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gente, remettem logo aos beiços, olhos e orelhas, onde mordem cruelmente; e n’estes ninhos armam seus favos, onde criam mel branco e bom.
Saracoma são, outras abelhas pequenas que fazem seu gazalhado entre folhas das arvores, onde não criam mais que sete ou oito juntas; e fazem alli seu favo, em que criam mel muito bom e alvo; estas mordem rijamente, e dobram umas folhas sobre outras, que tecem com uns fios como aranhas, onde tem os favos.
Ha outra casta de abelhas, a que o gentio, chama cabaojuba, que são amarellas, e criam nas tocas das arvores, e são mais crueis que todas; e em sentindo gente remettem logo a ella e convem levar apparelho de fogo prestes, com o qual lhe tiram os favos cheios de mel muito bom.
Capueruçú é outra casta de abelhas grandes: criam seus favos em ninhos, que fazem no mais alto das arvores, do tamanho de uma panella, os quaes são de barro; os indios os crestam com fogo, e lhes comem os filhos, que lhe acham; as quaes tambem mordem onde chegam a quem lhes vai bolir.
Criam-se na Bahia muitas vespas, que mordem muito; em especial umas, a que chamam os indios terigoá, que se criam em ramos de arvores poucas juntas, e cobrem-se com uma capa que parece têa de aranha, d’onde fazem seu officio em sentindo gente.
Amisagoa é outra casta de vespas, que são à maneira de moscas, que se criam em um ninho, que fazem nas paredes, e nas barreiras da terra, tamanhos como uma castanha com um olho no meio, por onde entram, o qual ninho é de barro, e ellas mordem à quem lhe vai bulir n’elle.
E porque as moscas se não queixem, convem que digamos de sua pouça virtude e começemos nas que se chamam mutuca, que são as moscas geraes e enfadonhas que ha em Hespanha as quaes adivinham a chuva, começando a morder onde chegam, de maneira que, se se sente sua picada, é que ha boa novidade.
Ha outra casta de moscas, a que os indios chamam muruanja, que são mais miudas que as de cima e azuladas;