Triângulo de Kepler

Um triângulo de Kepler é um triângulo retângulo formado por três quadrados com áreas em progressão geométrica de acordo com a proporção áurea.

Um triângulo de Kepler é um triângulo retângulo especial com lados de comprimento com razão em progressão geométrica. Para , um triângulo retângulo de cateto de comprimento 1 e cateto maior de comprimento , com hipotenusa de comprimento , o teorema de Pitágoras estabelece que

sendo esta a proporção áurea. Assim: , ou approximadamente 1 : 1,272 : 1,618.[1]

Esses triângulos são denominados em homenagem ao astrônomo e matemático Johannes Kepler.

História

Triângulos com esta relação entre lados são denominados em memória do matemático e astrônomo alemão Johannes Kepler (1571–1630), o primeiro a demonstrar que este triângulo é caracterizado pela relação entre lados igual à proporção áurea.[2] Os triângulos de Kepler combinam dois conceitos matemáticos fundamentais — o teorema de Pitágoras e a proporção áurea — que impressionaram Kepler profundamente, como ele expressou em sua quotação:

A geometria tem dois grandes tesouros: um é o teorema de Pitágoras; o outro, a divisão de um segmento em média e extrema razão. O primeiro pode ser comparado a uma medida de ouro; o segundo podemos chamar de joia preciosa.[3]

Porém, apesar de ser o primeiro a realizar demonstrações acerca da figura, Kepler não foi o primeiro a descrevê-la.[4] Kepler dá creditos a "um professor de música chamado Magirus".[1] O mesmo triângulo aparece anteriormente no livro sobre matemática islâmica Liber mensurationum de Abû Bekr, que foi traduzido no século XII por Gerardo de Cremona para o latim[4][5], e no livro publicado em 1220/1221 Practica geometriae de Leonardo Fibonnaci, que descreveu o triângulo de forma semelhante a Kepler.[4][6] Pouco antes de Kepler, o matemático português Pedro Nunes escreveu sobre a forma em 1561 e a possibilidade do uso do triângulo ter sido disseminado na segunda metade da idade média e no Renascimento.[4]

Algumas fontes proclamam que um triângulo com dimensões aproximadas com um triângulo de Kepler pode ser identificado na Pirâmide de Quéops.[7][8]

A denominação "triângulo de Kepler" foi usada por Roger Herz-Fischler que se baseou no trabalho de Kepler, que datava de 1597.[9] Outro nome para o triângulo, utilizado por Matila Ghyka, é "triângulo de Price", em homenagem ao Piramidologia W. A. Price.[10]

Definições

O triângulo de Kepler é definido como um triângulo retângulo e apresentando o comprimento de seus lados em uma progressão geométrica ou, de forma equivalente, apresentando o quadrado de seus lados em uma progressão geométrica. Em ambos os casos, a progressão geométrica apresenta razão , sendo , isto é, a proporção áurea. Assim, a proporção pode ser escrita como 1 :  : ou como 1 : 1,272 : 1,618.[1]

Propriedades

Seguindo da definição, se o menor lado de um triângulo de Kepler for , os lados restantes terão lados medindo e . O cosseno do maior dos dois ângulos não retos é a razão do lado adjacente — isto é, o menor lado — com a hipotenusa (ou ):

e .[1]

Jarzy Kocik observou que o maior ângulo desses dois também é o ângulo formado pelos centros de trios de círculos consecutivos na Sequência loxodrômica de círculos tangentes de Coxeter.[11]

Ver também

Referências

  1. 1 2 3 4 Roger Herz-Fischler (2000). The Shape of the Great Pyramid. [S.l.]: Wilfrid Laurier University Press. ISBN 0-88920-324-5
  2. Livio, Mario (2002). The Golden Ratio: The Story of Phi, The World's Most Astonishing Number. New York: Broadway Books. 149 páginas. ISBN 0-7679-0815-5
  3. Karl Fink; Wooster Woodruff Beman; David Eugene Smith (1903). A Brief History of Mathematics: An Authorized Translation of Dr. Karl Fink's Geschichte der Elementar-Mathematik 2nd ed. [S.l.]: Chicago: Open Court Publishing Co
  4. 1 2 3 4 Høyrup, Jens (2002). «Review of The shape of the Great Pyramid by Roger Herz-Fischler» (PDF). Consultado em 6 de março de 2026
  5. Busard, Hubert. L.L (1968). «L'algèbre au Moyen Âge : le « Liber mensurationum » d'Abû Bekr». Journal des savants (em francês) (1): 65–124. ISSN 0021-8103. doi:10.3406/jds.1968.1175. Consultado em 6 de março de 2026
  6. Hughes, Barnabas, ed. (2008). Fibonacci’s De Practica Geometrie. Col: Sources and Studies in the History of Mathematics and Physical Sciences (em inglês). New York, NY: Springer New York. ISBN 978-0-387-72930-5. doi:10.1007/978-0-387-72931-2. Consultado em 6 de março de 2026
  7. The Best of Astraea: 17 Articles on Science, History and Philosophy. [S.l.]: Astrea Web Radio. 2006. ISBN 1-4259-7040-0
  8. «Squaring the circle, Paul Calter». Consultado em 26 de dezembro de 2016. Cópia arquivada em 2 de setembro de 2011
  9. Fischler, R (1979). «What did Herodotus really say? or how to build (a theory of) the Great Pyramid». Environment and Planning B: Planning and Design (em inglês) (1): 89–93. ISSN 0265-8135. doi:10.1068/b060089. Consultado em 6 de março de 2026
  10. Ghyka Matila (1946). The Geometry Of Art and Life(1946). [S.l.]: Sheed and Ward, New York. Consultado em 6 de março de 2026
  11. Kocik, Jerzy (14 de outubro de 2019), A note on unbounded Apollonian disk packings, doi:10.48550/arXiv.1910.05924, consultado em 16 de março de 2026