Intoxicação por bloqueadores dos canais de cálcio

Intoxicação por bloqueadores dos canais de cálcio
SinónimosEnvenenamento por bloqueadores dos canais de cálcio, overdose por bloqueadores dos canais de cálcio
Emulsão de lípidos a 20% geralmente usada no tratamento de intoxicações por bloqueadores dos canais de cálcio
Especialidademedicina de urgência
SintomasDiminuição do ritmo cardíaco, diminuição da pressão arterial, náuseas, vómitos, sonolência[1][2]
ComplicaçõesParada cardíaca[2]
Início habitualNo prazo de 6 horas[2]
CausasSobredose de bloqueadores dos canais de cálcios, quer acidental quer deliberadamente[3]
Condições semelhantesIntoxicação por betabloqueadores[1]
TratamentoCarvão activado, irrigação intestinal, fluídos intravenosos, gluconato de cálcio, glicagina, insulina, vasopressores, emulsão de lípidos[1][2]
PrognósticoRisco de morte elevado[2]
Frequência> 10,000 (EUA)[2]
Classificação e recursos externos
MedlinePlus002580
eMedicine2184611
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Intoxicação por bloqueadores dos canais de cálcio é a ingestão excessiva dos medicamentos denominados bloqueadores dos canais de cálcio (BCC), tanto de forma acidental como deliberada.[3] A sobredosagem geralmente causa diminuição do ritmo cardíaco e diminuição da pressão arterial.[1] Esta situação pode evoluir para paragem cardíaca.[2] Alguns BCC podem também causar aumento do ritmo cardíaco como resultado da diminuição da pressão arterial.[4] Entre outros possíveis sintomas estão náuseas, vómitos, sonolência e falta de ar.[2] Os sintomas geralmente manifestam-se nas primeiras seis horas, mas em alguns tipos de BCC podem-se apenas manifestar passadas 24 horas.[2]

Existem diversas possibilidades de tratamento.[1] Entre os métodos usados para diminuir a absorção do medicamento pelo organismo estão a administração de carvão activado por via oral, se administrado passado pouco tempo da ingestão, ou irrigação intestinal se a fórmula do medicamento era de libertação retardada.[1] Os métodos para provocar o vómito não são recomendados.[1] Os medicamentos para tratar os efeitos tóxicos incluem fluidos intravenosos, gluconato de cálcio, glicagina, alta dose de insulina, vasopressores e emulsão de lípidos.[1][2] A oxigenação por membrana extracorpórea pode também ser uma opção.[1]

Em 2010 foram reportados nos Estados Unidos mais de dez mil casos de intoxicação por bloqueadores dos canais de cálcio.[2] A par dos betabloqueadores e da digoxina, os bloqueadores dos canais de cálcio correspondem a uma das maiores taxas de morte por overdose.[2] Este tipo de medicamento começou a ser comercializado nas décadas de 1970 e 1980.[2] São um dos raros tipos de medicamento em que um único comprimido pode causar a morte de uma criança.[2]

Referências

  1. a b c d e f g h i Palatnick, Wesley (fevereiro de 2014). «Emergency Department Management of Calcium-Channel Blocker, Beta Blocker, and Digoxin Toxicity». Emergency Medicine Practice. 16 (2). Cópia arquivada em 14 de maio de 2014 
  2. a b c d e f g h i j k l m n Marx, John A. Marx (2014). «Cardiovascular Drugs». Rosen's emergency medicine: concepts and clinical practice 8th ed. Philadelphia, PA: Elsevier/Saunders. pp. Chapter 152. ISBN 1455706051 
  3. a b «Calcium channel blocker overdose». ADAM. 19 de janeiro de 2011. Consultado em 9 de maio de 2014. Cópia arquivada em 5 de abril de 2014 
  4. Wolfson, Allan B. (2010). Harwood-Nuss' clinical practice of emergency medicine 5th ed. Philadelphia, PA: Lippincott Williams & Wilkins. p. 1454. ISBN 9780781789431. Consultado em 28 de julho de 2016. Cópia arquivada em 15 de agosto de 2016