Solidariedade

A solidariedade é muito mais do que um simples gesto; é uma expressão profunda de empatia, respeito e compromisso com o bem-estar do outro. Manifesta-se como um elo que une as pessoas através da compreensão, da partilha e da vontade de ajudar, mesmo quando isso implica algum sacrifício pessoal. Ser solidário significa agir em favor de alguém, não por obrigação, mas por genuína preocupação com o bem comum.
Este valor humano traduz-se numa cooperação mútua entre indivíduos, em que cada um se dispõe a apoiar o outro nas dificuldades, contribuindo para a superação conjunta de obstáculos. Vai além da ajuda pontual: implica uma ligação de identificação e pertença, em que os membros de uma comunidade reconhecem que estão ligados por laços de humanidade, responsabilidade e compromisso.
A solidariedade também representa uma interdependência de sentimentos, ideias e propósitos, gerando um sentido de comunidade e de causa partilhada. Quando praticada de forma sincera, cria uma identidade coletiva, fortalecendo os laços sociais e promovendo uma convivência mais justa, equilibrada e harmoniosa.
Em resumo, a solidariedade não é apenas uma atitude de apoio; é um princípio ético que sustenta a convivência humana, uma forma de nos reconhecermos uns nos outros e de construirmos, juntos, um mundo mais fraterno e cooperativo.
Na sociologia, existe o conceito de solidariedade social, que subentende a ideia de que os seus praticantes se sintam integrantes de uma mesma comunidade e, portanto, sintam-se interdependentes.
O que forma a base da solidariedade e como ela é implementada varia entre as sociedades. Nas sociedades mais pobres, pode basear-se principalmente no parentesco e nos valores compartilhados, enquanto as sociedades mais desenvolvidas acumulam-se várias teorias sobre o que contribui para um senso de solidariedade, também chamada de coesão social.
O dia internacional da solidariedade é 20 de dezembro. A solidariedade também é um dos seis princípios da Carta dos Direitos Fundamentais da União Europeia[1] e também é mencionada na Declaração Universal de Bioética e Direitos Humanos,[2] mas sem conceito claramente definidos. À medida que a pesquisa e a produção de biotecnologia e aprimoramento biomédico aumentam, é importante a necessidade de definição distinta de solidariedade nas estruturas dos sistemas de saúde.
O Modelo da Solidariedade Organizada
Algumas políticas económicas e sociais, a acção de movimentos e instituições (como o mutualismo, o cooperativismo e o associativismo), a legislação laboral e a protecção social correspondem àquilo a que se designa modelo da solidariedade organizada[3].
Alvin Toffler aplica uma concepção de solidariedade da primeira, da segunda e da terceira vagas, que se sucedem numa perspectiva histórica[4]. A primeira vaga, a micro-solidariedade, funda-se na família, como prolongamento de uma solidariedade organizada, de origem benemerente, de nível local. A segunda vaga visa a consecução de uma solidariedade obrigatória, generalizada e fortemente estruturada, tendo como núcleo a segurança social, surgindo como prolongamento do processo de industrialização. A terceira vaga é uma espécie de síntese das duas anteriores e é um modelo a desenvolver no futuro[5].
Ver também
- Solidariedade social
- Segurança Social
- Previdência
Referências
- ↑ SOLEMNE, P. et all. Carta dos Direitos Fundamentais da União Europeia. In: Jornal Oficial das Comunidades Europeias, 2000.acesso em 20 de janeiro de 2020.
- ↑ UNESCO. Declaração Universal sobre Bioética e Direitos Humanos. 2006. acesso em 20 de janeiro de 2020
- ↑ ROSENDO, Vasco (1996). O Mutualismo em Portugal: Dois Séculos de História e suas Origens. Lisboa: Montepio Geral
- ↑ TOFFLER, Alvin (1981). The third wave. New York: Bantam Books
- ↑ ALMEIDA, Andreia. A Saúde no Estado Novo de Salazar (1933-1968): Políticas, Sistemas e Estruturas. [S.l.]: Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa
Bibliografia
- Almeida, João Carlos (1987). Teologia da Solidariedade (e-book). uma abordagem da obra de Gustavo Gutiérrez. São Paulo, SP: Loyola. 335 páginas. ISBN 85-15-03030-6. Consultado em 6 de Maio de 2015