Solimão Chelebi

Solimão Chelebi
Emir
Ilustração alemã de Solimão Chelebi de 1648 com o título "Sultão Solimão Cã"
Reinadoc. 1402 – 17 de fevereiro de 1411
Antecessor(a)Bajazeto I
Sucessor(a)Muça Chelebi (de facto)
RegenteÇandarlı Ali Paxá (1402–1406)
Dados pessoais
Nome completo
Emir Süleyman bin Bayezid[1]
PaiBayezid I
Filho(s)Orhan Çelebi
ReligiãoIslamismo sunita
AssinaturaAssinatura de Solimão Chelebi

Solimão Chelebi ou Solimão, o Cavalheiro (em turco: Süleyman Çelebi; fl. c. 1389/90[2] – 17 de fevereiro de 1411), também conhecido como Emir Solimão, foi um príncipe otomano e corregente do Império Otomano por vários anos durante o Interregno Otomano. Existe uma tradição de origem ocidental segundo a qual Solimão, o Magnífico seria o "Solimão II", mas tal tradição baseia-se no equívoco de que Solimão Chelebi seria um sultão legítimo.[3]

Antecedentes

Solimão era o segundo filho mais velho de Bajazeto I, após Ertugrul Chelebi. Em algumas fontes ocidentais contemporâneas, foi considerado entre os Sultões otomanos devido ao seu governo durante o interregno, sendo referido como Solimão I. Há poucas informações sobre sua juventude. Registros históricos o mencionam primeiro como administrador da província de Aidim, que controlava os portos de Balat e Ayasuluk, após a campanha de Bajazeto I na Anatólia Ocidental, no inverno de 1389–1390. Nicolae Iorga afirma que Solimão era o bei da Rumélia setentrional antes de ser nomeado para esse cargo, possivelmente relacionado à conquista da Bulgária nordeste pelo exército otomano sob o comando de Chandarle Ali Paxá entre o inverno de 1387 e a primavera de 1389.

Fontes otomanas não mencionam Solimão na conquista de Tarnovo, centro do Segundo Império Búlgaro, em 1393. Embora algumas crônicas digam que ele foi nomeado administrador de Sivas em 1392 e da região de Castamona no ano seguinte, esses registros resultam de confusões cronológicas. Sabe-se que Solimão participou da Batalha de Nicópolis em 1396 e que, em 1398, foi enviado a Sivas com um exército por seu pai após a captura de Amásia, derrotando o governante Aq Qoyunlu Cara Iuluque Otomão Begue, tornando-se administrador da província. O viajante bávaro Johannes Schiltberger estava com Solimão nesta campanha. Após a morte de seu irmão Ertugrul Chelebi em 1400, Solimão provavelmente foi nomeado administrador das regiões de Aidim, Sarucano e Carési. Participou da Batalha de Ancara com tropas dessas regiões.[2]

Interregno Otomano

Mapa dos Bálcãs Meridionais e da Anatólia Ocidental em 1410, pouco antes da derrota de Solimão

Em 1403, assinou o Tratado de Galípoli com o regente bizantino João VII Paleólogo, durante a ausência do imperador Manuel II Paleólogo, que estava na Europa Ocidental. Pelo tratado, cedeu Tessalônica e outras regiões costeiras do Mar de Mármara ao Império Bizantino em troca de apoio durante o interregno. Declarou-se sultão do império em Edirne, co-capital otomana na Rumélia. A parte asiática, Anatólia, estava sob controle de seus irmãos Issa Chelebi e Maomé Chelebi (futuro Maomé I). Solimão apoiou Issa contra Maomé, mas Maomé venceu diversas batalhas em 1406.

Temendo o crescimento do poder de Maomé, Solimão cruzou o Estreito de Dardanelos para reunificar o império. Capturou Bursa, capital anatólia, e depois avançou para intimidar os pequenos beiados turcomanos (Aidim e Menteshe), que haviam se libertado após a derrota em Ancara. Em seguida, capturou Ancara de Maomé[4][5], mas não prosseguiu.

Solimão retornou a Bursa, o que permitiu a Maomé reagrupar-se. Maomé aliou-se a Muça Chelebi, outro irmão aspirante ao trono, enviando-o à Rumélia via Valáquia (atual Romênia). Solimão passou a lutar em duas frentes, contra Muça na Europa e contra Maomé na Anatólia. Ele concentrou-se em Muça, deixando Anatolia novamente para Maomé. Muça contava com apoio de Valáquios e Sérvios, enquanto Solimão era apoiado pelos Bizantinos. Contudo, os sérvios passaram a apoiá-lo e Muça foi derrotado na Batalha de Cosmídio, em 15 de junho de 1410.[4][6]

Apesar da vitória, Solimão tornou-se indulgente e negligente após a morte de seu competente vizir Chandarle Ali Paxá. Em 1411, com o avanço de Muça sobre Edirne, Solimão foi abandonado por seus aliados. Tentou fugir para territórios bizantinos, mas foi assassinado em 17 de fevereiro de 1411.[4][7]

Consequências

Akçe cunhada por Solimão em 1404, com tugra no anverso e nomes dos califas ortodoxos no reverso

Após a morte de Solimão, Muça assumiu o controle da Rumélia. A aliança entre Maomé e Muça logo se desfez, e os irmãos continuaram a lutar até a derrota e morte de Muça em 5 de julho de 1413, na {Batalha de Chamurlu, quando Maomé tornou-se o único sultão como Maomé I.

Família

Solimão teve uma consorte conhecida:[8]

Teve um filho, de concubina desconhecida:[8]

  • Orcano Chelebi (1395–1429), com três filhos e duas filhas:
    • Orcano Chelebi (1412–1453)[8]
    • Maomé Xá Chelebi (falecido em 31 de dezembro de 1421)[8]
    • Paxá Meleque Catum, casou-se com um sanjaco-bei otomano[8]
    • Fátima Xazade Catum, conhecida como Cunde Xezade (1422–1455)[9]
    • Solimão Chelebi (1423–1437)[10]

Referências

  1. Cüneyt Ölçer (1968). Yıldırım Bayezid'ın oğullarına ait akçe ve mangırlar. [S.l.: s.n.] p. 40 
  2. a b Predefinição:TDV İslâm Ansiklopedisi
  3. Veinstein, G. «Süleymān». In: P. Bearman; Th. Bianquis; C.E. Bosworth; E. van Donzel; W.P. Heinrichs. Encyclopaedia of Islam. 2 
  4. a b c Kastritsis, Dimitris (2007), The Sons of Bayezid: Empire Building and Representation in the Ottoman Civil War of 1402–1413, Brill, ISBN 978-90-04-15836-8
  5. Joseph von Hammer: Osmanlı Tarihi Vol I (resumo: Abdülkadir Karahan), Milliyet yayınları, Istambul. pp. 56–57
  6. Prof. Yaşar Yüce-Prof. Ali Sevim: Türkiye Tarihi Cilt II, AKDTYKTTK Yayınları, Istambul, 1991 pp. 74–76
  7. Nicholae Iorga: Geschishte des Osmanichen (Trad: Nilüfer Epçeli) Vol 1 Yeditepe yayınları, Istambul, 2009, ISBN 975-6480-17-3 p. 314
  8. a b c d e Alderson, AD. «Structure of Ottoman Dynasty» (PDF). pp. Tabela XXIV 
  9. Uzunçarşılı, İsmail Hakkı; Karal, Enver Ziya, eds. (1947). Osmanlı tarihi. Col: Türk Tarih Kurumu yayınlarından. Ancara: Türk Tarih Kurumu Basımevi. 455 páginas. ISBN 978-975-16-0010-3 
  10. İsmail Hakkı Uzunçarşılı'ya armağan (em turco). [S.l.]: Türk Tarih Kurumu. 1976. 35 páginas. ISBN 978-975-16-0045-5 

Bibliografia

  • Zachariadou, Elizabeth A. "Süleyman çelebi in Rumili and the Ottoman chronicles." Der Islam 60.2 (1983): 268–296.