Eugene Shoemaker

Eugene Shoemaker
Conhecido(a) porCometa Shoemaker-Levy 9
Nascimento
Morte
18 de julho de 1997 (69 anos)

Alice Springs, Austrália
Nacionalidadenorte-americano
Alma materUniversidade de Princeton
PrêmiosPrémio G. K. Gilbert (1983)
Prémio Barringer (1984)
Prémio Gerard P. Kuiper (1984)
Medalha Leonard (1985)
Medalha Rittenhouse (1988)
Medalha Nacional de Ciências (1992)
Medalha William Bowie (1996)
Medalha James Craig Watson (1998)
Carreira científica
Campo(s)geologia, astronomia

Eugene Merle Shoemaker (Los Angeles, 28 de abril de 1928 – Alice Springs, 18 de julho de 1997) foi um geólogo e astrônomo estadunidense e um dos fundadores do campo da ciência planetária, conhecido principalmente pela sua descoberta, em conjunto com a sua mulher Carolyn Shoemaker e o astrônomo David Levy, do Cometa Shoemaker-Levy 9.

Detém o privilégio de ser o primeiro e único ser humano cujos restos mortais foram deixados fora da Terra.[1]

Biografia

Nascido em Los Angeles, Califórnia, Eugene Shoemaker era especialista em colisões interplanetárias. Graduou-se no California Institute of Technology, em Pasadena, aos 19 anos, com uma tese em petrologia em rochas metamórficas pré-cambrianas. Passou então a trabalhar para a United States Geological Survey (USGS) e o seu primeiro trabalho foi pesquisar depósitos naturais de urânio no Colorado e em Utah. Durante este trabalho passou a se interessar pela origem das crateras lunares e iniciou um trabalho em nível de Ph.D. na Universidade de Princeton, como continuidade de seus estudos sobre petrologia em rochas metamórficas, processos vulcânicos e impactos asteróidicos.

Em 1951, casou com Carolyn Spellman, recebendo o mestrado (1954) e o doutorado (1960) da Universidade de Princeton com uma tese sobre crateras produzidas por meteoritos. No ano seguinte passou a estudar astrogeologia em Flagstaff, Arizona, e esteve ligado às missões Lunar Ranger e ao treino dos astronautas estado-unidenses. Tinha pretensões de se tornar no primeiro cientista a caminhar na Lua, mas foi detectado que sofria da doença de Addison e assim foi apontado cientista-chefe do Centro de Astrogeologia da USGS em 1965.

Retornou para a Caltech em 1969 como professor de geologia e serviu por três anos como diretor da Division of Geological and Planetary Sciences. Em 1985 aposentou-se como professor e passou a dividir seu tempo entre Pasadena e Flagstaff. Em 1992 recebeu a mais importante honra científica atribuída pelo presidente dos Estados Unidos, a National Medal of Science. Aposentou-se da USGS em 1993 e assumiu um cargo no Observatório Lowell. Nesse mesmo ano, junto com sua mulher Carolyn e o amigo David Levy, descobriu o cometa Shoemaker-Levy 9, que se chocou com Júpiter em 1994.

Eugene Shoemaker morreu em consequência de um acidente automobilístico em Alice Springs, Austrália, em 1997. Os diretores da NASA, abalados com a perda, decidiram homenageá-lo de uma forma original: deram ao cientista o privilégio de ser o primeiro e único ser humano cujos restos mortais foram deixados fora da Terra. Assim, em janeiro de 1998, suas cinzas foram levadas na sonda espacial Lunar Prospector. E, após 19 meses, ela finalmente colidiu com a cratera Shoemaker (estudada e catalogada intensivamente por Eugene em sua juventude) próxima ao polo sul da Lua, levando os restos mortais do cientista.[1]

Em abril de 2020 a banda finlandesa de metal sinfônico Nightwish criou uma música chamada Shoemaker em total homenagem a Eugene. A banda também criou um vídeo clipe com a letra da música com imagens que remetem ao trabalho que ele fez durante muitos anos.

Contribuições científicas

Eugene Shoemaker usando um Bell Rocket Belt durante o treinamento de astronautas

O Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS) contratou Shoemaker em 1950, e ele manteve vínculo com a organização pelo resto de sua carreira.[2] Sua primeira missão foi buscar depósitos de urânio em Utah e Colorado. Em seguida, foi encarregado de estudar processos vulcânicos, pois outros pesquisadores já haviam observado que depósitos de urânio frequentemente se localizavam nas chaminés de vulcões extintos. Esse estudo o levou a explorar as Hopi Buttes, no norte do Arizona, região próxima à Cratera Meteor.[2]

Daniel Barringer, empresário e engenheiro de mineração que descobriu a Cratera Meteor em 1891, postulou que ela teria sido causada pelo impacto de um meteoro. Aproximadamente na mesma época, G. K. Gilbert, geólogo-chefe do USGS, examinou a cratera e anunciou que ela havia sido criada por uma explosão de vapor vulcânico. A maioria dos cientistas aceitou a explicação de Gilbert, que permaneceu como visão convencional até as investigações de Shoemaker meio século depois.[2]

Para seu doutorado na Princeton (1960), sob orientação de Harry Hammond Hess, Shoemaker estudou a dinâmica de impacto da Cratera Meteor de Barringer. Shoemaker observou que a Cratera Meteor possuía a mesma forma e estrutura de duas crateras de explosão criadas por testes com bombas atômicas no Nevada Test Site, notadamente Jangle U em 1951 e Teapot Ess em 1955. Em 1960, Edward C. T. Chao e Shoemaker identificaram quartzo choqueado (coesite) na Cratera Meteor, provando que ela foi formada por um impacto que gerou temperaturas e pressões extremamente elevadas. Eles seguiram essa descoberta com a identificação de coesite em suevito no Nördlinger Ries, comprovando sua origem por impacto.[3]:69, 74–75, 78–79, 81–85, 99–100

Astrogeologia e o Apollo

Shoemaker treinando astronautas no Brooks Camp, Parque Nacional Katmai[4]

Em 1960, Shoemaker chefiou uma equipe no centro do USGS em Menlo Park, Califórnia, para produzir o primeiro mapa geológico da Lua usando fotografias tiradas por Francis G. Pease. Shoemaker também ajudou a desenvolver o campo da astrogeologia, fundando o Programa de Pesquisa em Astrogeologia. Ele participou ativamente das missões Lunar Ranger à Lua, integrando a equipe de imageamento televisivo de Harold Urey e Gerard Kuiper, que se tornou uma missão preparatória para o futuro pouso tripulado. Shoemaker foi então escolhido como investigador principal do experimento de televisão do Programa Surveyor, e depois como investigador principal de geologia lunar para a Apollo 11, Apollo 12 e Apollo 13.[3]:85–86, 92–97, 101, 119, 136

Shoemaker também participou do treinamento dos astronautas americanos. Ele próprio era candidato a um voo à Lua pelo Apollo e estava definido para ser o primeiro geólogo a caminhar na Lua, mas foi desqualificado ao ser diagnosticado com doença de Addison, um distúrbio da glândula adrenal. Shoemaker treinava astronautas em excursões de campo à Cratera Meteor e ao Sunset Crater, perto de Flagstaff.[5] Foi comentarista televisivo da CBS News nas primeiras missões Apollo, especialmente nas missões Apollo 8 e Apollo 11, aparecendo ao lado de Walter Cronkite durante a cobertura ao vivo desses voos.[6]

Segundo David H. Levy, pouco antes dos pousos tripulados na Lua:

Citação: "Com a humanidade prestes a aventurar-se nesse novo mundo, geólogos e astrônomos estavam divididos quanto a se a superfície lunar era resultado de forças vulcânicas vindas do interior ou de forças cósmicas vindas do exterior. Em 1949, Ralph Baldwin havia afirmado que as crateras da Lua eram em sua maioria de origem por impacto, e Gene Shoemaker retomou a ideia por volta de 1960. Ele via as crateras da Lua como sítios lógicos de impacto, formados não gradualmente, em éons, mas de forma explosiva, em segundos."[3]:58–59

Recebeu a Medalha John Price Wetherill do Instituto Franklin em 1965. Chegando ao Caltech em 1969, iniciou uma busca sistemática por asteroides que cruzam a órbita da Terra, o que resultou na descoberta de diversas famílias desses asteroides, incluindo os asteroides Apollo. Shoemaker desenvolveu a ideia de que mudanças geológicas abruptas podem ser causadas por impactos de asteroides e que tais impactos são comuns ao longo de períodos geológicos. Anteriormente, os astroblemas eram considerados remanescentes de vulcões extintos — inclusive na Lua.[6]

Cometa Shoemaker-Levy 9

Em 1993, ele co-descobriu o Cometa Shoemaker-Levy 9 usando a câmera Schmidt de 18 polegadas no Observatório Palomar. Esse cometa foi único por proporcionar a primeira oportunidade de observar o impacto planetário de um cometa. O Shoemaker-Levy 9 colidiu com Júpiter em julho de 1994. O impacto resultante causou uma enorme "cicatriz" na face de Júpiter.[7]

Prémios e honrarias

  • 1983 - Prémio G. K. Gilbert pela Sociedade Geológica dos Estados Unidos[8]
  • 1984 - Prémio Barringer pela Meteoritical Society[9]
  • 1984 - Prémio Gerard P. Kuiper pela American Astronomical Society[10]
  • 1985 - Medalha Leonard pela Meteoritical Society[11]
  • 1988 - Medalha Rittenhouse pela Rittenhouse Astronomical Society[12]
  • 1992 - Medalha Nacional de Ciências pelo Presidente dos Estados Unidos[13]
  • 1996 - Medalha William Bowie pela União de Geofísica dos Estados Unidos[14]
  • 1998 - Medalha James Craig Watson pela Academia Nacional de Ciências dos Estados Unidos[15]

Referências

  1. 1 2 seuhistory.com/ Saiba quem foi Eugene Shoemaker e por que seus restos mortais foram enviados à Lua
  2. 1 2 3 «Kieffer, Susan. W (2015). "Eugene M. Shoemaker (1928–1997)" (PDF). Biographical Memoirs. National Academy of Sciences» (PDF). www.nasonline.org. Consultado em 24 de março de 2026. Cópia arquivada (PDF) em 22 de julho de 2017
  3. 1 2 3 Levy, David (2002). Shoemaker by Levy: The man who made an impact. Princeton: Princeton University Press. ISBN 978-0691113258
  4. Phinney, William (2015). Science Training History of the Apollo Astronauts. [S.l.]: NASA SP-2015-626. p. 65
  5. «About – USGS Astrogeology Science Center». astrogeology.usgs.gov. Consultado em 31 de março de 2018. Arquivado do original em 17 de novembro de 2011
  6. 1 2 Graham, Rex (maio de 1998). «Making an exceptional impact. (planetary scientists Eugene and Carolyn Shoemaker)». Waukesha, Wisconsin: Kalmbach Publishing Co. Astronomy: 36. ISSN 0091-6358. Consultado em 12 de fevereiro de 2013. Arquivado do original em 9 de maio de 2013
  7. «D/1993 F2 (Shoemaker-Levy 9)». cometography.com. Consultado em 24 de março de 2026
  8. «G.K. Gilbert Award» (em inglês). Planetary Geology Division (PGD) of the Geological Society of America. Consultado em 19 de outubro de 2016. Cópia arquivada em 25 de abril de 2016
  9. «Barringer Award recipients» (em inglês). Meteoritical Society. Consultado em 19 de outubro de 2016. Cópia arquivada em 5 de março de 2016
  10. «Gerard P. Kuiper Prize in Planetary Sciences» (em inglês). Division for Planetary Sciences (DPS) of the American Astronomical Society. Consultado em 19 de outubro de 2016. Cópia arquivada em 11 de junho de 2016
  11. «Leonard Medalists» (em inglês). The Meteoritical Society. Consultado em 12 de janeiro de 2016. Cópia arquivada em 8 de dezembro de 2015
  12. «Rittenhouse Medal Award» (em inglês). The Rittenhouse Astronomical Society. Consultado em 19 de outubro de 2016. Cópia arquivada em 30 de junho de 2016
  13. «The President's National Medal of Science: Recipients» (em inglês). National Science Foundation. Consultado em 25 de setembro de 2016. Cópia arquivada em 25 de setembro de 2016
  14. «William Bowie Medal» (em inglês). American Geophysical Union. Consultado em 18 de dezembro de 2015. Cópia arquivada em 2 de outubro de 2015
  15. «James Craig Watson Medal» (em inglês). National Academy of Sciences (NAS). Consultado em 19 de outubro de 2016. Cópia arquivada em 24 de junho de 2016

Ligações externas