Ovocitação

 Nota: Este artigo é sobre a ovulação humana. A Wikipédia em português ainda não tem um artigo sobre a ovulação animal. Caso tenha interesse em outros animais, poderá ler sobre o assunto em ovócito, óvulo, cio e reprodução, ou em inglês em ovulação (inglês).
Fig. 1: Ovário logo antes do óvulo ser libertado. Fig 2-3: Ovário libertando o óvulo.

A ovocitação ou ovulação é o processo em que o ovócito II (óvulo imaturo) segue do ovário para a tuba uterina, onde pode ser fecundado e ter início a gestação. Se isso não acontece, ocorre a menstruação.[1]

A ovulação ocorre mais ou menos na metade do ciclo menstrual. Esse ciclo pode variar, mas na maioria o cumprimento do mesmo é de cerca de 28 dias.[2] O útero é fértil durante cerca de cinco dias antes da ovulação e um dia depois da ovulação.

Algumas pessoas utilizam um calendário menstrual para saberem quando é que ovulam. Para pessoas com ciclos maiores ou menores, o ideal é utilizar testes de ovulação para saber quando ovulou, ou medir a temperatura basal para conhecer o dia da ovulação.

Funcionamento

Nos dias anteriores à ovocitação, o folículo secundário cresce rapidamente, sob a influência dos hormônios folículo-estimulante (FSH) e luteinizante (LH).

Nas etapas finais de desenvolvimento do folículo, há um aumento abrupto de LH. A alta quantidade do hormônio faz com que o ovócito I no seu interior complete a meiose I. O folículo ovariano então passa ao estágio de pré-ovocitação. A meiose II então é iniciada, mas é interrompida em metáfase II aproximadamente três horas antes da ovocitação, caracterizando a formação do ovócito II. A metáfase II apenas será concluída caso haja a fecundação.[3]

A elevada concentração de LH provoca a digestão das fibras colágenas em torno do folículo, e os níveis mais altos de prostaglandinas causam contrações na parede ovariana, que provocam a extrusão do ovócito II, envolto pela zona pelúcida e corona radiata. A liberação do ovócito II pelos ovários marca o início do período fértil. O ovócito II então entra em uma das tubas uterinas.[1]

Técnicas de concepção

Eixo X: Dias, relativo ao dia da ovulação em 0. Eixo Y: Probabilidade de gravidez após relação sexual.

Existem algumas provas de que, para os casais que estão a tentar engravidar há menos de 12 meses e que o prospectivo gestante tem menos de 40 anos, as práticas sexuais cronometradas (sincronização das relações sexuais com a ovulação) podem ajudar a melhorar as taxas de gravidez e de nados-vivos.[4]

A ovulação pode ser medicamente induzida por diversos métodos.[5][6] Esse processo é usado para ajudar pessoas que têm dificuldade em engravidar, como os portadores da síndrome dos ovários policísticos.[7]

Normalmente, a estimulação ovárica é utilizada em conjunto com a indução da ovulação para estimular a formação de vários óvulos. Algumas fontes incluem a indução da ovulação na definição de estimulação ovárica.

Supressão da ovulação

Os contraceptivos hormonais combinados suprimem o desenvolvimento dos folículos e impedem a ovulação como principal mecanismo de ação.[8][9] A dose inibidora da ovulação (DIO) de estrogénio ou progestagénio refere-se à dose necessária para suprimir consistentemente a ovulação.[10] A inibição da ovulação é um efeito antigonadotrópico e é mediada pela inibição da secreção de gonadotropinas, LH e FSH, pela glândula pituitária.

Nas tecnologias de reprodução assistida, incluindo a fertilização in vitro, os ciclos em que está planeada a recolha transvaginal de oócitos requerem normalmente a supressão da ovulação, uma vez que a recolha de oócitos após a ovulação é praticamente impossível.[11]

O papel que o stress desempenha na ovulação, na fertilidade e na compreensão da base biológica da anovulação induzida pelo stress e do papel do cortisol não é totalmente claro.[12]

Referências

  1. 1 2 BIOLOGIA GERAL VOLUME III (PDF). Muriaé, Minas Gerais: UNIFAMINAS. 2020. p. 30. ISBN 978-65-88341-00-1
  2. Teixeira, André Luiz da Silva; Fernandes Júnior, Walter; Marques, Fábio Antônio Damasceno; Lacio, Marcio Luis de; Dias, Marcelo Ricardo Cabral (2012). «Influência das diferentes fases do ciclo menstrual na flexibilidade de mulheres jovens». Revista Brasileira de Medicina do Esporte: 361–364. ISSN 1517-8692. doi:10.1590/S1517-86922012000600002. Consultado em 12 de fevereiro de 2026
  3. «Biologia, atividade 11, semana 14» (PDF). Consultado em 12 de fevereiro de 2026
  4. «Timed intercourse for couples trying to conceive». www.cochranelibrary.com. Consultado em 23 de agosto de 2024
  5. «Medical Approaches to Ovarian Stimulation for Infertility». clinicalpub.com. Consultado em 23 de agosto de 2024
  6. «Overview of ovulation induction». www.uptodate.com. Consultado em 23 de agosto de 2024
  7. «Manual de Orientação Reprodução Humana» (PDF). 2011. Consultado em 12 de fevereiro de 2026
  8. «FSRH Guideline (January 2019, amended October 2023) Combined Hormonal Contraception». srh.bmj.com. Consultado em 23 de agosto de 2024
  9. «Combined estrogen-progestin oral contraceptives: Patient selection, counseling, and use». www.uptodate.com. Consultado em 23 de agosto de 2024
  10. «Ovulation inhibition doses of progestins: a systematic review of the available literature and of marketed preparations worldwide». www.contraceptionjournal.org. Consultado em 23 de agosto de 2024
  11. «Assisted Reproductive Technologies». embryo.asu.edu. Consultado em 23 de agosto de 2024
  12. «Infertility and cortisol: a systematic review». www.ncbi.nlm.nih.gov. Consultado em 23 de agosto de 2024

Ligações Externas