Tomada de Fez (1554)

Tomada de Fez (1554)
Data7 de janeiro de 1554
LocalCudiate Almaali, Fez, Marrocos
DesfechoVitória argelino-otomana
Mudanças territoriaisFez torna-se vassala do Império Otomano
Comandantes
Salá Reis
Alboácem Ali ibne Maomé
Maomé Axeique
Forças
cerca de seis mil mosqueteiros
Mil sipahis
Quatro mil cavaleiros cabilas
até 30 mil cavaleiros
10 mil infantes
Baixas
desconhecidas desconhecidas

A Tomada de Fez (1554) foi uma operação militar ocorrida em 7 de janeiro de 1554, nos arredores de Fez, conduzida pelas forças da Regência de Argel, sob o comando de Salá Reis, contra o exército do Sultanato Sádida, liderado por Maomé Axeique. A ofensiva resultou na tomada da cidade e na restauração temporária de Alboácem Ali ibne Maomé, último sultão do Sultanato Oatácida, como governante de Fez, sob vassalagem ao Império Otomano.[1]

Contexto

Desde o final do século XV, o Sultanato Oatácida enfrentava um processo contínuo de enfraquecimento político, marcado pela perda do litoral atlântico para potências ibéricas e pela erosão de sua legitimidade interna. Paralelamente, emergia no sul de Marrocos a dinastia sádida, que passou a disputar o controle do país com base em legitimidade religiosa e capacidade militar.[2]

Em 1549, os sádidas conquistaram Fez, forçando Alboácem Ali ibne Maomé ao exílio. Buscando recuperar o trono, o sultão oatácida reconheceu formalmente a soberania do sultão otomano e obteve apoio da Regência de Argel.[2][3]

A campanha

Em 1553, Salá Reis, paxá de Argel, lançou uma expedição terrestre em direção a Fez, após vitórias contra os sádidas na Batalha de Taza e em confrontos ao longo do rio Sebu.[4]

As forças argelino-otomanas eram compostas por contingentes de mosqueteiros, sipahis e cavaleiros aliados, enquanto Maomé Axeique reuniu um exército numericamente superior para defender Fez, embora menos equipado em artilharia.[5]

A tomada de Fez

Após um primeiro confronto próximo a Taza, as forças sádidas recuaram para as proximidades de Fez. Aproveitando-se da superioridade de sua artilharia, Salá Reis lançou um ataque noturno decisivo entre 4 e 5 de janeiro de 1554, culminando no confronto em Cudiate Almaali, subúrbio da cidade.[6]

As tropas da Regência de Argel entraram em Fez na noite de 7 para 8 de janeiro de 1554. Alboácem Ali ibne Maomé foi proclamado sultão de Fez como vassalo do sultão otomano, restaurando temporariamente o governo oatácida na capital.[1]

Consequências

A ocupação argelino-otomana de Fez provocou forte instabilidade urbana, marcada por saques, violência contra civis e tensões com a população local. Após cerca de quatro meses, Alboácem Ali ibne Maomé negociou a retirada das tropas estrangeiras.[7]

Sem o apoio otomano, o governo oatácida revelou-se incapaz de resistir à reorganização militar sádida. Em setembro de 1554, Alboácem Ali ibne Maomé foi derrotado e morto na Batalha de Tadla, evento que marcou o fim definitivo do Sultanato Oatácida e consolidou o domínio do Sultanato Sádida sobre Marrocos.[8]

Ver também

Referências

  1. a b The Cambridge History of Africa. 3. [S.l.]: Cambridge University Press. p. 406 
  2. a b Abun-Nasr, Jamil M. (1987). A History of the Maghrib in the Islamic Period. [S.l.]: Cambridge University Press. p. 156 
  3. Smith, Richard Lee (2006). Ahmad Al-Mansur: Islamic Visionary. [S.l.]: Pearson Longman. p. 11 
  4. Abitbol, Michel (2014). Histoire du Maroc. [S.l.]: Tempus. p. 157 
  5. Kaddache, Mahfoud (1998). L'Algérie durant la période ottomane. [S.l.]: Office des publications universitaires 
  6. Mercier, Ernest (1891). Histoire de l'Afrique septentrionale. [S.l.: s.n.] pp. 75–88 
  7. Morgan, J. (1728). History of Algiers. 2. [S.l.: s.n.] p. 378 
  8. Abun-Nasr, Jamil M. (1987). A History of the Maghrib in the Islamic Period. [S.l.]: Cambridge University Press. p. 157