Lei dos cossenos
A lei dos cossenos, referida frequentemente como teorema de al-Kashi em textos franceses,[1] é uma parte da generalização do Teorema de Pitágoras, que pode ser utilizada em situações envolvendo qualquer triângulo, isto é, não necessariamente restritas a triângulos retângulos. Em um triângulo ABC qualquer, para lados opostos aos ângulos internos e com medidas respectivamente e valem as relações:
História
Os livros de Os Elementos de Euclides, que datam do século III a.C., contém uma aproximação geométrica da generalização do Teorema de Pitágoras. As preposições 12 e 13 do livro II tratam, separadamente, o caso de um triângulo obtusângulo e de um triângulo acutângulo. A formula da época era arcaica, uma vez que a ausência de funções trigonométricas e algébricas requiriu que a relação fosse apresentada em termos da diferença de áreas.[2] Assim, a preposição 12 apresenta:
Nos triângulos obtusângulos, o quadrado do lado oposto ao ângulo obtuso é maior que os quadrados dos lados adjacentes ao ângulo obtuso por duas vezes o retângulo compreendido por um desses lados sobre o qual incide a perpendicular e a reta exterior cortada pela perpendicular até o ângulo obtuso.
— Euclides, Elementos, [3]
Sendo o triângulo, cujo ângulo obtuso está no vértice , e a altura relativa ao vértice , a preposição pode ser escrita como:
.
Com a evolução e o desenvolvimento da trigonometria árabe durante a Idade Média, o astrônomo e matemático Albatani[4] generalizou o resultado de Euclides e a aplicou na geometria esférica, o que permitiu os cálculos da distância angular entre o Sol e a Terra.[5]
Demonstração
A seguir algumas maneiras de demonstrar a lei dos cossenos:
Forma geométrica
Considerando a figura, podemos observar 3 triângulos:
- .

Destes, pode-se extrair as seguintes relações:
e
- .
Usando o Teorema de Pitágoras para obter uma relação entre os lados dos triângulos, temos para BCD:
e para BAD:
Substituindo:
e
em
teremos:
Entretanto, pode-se substituir a relação , do triângulo , na equação acima. Dessa maneira, encontra-se uma expressão geral da Lei dos cossenos:
Da mesma forma, pode-se demonstrar as demais relações:
Forma vetorial
Outro modo de demonstrar é usando geometria analítica com vetores: definimos um vetor como sendo igual a temos um triângulo formado pela soma e o resultante . Sabendo que e sendo o ângulo entre os vetores e temos o seguinte desenvolvimento:

A lei dos cossenos, formulada nesta notação, pode ser escrita como:
Que é claramente equivalente à fórmula acima derivada da teoria dos vetores.
Já que é o ângulo formado entre os vetores e e considerando que o ponto da origem de é o mesmo da origem de , dizemos que esse ponto é A, pois é oposto ao vetor , logo formando um ângulo .
Forma matricial

Da figura, podemos deduzir, a partir da definição de cosseno, as seguintes relações:
Somando as duas equações, como , obtém-se a relação:
- .
Se fossem traçadas as alturas respectivas a cada lado do triângulo, seriam obtidas também:
Que consistem em um sistema linear, cuja solução pode ser dada pela Regra de Cramer, para tanto, temos:
Matriz dos coeficientes (M):
Matriz não alterada na coluna da variável (X):
Assim, é válida a igualdade e, portanto:
- =
e, analogamente:
Ver também
Referências
- ↑ Carvalho, João Bosco Pitombeira de (2020). «Al-Kashi e o cálculo de pi» (PDF). Revidta do Professor de Matemática (101): 4. Consultado em 27 de fevereiro de 2026
- ↑ Heath, Sir Thomas (1921). A History of Greek Mathematics, vol. 1 (em inglês). Londres, Inglaterra: Oxford University Press. OCLC 2014918
- ↑ «Proposición 12 del libro II de Los Elementos de Euclides». Consultado em 8 de abril de 2008. Cópia arquivada em 3 de abril de 2012
- ↑ «ESQUEMA DEL DESARROLLO HISTORICO DE LA MATEMATICA» (PDF). ing.unne.edu.ar (em espanhol). Consultado em 27 de fevereiro de 2026. Cópia arquivada (PDF) em 27 de março de 2013
- ↑ «La trigonometria àrab: Al-Battani, Abu'l-Wafa, Ibn Yunus, Nasir al-Tusi». www.mallorcaweb.net. Consultado em 27 de fevereiro de 2026. Cópia arquivada em 5 de julho de 2008