Prémio Pritzker 2006, Prêmio Arquiteto do Ano - FNA 2010 e Prêmio Leão de Ouro - da Bienal de Veneza - Arquitetura - 2016. Praemium Imperiale (2016), Medalha de Ouro do RIBA (2017)
Paulo Archias Mendes da Rocha (Vitória, 25 de outubro de 1928 – São Paulo, 23 de maio de 2021) foi um arquiteto e urbanistabrasileiro. Pertencente à geração de arquitetos modernistas liderada por João Batista Vilanova Artigas, Mendes da Rocha assumiu nas últimas décadas uma posição de destaque na arquitetura brasileira contemporânea, tendo sido galardoado no ano de 2006 com o Prêmio Pritzker, o mais importante da arquitetura mundial. Em 2010, recebeu o prêmio Arquiteto do Ano, concedido pela Federação Nacional dos Arquitetos e Urbanistas, umas das mais importantes da arquitetura nacional, pela sua excelência no ramo. Em 2016, venceu o prêmio Leão de Ouro, da Bienal de Veneza, Itália, na categoria arquitetura, pelo conjunto da obra. Em 2016, recebeu o Prêmio Imperial do Japão, um dos mais prestigiosos do mundo, cuja premiação acontece em Tóquio e pelo qual recebe quinze milhões de ienes (cerca de 480 mil reais) e uma medalha, entregue pelo príncipe Hitachi.
Dentre seus projetos mais conhecidos estão o Museu Brasileiro da Escultura, o pórtico localizado na Praça do Patriarca, ambos em São Paulo, e o o Cais das Artes, construído nas margens da baía de Vitória (Espírito Santo).
Filho do Engenheiro Paulo Menezes Mendes da Rocha, que foi diretor da Escola Politécnica da USP.[1]
Biografia
Pórtico e cobertura na Praça do Patriarca em São Paulo
Formou-se em arquitetura e urbanismo pela Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade Presbiteriana Mackenzie, em São Paulo, em 1954, fazendo parte de uma de suas primeiras turmas. Nesse período essa faculdade ainda estava ligada a um modelo historicista de arquitetura e Mendes da Rocha passou a participar de um grupo de alunos interessados na arquitetura moderna (como Jorge Wilheim e Carlos Millan).[2]
A arquitetura proposta por Vilanova Artigas o influenciou desde seu primeiro grande projeto, o ginásio do Club Athlético Paulistano. Já nessa primeira obra, Paulo projetou usando o concreto armado aparente, grandes espaços abertos, estruturas racionais, entre outros elementos que viriam a caracterizar a "Escola Paulista" supracitada.[2]
Passou a lecionar na Faculdade de Arquitetura e Urbanismo (FAU) da Universidade de São Paulo (USP) em 1961, em meio a um intenso debate social promovido por professores e alunos. Discutiu-se naquele momento o papel social do arquiteto, o que não agradava o governo militar que se instaurou no país em 1964. Em decorrência disso, Paulo Mendes da Rocha teve seus direitos políticos cassados em 1969 junto com outros 65 professores da USP, e proibido de dar aulas.[3]
Retorna à FAU-USP apenas em 1980, como auxiliar de ensino, e mantém-se nessa posição até 1998, quando torna-se professor titular, mesmo ano em que se aposenta compulsoriamente ao completar 70 anos de idade.[3]
Desde então recebeu uma série de prêmios internacionais pela sua obra, realizada em várias partes do mundo, dentre os quais se destacam o Prêmio Mies van der Rohe para a América Latina pelo projeto de reforma da Pinacoteca do Estado de São Paulo (galardeado em 2001) e o Prêmio Pritzker (em 2006).
Paulo morreu em 23 de maio de 2021, aos 92 anos de idade, em um hospital de São Paulo devido a um câncer de pulmão.[4]
Fachada da casa Gerassi construída por Paulo Mendes da Rocha em São Paulo
A arquitetura de Paulo Mendes da Rocha costuma ser apontada como um exemplo paradigmático do pensamento estético que caracteriza aquilo que é chamado de Escola Paulista da arquitetura brasileira, uma linha de projeto que foi encabeçada pela figura de João Batista Vilanova Artigas e bastante difundida na Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo, escola na qual Mendes da Rocha viria a ser professor. A Escola Paulista, apesar de bastante criticada nas últimas décadas pelo seu alto custo social e econômico, preocupava-se essencialmente com a promoção de uma arquitetura "crua, limpa, clara e socialmente responsável" (de uma certa maneira, influenciada pelos ideais estéticos do Brutalismo europeu), e apresentava soluções formais que supostamente permitiriam a imediata apreensão, por parte dos usuários da arquitetura, dos ideais de economia e síntese espacial expostos em seus elementos formais, dentro de um raciocínio que se convencionou chamar de verdade estrutural da arquitetura. Também caracteriza o movimento a procura de soluções formais que propiciassem a apresentação de um projeto de cidade ou de um projeto utópico na realidade interna do edifício.[carece de fontes?]
Interior da Capela de São Pedro Apóstolo, em Campos do Jordão (1987)
O gesto arquitetônico promovido por Paulo Mendes da Rocha, ou seja, as intenções projetuais que exprimem uma dada visão de mundo ou um certo desígnio, procuram cada um a seu modo propor também um suposto "projeto de humanidade", e tal ato evolui na medida em que sua carreira progride. Tal projeto, que não se resume a sua obra, é expresso também, genericamente, em toda a obra da Escola Paulista. Dado que tal gesto é, supostamente, sempre confiante, as obras de Paulo Mendes acabaram caracterizando-se por uma atitude rígida, certeira sobre o território: o arquiteto acredita que o domínio do sítio - seja através da mudança da topografia, de sua completa redefinição ou mesmo de uma mera ação sobre os fluxos de circulação do entorno - é um elemento fundamental na expressão do domínio e da integração do homem sobre e com a Natureza. Segundo suas palavras, "a primeira e primordial arquitetura é a geografia".[5]
Sua obra também é dita por alguns como caracterizada por um "raciocínio de pórticos e planos". De fato, em vários de seus projetos, a plena configuração espacial se dá através de um rápido jogo estrutural, promovido pelo domínio compositivo de elementos construtivos tradicionais (pilares e vigas, assim como paredes simples e lajes). Os projetos nos quais mais se torna clara esta característica são os do Museu Brasileiro de Escultura, da loja Forma[6] e de algumas residências. Apesar da influência visível dos já citados Mies van der Rohe e Artigas, Paulo Mendes da Rocha é aclamado por alguns como um legítimo mestre quando lida com esta linguagem.[carece de fontes?]
1969 - Pavilhão brasileiro da Feira Internacional de Osaka, Japão, juntamente com Flávio Motta, Marcelo Nitsche, Carmela Gross, Jorge Caron, Júlio Katinsky e Ruy Ohtake, demolido
Fachada da Igreja de Santo Antônio, na Praça do Patriarca, em São Paulo, (2008)
O arquiteto foi publicamente contrário à mudança da Capital federal do Brasil do Rio de Janeiro para Brasília, a considerando um "erro político". Em uma entrevista em 2016 declarou:
Não faz nenhum sentido. É um tropeço histórico. Não tem nada que ver com a obra do Niemeyer, que é altamente criativa. É a decisão política que, na minha opinião, é errada, dizer ao Rio de Janeiro que "aqui não é mais a capital".[10]
A crítica de Paulo Mendes da Rocha não se dá exatamente à existência de Brasília, cidade em que projetou a sede da Confederação Nacional da Indústria (CNI), mas essencialmente a sua utilidade política, defendendo a ela, e demais novas cidades, "uma utilidade mais interessante do que aquilo que já estava feito, que era a capital no Rio de Janeiro”.
Praça do Patriarca (São Paulo)
A intervenção do arquiteto na Praça do Patriarca na cidade de São Paulo foi alvo de um processo em 2002. Segundo o Promotor de Justiça de Habitação e Urbanismo do Ministério Público Estadual, João Lopes Guimarães Júnior, a Igreja de Santo Antônio não poderia ter a vista da sua fachada obstruída por tal elemento arquitetônico por ser tombada. Entretanto, o processo não foi adiante.[11]
1979: Philip Johnson·1980: Luis Barragán·1981: James Stirling·1982: Kevin Roche·1983: Ieoh Ming Pei·1984: Richard Meier·1985: Hans Hollein·1986: Gottfried Böhm·1987: Kenzo Tange·1988: Gordon Bunshaft e Oscar Niemeyer·1989: Frank Gehry·1990: Aldo Rossi·1991: Robert Venturi·1992: Álvaro Siza Vieira·1993: Fumihiko Maki·1994: Christian de Portzamparc·1995: Tadao Ando·1996: Rafael Moneo·1997: Sverre Fehn·1998: Renzo Piano·1999: Norman Foster·2000: Rem Koolhaas·2001: Jacques Herzog e Pierre de Meuron·2002: Glenn Murcutt·2003: Jørn Utzon·2004: Zaha Hadid·2005: Thom Mayne·2006: Paulo Mendes da Rocha·2007: Richard Rogers·2008: Jean Nouvel·2009: Peter Zumthor·2010: Kazuyo Sejima e Ryūe Nishizawa·2011: Eduardo Souto de Moura·2012: Wang Shu·2013: Toyo Ito·2014: Shigeru Ban·2015: Frei Otto·2016: Alejandro Aravena·2017: Carme Pigem, Ramón Vilalta e Rafael Aranda·2018: Balkrishna Doshi·2019: Arata Isozaki·2020: Yvonne Farrell e Shelley McNamara·2021: Anne Lacaton e Jean-Philippe Vassal·2022: Diébédo Francis Kéré·2023: David Chipperfield·2024: Riken Yamamoto·2025: Liu Jiakun
Medalha de Ouro do RIBA
1848: Charles Robert Cockerell1849: Luigi Canina1850: Charles Barry1851: Thomas Leverton Donaldson1852: Leo von Klenze1853: Robert Smirke1854: Philip Hardwick1855: Jacques Ignace Hittorff1856: William Tite1857: Owen Jones1858: Friedrich August Stüler1859: George Gilbert Scott1860: Sydney Smirke1861: JB Lesueur1862: Robert Willis1863: Anthony Salvin1864: Eugene Viollet-le-Duc1865: James Pennethorne1866: Matthew Digby Wyatt1867: Charles Texier1868: Austen Henry Layard1869: Karl Richard Lepsius1870: Benjamin Ferrey1871: James Fergusson1872: Baron von Schmidt1873: Thomas Henry Wyatt1874: George Edmund Street1875: Edmund Sharpe1876: Joseph-Louis Duc1877: Charles Barry1878: Alfred Waterhouse1879: Marquis de Vogue1880: John Loughborough Pearson1881: George Godwin1882: Baron von Ferstel1883: Francis Cranmer Penrose1884: William Butterfield1885: Heinrich Schliemann1886: Charles Garnier1887: Ewan Christian1888: Baron Theophil von Hansen1889: Charles Thomas Newton1890: John Gibson1891: Arthur Blomfield1892: Cesar Daly1893: Richard Morris Hunt1894: Lord Leighton1895: James Brooks1896: Ernest George1897: Pierre Cuypers1898: George Aitchison1899: George Frederick Bodley1900: Rodolfo Amadeo Lanciani1901: No award1902: Thomas Edward Collcutt1903: Charles Follen McKim1904: Auguste Choisy1905: Aston Webb1906: Lawrence Alma-Tadema1907: John Belcher1908: Honore Daumet1909: Arthur John Evans1910: Thomas Graham Jackson1911: Wilhelm Dorpfeld1912: Basil Champneys1913: Reginald Blomfield1914: Jean-Louis Pascal1915: Frank Darling1916: Robert Rowand Anderson1917: Henri Paul Nenot1918: Ernest Newton1919: Leonard Stokes1920: Charles Louis Girault1921: Edwin Landseer Lutyens1922: Thomas Hastings1923: John James Burnet1924: No award1925: Giles Gilbert Scott1926: Ragnar Ostberg1927: Herbert Baker1928: Guy Dawber1929: Victor Alexandre Frederic Laloux1930: Percy Scott Worthington1931: Edwin Cooper1932: Hendrik Petrus Berlage1933: Charles Reed Peers1934: Henry Vaughan Lanchester1935: Willem Marinus Dudok1936: Charles Henry Holden1937: Raymond Unwin1938: Ivar Tengbom1939: Percy Thomas1940: Charles Francis Annesley Voysey1941: Frank Lloyd Wright1942: William Curtis Green1943: Charles Herbert Reilly1944: Edward Maufe1945: Victor Vesnin1946: Patrick Abercrombie1947: Albert Edward Richardson1948: Auguste Perret1949: Howard Robertson1950: Eliel Saarinen1951: Emanuel Vincent Harris1952: George Grey Wornum1953: Le Corbusier1954: Arthur George Stephenson1955: John Murry Easton1956: Walter Adolf Georg Gropius1957: Hugo Alvar Henrik Aalto1958: Robert Schofield Morris1959: Ludwig Mies van der Rohe1960: Pier Luigi Nervi1961: Lewis Mumford1962: Sven Gottfried Markelius1963: The Lord Holford1964: Edwin Maxwell Fry1965: Kenzo Tange1966: Ove Arup1967: Nikolaus Pevsner1968: Richard Buckminster Fuller1969: Jack Antonio Coia1970: Robert Matthew1971: Hubert de Cronin Hastings1972: Louis I Kahn1973: Leslie Martin1974: Powell e Moya1975: Michael Scott1976: John Summerson1977: Denys Lasdun1978: Jørn Utzon1979: Charles e Ray Eames1980: James Stirling1981: Sir Philip Dowson1982: Berthold Lubetkin1983: Sir Norman Foster1984: Charles Correa1985: Richard Rogers1986: Arata Isozaki1987: Ralph Erskine1988: Richard Meier1989: Renzo Piano1990: Aldo van Eyck1991: Colin Stansfield Smith1992: Peter Rice1993: Giancarlo de Carlo1994: Michael e Patricia Hopkins1995: Colin Rowe1996: Harry Seidler1997: Tadao Ando1998: Oscar Niemeyer1999: Barcelona2000: Frank Gehry2001: Jean Nouvel2002: Archigram2003: Rafael Moneo2004: Rem Koolhaas2005: Frei Otto2006: Toyo Ito2007: Herzog & de Meuron2008: Edward Cullinan2009: Álvaro Siza Vieira2010: Ieoh Ming Pei2011: David Chipperfield2012: Herman Hertzberger2013: Peter Zumthor2014: Joseph Rykwert2015: O'Donnell & Tuomey2016: Zaha Hadid2017: Paulo Mendes da Rocha2018: Neave Brown