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Ha outra casta de borboletas grandes, umas branças, e outras amarellas, e outras pintadas, muito formosas á vista, a que os indios chamam panamá, as quaes vem ás vezes de passagem no verão em tanta multidão, que cobrem o ar, e poem logo todo um dia em passar por cima da cidade do Salvador á outra banda da Bahia, que são nove ou dez leguas de passagem. Estas borboletas fazem muito damno nos algodões quando estão em flôr.

CAPITULO XCI.com. 165
Em que conta a propriedade das abelhas da Bahia.

Na Bahia ha muitas castas de abelhas. Primeiramente ha umas a que o gentio chama herú, que são grandes e pardas; estas fazem o ninho no ar, por amor das cobras, como os passaros de que dissemos atraz; onde fazem seu favo e criam mel muito bom e alvo, que lhe os indios tiram.com fogo, do que ellas fogem muito; as quaes mordem valentemente.

Ha outra casta de abelhas a que os indios chamam tapiuja, que tambem são grandes, e criam em ninhos que, fazem nas pontas dos ramos das arvores com barro, cuja abobada é tão subtil que não é mais grossa que papel. Estas abelheiras crestam tambem com fogo, a quem os indios comem as crianças, e ellas mordem muito.

Ha outra casta de abelhas, maiores que as de Hespanha, a que os indios chamam taturama; estas criam nas arvores altas, fazendo seu ninho de barro ao longo do tronco d’ellas, e dentro criam seu mel em favos, o qual é baço, e ellas são pretas e mui crueis.

Ha outra casta de abelhas a que o gentio chama cabecé, que mordem muito, que tambem fazem o ninho em arvores, onde criam mel muito alvo e bom; as quaes são louras, e, mordem muito.

Ha outra casta de abelhas, a que os indios chamam caapoam, que são pequenas, e mordem muito a quem lhe vai bolir no seu ninho, que fazem no chão, de barro sobre um torrão; o qual é redondo, do tamanho de uma panella, e tem serventia ao longo do chão, onde criam seu mel, que não é bom.

Cabatan são outras abelhas que não são grandes, que fazem seu ninho no ar, dependurado por um fio, que desce da ponta de um raminho: e são tão bravas que, em sentindo