Velasio De Paolis

Velasio De Paolis
Cardeal da Santa Igreja Romana
Presidente emérito da Prefeitura dos Assuntos Econômicos da Santa Sé
Info/Prelado da Igreja Católica
Atividade eclesiástica
Congregação Scalabrinianos
Diocese Diocese de Roma
Nomeação 3 de setembro de 2007
Predecessor Sergio Cardeal Sebastiani
Sucessor Giuseppe Cardeal Versaldi
Mandato 2008 - 2011
Ordenação e nomeação
Profissão Solene 4 de outubro de 1958
Ordenação presbiteral 18 de março de 1961
Nomeação episcopal 30 de dezembro de 2003
Ordenação episcopal 21 de fevereiro de 2004
por Angelo Cardeal Sodano
Nomeado arcebispo 12 de abril de 2008
Cardinalato
Criação 20 de novembro de 2010
por Papa Bento XVI
Ordem Cardeal-diácono
Título Jesus Bom Pastor em Montagnola
Brasão
Lema IUSTITIA IN CARITATE
Dados pessoais
Nascimento Sonnino
19 de setembro de 1935
Morte Roma
9 de setembro de 2017 (81 anos)
Nacionalidade italiano
Funções exercidas -Secretário do Supremo Tribunal da Assinatura Apostólica (2003-2008)
-Delegado Pontifício da Legião de Cristo (2010-2014)
Títulos anteriores -Bispo titular de Telepte (2003-2008)
-Arcebispo titular de Telepte (2008-2010)
dados em catholic-hierarchy.org
Cardeais
Categoria:Hierarquia católica
Projeto Catolicismo

Velasio De Paolis, C.S. (Sonnino, 19 de setembro de 1935 - Roma, 9 de setembro de 2017) foi um cardeal católico, foi presidente da Prefeitura de Assuntos Econômicos da Santa Sé e foi o Delegado Pontifício da Congregação dos Legionários de Cristo.

Formação

Velasio De Paolis nasceu em 19 de setembro de 1935, em Sonnino, diocese de Latina-Terracina-Sezze-Priverno. Filho de Américo de Paolis e Quirina Altobelli. Ele tinha três irmãos e uma irmã.[1]

Ingressou na Congregação dos Missionários de São Carlos Borromeu (Escalabrinianos) ainda jovem e recebeu sua formação nos seminários da congregação. Fez sua profissão temporal em 20 de setembro de 1955, em Crespano del Grappa; e sua profissão perpétua em 4 de outubro de 1958, em Piacenza. Após a ordenação, Velasio foi para Roma para continuar sua formação acadêmica, obtendo em 1965 um doutorado em direito canônico pela Faculdade de Direito Canônico da Pontifícia Universidade Gregoriana; uma licenciatura em teologia pela Faculdade de Teologia da Universidade de São Tomás de Aquino (Angelicum); e uma licenciatura em direito pela Universidade La Sapienza de Roma. Também concluiu um curso de dois anos em teologia moral na Academia Alfonsiana.[1]

Presbiterado

Foi ordenado padre no dia 18 de março de 1961, em Piacenza. Após seus estudos complementares (1961-1965), de 1965 a 1970 foi professor de teologia moral e direito canônico na Faculdade de Teologia de Piacenza e em um dos centros de formação filosófica e teológica da própria congregação. Posteriormente, foi nomeado reitor do Colégio Internacional dos Padres Scalabrinianos em Roma (1970-1974), atuando também como vigário provincial. Em 1974, foi chamado para o governo geral de sua congregação como conselheiro e procurador-geral. De 1971 a 1980, foi professor extraordinário e, a partir de 1983, professor titular da Faculdade de Direito Canônico da Pontifícia Universidade Gregoriana. A partir de 1987, também foi nomeado professor da Pontifícia Universidade Urbaniana e tornou-se decano da Faculdade de Teologia em 1998. É autor de mais de 200 livros e artigos e contribuiu regularmente para a revista Periodica de re canonica. Também foi membro de diversas associações dedicadas ao estudo do direito canônico. Ao longo de todos esses anos, dedicou-se a atividades apostólicas, especialmente à pregação de exercícios espirituais.[1]

Em 1994 o Papa João Paulo II o nomeou, para o quinquênio 1994-1999, consultor da Congregação para a Doutrina da Fé, na Cúria Romana[2] e consultor da Congregação para as Igrejas Orientais.[3] Em 1999 foi confirmado na função de consultor da Congregação para a Doutrina da Fé, para o quinquênio 1999-2004.[4] Em 2003, o Papa João Paulo II o nomeou, para o quinquênio 2003-2006, consultor da Congregação para a Evangelização dos Povos e da Congregação para o Clero.[5]

Episcopado

No dia 30 de dezembro de 2003, o Papa João Paulo II o nomeou bispo-titular de Telepte e secretário da Assinatura Apostólica, na Cúria Romana.[6] Recebeu a ordenação episcopal no dia 21 de fevereiro de 2004, das mãos do cardeal Angelo Sodano, subdecano do Colégio Cardinalício, assistido pelo Arcebispo Silvano Maria Tomasi, CS, observador permanente da Santa Sé junto à Organização das Nações Unidas e Instituições Especializadas em Genebra, e pelo Bispo Francesco Saverio Salerno, ex-secretário do Supremo Tribunal da Assinatura Apostólica. Seu lema episcopal foi Iustitia in Caritate (Justiça na Caridade).[1]

No dia 12 de abril de 2008, o Papa Bento XVI o designou presidente da Prefeitura de Assuntos Econômicos da Santa Sé, recebendo o título pessoal de arcebispo-titular de Telepte.[7] Foi designado pelo Papa Bento XVI como delegado pontifício para a Congregação dos Legionários de Cristo, em 9 de julho de 2010.[8][9][10]

Legião de Cristo

Em outubro do mesmo ano, De Paolis sugeriu que a Legião deveria redefinir sua missão e sua estrutura de governo. Ele reconheceu que ainda havia dúvidas sobre o quanto outros líderes da Legião sabiam sobre os abusos de Maciel e que descobrir a verdade "não é tão simples". Planos foram feitos para um processo de renovação que poderia levar três anos ou mais. Ele e quatro conselheiros trabalhariam com os oficiais da Legião para revisar a constituição da congregação, e estava sendo considerada a nomeação de um comitê para tratar das queixas feitas contra a Legião e um comitê para tratar de questões de gestão financeira na congregação. O processo incluiria uma investigação, liderada pelo Arcebispo Ricardo Blazquez de Valladolid, do ramo leigo da congregação, conhecido como Regnum Christi.[11]

Em 20 de outubro de 2011, de Paolis revelou, em uma carta,[12] que uma investigação sobre o Regnum Christi revelou preocupações que exigiriam a reescrita das normas do grupo. Autoridades do Vaticano expressaram preocupação com o fato de os membros consagrados do Regnum Christi estarem excessivamente sujeitos à Legião; eles pediram sua própria estrutura de autoridade, mantendo, ao mesmo tempo, laços estreitos com a Legião. De Paolis disse que “as questões relativas à vida pessoal e comunitária que emergiram dessa mesma visitação em nível institucional parecem, inicialmente, ser muitas e desafiadoras”. Ele indicou, no entanto, que o Regnum Christi continuaria sua afiliação com a Legião de Cristo, mas que o grupo leigo seria separado da própria Legião.[13]

Em 26 de outubro de 2011, foi noticiado que membros desiludidos estavam deixando a ordem, perdendo a fé de que o Vaticano implementaria as mudanças necessárias. De Paolis afirmou em entrevista que o Papa Bento XVI o incumbiu apenas de orientar a Legião e ajudar a reescrever suas normas – não de "decapitar" sua liderança ou vingar injustiças. De Paolis descartou qualquer investigação adicional sobre os crimes de Marcial Maciel. Ele acrescentou: "Não vejo que benefício haveria" em aprofundar a investigação sobre um possível acobertamento. "Pelo contrário, correríamos o risco de nos envolver em uma intriga sem fim. Porque são assuntos muito privados para que eu investigue." Estimativas apontam que 70 dos 890 padres da Legião e mais de um terço das 900 mulheres consagradas deixaram a ordem ou estão se afastando para refletir sobre o futuro. De Paolis defendeu seu compromisso e abordagem à reforma, dizendo que se "inseriu" na administração da Legião, expandiu o conselho governante da Legião e remanejou alguns superiores. Ele disse que não demitiu nenhum superior completamente porque precisa deles para aprender os detalhes complexos da estrutura, cultura e finanças da ordem. Além disso, sua prioridade era persuadir os líderes da Legião a semear a mudança de dentro para fora.[14]

Em uma carta de 21 de novembro de 2011, de Paolis pediu aos consagrados do Regnum Christi que revisassem seu conjunto básico de normas e declarou inoperante um conjunto mais extenso de normas. O conjunto básico de normas (128 no total) foi aprovado pelo Vaticano em 2004, não o conjunto mais extenso (mais de 1.000 no total). Ele disse que uma pequena comissão seria formada em breve para extrair das normas mais extensas apenas aquelas estritamente necessárias para sua vida e governança.[15]

Em 2014, com o Capítulo Geral Extraordinário, de Paolis afirmou que um dos "pontos-chave" da constituição reformulada era uma "distinção mais clara e precisa entre o fórum interno e o fórum externo, e entre o fórum sacramental e – digamos – o fórum disciplinar externo". A referência parecia indicar que a constituição revisada permitiria aos legionários escolherem seus próprios confessores, removendo a exigência de que se confessassem apenas a sacerdotes escolhidos pelos superiores. Ele disse que os redatores da nova constituição consideraram necessário "reafirmar que a autoridade não é arbitrária, mas deve operar dentro de um conselho".[16] Com o fim do capítulo, o mandato do Delegado Pontíficio se encerrou.[17]

Escândalo Vatileaks

Em outubro de 2012, de Paolis disse ao jornal italiano La Repubblica que havia precedentes para o Papa perdoar Paolo Gabriele, que havia sido considerado culpado de roubar documentos papais confidenciais e divulgá-los à imprensa. Questionado se Gabriele seria preso ou perdoado, de Paolis disse que somente o Papa poderia decidir, mas acrescentou: "Sinto que posso dizer que, com uma confissão plena de sincero remorso e a absoluta certeza de que o crime não pode ser cometido novamente, os papas sempre emitiram, em favor dos condenados, medidas ditadas pela misericórdia que é a essência da Igreja, que está sempre perto de seus filhos, mesmo daqueles considerados culpados."[18]

Cardinalato

Recebeu o barrete cardinalício e a diaconia de Jesus Bom Pastor em Montagnola no Consistório Ordinário Público de 2010, realizado em 20 de novembro de 2010.[19] É o primeiro cardeal scalabriniano da história.[1] Foi membro das Congregações para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos; do Pontifício Conselho para os Textos Legislativos; e do Supremo Tribunal da Assinatura Apostólica.[20] Em 4 de maio de 2011, foi nomeado membro da Congregação para as Causas dos Santos.[21] O Papa aceitou sua renúncia em 21 de setembro de 2011, por limite de idade, ao cargo de presidente da Prefeitura para os Assuntos Econômicos da Santa Sé.[22] Em 10 de novembro de 2011, foi nomeado membro da Administração do Patrimônio da Sé Apostólica (APSA).[23]

Com o conclave, ele considerou "preocupante" a participação do Cardeal Roger Michael Mahony, que foi acusado de acobertar padres pedófilos na Arquidiocese de Los Angeles durante anos, mas acrescentou que não havia nenhum procedimento formal para impedi-lo de participar do conclave , observando que ele "tem o direito e o dever de participar e que as regras devem ser seguidas". Seus comentários contribuíram para um crescente murmúrio sobre a adequação da decisão do Cardeal Mahony de participar do conclave. Ele havia sido recentemente repreendido por seu sucessor, o Arcebispo José Horacio Gómez, por sua atuação em casos de abuso sexual. O Arcebispo Gómez, no entanto, expressou seu apoio à participação do Cardeal Mahony no conclave.[24]

Confirmado como membro da Congregação para as Causas dos Santos em 19 de dezembro de 2013.[25] Perdeu o direito de participar no conclave quando completou oitenta anos em 19 de setembro de 2015. Já acometido pela doença de Parkinson, após ser diagnosticado com um tumor cerebral, começou a perder grande parte de suas capacidades, especialmente no que diz respeito à comunicação, tanto verbal quanto escrita. Por volta de meados de 2016, começou a apresentar um estado geral de confusão que, pouco a pouco, o levou inicialmente a não conseguir mais se expressar de forma lógica e linear e, depois, e quase no fim, a não conseguir sequer falar.[1]

O cardeal faleceu em 9 de setembro de 2017, às 10h30, em Roma, assistido por Monsenhor Brian Ferme, secretário do Conselho para a Economia, e pelas Irmãs Giulia e Antonietta, do Instituto da Congregação das Mães das Dores Servas de Maria, após fixar o olhar em duas pinturas que tinha em seu quarto, uma de Santa Teresa de Jesus e a outra de São Carlos Borromeu. O Papa Francisco enviou um telegrama de condolências a Angelo De Paolis, irmão do falecido cardeal. As exéquias ocorreram na segunda-feira, 11 de setembro de 2017, na Basílica Vaticana, presididas pelo Cardeal Angelo Sodano, decano do Colégio Cardinalício, que também proferiu a homilia. Concelebraram com ele vinte e um cardeais, oito arcebispos e bispos e oitenta sacerdotes. O falecido cardeal foi sepultado no túmulo dos Scalabrinianos, no Cemitério Campo di Verano, em Roma. De acordo com seus desejos, em 19 de setembro de 2022, o corpo do cardeal foi sepultado novamente na abadia de Fossanova, na província de Latina, em um sarcófago de mármore especialmente construído na capela de São Tomás de Aquino. Uma celebração eucarística, presidida pelo bispo Mariano Crociata, foi realizada às 16h30, seguida de sepultamento privado.[1]

Conclaves

Referências

  1. a b c d e f g «The Cardinals of the Holy Roman Church - Consistories of the 21st Century». cardinals.fiu.edu. Consultado em 8 de dezembro de 2025. Cópia arquivada em 14 de agosto de 2025 
  2. Acta Apostolicae Sedis, v. 86. 1994. p. 383.
  3. Acta Apostolicae Sedis, v. 86. 1994. p. 784.
  4. Acta Apostolicae Sedis, v. 91 . 1999. p. 591.
  5. Acta Apostolicae Sedis, v. 95. 2003. p. 642.
  6. «RINUNCIA DEL SEGRETARIO DEL SUPREMO TRIBUNALE DELLA SEGNATURA APOSTOLICA E NOMINA DEL SUCCESSORE». press.vatican.va. Consultado em 8 de dezembro de 2025 
  7. «RINUNCIA DEL PRESIDENTE DELLA PREFETTURA DEGLI AFFARI ECONOMICI DELLA SANTA SEDE E NOMINA DEL SUCCESSORE». press.vatican.va. Consultado em 8 de dezembro de 2025 
  8. «NOMINA DEL DELEGATO PONTIFICIO PER LA CONGREGAZIONE DEI LEGIONARI DI CRISTO». press.vatican.va. Consultado em 8 de dezembro de 2025 
  9. «Bento XVI nomeia Dom De Paolis como Delegado Pontifício para Legionários de Cristo». ACI Digital. Consultado em 8 de dezembro de 2025 
  10. «Papa nomeia delegado para controlar congregação Legionários de Cristo». G1 Mundo. 1 de maio de 2010. Consultado em 8 de dezembro de 2025 
  11. CNA (22 de outubro de 2010). «Vatican official outlines next steps in Legion of Christ reform». Catholic News Agency (em inglês). Consultado em 8 de dezembro de 2025 
  12. De Paolis, C.S., Cardinale Velasio (15 de outubro de 2011). «Translation of the original Italian version» (PDF). Consultado em 8 de dezembro de 2025 
  13. «Reforms coming for Regnum Christi | News Headlines». www.catholicculture.org. Consultado em 8 de dezembro de 2025 
  14. «AP Exclusive: Exodus as pope's Legion reform lags». Google News. Consultado em 8 de dezembro de 2025 
  15. Winfield, Nicole (25 de novembro de 2011). «Rules for Legion-linked group invalid». Appeal-Democrat (em inglês). Consultado em 8 de dezembro de 2025 
  16. Rocca, Francis X. «Cardinal reports progress in reform as Legionaries start chapter». National Catholic Reporter (em inglês). Consultado em 8 de dezembro de 2025 
  17. «Legionaries' General Chapter: interview with Card. De Paolis». en.radiovaticana.va (em inglês). Consultado em 8 de dezembro de 2025. Cópia arquivada em 9 de janeiro de 2014 
  18. The Tablet (2 de outubro de 2012). «Cardinal and canon lawyer hints at papal pardon for butler». www.thetablet.co.uk. Consultado em 8 de dezembro de 2025. Cópia arquivada em 9 de outubro de 2012 
  19. «Udienza Generale del 20 ottobre 2010: Santa Elisabetta d'Ungheria». www.vatican.va (em italiano). Consultado em 8 de dezembro de 2025 
  20. «NOMINA DI CARDINALI MEMBRI DEI DICASTERI DELLA CURIA ROMANA». press.vatican.va. Consultado em 8 de dezembro de 2025 
  21. «NOMINA DI MEMBRI DELLA CONGREGAZIONE DELLE CAUSE DEI SANTI». press.vatican.va. Consultado em 8 de dezembro de 2025 
  22. «RINUNCIA DEL PRESIDENTE DELLA PREFETTURA DEGLI AFFARI ECONOMICI DELLA SANTA SEDE E NOMINA DEL SUCCESSORE». press.vatican.va. Consultado em 8 de dezembro de 2025 
  23. «NOMINA DI CARDINALI MEMBRI DELL'AMMINISTRAZIONE DEL PATRIMONIO DELLA SEDE APOSTOLICA». press.vatican.va. Consultado em 8 de dezembro de 2025 
  24. «Vatican murmurs about Mahony's attendance at papal conclave». Los Angeles Times (em inglês). 20 de fevereiro de 2013. Consultado em 8 de dezembro de 2025 
  25. «CONFERME NELLA CONGREGAZIONE DELLE CAUSE DEI SANTI». press.vatican.va. Consultado em 8 de dezembro de 2025 

Ligações externas

Precedido por
Jean-Louis Pierre Tauran

Arcebispo-titular de Telepte

20032010
Sucedido por
Edgar Peña Parra
Precedido por
Sergio Sebastiani

Presidente da Prefeitura de Assuntos Econômicos da Santa Sé

20082011
Sucedido por
Giuseppe Versaldi
Precedido por
James Francis Stafford
Cardeal
Cardeal-diácono de Jesus Bom Pastor em Montagnola

20102017
Sucedido por
Lazarus You Heung-sik