Trepadeira-do-iunão
Trepadeira-do-iunão
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| Estado de conservação | |||||||||||||||||
![]() Pouco preocupante (IUCN 3.1) [1] | |||||||||||||||||
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| Nome binomial | |||||||||||||||||
| Sitta yunnanensis Ogilvie-Grant, 1900 | |||||||||||||||||
| Distribuição geográfica | |||||||||||||||||
![]() Área de distribuição da trepadeira-do-iunão
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A trepadeira-do-iunão (Sitta yunnanensis)[2] é uma espécie de ave da família Sittidae. Foi descrita pela primeira vez pelo ornitólogo escocês William Robert Ogilvie-Grant em 1900, com base em um holótipo macho. Trata-se de uma trepadeira de pequeno porte, com cerca de 12 cm de comprimento e peso entre 7,5 e 13 g. As partes superiores cinza-azuladas contrastam com as partes inferiores claras, lisas e de tom bege-rosado. Possui uma sobrancelha branca fina acima de uma faixa ocular preta, que se destaca quando a plumagem está nova, exibindo um leve grau de dimorfismo sexual. É uma ave barulhenta, emitindo sons nasais simples, às vezes em séries repetitivas.
Sua ecologia não é bem conhecida, mas sabe-se que se alimenta de insetos capturados em galhos de pinheiros. Pode ser encontrada nas prefeituras de Iunão, Sujuão e Guizhou, no sudoeste da China, onde prefere florestas de pinheiros esparsamente arborizadas e evita florestas densas de píceas e abetos. Geralmente é rara, mas pode ser localmente comum. Sua área de distribuição é pequena, com cerca de 170.000 km². Um estudo de 2009 previu que sua população pode diminuir entre 43,6% e 47,7% entre 2040 e 2069.
Taxonomia
A trepadeira-do-iunão foi descrita como Sitta yunnanensis pelo ornitólogo escocês William Robert Ogilvie-Grant em 1900, com base em um holótipo macho trazido do sul de Iunão pelo Capitão Alfred Wingate.[3] Foi classificada no subgênero Micrositta por Buturlin em 1916.[4] Não há subespécies reconhecidas.[5][6]
O grupo canadensis, também chamado de subgênero Micrositta,[4] inclui seis espécies: a trepadeira-do-iunão, a trepadeira-azul-do-canadá (S. canadensis), a trepadeira-chinesa (S. villosa), a trepadeira-corsa (S. whiteheadi), a trepadeira-azul-do-levante (S. krueperi) e a trepadeira-azul-da-argélia (S. ledanti). Em 1953, os ornitólogos holandeses Karel Voous [en] e John G. van Marle consideraram que a trepadeira-do-iunão formava uma conexão entre os grupos canadensis e europaea, sendo muito próxima do grupo canadensis, do qual seria um representante basal em termos de distribuição e plumagem.[7] Em 1957, Charles Vaurie postulou que a trepadeira-do-himalaia era a parente mais próxima da trepadeira-do-iunão.[8] Em 1998, Eric Pasquet estudou o DNA mitocondrial de cerca de dez espécies de trepadeiras, incluindo as do grupo canadensis, mas a trepadeira-do-iunão não foi incluída.[9] Em 2014, Éric Pasquet e colegas publicaram uma filogenia baseada em DNA nuclear e mitocondrial de 21 espécies de trepadeiras, confirmando as relações do estudo de 1998 dentro do grupo canadensis e incluindo a trepadeira-do-iunão, que foi considerada a espécie mais basal do grupo.[10]
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Descrição

As partes superiores da trepadeira-do-iunão são cinza-azuladas, incluindo o píleo, embora separado do manto superior por uma área mais clara. Possui uma sobrancelha branca fina, que se estende até a testa e sobrepõe uma faixa ocular preta, que se alarga significativamente na parte posterior, nas laterais do manto. O olho é circundado por um fino círculo branco, e a bochecha e a garganta são brancas. As partes inferiores são lisas e claras, de tom bege-rosado. O bico é fino e pontiagudo, e o cúlmen quase reto pode dar a impressão de que a ponta do bico está voltada para cima.[7] As íris são marrom-escuras, o bico é cinza-escuro com a base da mandíbula inferior amarelada, e as pernas e pés são marrom-acinzentados.[7] A trepadeira-do-iunão é pequena, medindo cerca de 12 cm de comprimento,[7] com a corda máxima de 69,5 a 74 mm em machos e de 67 a 74 mm em fêmeas. A cauda mede de 35 a 41 mm nos machos e de 36 a 38 mm nas fêmeas.[7]
A espécie apresenta pouco dimorfismo sexual, mas o preto da faixa ocular da fêmea é, normalmente, menos intenso, e suas partes inferiores são mais opacas e acinzentadas. A plumagem é nova a partir de agosto e desgasta-se gradualmente até a primavera seguinte.[7] Na plumagem desgastada, as pontas brancas das penas da sobrancelha se desgastam, tornando a linha da sobrancelha descontínua ou pouco visível. As partes superiores ficam mais opacas, menos azuis. As penas da cauda e das asas também se desgastam, mas as pontas cinza-azuladas das rectrizes persistem pelo menos até maio. As partes inferiores tornam-se mais opacas e "sujas", passando a um branco-acinzentado.[7] Os filhotes são mais opacos que os adultos, com a sobrancelha menos marcada e não se estendendo até a testa, às vezes quase ausente, consistindo em uma margem de píleo mais clara. A faixa ocular é menos larga, a bochecha é acinzentada, não branca. A garganta é mais branca, mas o restante das partes inferiores é mais opaco, cinza-canela, embora não tão claro quanto em um adulto com plumagem desgastada.[7] As partes superiores são mais opacas e acinzentadas.[7] O bico dos jovens é mais curto e tem uma base clara.[7] Os adultos passam por uma muda completa de julho a setembro e, possivelmente, uma muda parcial antes da temporada de reprodução, em janeiro e fevereiro, que inclui o peito.[7]
A trepadeira-gigante pode ocorrer no mesmo tipo de habitat que a trepadeira-do-iunão, mas é muito maior e não possui sobrancelha branca. A trepadeira-de-barriga-cinzenta é mais próxima em tamanho, mas tem flancos avermelhados e não apresenta sobrancelhas brancas.[7]
Ecologia e comportamento
Vocalizações
A trepadeira-do-iunão é uma ave bastante barulhenta, emitindo diversos sons individuais: nit, kni, tit, pit ou um toik grave e nasal. Seu chamado, nit, é repetido em séries de quatro a dez segundos, com cinco a seis repetições por segundo, produzindo sons como kni-kni-kni, kit-kit-kit, pi-pi-pi ou um nasal niew-niew-niew.[7] Também emite um chamado áspero schri-schri-schri ou szi-szi-szi, uma característica compartilhada por outras trepadeiras pequenas. Às vezes, produz um chamado ziew-ziew-ziew em séries calmas de três notas por segundo, e pode emitir chamados nasais como quit-quit-quit, schu-schu-schu ou tui-tui-tui.[7]
Alimentação e reprodução
A dieta da trepadeira-do-iunão não é bem conhecida, mas sabe-se que ela consome insetos capturados em galhos de pinheiros. Há poucas informações sobre sua reprodução, mas uma fêmea coletada em março estava próxima de botar ovos, enquanto trepadeiras-do-iunão recém-nascidas foram coletadas em maio.[7][11]
Distribuição e habitat

A trepadeira-do-iunão é endêmica do sudoeste da China, ocorrendo principalmente nas prefeituras de Iunão, Sujuão e Guizhou.[7] Um estudo publicado em 2003 identificou a espécie como endêmica da China, com as Montanhas Hengduan [en] como principal área de endemismo, mas a ave também ocorre no distrito de Anjaw, em Arunachal Pradexe, na Índia.[12]
A trepadeira-do-iunão é uma espécie sedentária. Habita florestas de pinheiros com sub-bosque esparso, evitando florestas densas de píceas e abetos. Ocasionalmente, ocorre em pequenos pinheiros de 2 a 3 m de altura, em florestas abertas ou entre grupos dispersos de árvores.[7] No verão, vive em altitudes entre 2.440 e 3.960 m acima do nível do mar, descendo para vales no inverno, até 1.200 m. Contudo, foi observada entre 2.600 e 4.000 m entre novembro e janeiro no condado de Shuangbai [en].[7]
Ameaças e proteção
Em 1987, o ornitólogo chinês Tso-hsin Cheng [en] descreveu a trepadeira-do-iunão como rara,[13] mas ela é localmente comum em áreas como as florestas de pinheiros de Lijiang. Sua área de distribuição é pequena, cerca de 170.000 km²,[14] e a espécie desapareceu de vários locais no início do século XX.[11] Está ameaçada pela destruição de habitat e depende de florestas de pinheiros antigos, mas também parece habitar ambientes degradados.[7] Um estudo de 2009 tentou prever os efeitos das alterações climáticas sobre trepadeiras na Ásia, indicando que a distribuição da trepadeira-do-iunão pode diminuir entre 43,6% e 47,7% entre 2040 e 2069.[15] A espécie já foi classificada como espécie quase ameaçada pela União Internacional para a Conservação da Natureza, mas, desde 2023, é considerada espécie pouco preocupante.[2]
Referências
- ↑ BirdLife International (2023). «Sitta yunnanensis». Lista Vermelha de Espécies Ameaçadas. 2023: e.T22711192A225231389. doi:10.2305/IUCN.UK.2023-1.RLTS.T22711192A225231389.en
. Consultado em 2 de novembro de 2024
- ↑ a b BirdLife International (2023). «Sitta yunnanensis». Lista Vermelha de Espécies Ameaçadas. 2023: e.T22711192A225231389. doi:10.2305/IUCN.UK.2023-1.RLTS.T22711192A225231389.en
. Consultado em 2 de novembro de 2024
- ↑ New species from southern China Collected by Capt. Wingate AMS. 10. [S.l.]: Bulletin of the British Ornithologists' Club. 1900. p. 37
- ↑ a b Matthysen, Erik (2010). «Appendix I ("Scientific and Common Names of Nuthatches")». The Nuthatches (em inglês). [S.l.]: A & C Black. pp. 269–270. ISBN 9781408128701
- ↑ «Nuthatches, Wallcreeper, treecreepers, mockingbirds, starlings & oxpeckers». Version 6.4. International Ornithological Congress (IOC) World Bird List. 22 de outubro de 2016. Family Sittidae. Cópia arquivada em 22 de dezembro de 2016
- ↑ Alan P. Peterson (18 de agosto de 2014). «World Birds Taxonomic List: Genera and species with citations». Zoological Nomenclature Resource. Consultado em 2 de janeiro de 2015
- ↑ a b c d e f g h i j k l m n o p q r s Harrap, Simon (1995). Christopher Helm, ed. Chickadees, Tits, Nuthatches and Treecreepers (em inglês). Ilustrado por David Quinn. [S.l.]: Princeton University Press. pp. 143–144. ISBN 0-691-01083-8
- ↑ «Systematic Notes on Palearctic Birds» (PDF). digitallibrary.amnh.org. 29 de novembro de 1957. Consultado em 19 de maio de 2020
- ↑ Pasquet, Eric (19 de maio de 1998). «Phylogeny of the nuthatches of the Sitta canadensis group and its evolutionary and biogeographic implications». Ibis. 140 (1): 150–156. doi:10.1111/j.1474-919X.1998.tb04553.x – via Wiley Online Library
- ↑ a b Eric Pasquet; Keith F. Barker; Jochen Martens; Annie Tillier; Corinne Cruaud; Alice Cibois (Abril de 2014). «Evolution within the nuthatches (Sittidae: Aves, Passeriformes): molecular phylogeny, biogeography, and ecological perspectives». Journal of Ornithology. 155 (3): 755–765. doi:10.1007/s10336-014-1063-7
- ↑ a b del Hoyo, Josep; Elliott, Andrew; Christie, David A. (2008). Handbook of the Birds of the World. 13: Penduline-tits to Shrikes. [S.l.]: Lynx Edicions. p. 136
- ↑ Fu-Min, Lei; Yan-Hua, Qu; Jian-Li, Lu; Yao, Liu; Zuo-Hua, Yin (Fevereiro de 2003). «Conservation on diversity and distribution patterns of endemic birds in China». Biodiversity & Conservation. 12 (2): 239–254. doi:10.1023/A:1021928801558
- ↑ A synopsis of the avifauna of China. Pequim: Science Press. 1987. ISBN 9783490125187
- ↑ «Yunnan nathatch». BirdLife. Consultado em 2 de janeiro de 2015
- ↑ Menon, Shaily (Agosto de 2003). Projected climate change effects on nuthatch distribution and diversity across Asia. 57. [S.l.]: The Raffles Bulletin of Zoology. pp. 569–575


