Cosmópolis

Cosmópolis
Praça dos Ferroviários
Praça dos Ferroviários
Praça dos Ferroviários
Hino
Gentílicocosmopolense
Localização de Cosmópolis em São Paulo
Localização de Cosmópolis em São Paulo
Localização de Cosmópolis em São Paulo
Cosmópolis está localizado em: Brasil
Cosmópolis
Localização de Cosmópolis no Brasil
Mapa de Cosmópolis
Coordenadas: 🌍
PaísBrasil
Unidade federativaSão Paulo
Região metropolitanaCampinas
Municípios limítrofesN Artur Nogueira, E Holambra, S Paulínia,W Americana e Limeira
Distância até a capital130 km
Fundação30 de novembro de 1944 (81 anos)
Governo
  Prefeito(a)Antônio Cláudio Felisbino Júnior (PSD, 2021–2024)
Área
  Total [1]154,730 km²
Altitude652 m
População
  Total (Censo 2022 (IBGE)[2])59 773 hab.
Densidade386,3 hab./km²
Climatropical de altitude (Cwa)
Fuso horárioHora de Brasília (UTC−3)
IDH (PNUD/2000[3])0,799 alto
PIB (IBGE/2010[4])R$ ,1 005 082 mil
  Per capita (IBGE/2010[4])R$ 17 087,12

Cosmópolis é um município brasileiro do estado de São Paulo situado a 115.62 km da Capital, localiza-se a uma latitude 22º38'45" sul e a uma longitude 47º11'46" oeste, estando a uma altitude de 652 metros. Sua população de acordo com o Censo 2022 (IBGE) era de 59 773 habitantes.[2]

Toponímia

O nome deriva da junção das palavras gregas Cosmo (Universo) e Polis (cidade), significando na sua tradução ao português, o universo em cidade, ou cidade universo, como popularizou-se.

História

Origens

A exploração das terras campineiras conhecidas como Fundão, desbravadas pela Bandeira do Capitão Francisco Barreto Leme do Prado em 1779, atraiu para o local fazendeiros de diversas regiões paulistas, assim como capitalistas de Minas Gerais, ocupando sesmarias. O intuito do sistema de sesmarias era estimular a produção de cana de açúcar, principal produto brasileiro na época[5].

As novas sesmarias atraiam fazendeiros buscando grandes extensões de terras para o cultivo de cana de açúcar e construção de engenhos, utilizando-se exclusivamente de mão de obra escrava. Impulsionados pelo sistema de sesmarias, os fazendeiros começaram a colonização das terras, derrubando matas e formando canaviais.

Com o fim do sistema de sesmarias em 1822 essas áreas começaram a ser vendidas pelos antigos fazendeiros, surgindo um novo processo de ocupação das terras, com a introdução do café e a criação dos primeiros núcleos coloniais de trabalhadores livres, formados por imigrantes europeus. A ampliação das lavouras trouxe um novo ciclo de desenvolvimento na região e o surgimento de grandes produtores de café, com destaque para a Fazenda Funil, então uma das maiores propriedades agrícolas da região[5].

As terras, pertencentes à família do Padre João Manuel de Almeida Barboza, eram notórias pela qualidade do solo e pelas grandes extensões de plantações de café e de cana de açúcar. Foi nessas terras que futuramente surgiria a Vila de Cosmópolis.

Entre 1889 e 1890 o então herdeiro da Fazenda, o Coronel João Manuel de Almeida Barboza, decide vender as terras para um grupo de investidores, entrando como membro dos novos empreendimentos. Esse grupo visava criar colônias agrícolas nas terras, destinadas a imigrantes europeus, em uma parceria firmada entre os governos federal e estadual com os países de origem dos trabalhadores[5].

Para o escoamento das produções agrícolas, o então presidente da Câmara de Campinas e investidor do grupo Coronel José Paulino Nogueira Ferraz, autorizava em 1892 o município a contrair empréstimos para financiar a construção de uma estrada de ferro, a Carril Agrícola Funilense, que havia sido fundada oficialmente em 24 de julho de 1890.

O grupo de investidores era então formado por pessoas de destaque na política e agricultura, possuindo membros como José Paulino Nogueira e irmãos, Barão Geraldo Ribeiro de Sousa Rezende, Dr. Moraes Sales, Cel. Silva Telles, Cel. João Batista de Souza Aranha, João Manuel de Almeida Barboza, Francisco de Paulo Camargo, entre outros[5].

Planta do Núcleo Colonial Campos Salles.

Com o desígnio de intensificar as produções, a Câmara Municipal de Campinas oficializa em 1896 um projeto para formação de uma colônia suíça. Assim pelo Decreto Estadual nº 502-A de 04/12/1897 foi criado o Núcleo Colonial Campos Salles nas terras da Fazenda Funil[6][7].

Por problemas climáticos e de adaptabilidade, poucas famílias suíças ficaram nas terras. Abre-se então a oportunidade para imigrantes de outras nacionalidades, como austríacos, alemães, poloneses, espanhóis e italianos. Inicialmente a imigração alemã foi responsável pela detenção de grande parte das terras, sendo membros de destaque na criação do Núcleo Colonial Campos Salles[5].

Fundação

As margens da Estrada de Ferro Funilense surge o primeiro povoado, localizado nas terras que originaram a atual Avenida Ester, antigo acesso à casa principal da Fazenda do Funil. Com o crescimento do povoado, a localidade começa a receber várias denominações dos seus moradores, como Campos das Palmeiras e Burgo[5].

A estação ferroviária da Funilense, inaugurada oficialmente no local em 18/09/1899 para atender ao florescente Núcleo Campos Salles, recebe o nome de Barão Geraldo de Rezende, estendendo-se a nomeação ao povoado, porém a nomeação não persiste[8].

A origem exata da nomeação Cosmópolis é incerta, presume-se que tenha recebido a denominação pelos empreendedores da família Nogueira, novos proprietários da Fazenda Funil e fundadores da Usina Esther[9]. A família Nogueira, na pessoa do Major Arthur Nogueira, estava à frente dos processos de loteamento agrícola e urbano das terras do Funil, criando com apoio do governo estadual, os primeiros núcleos coloniais, setores urbanos, agrícolas e industriais. Em 1905 a estação ferroviária é rebatizada de Cosmópolis, oficializando o nome[5][8].

Mas a data que foi oficializada como o marco de criação do projeto urbano cosmopolense é 17/01/1901. A data é uma correção histórica, formalizada após anos de estudos e pesquisas, sendo que os estudos documentais têm como base principal a planta de criação e loteamento da Villa Cosmópolis, projeto da sociedade agrícola e empreendimentos Arthur Nogueira & Cia. A planta urbana dos lotes da Fazenda Funil, regulamentada e aprovada pela Prefeitura de Campinas, é o primeiro registro oficial das terras com o nome Cosmópolis[5].

Vista aérea (década de 40).

Formação administrativa

  • Pela Lei n° 1.024 de 27/11/1906 é criado o distrito de Cosmópolis, no município de Campinas[10].
  • Pelo Decreto-Lei n° 14.334 de 30/11/1944 é criado o município de Cosmópolis, com território desmembrado dos municípios de Campinas, Mogi Mirim e Limeira. A emancipação passa a vigorar a partir de 1º de janeiro de 1945, quando o município é instalado[11].

Geografia

Localização

Cosmópolis é um dos municípios integrantes da Região Metropolitana de Campinas.

Hidrografia

Represa do Rio Pirapitingui.
  • Ribeirão Três Barras
  • Rio Jaguari
  • Rio Pirapitingui

Contém uma represa que abastece toda a cidade, sem riscos de necessidades de racionamentos, o ano todo.

Rodovias

  • Rodovia Deputado João Herrmann Neto (SP-133)
  • Rodovia Professor Zeferino Vaz (SP-332)

Demografia

Região central da cidade.

População

Crescimento populacional
AnoPopulação
19467 571
19506 719−11,3%
19586 8882,5%
19608 79827,7%
197012 11037,6%
198023 24391,9%
199136 68457,8%
200044 35520,9%
201058 82732,6%
202259 7731,6%
Est. 202461 204[12]2,4%
Fontes: [13][14][15][16]
Censos IBGE e Estimativas Fundação SEADE

Composição étnica

Em 2022, segundo dados do Censo do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, a população do município era composta por 31.663 brancos (52,97%), 22.673 pardos (37,93%), 5.195 pretos (8,69%), 214 amarelos (0,36%) e 27 indígenas (0,05%).[17]

Política e administração

Economia

Usina Ester

Usina Ester (década de 40).

A Usina Açucareira Ester é um dos marcos do desenvolvimento de Cosmópolis. É uma das mais antigas usinas de açúcar do Estado de São Paulo em atividade. A empresa foi fundada em 02 de março 1898[18].

Seus principais fundadores foram Arthur Nogueira, Paulo de Almeida Nogueira, José Paulino Nogueira, Sidrack Nogueira e Antônio Carlos Silva Telles. O nome Ester é uma homenagem prestada a esposa do Sr. Paulo de Almeida Nogueira, Sra. Esther Nogueira[18].

A Usina Ester tem em sua história vários momentos que se inserem na história do Brasil, do estado e principalmente da região, através de sua origem, das inovações introduzidas, ou através de seus proprietários, que neste tempo todo participaram de vários acontecimentos políticos, culturais e esportivos[18].

Infraestrutura

Comunicações

O sistema de telefones automáticos foi inaugurado na cidade em 1975 pela Telecomunicações de São Paulo (TELESP), que também implantou o sistema de discagem direta à distância (DDD) em 1978 com o código de área (0192).[19]

Na década de 90 o código DDD da cidade foi alterado para (019), para padronização do sistema telefônico com a telefonia celular que estava sendo implantada em todo o estado.[20]

Transportes

Cosmópolis conta com linhas de ônibus municipais operadas pela Viação Campestre. Possui também linhas metropolitanas, gerenciadas pela EMTU/SP, que ligam a cidade aos municípios de Artur Nogueira, Campinas, Engenheiro Coelho, Holambra e Paulínia.

Religião

De acordo com o Censo 2022 (IBGE), 80,18% da população do município é cristã, sendo 41,26% católicos e 38,92% evangélicos. Outras religiões representam 8,04% da população total.[21]

O Cristianismo se faz presente na cidade da seguinte forma:[22]

Igreja Católica

  • Paróquia Santa Gertrudes - faz parte da Diocese de Limeira.[23][24]

Igrejas Evangélicas

Entre as igrejas protestantes históricas, pentecostais e neopentecostais, encontram-se na cidade:[25]

Ver também

  • Lista de municípios de São Paulo por data de criação
  • Lista de municípios de São Paulo por população (2022)
  • Lista de municípios de São Paulo por domicílios
  • Lista de municípios de São Paulo por área (2023)
  • Lista de municípios de São Paulo por CEP
  • Lista de municípios de São Paulo por DDD

Referências

  1. IBGE (10 de outubro de 2002). «Área territorial oficial». Resolução da Presidência do IBGE de n° 5 (R.PR-5/02). Consultado em 5 de dezembro de 2010
  2. 1 2 «Panorama do Censo 2022». Panorama do Censo 2022. Consultado em 8 de janeiro de 2024
  3. «Ranking decrescente do IDH-M dos municípios do Brasil». Atlas do Desenvolvimento Humano. Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD). 2000. Consultado em 11 de outubro de 2008
  4. 1 2 «Produto Interno Bruto dos Municípios 2010». Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Consultado em 17 de dezembro de 2012
  5. 1 2 3 4 5 6 7 8 «Memória». cosmopolis.sp.gov.br. 17 de novembro de 2023. Consultado em 20 de novembro de 2023
  6. «Decreto n° 502-A, de 04/12/1897». www.al.sp.gov.br. Consultado em 20 de novembro de 2023
  7. «Decreto n° 1.300, de 22/08/1905». www.al.sp.gov.br. Consultado em 20 de novembro de 2023
  8. 1 2 «Cosmópolis -- Estações Ferroviárias do Estado de São Paulo». www.estacoesferroviarias.com.br. Consultado em 20 de novembro de 2023
  9. «Usina Ester -- Estações Ferroviárias do Estado de São Paulo». www.estacoesferroviarias.com.br. Consultado em 20 de novembro de 2023
  10. «Lei nº 1.024, de 27/11/1906». www.al.sp.gov.br. Consultado em 20 de novembro de 2023
  11. «Decreto-Lei n° 14.334, de 30/11/1944». www.al.sp.gov.br. Consultado em 20 de novembro de 2023
  12. «Estimativas da população residente para os municípios e para as unidades da federação (2024) | IBGE». www.ibge.gov.br
  13. «Censos Demográficos (1991-2022) | IBGE». ibge.gov.br
  14. «Censos Demográficos (1872-1980) | IBGE». biblioteca.ibge.gov.br
  15. «Evolução da população segundo os municípios (1872-2010) | IBGE» (PDF). geoftp.ibge.gov.br
  16. «Biblioteca Digital Seade | Fundação Seade». bibliotecadigital.seade.gov.br
  17. «Tabela 9605: População residente, por cor ou raça, nos Censos Demográficos». sidra.ibge.gov.br. Consultado em 27 de março de 2026
  18. 1 2 3 «História - Usina Ester». www.esteragroindustrial.com.br. Consultado em 20 de novembro de 2023
  19. «Área de operação da Telesp em São Paulo». www.telesp.com.br. Página oficial da Telecomunicações de São Paulo (arquivada). 14 de janeiro de 1998. Consultado em 18 de fevereiro de 2025
  20. «Telesp - Código DDD e Prefixos». www.telesp.com.br. Página oficial da Telecomunicações de São Paulo (arquivada). 14 de janeiro de 1998. Consultado em 18 de fevereiro de 2025
  21. «Tabela 6417: Pessoas de 10 anos ou mais de idade, por cor ou raça, segundo o sexo e a religião». sidra.ibge.gov.br. Consultado em 20 de março de 2026
  22. O termo "cristão" (em grego Χριστιανός, transl Christianós) foi usado pela primeira vez para se referir aos discípulos de Jesus Cristo na cidade de Antioquia (Atos cap. 11, vers. 26), por volta de 44 d.C., significando "seguidores de Cristo". O primeiro registro do uso do termo "cristianismo" (em grego Χριστιανισμός, Christianismós) foi feito por Inácio de Antioquia, por volta do ano 100. Tyndale Bible Dictionary, pp. 266, 828
  23. «Sul 1 Region of Brazil [Catholic-Hierarchy]». www.catholic-hierarchy.org. Consultado em 4 de abril de 2025
  24. «Diocese de Limeira». diocesedelimeira.org.br. Consultado em 20 de novembro de 2023
  25. Cross, F. L.; Livingstone, E. A., eds. (1 de janeiro de 2009). «The Oxford Dictionary of the Christian Church». Oxford University Press (em inglês). ISBN 978-0-19-280290-3. Consultado em 22 de abril de 2025
  26. «Campos Eclesiásticos». CONFRADESP. 10 de dezembro de 2018. Consultado em 20 de novembro de 2023
  27. «Arquivos: Locais». Assembleia de Deus Belém – Sede. Consultado em 4 de abril de 2025
  28. «Localidade - Congregação Cristã no Brasil». congregacaocristanobrasil.org.br. Consultado em 20 de novembro de 2023
  29. «IPB no Brasil». www.icalvinus.app. Consultado em 22 de março de 2026
  30. «Igrejas do Estado de São Paulo – Igreja Presbiteriana Independente do Brasil». Consultado em 6 de abril de 2025
  31. «Missões • CBESP - Convenção Batista do Estado de São Paulo». CBESP - Convenção Batista do Estado de São Paulo. Consultado em 22 de março de 2026
  32. «Kairós - Igrejas associadas à Convenção Batista do Estado de São Paulo». kairos.cbesp.org.br. Consultado em 20 de março de 2026
  33. «Igreja Evangélica de Confissão Luterana no Brasil - Sínodo Sudeste». Portal Luteranos. Consultado em 20 de abril de 2025

Ligações externas