Língua aimará

Aimara

Aymara

Pronúncia:ajˈmaɾa
Outros nomes:aimará, aymará
Falado(a) em: Bolívia
Peru
Chile
Região: Altiplano andino, região do Lago Titicaca
Total de falantes: c. 2 000 000[1]
Família: Línguas aimarás
 Aimara
Escrita: Alfabeto latino
Estatuto oficial
Língua oficial de: Bolívia, Peru
Códigos de língua
ISO 639-1: ay
ISO 639-2: aym
ISO 639-3: aym

A língua aimara (em aimara: aymara) é uma língua indígena sul-americana pertencente à família das línguas aimarás (ou família jaqi), falada principalmente no Altiplano andino. Trata-se de um dos idiomas nativos mais amplamente documentados da região central dos Andes, com registros históricos contínuos desde o período colonial e extensa tradição de estudos linguísticos modernos.[2]

O idioma está associado ao povo aimara, cuja ocupação do planalto andino antecede a expansão do Império Inca. Evidências linguísticas e históricas indicam que o aimara coexistiu com o quíchua como língua regional antes e durante o período incaico, mantendo-se em uso local após a incorporação política dessas populações ao Tahuantinsuyo.[3]

Do ponto de vista tipológico, o aimara é classificado como uma língua aglutinante, caracterizada por morfologia predominantemente sufixal e elevada regularidade estrutural.[4]

A língua apresenta amplo uso de sufixos e um sistema gramatical que codifica de forma obrigatória a fonte da informação, fenômeno conhecido como evidencialidade.[5]

Outro aspecto recorrente nos estudos sobre o aimara diz respeito à forma como a língua organiza categorias semânticas de tempo verbal e espaço. Descrições gramaticais indicam que o passado é conceptualizado como domínio do conhecido (à frente), enquanto o futuro é tratado como indeterminado ou não visível (atrás).[6]

Etimologia

A origem do termo aimara não é consensual na literatura linguística. A denominação surge em documentos coloniais espanhóis do século XVI (como os de Polo de Ondegardo) como um rótulo aplicado a populações indígenas, sem evidência conclusiva de que correspondesse a uma autodenominação anterior à conquista.[7]

Estudos sugerem que o termo tenha sido generalizado a partir de designações administrativas ou de grupos específicos (como os Aymaraes de Apurímac), consolidando-se progressivamente como glotônimo e etnônimo amplo.[8][9]

História

História da língua

Pessoas da etnia aimará em Jujuy, em 1870

A língua aimara é um idioma indígena de origem pré-hispânica falado historicamente por populações do altiplano andino, especialmente nas regiões ao redor do Lago Titicaca, abrangendo áreas dos atuais Peru, Bolívia e Chile.[10]

Os falantes do idioma se reconhecem como parte da chamada Nação Aimara, e a língua constitui um elemento central de identidade cultural e social.[11]

Antes da expansão do Império Inca, por volta de 1430, os falantes do aimará estavam organizados em diversos Estados independentes ou subgrupos regionais, como os Colla e os Lupaca, que correspondiam também a áreas de variação dialetal do idioma.[12] A incorporação dessas populações ao Tahuantinsuyo resultou em um processo de aculturação linguística, marcado pelo contato intenso com o quíchua, língua administrativa do império. Apesar dessa influência, o aimará manteve-se como língua amplamente falada, preservando suas estruturas gramaticais fundamentais.[13]

A conquista espanhola, iniciada em 1535, representou um marco decisivo na história da língua. A imposição do castelhano como língua de administração, religião e poder político reduziu o prestígio social do aimará e restringiu seu uso aos contextos comunitários e familiares.[14] Ainda assim, o idioma permaneceu majoritário entre as populações indígenas do altiplano, mesmo sob condições de exploração colonial, como o trabalho forçado nas minas e nas haciendas.[15]

Após os processos de independência no século XIX, os falantes de aimará passaram a viver sob os Estados republicanos do Peru, da Bolívia e, posteriormente, do Chile, o que intensificou pressões de ocidentalização e marginalização linguística.[16] Reformas agrárias e programas de desenvolvimento rural ao longo do século XX provocaram migrações internas e maior contato com o espanhol, resultando em mudanças no uso social da língua, sem, contudo, levar à sua substituição.[17]

História da documentação

Folha de rosto do Vocabulario de la Lengua Aymara (1612), de Ludovico Bertonio.

A documentação da língua aimará teve início no período colonial, principalmente por meio do trabalho de missionários cristãos interessados na evangelização das populações indígenas. O principal marco desse processo é a obra Vocabulario de la Lengua Aymara, publicada em 1612 pelo sacerdote jesuíta Ludovico Bertonio.[18] Produzida a partir de pesquisas realizadas nas localidades de Chucuito e Juli, na região de Puno, a obra apresenta um vocabulário extenso e uma descrição gramatical do idioma, constituindo o primeiro estudo linguístico sistemático do aimará.

Nos séculos seguintes, o idioma continuou a ser registrado em catecismos, textos religiosos, documentos administrativos e estudos etnográficos produzidos por missionários, cronistas e pesquisadores.[19] No século XX, a documentação foi ampliada por pesquisas acadêmicas sistemáticas, reunidas em bases como o eHRAF World Cultures, que compila descrições detalhadas sobre a língua e sua história cultural.[20]

História do ensino

Tradutora e intérprete de línguas indígenas. O reconhecimento oficial e a formação de profissionais de tradução são fundamentais para a preservação e o uso do aimará em contextos institucionais.

Tradicionalmente, o ensino da língua aimara ocorreu por meio da tradição oral no interior das famílias extensas e das comunidades organizadas em ayllus, sendo a principal forma de reprodução do idioma ao longo de séculos.[21] Durante o período colonial e grande parte da era republicana, os sistemas educacionais formais priorizaram o espanhol, promovendo a alfabetização monolíngue e desencorajando o uso do aimará nas escolas.[22]

A partir da segunda metade do século XX, especialmente no Peru e na Bolívia, políticas de educação intercultural bilíngue passaram a reconhecer as línguas indígenas como meios legítimos de instrução escolar, incluindo o aimara.[23] Essas iniciativas buscaram não apenas a alfabetização no idioma indígena, mas também sua valorização cultural e preservação intergeracional.[24]

No contexto contemporâneo, a promoção e o ensino do aimara estão alinhados a iniciativas internacionais de preservação das línguas indígenas, como a Década Internacional das Línguas Indígenas (2022–2032), coordenada pela UNESCO, que enfatiza o papel da educação na manutenção da diversidade linguística global.[25]

Fonologia

Consoantes

O aimara possui 26 fonemas consonantais, organizados segundo ponto e modo de articulação. O sistema distingue três séries de oclusivas: simples, aspiradas e ejetivas (glotalizadas), traço tipológico característico das línguas aimarás. Não existem oclusivas sonoras fonêmicas.[26]

Algumas variedades regionais apresentam fonemas adicionais, como a nasal velar /ŋ/ ou a fricativa palatal /ʃ/.[27]

Quadro consonantal da língua aimara[28]
Bilabial Alveolar Palatal Velar Uvular
Oclusiva simples p t k q
aspirada
glotalizada
Africada simples t͡ʃ
aspirada t͡ʃʰ
glotalizada t͡ʃʼ
Fricativa s x χ
Nasal m n ɲ
Líquida l
r
ʎ
Aproximante w j

Vogais

O aimará apresenta um inventário vocálico reduzido, composto por apenas três fonemas vocálicos: /i/, /a/ e /u/. A altura vocálica não é distintiva, e as vogais apresentam ampla variação alofônica condicionada principalmente pelo contexto consonantal, pela posição na palavra e pela tonicidade. Propostas anteriores de um sistema de cinco vogais foram abandonadas, pois as realizações [e] e [o] não possuem valor fonêmico independente, ocorrendo como alófonos previsíveis de /i/ e /u/, respectivamente[29].

Não há ditongos, tritongos ou hiatos no aimará. Sequências de vogais diferentes são fonotaticamente proibidas, e encontros aparentes resultam de processos morfofonêmicos ou de supressão vocálica. O idioma também não apresenta nasalização fonêmica nem contraste sistemático de arredondamento vocálico, embora /u/ possa realizar-se foneticamente como arredondada ou não arredondada dependendo do falante e do contexto[30].

Inventário vocálico aimara[31]

AnteriorCentralPosterior
Alta iu
Baixa a

Variação alofônica vocálica

As vogais altas /i/ e /u/ apresentam abertura previsível quando ocorrem em proximidade a consoantes postvelares (uvulares), sendo realizadas, respectivamente, como [e ~ ɪ] e [o ~ ʊ]. A vogal /a/ pode ser articulada como [ɑ] nesses mesmos contextos.[32]

Exemplos:

qillqa [ˈqel.qa] “escrever”

qullqi [ˈqoʎ.qe] “prata”

jachʼa [ˈhɑ.t͡ʃʼa] “grande”

Essas variações não são distintivas e não produzem pares mínimos.

Encontros vocálicos

Não ocorrem sequências VV fonológicas em aimara. Quando duas vogais entram em contato em fronteiras morfológicas, a língua recorre a estratégias como:

elisão de uma vogal;

inserção de consoante epentética;

alongamento compensatório da vogal reTexto em itálicomanescente.

Exemplo de alongamento compensatório:[33]

uta + -iri → utīri [uˈtiː.ɾi] “morador da casa”

Vogais transicionais e metáteses

Um fenômeno fonético recorrente no aimara é a ocorrência de vogais transicionais não fonêmicas em determinados grupos consonantais. Essas vogais, acusticamente semelhantes a um schwa [ə], surgem na transição entre duas consoantes quando a segunda é a semivogal /w/ e a primeira é uma consoante sonora ou a oclusiva /t/. Esse elemento vocálico não constitui núcleo silábico pleno e não afeta a silabificação nem a colocação do acento.[34]

Esse fenômeno é explicado como resultado da articulação clara e segmentada das consoantes adjacentes, gerando uma breve liberação vocálica perceptível apenas em nível fonético.

Exemplos[35]:

/qarwa/ → [ˈqárəwa] ‘llama’

/challwa/ → [ˈt͡ʃáləwa] ‘peixe’

/sartwa/ → [ˈsartəwa] ‘fui’

Como não ocorre silabificação vocálica completa, essas vogais transicionais não constituem sílabas independentes e não interferem na prosódia da palavra.

Além disso, o aimara apresenta processos de metáteses consonantais, isto é, a inversão da ordem de consoantes dentro de uma palavra. Foram observados dois tipos principais: (i) a inversão de consoantes em posição medial e (ii) a troca entre consoantes iniciais e mediais. Em todos os casos documentados, as sequências envolvem consoantes sonoras, sugerindo um certo grau de instabilidade dessas consoantes no sistema fonológico da língua[36].

Exemplos de metáteses mediais[37]:

/qarwa/ ~ /qawra/ ‘llama’

/challwa/ ~ /chawlla/ ‘peixe’

/warya/ ~ /wayra/ ‘vento’

Exemplo de metáteses entre posição inicial e medial:

/chʼullu/ ~ /lluchʼu/ ‘gorro’

Esses processos não geram contraste fonêmico e coexistem como variantes dentro do léxico, podendo estar associados a fatores dialetais ou estilísticos.

Tons

O aimará não possui um sistema tonal. Não há tons lexicais nem gramaticais capazes de distinguir palavras ou categorias morfológicas. As variações tonais observadas na fala são atribuídas exclusivamente à entonação pragmática e discursiva, não possuindo valor distintivo no nível fonológico[38].

Transformações fonológicas

As principais transformações fonológicas do aimara são de natureza assimilatória e morfofonológica. Destacam-se:

assimilação vocálica condicionada por consoantes postvelares;

elisão vocálica em fronteiras morfológicas;

alongamento vocálico compensatório;

neutralização alofônica das vogais altas em certos contextos.

Exemplo de elisão vocálica:[39]

jani + uka → jankʼa “não aquele”

Não há harmonia vocálica sistemática no idioma.

Fonotática

A estrutura silábica básica do aimara é (C)V. O núcleo silábico (ν) é sempre vocálico, e a coda (κ) é severamente restrita ou inexistente na maioria das variedades.[40]

Sílaba mínima: V

Sílaba máxima: CVC (restrita e dialetal)

Grupos consonantais não ocorrem em posição inicial em palavras nativas. Em posição medial, podem surgir grupos resultantes de processos morfológicos, especialmente na aglutinação de sufixos. Esses grupos podem atingir até seis consoantes consecutivas em palavras verbais complexas, sem que isso viole a gramática da língua[41]

Exemplos de separação silábica:

Palavra Separação silábica Tradução
uta u.ta casa
chʼama t͡ʃʼa.ma força
qullqi qul.lqi prata

Prosódia

O acento no aimará não é fonêmico e segue uma regra previsível: recai sempre sobre a penúltima vogal da palavra fonológica. Mesmo quando a vogal final é suprimida por processos morfofonêmicos, o acento mantém sua posição relativa original [42].

A tonicidade não gera pares mínimos. Foneticamente, o acento manifesta-se como leve elevação tonal, podendo também influenciar a duração vocálica. Não há evidência de redução vocálica sistemática em sílabas átonas. A entonação é utilizada para marcar foco, ênfase e modalidades enunciativas, como perguntas e exclamações[43].

Variações

As variedades regionais do aimara apresentam variações fonológicas limitadas, principalmente:

presença do fonema /ŋ/ em variedades do sul do Peru e norte do Chile;

maior abertura vocálica em contextos de contato intenso com o espanhol;

enfraquecimento parcial do contraste laringal em falantes bilíngues.

Essas variações não comprometem a inteligibilidade mútua entre as variedades.[44]

Em contextos de contato intenso com o espanhol, especialmente em áreas urbanas, observam-se adaptações fonéticas e empréstimos recentes que preservam características da língua de origem.

Adaptação fonológica de empréstimos do espanhol

O contato prolongado entre falantes de aimara e de espanhol desde o período colonial resultou em um amplo conjunto de empréstimos lexicais. Esses empréstimos passam por adaptações fonológicas sistemáticas para se adequar às restrições fonotáticas do aimara.[45]

Uma adaptação é a adição obrigatória da vogal final /a/ a palavras espanholas terminadas em consoante.Na adaptação de nomes próprios e outras formas em que a adição da vogal final /a/ poderia obscurecer o gênero gramatical, a língua aimara realiza ajustes morfológicos específicos. Por exemplo, ao adaptar o nome espanhol Juan, a simples adição de uma /a/ final resultaria em uma forma interpretada como feminina; para evitar essa ambiguidade, o sistema fonológico da língua resolve o empréstimo convertendo-o para /juwanti/.[46]

Outras tendências fonológicas gerais observadas incluem[47]:

[f] → /ph/: feria → /phirya/

[b], [d], [g] → /w/, /r/, /ll/ ou suas correspondentes surdas: domingo → /tuminku/

[r] espanhol mantém-se como /r/, podendo apresentar sibilização em fala bilíngue

Vogais espanholas [e], [i] → /i/ e [o], [u] → /u/

Ditongos espanhóis são reinterpretados como sequências silábicas ou reduzidos a uma vogal simples

O acento é sempre realocado para a penúltima sílaba, independentemente da posição do acento original

Exemplo:

Canadá → /kanara/

Ortografia

Representação gráfica da correspondência entre os grafemas e o sistema fonêmico da língua aimará.

O aimara utiliza atualmente um sistema de escrita fonográfico baseado no alfabeto latino, conhecido como alfabeto práctico do aimara. Os primeiros esforços de grafemização da língua remontam a 1583, mas somente ao longo do século XX foram propostas ortografias sistemáticas. O alfabeto atualmente adotado foi apresentado em 1983 e oficializado em 1985.[48]

A escrita é realizada de forma horizontal, da esquerda para a direita, seguindo o padrão do alfabeto latino. Trata-se de um sistema predominantemente fonêmico, no qual os grafemas correspondem de maneira relativamente transparente aos fonemas da língua.

Diacríticos

O principal diacrítico utilizado na ortografia aimara é a diérese (¨), empregada tradicionalmente para marcar o alongamento vocálico (<ä>, <ï>, <ü>). No entanto, o uso desse diacrítico apresenta dificuldades práticas, especialmente na delimitação de fronteiras morfêmicas, uma vez que o alongamento vocálico pode resultar tanto de processos fonológicos quanto morfológicos. Por esse motivo, diversos autores e comunidades optam pela representação alternativa do alongamento por meio da duplicação da vogal (aa, ii, uu).[49]

Tabela grafema–fonema

Correspondência grafema–fonema no aimara[50]
Fonema (AFI) Grafema Leitura
/a/ <a> a
/aː/ <ä> ou <aa> aa
/i/ <i> i
/iː/ <ï> ou <ii> ii
/u/ <u> u
/uː/ <ü> ou <uu> uu
/t͡ʃ/ <ch> cha
/t͡ʃʰ/ <chh> chha
/t͡ʃʼ/ <ch‘> ch‘a
/k/ <k> ka
/kʰ/ <kh> kha
/kʼ/ <k‘> k‘a
/q/ <q> qa
/qʰ/ <qh> qha
/qʼ/ <q‘> q‘a
/p/ <p> pa
/pʰ/ <ph> pha
/pʼ/ <p‘> p‘a
/t/ <t> ta
/tʰ/ <th> tha
/tʼ/ <t‘> t‘a
/s/ <s> sa
/h/ <j> ja
/x/ <x> xa
/l/ <l> la
/ʎ/ <ll> lla
/r/ <r> ra
/m/ <m> ma
/n/ <n> na
/ɲ/ <ñ> ña
/w/ <w> wa
/j/ <y> ya

Gramática

A gramática da língua aimara caracteriza-se por uma estrutura fortemente aglutinante, na qual grande parte das relações gramaticais é expressa por meio de sufixos adicionados às raízes lexicais. Esses sufixos podem indicar relações sintáticas, tempo verbal, negação e outras categorias gramaticais. Além disso, a língua apresenta uma ordem relativamente fixa dos constituintes da frase.[51]

Em geral, cada palavra pode receber uma sequência relativamente longa de sufixos, formando cadeias morfológicas que expressam diversas funções gramaticais e discursivas simultaneamente.[52]

Essa característica faz com que muitas informações que em outras línguas são expressas por palavras independentes sejam codificadas diretamente na estrutura morfológica da palavra.[53]

Pronomes

Os pronomes são utilizados para substituir ou retomar substantivos no discurso. A língua aimara apresenta diversos tipos de pronomes, entre os quais se destacam os pronomes pessoais, possessivos e demonstrativos.

Pronomes pessoais

Os pronomes pessoais referem-se às pessoas do discurso: quem fala (primeira pessoa), com quem se fala (segunda pessoa) e de quem se fala (terceira pessoa). Esses pronomes podem receber sufixos que indicam funções sintáticas ou relações gramaticais dentro da oração. São eles:

Tabela de pronomes pessoais [54]

PessoaAimaraReferente
1ª (Exclusiva)nayaEu (emissor)
jumaTu (receptor)
jupaEle/Ela (referente distante)
4ª (Inclusiva)jiwasaNós (eu + tu; dual de confiança)

Em muitas construções, os pronomes pessoais podem ser omitidos quando a referência ao participante já está clara no contexto discursivo.

Pronomes demonstrativos

Os pronomes demonstrativos no aimara funcionam como deícticos espaciais, utilizados para indicar a localização e a distância de objetos em relação às pessoas do discurso. O sistema distingue quatro graus de distância:[55]

  1. Aka ("este", "esta", "isto"): indica que o objeto está próximo ao falante (primeira pessoa) ou ao alcance de sua mão.
  2. Uka ("esse", "essa", "isso"): indica que o objeto está próximo ao interlocutor (segunda pessoa).
  3. Khaya ("aquele", "aquela", "aquilo"): indica proximidade com a terceira pessoa (referente).
  4. Khuri ("além", "acolá"): utilizado para objetos que estão muito distantes de todos os participantes ou fora do campo de visão.

Esses pronomes apresentam alta flexibilidade morfológica, podendo ser verbalizados ou receber sufixos flexionais de número, pessoa e caso.[56]

Pronomes interrogativos ou relativos

Os pronomes interrogativos no aimara (também chamados de relativos neste contexto) são utilizados para solicitar respostas específicas. Em uma frase nominal interrogativa, esses pronomes obrigatoriamente recebem o sufixo -sa, que atua como um focalizador interrogativo. Diferente das perguntas de sim/não, estas formas não utilizam os sufixos interrogativo -ti ou negativo -thi.[57]

Embora o pronome possa aparecer sem o sufixo quando isolado, o uso do focalizador -sa é indispensável quando o pronome está integrado a uma frase verbal completa.

As principais formas interrogativas são [58]:

  1. kamisasa — "como?"
  2. kunasa — "quê?"
  3. kawkisa — "onde?"
  4. khitisa — "quem?"
  5. qawqhasa — "quanto?"
  6. kunawsasa — "quando?"
  7. kawkirysa — "qual?"

Casos e relações gramaticais

A língua aimara utiliza principalmente sufixos e construções pós-posicionais para expressar relações gramaticais entre os constituintes da frase. Em vez de preposições, como no português, o aimara utiliza pós-posições ou partículas associadas ao substantivo.[59]

Exemplo:

Pedrona utaphatha — “da casa de Pedro”

Pedrona awkipana utapa — “na casa do pai de Pedro”.[60]

Essas construções indicam relações semânticas como origem, localização ou posse.

Os marcadores de caso e relações sintáticas são frequentemente expressos por sufixos adicionados diretamente ao substantivo ou ao sintagma nominal.[61]

Verbos

Os verbos constituem o núcleo da oração na língua aimara e podem expressar ações, estados ou processos. A conjugação verbal envolve diversos elementos gramaticais, incluindo tempo, modo e pessoa. Em muitos casos, essas categorias são expressas por meio de sufixos adicionados à raiz verbal.[62]

Flexão de pessoa

Baseia-se em quatro pessoas gramaticais, resultando em nove combinações possíveis de interação sujeito-objeto, sendo que o objeto de terceira pessoa não possui marcação formal.[63]

Flexão de tempo

A língua distingue quatro tempos principais no modo indicativo[64]:

  • Tempo simples (aoristo): não possui marcação específica e pode referir-se ao presente ou ao passado.
  • Passado remoto próximo: utilizado para eventos que o falante recorda pessoalmente. É marcado pelo sufixo -ya (antes de consoante) ou -ana (após vogal).
  • Passado remoto distante: refere-se a eventos que o falante não presenciou. É marcado pelo sufixo -ta ou por reduplicação vocálica.
  • Futuro: apresenta um paradigma de terminações próprias, distintas dos tempos passados.
Flexão de modo

O aspecto é marcado pelos sufixos -xa (completivo, para ações terminadas) e -ska (progressivo, para ações em curso). Quanto ao modo, além do indicativo, o aimará possui:[65]

  • Modo potencial: dividido em potencial presente (desiderativo, para possibilidades futuras) e potencial passado (para eventos que falharam em ocorrer).
  • Modo imperativo: possui formas específicas para segunda e terceira pessoas. Para a primeira e quarta pessoas, utilizam-se as formas do futuro com sentido hortativo.
Tabela de sufixos verbais (Indicativo) [66]
Pessoa (S+O)SimplesRemoto PróximoRemoto DistanteFuturo
1S (3O)-ta-ya:ta-ta:ta-:
2S (3O)-ta-ya:ta-ta:ta-:ta
3S (3O)-i-:na-tayna-ni
4S (3O)-tan-ya:tan-ta:tan-ñani
1S + 2O-sma-ya:sma-ta:sma-:ma
2S + 1O-ista-ista:sta-ista:sta-ita:ta
3S + 1O-itu-itana-itu:tu-itani
3S + 2O-tam-ya:tam-ta:tam-:tam
3S + 4O-istu-istana-istu:stu-istani

Nota: S = Sujeito; O = Objeto. O símbolo ":" indica o alongamento da vogal precedente.

Evidencialidade

As distinções de evidencialidade no aimara, como o ato de presenciar uma ação, realizar uma inferência ou uma conjectura, podem ser expressas diretamente na morfologia verbal. Além dos tempos passados que distinguem o testemunho direto, existem sufixos específicos para marcar a fonte da informação:[67]

  • Sufixo inferencial -pacha: indica que o evento não foi testemunhado, mas é conhecido por meio de dedução. Este sufixo é posicionado antes das terminações pessoais nos tempos do passado simples, passado remoto próximo ou futuro.
  • Sufixo de conjectura -chi: conhecido como não-envolvedor (non-involver), expressa uma suposição ou conjectura e pode ser aplicado em qualquer tempo do indicativo ou potencial.

Sentenças

A estrutura das sentença em aimara apresenta características relativamente estáveis, tanto em relação à ordem dos constituintes quanto à forma como as relações sintáticas são expressas.

Ordem da frase

A ordem canônica da frase em aimara é Sujeito-Objeto-Verbo (SOV).[68]

Exemplo:

Nayaxa utana lurtha. — “Eu trabalho na casa.”

Nesse exemplo:

Além disso, tanto em orações simples quanto em orações subordinadas, os argumentos nominais normalmente precedem o verbo principal.[69]

Estrutura do sintagma nominal

Dentro do sintagma nominal, o modificador geralmente aparece antes do substantivo principal.

Exemplo:

wila wiphala — “bandeira vermelha”.[70]

Nesse caso, o adjetivo wila (“vermelho”) precede o substantivo wiphala (“bandeira”).

Sentenças negativas

As sentenças que expressam uma negação declarativa no aimara são caracterizadas pelo uso obrigatório da partícula jani (acompanhada do validador -wa) em combinação com o sufixo -ti (ou -thi, dependendo do dialeto) aplicado ao verbo. Essa estrutura de dupla marcação é essencial para a formação da negação na língua.[71]

Exemplo: Janiwa jupaxa jawiratha uma apankithi. — "Ele não traz água do rio."

Sentenças interrogativas

As sentenças interrogativas no aimara são classificadas principalmente em dois tipos, dependendo do uso de sufixos específicos e da natureza da pergunta:[72]

  • Interrogativas com pronomes relativos (sufixo -sa): Utilizam pronomes interrogativos (como khiti, kawki, kamisa) acompanhados do sufixo -sa, apresentando uma entonação ascendente.
    Exemplo: Khitisa punkujkama api? ("Quem leva até minha porta?")
  • Interrogativas dubitativas (sufixos -ti ou -cha): Marcadas pelos sufixos independentes -ti ou -cha, que podem ser aplicados ao sujeito, objeto ou verbo para expressar dúvida ou questionamento de sim/não.
    Exemplo: Anuti aycha manq'äna? ("É o cachorro que comeu a carne?")

Vocabulário

Expressões do dia a dia

O aimará possui diversas expressões utilizadas na comunicação cotidiana entre falantes nas regiões andinas da Bolívia, Peru e Chile. Essas expressões refletem valores culturais importantes, como respeito, reciprocidade e cordialidade nas interações sociais. Muitas dessas formas aparecem em gramáticas e materiais didáticos da língua, que mostram o uso de partículas e sufixos de cortesia nas interações entre interlocutores. A seguir estão alguns exemplos de expressões comuns. [73]

AimaráPortuguês
Kamisaraki?Como você está?
WalikiEstou bem
JilataIrmão (forma respeitosa de tratamento)
KullakaIrmã (forma respeitosa de tratamento)
Waliki urukipanayaTenha um bom dia
JikisiñkamaAté logo

Numeração

O sistema numérico aimará é decimal e os numerais básicos são utilizados para formar números maiores através de combinações morfológicas. Em muitos casos, os números compostos são formados pela justaposição do numeral principal com elementos que indicam quantidades adicionais.[74]

AimaráPortuguês
mayaum
payadois
kimsatrês
pusiquatro
phisqacinco
suxtaseis
paqallqusete
kimsaqallquoito
llätunkanove
tunkadez

Exemplos de números compostos[75]:

AimaráPortuguês
tunka mayanionze
paya tunkavinte
kimsa tunka phisqanitrinta e cinco

Declaração Universal dos Direitos Humanos

AimaraPortuguês
Taqi jaqinakaxa qhispiyata ukhamaraki mayni maynikama kikipa askinchata yuripxi. Jupanakaxa amuyt'añani ukhamaraki chuymaniwa, ukatwa maynit maynikama jilatanakjama sarnaqapxañapa. [76]Todos os seres humanos nascem livres e iguais em dignidade e direitos. Dotados de razão e consciência, devem agir uns para com os outros em espírito de fraternidade.

Referências

  1. Huayhua Pari 2014, p. 62.
  2. Cerrón-Palomino, Rodolfo. Lingüística aimara. Cusco: CBC, 2000, pp. 33-36.
  3. Cerrón-Palomino 2000, pp. 37–45.
  4. Hardman 2001, pp. 57, 60.
  5. Hardman 2001, pp. 215, 331.
  6. Huayhua Pari, Felipe. Gramática descriptiva de la lengua aimara. Lima: 2014, pp. 11-12.
  7. Cerrón-Palomino, Rodolfo. Lingüística aimara. Cusco: CBC, 2000, pp. 33-34.
  8. Huayhua Pari, Felipe. Gramática descriptiva de la lengua aimara. Lima: 2014, pp. 12-14.
  9. Hardman, Martha J. et al. Aymara: Compendio de estructura fonológica y gramatical. 2. ed. La Paz: ILCA, 2001, pp. 3-4.
  10. «Aymara». Encyclopaedia Britannica. Consultado em 16 de fevereiro de 2025
  11. «Aymara». eHRAF World Cultures. Consultado em 16 de fevereiro de 2025
  12. «Aymara». Encyclopaedia Britannica. Consultado em 16 de fevereiro de 2025
  13. «Aymara». eHRAF World Cultures. Consultado em 16 de fevereiro de 2025
  14. «Aymara». Encyclopaedia Britannica. Consultado em 16 de fevereiro de 2025
  15. «Aymara». eHRAF World Cultures. Consultado em 16 de fevereiro de 2025
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Bibliografia

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