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SUSPIROS POETICOS
Por vós assás auroras madrugaram;Por vós luas assás alvas luziram;Assás de flores esmaltou-se a terra,E de fructos as arvores copadas.   Sim, sim, assás gozastes;Mas uma voz vos chama, e vos diz: — basta.
Basta! — A hora soou; abre-se a campa,   E o sopro do seu antro,Como o vapor da canica cavernaNas margens do sombrio Aniâno lago1,Da vida vos apaga a tenue flamma.
   Para vós basta, oh Velhice!   Inda o sol tem resplendores,   Inda a noite tem estrellas,   Inda a lua alvos fulgores.
   Inda os prados reverdecem,   E de florzinhas se arreiam;   Inda, suspensos nos ramos,   Os passarinhos gorgeiam.