Terceiro Mundo

 Nota: Para o conceito político pós-Guerra Fria, veja país subdesenvolvido ou país em desenvolvimento.
Os países foram separados em "três mundos" durante a Guerra Fria, quando eram classificados de acordo com seus aliados.
  Primeiro Mundo: os Estados Unidos e seus aliados.
  Segundo Mundo: a União Soviética e seus aliados.
  Terceiro Mundo: países não alinhados e neutros.

Terceiro Mundo é um termo da Teoria dos Mundos, originado na Guerra Fria, para descrever os países que se posicionaram como neutros na Guerra Fria, não se aliando nem aos Estados Unidos e os países que defendiam o capitalismo, e nem à União Soviética e os países que defendiam o socialismo.

O termo "Terceiro Mundo" surgiu na Europa e foi empregado pela primeira vez em 1952 pelo economista francês Alfred Sauvy, ao destacar as profundas desigualdades socioeconômicas e políticas que existem entre os países do planeta. Sauvy usou-o ao fazer uma comparação com a sociedade francesa do século XVIII, que era dividida em três classes sociais: Primeiro Estado, representando a nobreza; Segundo Estado, que correspondia ao clero (classe dos sacerdotes); e Terceiro Estado, composto pelos trabalhadores em geral e pelos proprietários dos meios de produção. A partir dos anos 1960, o termo passou a ser usado para referir-se aos países capitalistas menos desenvolvidos economicamente. A expressão caiu em desuso por simplificar realidades muito distintas e é considerada até ofensiva para referir-se aos países em desenvolvimento, sendo substituída por termos como "países em desenvolvimento", "países emergentes" ou "Sul Global".[1][2][3]

História

O termo ''Terceiro Mundo'' era a idealização do movimento e ''terceiro-mundismo'' trata-se da prática, a primeira expressão de tal termo deu-se durante a reunião de países asiáticos e africanos que se emanciparam da colonização europeia, em abril de 1955, na Conferência de Bandung, na Indonésia. É a partir dessa denominação que esses países, considerados pobres e com sérios problemas sociais como a violência, a miséria extrema e a corrupção, buscaram chamar a atenção do mundo inteiro. Porém, englobava muitos países, assim havia divergência de interesses. As divergências internas impediam a tomada de posições mais nítidas e começou a ser articulado o Movimento dos Países Não-Alinhados. A conferencia de fundação desse movimento se realizou em Belgrado (Conferencia de Belgrado-1960). No entanto, muitos desses países acabaram depois cobiçados por forças políticas e sociais ligadas a cada uma das duas facções da Guerra Fria, a capitalista e a comunista, mas apesar disso os países de terceiro mundo produtores de petróleo passaram a financiar a dívida de países desenvolvidos tal qual Estados Unidos.[4]

A articulação do terceiro-mundismo sofreu os primeiros golpes com a aproximação entre a China e os Estados Unidos, a partir de 1972, e com a crise do pan-arabismo, alguns anos depois. Na década de 1980, o fim das crises do petróleo que abalaram o Primeiro Mundo esvaziaram as políticas de desenvolvimento autônomo de nacionalização do petróleo,[5] contribuindo para enfraquecer ainda mais o Movimento dos Países Não-Alinhados o que fez que investidores estrangeiros conseguissem facilidades nesses países o que também gerou crise nas dívidas durante a década de 1990[6] e com isso o Fundo Monetário Internacional (FMI) recomendou aos países pobres produtores de petróleo que baixassem o preço da mercadoria.[7]

Ver também

Bibliografia

  1. BOLIGIAN, Levon; MARTINEZ, Rogério; GARCIA, Wanessa; ALVES, Andressa (2001). Geografia: espaço e vivência: o espaço geográfico mundial: o mundo subdesenvolvido. São Paulo: Atual. p. 70. ISBN 85-357-0187-7
  2. SACCONI, Luiz Antonio (2010). Grande Dicionário Sacconi: da língua portuguesa. São Paulo: Nova Geração. pp. 1424–1955. ISBN 978-85-7678-087-8
  3. «O que era 'terceiro mundo', termo citado por Trump para barrar imigrantes». UOL. 28 de novembro de 2025. Consultado em 6 de março de 2026
  4. Holly Sklar, ed., Trilateralism: The Trilateral Commission and Elite Planning for World Management. South End Press: 1980: page 65
  5. V.H. Oppenheim, Why Oil Prices Go Up (1) The Past: We Pushed Them. Foreign Policy: No. 25, Winter, 1976-1977: pages 50-51
  6. Robert O’Brien and Marc Williams, Global Political Economy: Evolution and Dynamics, 2nd ed. Palgrave Macmillan: 2007: page 224-225
  7. F. William Engdahl, A Century of War: Anglo-American Oil Politics and the New  World Order. London: Pluto Press, 2004: pages 130-132