Decídua (animal)

A decídua (do latim deciduus, que significa "queda" ou "derrame") é um anexo embrionário encontrado somente nos mamíferos placentários. Consiste em uma membrana delgada que, juntamente com o córion liso e o âmnio, delimita a bolsa amniótica.

Na mulher, a decídua é a parte da mucosa uterina onde a placenta está implantada e que se hipertrofia durante a gestação e que é expulsa durante e após o parto.

A decídua é formada a partir da camada do endométrio que recobre o embrião, após ocorrer a nidação. Sua função é conferir proteção ao embrião.

Após o parto, a puérpera continua com perdas sanguíneas, denominadas de lóquios, nas quais contínua a eliminar a restante decídua já necrosada. Para além dos restos da decídua, os lóquios são compostos por muco, leucócitos e sangue proveniente do local da placenta.

Estrutura

A parte da decídua que interage com o trofoblasto é a decídua basal (também chamada decídua placentária), enquanto a decídua capsular cresce sobre o embrião do lado luminal, envolvendo-o no endométrio. O resto da decídua é designado por decídua parietal ou decídua verdadeira e funde-se com a decídua capsular no quarto mês de gestação.

A decídua basal é constituída por três camadas morfologicamente distintas, que são:

  • Camada externa compacta (stratum compactum)
  • Camada intermédia (stratum spongiosum)
  • Camada limite adjacente ao miométrio (stratum basalis)

No interior da decídua, formam-se depósitos fibrinoides ocasionais onde o sinciciotrofoblasto é danificado. A região de deposição fibrinoide onde o trofoblasto se encontra com a porção compacta da decídua basal é designada por camada de Rohr, enquanto os depósitos fibrinóides que aparecem entre as camadas compacta e esponjosa da decídua basal são designados por camada de Nitabuch (em homenagem a Raissa Nitabuch). Esta camada está ausente na placenta acreta.[1]

Micrografia de endométrio decidualizado devido a progesterona exógena. Coloração com hematoxilina-eosina.

A decídua apresenta um aspeto histológico característico, exibindo grandes células células deciduais poligonais no estroma. Estas células estromais aumentadas assemelham-se ao epitélio e são designadas por "epitelioides".

A decidualização envolve o processo de diferenciação de fibroblastos estromais fusiformes em células deciduais arredondadas, que criam uma matriz extracelular pericelular rica em fibronectina e laminina (semelhante às células epiteliais).

Referências

  1. Cunningham, F. Gary, ed. (2005). Williams obstetrics 22ª ed. Nova Iorque; Toronto: McGraw-Hill Professional. ISBN 9780071413152