichos, sobre o grande, com todas as feições e parecer de ratos, a que os gentios chamam jupati, que se não comem, os quaes criam em os troncos das arvores velhas; e as