Santo dos Santos

Um modelo representando a divisão do Santuário, em primeiro plano o Lugar Santo e ao fundo o Santo dos Santos

Santo dos Santos ou Santíssimo Lugar (em hebraico, קֹדֶשׁ הַקֳּדָשִׁים Transl. Qoḏeš haq-Qŏḏāšim) ou Devir (em hebráico הַדְּבִיר) had-Dəḇir 'o Santuário') era uma sala do Tabernáculo, e mais tarde, se transformou em uma sala do Templo de Salomão de 10 cúbitos x 10 cúbitos (5 m x 5 m)[1] onde ficava guardada a Arca da Aliança.

Na Bíblia Hebraica refere-se ao santuário interior do Tabernáculo, onde a Xequiná (presença de Deus) aparecia. De acordo com a tradição hebraica, a área era definida por quatro pilares que sustentavam o véu da cobertura, sob o qual a Arca da Aliança era mantida acima do solo. De acordo com a Bíblia Hebraica, a Arca continha os Dez Mandamentos, que foram dados por Deus a Moisés no Monte Sinai. O primeiro Templo de Jerusalém, chamado Templo de Salomão, terá sido construído pelo Rei Salomão para guardar a Arca.

As tradições judaicas viam o Santo dos Santos como a junção espiritual dos Sete Céus e da Terra, o "axis mundi".

Como parte do Templo de Jerusalém, o Santo dos Santos estava situado algures no Monte do Templo; a sua localização precisa é alvo de disputa, com algumas fontes judaicas clássicas a identificarem a sua localização com a Pedra da Fundação, que se encontra sob a atual Cúpula da Rocha.[2] Outros estudiosos judeus argumentam que relatos contemporâneos colocariam o Templo a norte ou a leste da Cúpula da Rocha.

Os Cruzados associavam o Santo dos Santos ao Poço das Almas, uma pequena caverna que fica por baixo da Pedra da Fundação na Cúpula da Rocha.[3]

Era aqui que se realizava anualmente uma cerimônia de sacrifício expiatório de um cordeiro sem mácula (Ex. 12:5) pelos pecados do povo (Lev 4:35). Esta sala ficava separada do templo por uma cortina de linho. Em caso de estar em pecado ao entrar, o sacerdote morria. E como o lugar era santíssimo, outros não poderiam entrar, somente ele.

Arão, o irmão de Moisés, foi o primeiro sumo sacerdote de Israel. Ele foi sucedido pelo seu filho mais velho (sobrevivente), Eleazar. O sumo sacerdote (Heb. hakohen, "o sacerdote", hakohen hagadol, "o grande Sacerdote") tinha a posição mais alta na hierarquia Israelita. O sumo sacerdote foi ungido assim como um rei na sua coroação. Ele usava vestes especiais, tinha uma coroa, e um peitoral que continha o urim e o tumim. Ele entrava no Santo dos Santos para fazer expiação pelos pecados da sua própria casa como também pelos pecados da nação. Para adentrar ao lugar santíssimo havia também a cerimônia do incenso, onde sumo sacerdote tinha todo um ritual a cumprir para só então poder entrar ao santo dos santos.

Referências

  1. http://www.jesusnet.org.br/tabernaculo/sdsantos.htm
  2. «Yoma 54b:2». www.sefaria.org«Sanhedrin 26b:5». www.sefaria.org
  3. Ritmeyer, Kathleen (1 de janeiro de 2006). Secrets of Jerusalem's Temple Mount (em inglês). [S.l.]: Biblical Archaeology Society. p. 104. ISBN 9781880317860