Maragogi

 Nota: Não confundir com Maragogipe.
Maragogi
Hino
Gentílicomaragogiense
Localização de Maragogi em Alagoas
Localização de Maragogi em Alagoas
Localização de Maragogi em Alagoas
Maragogi está localizado em: Brasil
Maragogi
Localização de Maragogi no Brasil
Mapa de Maragogi
Coordenadas: 🌍
PaísBrasil
Unidade federativaAlagoas
Municípios limítrofesJaparatinga, Porto Calvo e Jacuípe, em Alagoas; Barreiros e São José da Coroa Grande, em Pernambuco.
Distância até a capital125 km
Fundação24 de abril de 1875 (150 anos)
Emancipação1892
Governo
  Prefeito(a)Daniel Mendes (Dani) De Vasconcelos Ferreira[1][2] (PP, 2025–2028)
Área
  Total [3]335 km²
Altitude5 m
População
  Total (Censo IBGE/2022[4])32 174 hab.
  Estimativa (est. 2025)33 269 hab.
Densidade96 hab./km²
Climatropical úmido (As)
Fuso horárioHora de Brasília (UTC−3)
IDH (PNUD/2010[5])0,574 baixo
PIB (IBGE/2008[6])R$ 101 126,375 mil
  Per capita (IBGE/2008[6])R$ 3 813,21
Sítiohttps://maragogi.al.gov.br/ (Prefeitura)
https://www.maragogi.al.leg.br/ (Câmara)

Maragogi[nota 1] é um município da Microrregião do Litoral Norte Alagoano, na Mesorregião do Leste Alagoano, no estado de Alagoas, Brasil, situando-se a cerca de 130 quilômetros (pelas rodovias) da capital do estado, Maceió.[7][8][9]

Sua população segundo o Censo 2022 era de 32.174 pessoas, com uma estimativa em 2025 de 33.269.[10].

O município é um dos oito municípios alagoanos que fazem parte da Área de Proteção Ambiental Costa dos Corais (APACC).[11]

Etimologia

"Maragogi" é oriundo do tupi antigo maragûaóîy, que significa "rio dos gatos-do-mato" (maragûaó, "gato-do-mato" + îy, "rio").[12]

História

Por volta do ano 1000, a maior parte do atual litoral brasileiro, incluindo o atual município de Maragogi, foi invadida por povos tupis procedentes da Amazônia. Eles expulsaram os antigos habitantes, os chamados tapuias, para o interior do continente. No século XVI, quando os primeiros exploradores europeus chegaram à região, ela era ocupada pela tribo tupi dos caetés.[13]

O início da colonização das terras que hoje correspondem a Maragogi coincide com o início da introdução da cana-de-açúcar no litoral nordestino, por iniciativa da capitania de Pernambuco. O terceiro donatário, chamado Jorge de Albuquerque Coelho, concedeu uma sesmaria para o alemão Christopher Linz entre os anos de 1575 e 1585 que se estendia desde a foz do rio Manguaba até o cabo de Santo Agostinho.[14]

Linz recebeu o terreno como reconhecimento de seus serviços à Coroa portuguesa no processo de colonização, auxiliando na morte de indígenas.[14]

Guerra dos Cabanos

Maragogi também foi palco da Guerra dos Cabanos, que começou como um movimento restaurador armado, que tinha por objetivo trazer de volta ao trono do Brasil o Imperador D. Pedro I, que renunciara e voltara para Portugal. A guerra inicia-se entre maio e junho de 1832, com os levantes de Antônio Timóteo de Andrade, em Panelas de Miranda, no agreste pernambucano, e João Batista de Araújo, na praia de Barra Grande, hoje povoado do município de Maragogi. Em 26 de outubro de 1832, tropas provinciais matam em combate, no reduto do Feijão, o líder Antônio Timóteo de Andrade e o Almirante Tamandaré prende o líder João Batista de Araújo em sua casa, na praia de Barra Grande. Entre novembro de 1832 e janeiro de 1834, a chefia da guerra passa para as forças populares, sendo o comandante geral da insurreição Vicente de Paula. São erguidos os primeiros arraiais guerrilheiros nas matas de Imbiras, Barras de Piabas e Piabas.

Os Cabanos, numa manobra guerrilheira tentam tomar o povoado de Barra Grande, mas são postos em fuga pelas tropas provinciais acantonadas ali. Recuam sob forte tiroteio até o povoado de Gamela (hoje cidade de Maragogi), e de lá chegam à praia de São Bento, onde os Cabanos feridos à bala se curavam e pescavam. Ocorre então a matança de São Bento, tendo as tropas provinciais morto à bala e à faca todos os Cabanos encontrados.

Os negros papa-méis (assim chamados os negros que fugiam da escravidão dos engenhos e se escondiam nas matas) aderem à insurreição e mudam os rumos da guerra: lutam os Cabanos agora pela libertação dos escravos, atacando inclusive os engenhos de açúcar e ocupam terras onde constroem seus arraiais guerrilheiros. A guerra termina com a prisão de Vicente de Paula, em 1850, que foi levado para a ilha-presídio de Fernando de Noronha.

De Gamela à Maragogi

Nos últimos anos do século XIX, a região hoje pertencente ao município de Maragogi era lugar de um povoado chamado Gamela, pertencente ao município de Porto Calvo. Em 1875, Gamela foi elevado à posição de vila, trocando de nome para Isabel. Em 1892, emancipou-se de Porto Calvo, recebendo seu nome atual.[14]

Desativação de minas terrestres

Em 10 de maio de 2010, foi encontrada uma mina marítima durante uma obra de saneamento na cidade. A mina havia sido feita pela marinha brasileira durante a Segunda Guerra Mundial (1939-1945) para proteger o litoral do Brasil. Com o fim da guerra, não tendo sido detonada, os militares brasileiros a enterraram perto da praia.[15] O que esperava-se ser uma botija holandesa com moedas de prata, por conta da rica história de conflitos entre portugueses e neerlandeses, chegou a ser perfurado mas, por sorte, não explodiu.[16]

A partir de então, oficiais da marinha e até especialistas do Batalhão de Operações Especiais iniciaram a prospecção de pelo menos mais sete minas, terrestres e aquáticas.[17] O consenso é de que todas foram plantadas após o ataque de submarinos alemães a um navio mercante brasileiro próximo de Porto de Pedras, que é município vizinho, durante a Segunda Guerra.[17][18][19]

Geografia

Hidrografia

Maragogi pertence a décima quinta região hidrográfica do estado, formada pelas bacias dos rios Tatuamunha, Manguaba, Salgado, Maragogi, dos Paus, Tabaiana e Persinunga. Desses, apenas quatro (Salgado, Maragogi, dos Paus e Tabaiana) banham o município.[20]

O rio Salgado, com maior bacia em área (245,3 km²) dentre os rios da região hidrográfica mencionada, é notável por formar a divisa de Maragogi com o município vizinho de Japaratinga. De fato, o rio se situa próximo às sedes municipais de ambos os municípios e do povoado de São Bento, pertencente à Maragogi.[20]

Vegetação

Segundo a classificação do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, Maragogi se encontra numa área de Mata Atlântica. O município também faz parte da Reserva da biosfera da Mata Atlântica no estado com duas áreas de conservação, as reservas Bosque e Cachoeira.[21][22]

Clima

Na classificação climática de Köppen-Geiger, Maragogi se situa numa área de clima tropical úmido, de sigla "As".[20]

Além disso, dados do Departamento de Ciências Atmosféricas da Universidade Federal de Campina Grande (UFCG) mostram que a localidade apresenta uma média pluviométrica anual de 1397,0 mm[23] e temperatura média anual de 25,5 °C.[24]

Dados climatológicos para Maragogi
Mês Jan Fev Mar Abr Mai Jun Jul Ago Set Out Nov Dez Ano
Temperatura máxima média (°C) 32,6 32,4 32,4 31,5 29,8 28,7 28,1 28,4 29,3 30,8 32,0 32,5 30,7
Temperatura média (°C) 26,7 26,7 26,8 26,2 25,1 24,2 23,5 23,6 24,3 25,5 26,1 26,7 25,5
Temperatura mínima média (°C) 21,4 21,4 21,6 21,2 20,7 19,9 19,0 18,6 19,3 20,2 20,7 21,1 20,4
Precipitação (mm) 70,0 102,9 146,2 193,2 192,0 186,8 209,9 103,9 62,2 42,6 40,5 44,1 1 397,0
Fonte: Departamento de Ciências Atmosféricas da UFCG.[23][24][25][26]

Turismo

Início e ascensão

O início das atividades turísticas em Maragogi se deram por volta da década de 1980, com a aquisição de segundas residências por veranistas vindos de municípios próximos como Palmares, Caruaru, Recife e Maceió. Posteriormente, entre o fim da década de 1980 e o começo dos anos 1990, a atividade turística na região se intensificou com a abertura do hotel Salinas de Maragogi, em 1989.[11]

Hoje, o município é um reconhecido polo turístico, alcançando o posto de principal destino turístico no litoral Norte de Alagoas em 2022.[27]

Praias e piscinas naturais

Uma característica procurada da praia de Barra Grande é seu acesso, em maré baixa, às piscinas naturais, chamadas "Galés".

As praias de Maragogi possuem como características notáveis as águas claras, de aspecto cristalino, e poucas ondas. Se destacam as praias de São Bento, com suas formações coralinas ("C'roas de São Bento"), Camacho, Burgalhau, Barra Grande, Xaréu (ou "da Bruna") e a Central, situada próxima ao centro da cidade.[28]

Peixe-papagaio fotografado nas piscinas naturais de Maragogi, 2014.

Uma característica da região costeira de Maragogi, que inclusive a colocou no mapa do turismo internacional, é a presença de piscinas naturais, chamadas "Galés de Maragogi". Essas piscinas se formam em períodos de maré baixa a uma distância de aproximadamente seis quilômetros da costa e possuem visita rigidamente controlada para preservação do ecossistema.[29]

Trilha do Visgueiro

Visgueiro na Trilha do Visgueiro, 2018.

Um ponto notável do turismo ecológico da cidade é a chamada Trilha do Visgueiro, de seis quilômetros de extensão e situada entre uma reserva de mata atlântica e o assentamento agrário Água Fria.[30][31]

A trilha tem sua denominação originada dos inúmeros visgueiros que cercam o trajeto e, notavelmente, do chamado Gran Visgueiro, que possui cerca de 500 anos de idade, 22 metros de altura e raízes que se estendem num raio de 50 metros.[31]

Festival de Velas em Maragogi

Na área esportiva, a cidade sedia o Festival de Velas em Maragogi desde 2021, contando com diversas modalidades esportivas como Slalon, jangadas e windsurfe, no Pontal do Maragogi. O Festival é organizado pela Associação de Windsurf de Alagoas (AWA) e foi idealizado pelo velejador e ex-vice-campeão mundial de windsurfe Marcelo Lacerda.[32][33]

Festivais

Entre os eventos locais, destacam-se o Festival da Mariscada[34], a festa da Emancipação[35], a de São Benedito (Peroba)[36], a de Nossa Senhora da Guia (Barra Grande)[37] e a de São Bento.[38]

Anualmente também ocorria o chamado Festival da Lagosta, que teve sua última edição em 2020 e parece ter entrado em hiato desde então.[39]

Notas

Referências

  1. «Eleições 2024: Dani, do PP, é eleito prefeito de Maragogi no 1º turno». G1. Consultado em 1 de janeiro de 2025
  2. «Dani 11 para prefeito de Maragogi em 2024: Biografia e Propostas». O Tempo. Consultado em 1 de janeiro de 2025
  3. IBGE (10 de outubro de 2002). «Área territorial oficial». Resolução da Presidência do IBGE de n° 5 (R.PR-5/02). Consultado em 5 de dezembro de 2010
  4. https://cidades.ibge.gov.br/brasil/al/maragogi/panorama
  5. «Ranking decrescente do IDH-M dos municípios do Brasil». Atlas do Desenvolvimento Humano. Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD). 2010. Consultado em 4 de setembro de 2013
  6. 1 2 «Produto Interno Bruto dos Municípios 2004-2008». Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Consultado em 11 de dezembro de 2010
  7. «Microrregiões do Estado de Alagoas - [PNG] Mapa de Microrregiões (2° Edição) - Alagoas em Dados e Informações». dados.al.gov.br. Consultado em 3 de dezembro de 2025
  8. Alagoas, Secretary of Planning and Economic Development of (7 de junho de 2023), English: Official map of all the administrative microrregions of Alagoas state, Brazil., consultado em 3 de dezembro de 2025
  9. Carvalho, Rafael (9 de setembro de 2022). «Como ir para Maragogi saindo de Maceió ou Recife; veja dicas». Esse Mundo É Nosso. Consultado em 3 de dezembro de 2025
  10. «Maragogi (AL) | Cidades e Estados | IBGE». www.ibge.gov.br. Consultado em 3 de dezembro de 2025. Cópia arquivada em 3 de maio de 2025
  11. 1 2 de Oliveira, Renata Firmino; Turismo e Meio Ambiente no Destino Maragogi, Alagoas (Maceió, 2023); Trabalho de Conclusão de Curso, Universidade Federal de Alagoas. Disponível em https://www.repositorio.ufal.br/bitstream/123456789/12588/1/Turismo%20e%20meio%20ambiente%20no%20destino%20Maragogi%2C%20Alagoas.pdf
  12. NAVARRO, E. A. Dicionário de tupi antigo: a língua indígena clássica do Brasil. São Paulo. Global. 2013. p. 586.
  13. BUENO, E. Brasil: uma história. 2ª edição revisada. São Paulo. Ática. 2003. p. 19.
  14. 1 2 3 Kaspary, Manuela Grace de Almeida Rocha; "Desenvolvimento turístico e desenvolvimento local no município de Maragogi, Alagoas" (2012); Dissertação de Mestrado; UFAL. Disponível em: https://www.repositorio.ufal.br/bitstream/riufal/736/1/Dissertacao_ManuelaGraceDeAlmeidaRochaKaspary_2012.pdf
  15. http://www.primeiraedicao.com.br/?pag=alagoas&cod=14005
  16. Força Aérea chega a Maceió para retirada das minas achadas em Maragogi - Jornal O Globo
  17. 1 2 Bom Dia Brasil - Força-tarefa não encontra minas da 2ª Guerra em Maragogi (AL)
  18. http://gazetaweb.globo.com/v2/noticias/texto_completo.php?c=213472
  19. http://www.primeiraedicao.com.br/?pag=alagoas&cod=13872
  20. 1 2 3 «Wayback Machine» (PDF). transparencia.maragogi.al.gov.br. Consultado em 3 de dezembro de 2025. Cópia arquivada (PDF) em 3 de dezembro de 2025
  21. Azevedo, Ana Laura Moura dos Santos. «IBGE - Educa | Jovens». IBGE Educa Jovens. Consultado em 4 de dezembro de 2025
  22. «Wayback Machine» (PDF). www.rbma.org.br. Consultado em 4 de dezembro de 2025. Cópia arquivada (PDF) em 11 de julho de 2025
  23. 1 2 Departamento de Ciências Atmosféricas (1911–1990). «Chuva Mensal e Anual de Alagoas». ufcg.edu.br. Consultado em 4 de setembro de 2025. Cópia arquivada em 2 de fevereiro de 2019
  24. 1 2 Departamento de Ciências Atmosféricas. «Temperatura Média Mensal e Anual de Alagoas». ufcg.edu.br. Consultado em 4 de setembro de 2025. Cópia arquivada em 2 de fevereiro de 2019
  25. Departamento de Ciências Atmosféricas (1911–1990). «Temperatura Máxima Mensal e Anual de Alagoas». ufcg.edu.br. Consultado em 4 de setembro de 2025. Cópia arquivada em 2 de fevereiro de 2019
  26. Departamento de Ciências Atmosféricas. «Temperatura Mínima Mensal e Anual de Alagoas». ufcg.edu.br. Consultado em 4 de setembro de 2025. Cópia arquivada em 2 de fevereiro de 2019
  27. Nealdo, Carlos (18 de março de 2025). «Turismo em Alagoas bate novo recorde e impulsiona economia do estado». Portal oficial do Governo do Estado de Alagoas. Consultado em 4 de dezembro de 2025
  28. Claudio, Bulgarelli. «Conheça um pouco das praias de Maragogi». Tribuna Hoje. Consultado em 4 de dezembro de 2025
  29. Bruno, Vitor (3 de dezembro de 2025). «O Caribe brasileiro existe e tem praias tão bonitas quanto as fotos prometem». Oeste Geral. Consultado em 4 de dezembro de 2025
  30. «FOTOS: Veja imagens da Trilha do Visgueiro, em Maragogi». g1. Consultado em 4 de dezembro de 2025
  31. 1 2 «Árvore gigante atrai turistas à Trilha do Visgueiro em Maragogi, Alagoas». Alagoas. 19 de fevereiro de 2014. Consultado em 4 de dezembro de 2025
  32. «O Festival – adventure». festivaldevelasmaragogi.com.br. Consultado em 4 de dezembro de 2025
  33. Santos, Larissa. «Secretaria de Turismo de Alagoas promove IV Festival de Velas em Maragogi». Portal oficial do Governo do Estado de Alagoas. Consultado em 4 de dezembro de 2025
  34. «Festival da Mariscada 2025 já faz história no primeiro dia de festa em Maragogi – Prefeitura de Maragogi». Consultado em 4 de dezembro de 2025
  35. «Maragogi dá início às comemorações pelos 150 anos com inaugurações na zona rural e show especial de Eliana Ribeiro – Prefeitura de Maragogi». Consultado em 4 de dezembro de 2025
  36. «Festa de São Benedito em Peroba, Maragogi». Visão De Alagoas. 11 de outubro de 2022. Consultado em 4 de dezembro de 2025
  37. Redação (26 de janeiro de 2022). «Festa de Nossa Senhora da Guia: cultura, história, amor e devoção». Maragogi News. Consultado em 4 de dezembro de 2025
  38. «Festa de São Bento é iniciada em Maragogi». G1. Consultado em 4 de dezembro de 2025
  39. Bulgarelli, Claudio. «Festival da Lagosta de Maragogi abre inscrições para chefs e restaurantes». Tribuna Hoje. Consultado em 4 de dezembro de 2025

Ligações externas