Elite

 Nota: Para a classe social do capitalismo moderno, veja Classe alta. Para outros significados, veja Elite (desambiguação).

Segundo Thomas Bottomore, elite (do francês élite, substantivação do antigo particípio passado eslit, de élire 'escolher, eleger', este do latim vulgar exlegere, do latim clássico eligere, 'escolher') era um termo usado durante o século XVIII para designar produtos de qualidade excepcional. Posteriormente, o seu emprego foi expandido abrangendo grupos sociais; designando um grupo dominante na sociedade ou um grupo localizado em uma camada hierárquica superior, em uma dada estratificação social - tais como as unidades militares de primeira linha ou os elementos mais altos da nobreza.

Definição

A teoria das elites foi plasmada no pensamento de Gaetano Mosca, com sua doutrina da classe política; Vilfredo Pareto, com sua teoria da circulação das elites, na qual utiliza o termo 'elite' como uma alternativa ao conceito de classe dominante de Karl Marx; Robert Michels, com sua concepção da lei de ferro da oligarquia.[1]

Charles Wright Mills utiliza o termo para referir-se a um grupo situado em uma posição hierárquica superior, numa dada organização, dotado de poder de decisão política e econômica.[2] Robert Dahl descreve a elite como o grupo minoritário que exerce dominação política sobre a maioria, dentro de um sistema de poder democrático.

Elite pode ser uma referência genérica a grupos posicionados em locais hierárquicos de diferentes instituições públicas, partidos ou organizações de classe, ou seja, pode ser entendido simplesmente como aqueles que têm capacidade de tomar decisões políticas ou econômicas.

Pode ainda designar aquelas pessoas ou grupos capazes de formar e difundir opiniões que servem como referência para os demais membros da sociedade. Neste caso, elite seria um sinônimo tanto para 'liderança' quanto para 'formadores de opinião'.

Outra forma de identificar uma elite é aproximando-a da categoria 'classe dirigente', ou seja, um intelectual orgânico, tal como definido por Gramsci. Neste caso, a ideia de formação da opinião pública é substituída pela ideia de construção ideológica, entendida como a direção política em um dado momento histórico. Sob este aspecto, a elite cumpriria também o papel de dirigente cultural.[3]

Elite do poder

O termo elite do poder (power elite em inglês) é usado por Charles Wright Mills para descrever um grupo relativamente pequeno e pouco conectado de indivíduos que dominam a formulação de políticas nos Estados Unidos. Esse grupo inclui elites burocráticas, corporativas, intelectuais, militares, midiáticas e governamentais que controlam as principais instituições dos Estados Unidos e cujas opiniões e ações influenciam as decisões dos formuladores de políticas.[4] A base para pertencer a uma elite de poder é o poder institucional, ou seja, uma posição influente dentro de uma organização privada ou pública de destaque.[5] Um estudo sobre a elite empresarial francesa mostrou que a classe social continua a ter influência na determinação de quem ingressa nesse grupo de elite, com os membros da classe média alta tendendo a dominar.[6]

Outro estudo (publicado em 2002) sobre as elites de poder nos Estados Unidos durante o governo do presidente George W. Bush (no cargo de 2001 a 2009) identificou 7.314 posições institucionais de poder, abrangendo 5.778 indivíduos.[7]

Ver também

Referências

  1. «Lei de Ferro da Oligarquia». eSociologia. Consultado em 12 de março de 2026
  2. Doob, Christopher (2013). Social inequality and Social Stratification in US Society. Upper Saddle River, New Jersey: Pearson Education Inc. 18 páginas
  3. Aliaga, Luciana (dezembro de 2011). «A QUESTÃO POLÍTICA DOS INTELECTUAIS: AS "ELITES" DIRIGENTES NOS QUADERNI DEL CARCERE DE A. GRAMSCI» (PDF). REVISTA ELETRÔNICA ARMA DA CRÍTICA. 3 (3): 157-172
  4. «power elite». The American Heritage® New Dictionary of Cultural Literacy, Third Edition (em inglês). Consultado em 18 de janeiro de 2015
  5. Doob, Christopher (2013). Social Inequality and Social Stratification in US Society (em inglês). Upper Saddle River, Nova Jérsei: Pearson Education Inc. p. 38. ISBN 978-0-205-79241-2
  6. Maclean, Mairi; Harvey, Charles; Kling, Gerhard (1 de junho de 2014). «Pathways to Power: Class, Hyper-Agency and the French Corporate Elite» (PDF). Organization Studies (em inglês). 35 (6): 825–855. ISSN 0170-8406. doi:10.1177/0170840613509919
  7. Dye, Thomas (2002). Who's Running America? The Bush Restoration, 7th edition (em inglês). [S.l.]: Prentice Hall. ISBN 978-0-13-097462-4