Grande Israel

Representação contemporânea frequentemente associada ao conceito de “Grande Israel”, baseada em interpretações de Gênesis 15:18-21.

Grande Israel (em hebraico: ארץ ישראל השלמה, Eretz Yisrael Hashlemah[1][2]) é um conceito político e religioso associado à ideia de que o território histórico da Terra de Israel constitui uma unidade indivisível. O termo é utilizado por algumas correntes do sionismo e por grupos religiosos para defender a extensão da soberania israelense sobre áreas consideradas parte da terra bíblica de Israel.[3][nota 1]

Em sua forma mais comum, o conceito refere-se ao território entre o Mar Mediterrâneo e o Rio Jordão. Em interpretações mais amplas ou simbólicas, pode incluir territórios adicionais mencionados em descrições bíblicas, como áreas associadas aos limites entre o Nilo e o rio Eufrates.[4]

O conceito gera controvérsias devido aos seus diferentes significados religiosos, históricos e políticos.[5][6][7] Na política contemporânea, o termo costuma ser associado às disputas territoriais relacionadas ao Conflito árabe-israelense.[8]

História

Contexto bíblico

Limites da Terra de Israel segundo diferentes descrições bíblicas: vermelho (Números 34), azul (Ezequiel 47).

Os termos Eretz Israel e Eretz Israel Hashlemah relacionam-se às descrições da Terra Prometida presentes na Bíblia Hebraica. A extensão territorial dessa terra aparece em diferentes passagens bíblicas, entre elas Gênesis 15:18-21, onde se afirma que Deus prometeu a terra aos descendentes de Abraão, desde o “rio do Egito” até o “grande rio, o Eufrates”.[4]

Outras passagens apresentam delimitações distintas do território, como em Números 34:1-15 e Ezequiel 47:13-20. Essas descrições variam em seus limites geográficos e refletem tradições diferentes dentro da literatura bíblica.

A identificação do chamado “rio do Egito” também é objeto de debate. Em algumas interpretações é associado ao Nilo, enquanto na tradição judaica frequentemente é identificado com o Uádi de Alarixe na península do Sinai.[1]

Sionismo inicial

No final do século XIX e início do século XX, líderes do sionismo discutiram diferentes possibilidades territoriais para um futuro Estado judeu. O fundador do movimento sionista moderno, Theodor Herzl, foi influenciado por interpretações bíblicas e históricas da região ao refletir sobre as fronteiras potenciais desse Estado.[9]

Alguns pensadores sionistas interpretaram a extensão do antigo reino bíblico de Davi e Salomão como referência simbólica para a reconstrução nacional judaica.

Representação aproximada do território atribuído ao reino de Davi e Salomão segundo algumas interpretações históricas.

Revisionismo e nacionalismo territorial

Durante o período do Mandato Britânico, a corrente conhecida como sionismo revisionista, liderada por Zeev Jabotinsky, defendia a criação de um Estado judeu em ambos os lados do Rio Jordão.[10]

Após a criação do Estado de Israel em 1948, a ideia de um território indivisível da Terra de Israel continuou presente em setores da direita política israelense, especialmente entre movimentos nacionalistas e religiosos.[11]

Após a Guerra dos Seis Dias em 1967, quando Israel passou a controlar a Cisjordânia, a Faixa de Gaza e as Colinas de Golan, o debate sobre a permanência nesses territórios intensificou-se na política israelense.[12]

Desenvolvimento político moderno

Movimentos políticos e religiosos passaram a defender a permanência de Israel nesses territórios, enquanto outras correntes defendiam soluções territoriais negociadas.

Em agosto de 2025, o primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu declarou em entrevista que se sentia ligado à visão de Grande Israel, afirmando estar em uma “missão histórica e espiritual”.[13][14]

Uso político do termo

O termo “Grande Israel” é utilizado em diferentes contextos políticos e ideológicos. Em alguns casos aparece associado ao sionismo revisionista, enquanto em outros é empregado como crítica às políticas territoriais israelenses.[12]

Movimentos religiosos nacionalistas israelenses interpretam a Terra de Israel como um território indivisível baseado em promessas bíblicas.[10]

Por outro lado, diversos analistas afirmam que o conceito também é utilizado de forma retórica ou simbólica no debate político do Conflito árabe-israelense.[15]

Interpretações contemporâneas

Atualmente, o termo é utilizado com diferentes significados no debate político e acadêmico. Em alguns casos refere-se ao território do antigo Mandato Britânico da Palestina, enquanto em outros é associado a interpretações religiosas baseadas em passagens bíblicas.[6]

Devido à ambiguidade e às controvérsias associadas ao termo, muitos analistas preferem utilizar a expressão Terra de Israel para se referir ao conceito histórico ou religioso.[5]

Teorias da conspiração

A ideologia associada ao conceito de Grande Israel também deu origem a diversas teorias da conspiração, segundo as quais Israel teria como objetivo expandir suas fronteiras do Eufrates ao Nilo. Tais interpretações são amplamente difundidas em parte do discurso político no Oriente Médio, embora não correspondam à política oficial do Estado israelense.[5]

Entre essas teorias está a alegação de que símbolos da Bandeira de Israel ou imagens presentes em moedas israelenses representariam um mapa de Grande Israel, interpretação rejeitada por historiadores e analistas políticos.

Notas

  1. עניינו של ניצחון זה הוא בכך שהוא מחק למעשה את ההבדל בין מדינת ישראל ובין ארץ ישראל. זו הפעם הראשונה מאז חורבן בית שני נמצאת ארץ ישראל בידינו. המדינה והארץ הן מעתה מהות אחת, ומעכשיו חסר לה להתחברות ההיסטורית הזו רק עם ישראל שיארוג יחד עם היש שהושג את החוט המשולש שלא יינתק (O ponto desta vitória é que efetivamente apagou a diferença entre o Estado de Israel e a Terra de Israel. Esta é a primeira vez desde a destruição do Segundo Templo que a Terra de Israel está em nossas mãos. O estado e a terra são a partir de agora uma só essência, e a partir de agora esta conexão histórica falta apenas o povo de Israel que tecerá junto com a realidade alcançada o triplo fio que não será cortado).[3]

Referências

Bibliografia

Livros

  • Dowty, Alan (2017). Israel/Palestine. Cambridge: Polity Press 
  • Gelvin, James L. (2014). The Israel–Palestine Conflict: One Hundred Years of War. Cambridge: Cambridge University Press 
  • Haddad, Yvonne Yazbeck (1974). Arab Nationalism and the Zionist Project. Beirut: Institute for Palestine Studies 
  • Laqueur, Walter (2003). A History of Zionism. New York: Schocken Books 
  • Shavit, Yaacov (1988). Jabotinsky and the Revisionist Movement 1925–1948. London: Frank Cass 

Periódicos

Sites

Leituras complementares

  • Shlaim, Avi (2001). The Iron Wall: Israel and the Arab World. New York: W. W. Norton 
  • Pappe, Ilan (2006). A History of Modern Palestine: One Land, Two Peoples. Cambridge: Cambridge University Press 
  • Sachar, Howard M. (2007). A History of Israel: From the Rise of Zionism to Our Time. New York: Knopf 
  • Segev, Tom (2007). 1967: Israel, the War, and the Year that Transformed the Middle East. New York: Metropolitan Books 

Ligações externas