To Have and Have Not

 Nota: Se procura livro de Ernest Hemingway, veja To Have an Have Not (livro).
To Have and Have Not
To Have and Have Not
Cartaz de lançamento
No Brasil Uma aventura na Martinica
Em Portugal Ter Ou não ter
Estados Unidos
1944 •  p&b •  100 min 
Gênero aventura
romance de guerra
Direção Howard Hawks
Produção Howard Hawks
Jack L. Warner
Roteiro Jules Furthman
William Faulkner
Baseado em To Have and Have Not
livro lançado em 1937, de Ernest Hemingway
Elenco Humphrey Bogart
Walter Brennan
Lauren Bacall
Dolores Moran
Hoagy Carmichael
Música Franz Waxman
William Lava (não-creditado)
Cinematografia Sidney Hickox
Edição Christian Nyby
Distribuição Warner Bros.
Lançamento 11 de Outubro de 1994 (Nova York)
Idioma inglês
Orçamento US$ 1.68 milhões[1]
Receita US$ 5.3 milhão[1]

To Have And Have Not (Brasil: Uma aventura na Martinica / Portugal: Ter Ou não ter)[2][3] é um filme de aventura e romance de guerra americano de 1944 dirigido por Howard Hawks, vagamente baseado no romance homônimo de Ernest Hemingway de 1937. É estrelado por Humphrey Bogart, Walter Brennan e Lauren Bacall com Dolores Moran, Hoagy Carmichael, Sheldon Leonard, Dan Seymour e Marcel Dalio no elenco. A trama, centrada no romance entre um pescador autônomo na Martinica e uma bela americana, é complicada pela crescente resistência francesa na França de Vichy.

Hemingway e Hawks eram amigos próximos e em uma viagem de pesca, ele disse ao romancista que poderia fazer um ótimo filme de seu pior livro revelando não gostar de To Have and Have Not. Jules Furthman escreveu o primeiro roteiro, que, assim como o livro, foi ambientado em Cuba. No entanto, a ambientação foi alterada para ser ambientado na Martinica francesa porque o retrato do governo de Cuba foi considerado uma violação da política de Boa Vizinhança dos Estados Unidos. O amigo do diretor, William Faulkner acabou sendo o principal roteirista, monitorando as revisões e reformulando trechos devido ao Código Hays. As filmagens começaram em 29 de fevereiro de 1944 e terminaram em 10 de maio.

O filme estreou em Nova York em 11 de outubro de 1944. A recepção do público foi, geralmente positiva. As críticas foram mistas, com muitos afirmando que tratava-se de um remake de Casablanca (1942). Os críticos mencionaram especificamente a atuação de Lauren Bacall ou a química entre Humphrey Bogart e ela na tela, eles iniciaram um relacionamento durante a produção e se casaram em 1945, após o lançamento da produção. To Have and Have Not foi um dos 10 filmes de maior bilheteria de 1944 e recebeu um prêmio do National Board of Review.

Enredo

Bacall, Dalio e Bogart contracenando juntos

No verão de 1940, Harry "Steve" Morgan (Humphrey Bogart) opera um barco de pesca esportiva, o Queen Conch em Fort-de-France, na colônia francesa da Martinica. Não faz muito tempo desde a queda da França e a ilha está sob o controle da França de Vichy que é pró-Hitler. Harry ganha a vida modestamente fretando barcos para turistas, tripulado por seu amigo tagarela Eddie (Walter Brennan). Ele cuida carinhosamente de Eddie, um antigo camarada de confiança reduzido a um bêbado. A ilha é um barril de pólvora de dissidência, abrigando muitas pessoas simpatizantes da França Livre. O atual cliente de Harry, Johnson (Walter Sande), deve a ele US$ 825. Johnson insiste que não tem dinheiro suficiente para quitar sua conta, mas promete receber os fundos quando os bancos abrirem no dia seguinte.

De volta ao seu hotel, Harry é abordado pelo proprietário, Gérard (Marcel Dalio) - conhecido como "Frenchy" pelos falantes de inglês - que o incentiva a ajudar a Resistência Francesa contrabandeando algumas pessoas para a ilha. Harry se recusa terminantemente, optando por se manter afastado da atual situação política. Ainda no hotel, o protagonista conhece Marie ("Slim") Browning (Lauren Bacall), uma jovem viajante americana recém-chegada de avião do Rio de Janeiro. Tentando evitar as investidas de Johnson, que está bêbado, ela se oferece para um dueto de "Am I Blue" com o pianista Cricket (Hoagy Carmichael) e seu grupo no bar do hotel. Observador atento, Harry percebe que Slim furta a carteira de Johnson e a segue até o quarto dela, do outro lado do corredor. Ele a obriga a entregar a carteira, que contém US$ 1.400 em cheques de viagem e uma passagem de avião para a manhã seguinte, antes da abertura dos bancos. Ao devolver a carteira a Johnson, Harry exige que ele assine os cheques para pagá-lo imediatamente. Nesse momento, um tiroteio em frente ao hotel entre a polícia e a Resistência se espalha para o bar, e Johnson é morto por uma bala perdida. A polícia leva Harry, Slim e Frenchy para interrogatório, confiscando a carteira de Johnson, o passaporte de Harry e seu próprio dinheiro quando ele se mostra combativo.

De volta ao hotel, Gérard se oferece para contratar Harry, agora praticamente sem dinheiro, para transportar os membros da Resistência Paul de Bursac (Walter Surovy) e sua esposa Hélène (Dolores Moran) de uma ilhota próxima para a Martinica. Harry aceita relutantemente. Enquanto isso, um romance sexualmente carregado se desenvolve entre Harry e Slim, que sente que Harry está começando a se apaixonar por ela. Suas esperanças são frustradas quando ele usa a maior parte do dinheiro que ganhou transportando os fugitivos para comprar uma passagem de volta para os Estados Unidos no próximo voo.

Bogart e Bacall, cuja atração na tela levou a um caso amoroso e depois a um casamento de longo prazo

Harry resgata os De Bursac, mas seu barco é visto e alvejado por um navio de patrulha da Marinha. De Bursac é ferido, mas Harry consegue escapar e transferir seus passageiros para um barco a remo previamente combinado. Ao retornar ao hotel, encontra Slim ainda lá, tendo escolhido ficar com ele. Os De Bursac estão escondidos no porão do hotel; a pedido de Frenchy, Harry remove a bala do ombro de Paul. Ele descobre que o casal veio à Martinica para ajudar um homem a escapar da colônia penal da Ilha do Diabo, a fim de auxiliar os Franceses Livres. De Bursac pede a ajuda de Harry nessa operação, mas Harry respeitosamente recusa.

A polícia retorna ao hotel e revela que reconheceu o barco de Harry na noite anterior. Eles também revelam que Eddie está sob custódia novamente, desta vez retendo bebidas alcoólicas dele para fazê-lo revelar os detalhes do plano de contrabando. Encurralado em seu quarto de hotel pelas autoridades de Vichy, Harry vira o jogo, matando um homem e mantendo o capitão da polícia Renard (Dan Seymour) sob a mira de uma arma. Ele o força a ordenar a libertação de Eddie e assinar os passes do porto. Harry, Eddie e Slim então seguem juntos para o Queen Conch com a intenção de se encontrar com Frenchy e os De Bursacs, para libertar o homem da Ilha do Diabo.

Elenco

Left to right: Dan Seymour, Aldo Nadi, Humphrey Bogart, Sheldon Leonard, Marcel Dalio e Lauren Bacall em To Have and Have Not
  • Humphrey Bogart como Harry "Steve" Morgan. Uma escolha de elenco quase imediata, Bogart foi escalado pela Warner Bros no início de 1943.[4]
  • Walter Brennan como Eddie. Hawks se encontrou com Brennan para uma conferência de pré-produção em dezembro de 1943. O ator foi emprestado pela Goldwyn por US$ 2.500 por semana, de março a maio de 1944 para interpretar o personagem. O acordo previa que o nome de Brennan apareceria com 60% do tamanho do nome de Bogart nos créditos.[5]
  • Lauren Bacall como Marie "Slim" Browning. Na época da escalação, Bacall era uma modelo de 18 anos. Ela havia aparecido na capa da Harper's Bazaar e foi notada pela esposa de Hawks, Nancy "Slim" Keith , que mostrou a foto da capa ao marido.[4] O diretor então procurou Bacall em abril de 1943 e a contratou para o papel, sendo sua primeira aparição no cinema. No filme, Harry a chama pelo apelido de "Slim", e ela o chama de "Steve", os apelidos usados entre Keith e Hawks. O cineasta filmou seu teste de tela com o ator contratado John Ridgely em janeiro de 1944 com uma encenação de sedução com assobio.[6] Esta cena não era originalmente para entrar no filme, mas Jack L. Warner disse a Hawks que ele precisava integrá-la ao filme, e então ela foi posteriormente adaptada para o longa-metragem.[7] Após o teste de tela, o diretor assinou seu primeiro contrato pessoal com uma atriz até então desconhecida e depois de completar dezenove anos, Hawks mudou seu nome de Betty Perske, usando uma variação do nome de solteira de sua mãe, "Bacall", para seu novo sobrenome.[8][9] O cineasta teve que decidir se o interesse amoroso em To Have and Have Not seria dividido entre duas atrizes ou ficaria apenas com Bacall. A Warner Bros. não estava interessada em um filme estrelado por uma atriz desconhecida e exigiu que Hawks fizesse testes com algumas das atrizes do estúdio, como Dolores Moran e Georgette McKee.[10] Entretanto, ele estava confiante em Bacall e acreditava que só precisava convencer Feldman, Warner e Bogart.[11] A intérprete recebeu a oferta do papel no início de 1944, com metade de seu contrato pertencendo a Hawks e a outra metade à Warner.[12]
  • Dolores Moran como Mme Hélène de Bursac. Ann Sheridan foi considerada para o papel de Sylvia/Helen quando sua personagem teve um papel maior no filme. Com o personagem de Sylvia/Helen sendo reduzido, Moran foi escalada para um contraste mais voluptuoso com a esbelta Bacall.[11]
  • Hoagy Carmichael como Cricket. Um compositor proeminente, Carmichael foi descoberto por Hawks em uma festa. Este foi seu primeiro papel creditado no cinema e até então era mais conhecido por Topper (1937).[13]
  • Sheldon Leonard como Tenente Coyo
  • Walter Surovy como Paul de Bursac
  • Marcel Dalio como Gérard (francês). O ator já havia interpretado um francês ao lado de Bogart como Emil, o Croupier de Casablanca (1942).
  • Walter Sande como Johnson, o cliente inepto de Harry[14]
  • Dan Seymour como Capitão Renard. Seymour, que interpretou Abdul em Casablanca (1942), se inscreveu para interpretar um revolucionário cubano e ficou chocado ao perceber que seu personagem não estava no roteiro. Em vez disso, ele recebeu o papel de um policial de Vichy, e Hawks insistiu que ele engordasse (ele pesava 136 quilos na época), além de exibir um leve sotaque francês.[15]
  • Aldo Nadi como guarda-costas de Renard
  • Paul Marion como Beauclère
  • Eugene Borden como Intendente
  • Patricia Shay como Sra. Beauclère
  • Emmett Smith como Barman
  • Pat West como Barman
  • Cee Pee Johnson como baterista no Bar du Zombie (não creditado)[16][17]

Produção

o romancista Ernest Hemingway autor de To Have and Have Not

Em uma viagem de pesca de dez dias, o diretor independente Howard Hawks tentou persuadir o romancista Ernest Hemingway a escrever um roteiro para ele, mas o autor não estava interessado em trabalhar em Hollywood. O cineasta insistiu que poderia fazer um filme a partir da "pior história" de Hemingway.[18] Embora Hawks tivesse grande consideração pelas obras do escritor em geral, ele considerou To Have and Have Not um "monte de lixo" e disse isso a Hemingway. Ambos trabalharam no roteiro durante o restante da viagem de pesca.[19][20] Eles decidiram que a adaptação não se pareceria com o romance, mas contaria a história de como Morgan conheceu Marie. O personagem de Marie foi extensivamente alterado para o longa-metragem.[21]

Em maio de 1939, Hemingway vendeu os direitos do livro para a Hughes Tool Company, com quem Hawks tinha conexões. Ele comprou os direitos do livro em outubro de 1943 e os vendeu para a Warner Bros.[22] Como os direitos de To Have and Have Not oscilaram entre os vendedores, Hawks ganhou dez vezes mais dinheiro vendendo os direitos do que Hemingway. Ao saber disso, o autor teria se recusado a falar com o cineasta por "três meses".[23] O roteiro de To Have and Have Not tem pouca semelhança com o romance de Hemingway. As únicas semelhanças incluem o título, o nome e alguns traços de personalidade de Harry Morgan, o nome de Marie, o nome de Eddie e o nome e traços de personalidade de Johnson. Johnson é o único personagem que permaneceu o mesmo na adaptação condenar. O longa-metragem segue fielmente apenas com os quatro primeiros capítulos do livro.[24]

Roteiro

Howard Hawks recrutou Jules Furthman para trabalhar no roteiro. Concluído em 12 de outubro de 1943, o roteiro inicial tinha 207 páginas que se assemelhava mais ao romance do que o roteiro final.[25][26] No final de dezembro, Furthman havia concluído um roteiro revisado com sessenta páginas a menos.[6] Hawks o instruiu a alterar o personagem de Marie para ser mais sensual e masculino como Marlene Dietrich. Na versão anterior do roteiro, a bolsa da personagem de Lauren Bacall era roubada; após a revisão, ela saqueia a bolsa.[27] Grande parte da personalidade de Marie foi baseado na esposa de Hawks, Slim Keith. Algumas de suas falas supostamente vieram diretamente de Keith. E segundo ela, Furthman até a sugeriu que pedisse crédito pelo roteiro.[11] Houve uma segunda versão de roteiro sendo escrita caso a interpretação de Bacall não soasse convincente.[28] Furthman trabalhou no roteiro durante janeiro e fevereiro de 1944 e contratou Cleve F. Adams e Whitman Chambers para ajudá-lo.[29] Sendo por fim, concluído antes de 14 de fevereiro de 1944.[30]

Joseph Breen leu o roteiro e citou 36 diálogos que violam o Código Hays, citando que Morgan foi retratado como um assassino impune e as mulheres eram promíscuas. Ele afirmou que os personagens devem ser suavizados, o estúdio teve que remover todas as sugestões de relações sexuais inapropriadas entre homens e mulheres e que o assassinato deve ser esclarecido para parecer legítima defesa.[31] Como o filme foi filmado durante a Segunda Guerra Mundial, Hawks mudou o cenário de Cuba para a Martinica controlada por Vichy, conforme exigido pelo Gabinete do Coordenador de Assuntos Interamericanos para apaziguar o governo Roosevelt. Eles se opuseram à representação desfavorável do governo de Cuba em oposição à política de "Boa Vizinhança" do governo dos EUA em relação às nações latino-americanas.[32] O escritor William Faulkner foi chamado pelo diretor em 22 de fevereiro de 1944, para evitar recontar o conflito político entre a França Livre e o governo de Vichy no enredo e para satisfazer o departamento de censura. O escritor resolveu transferir a temática para Martinica, porque ele estava trabalhando em um enredo não produzido envolvendo Charles de Gaulle, então estava familiarizado com os detalhes.[33] Jules Furthman foi descartado do projeto após a contratação de William Faulkner.[34]

William Faulkner e Ernest Hemingway nunca se conheceram, mas To Have and Have Not é considerado por Charles M. Oliver a melhor adaptação para o cinema dos romances de Hemingway.[35] Para satisfazer o Código Hays, Faulkner escreveu que todos os personagens dormiriam no mesmo hotel, mas colocaram os quartos de Morgan e Marie um de frente para o outro para facilitar as interações entre eles, bem como reduziram o alcoolismo de Marie e removeram cenas em que Morgan parecia ser um assassino. Outras adições incluíram Marie se tornando o único interesse romântico de Morgan e o casal Helen e Paul virando membros da resistência anti-nazistas.[31] Finalmente, o roteirista fez o filme durar três dias ao invés de muitos meses como no livro.[36] Hawks pretendia que o roteiro fosse vagamente modelado em Casablanca (1942), que também estrelou Humphrey Bogart, esperando o mesmo sucesso que o longa-metragem havia encontrado nas bilheterias.[33]

Filmagem

A produção começou em 29 de fevereiro de 1944, com apenas 36 páginas do roteiro escritas, devido a mudanças exigidas pelo escritório do Código de Produção.[37] Faulkner teve muito pouco tempo entre a reconstrução dos cenários para continuar o roteiro, portanto, cada cena foi escrita três dias antes de ser filmada.[33] A leitura final do elenco foi feita em 6 de março de 1944, com as mudanças finais do roteiro concluídas em 22 de abril. Frase por frase, Hawks e Bogart mudaram o roteiro para criar um filme mais sexual e cômico.[38] Por exemplo, o diálogo "É ainda melhor quando você ajuda" não estava originalmente no roteiro e foi adicionado durante as encenações.[6] Após 62 dias, as gravações tiveram sua conclusão em 10 de maio de 1944.[39] Bogart e Hawks atuaram como seus próprios consultores técnicos por causa de sua experiência com pesca e vela.[40]

Após o início das filmagens, um romance se desenvolveu entre Bogart e Lauren Bacall, apesar da desaprovação de Hawks. O ator era casado e tinha 45 anos, mais que o dobro da idade da intérprete e mantiveram o relacionamento em segredo do resto da produção.[40] Esse caso acabou levando Bogart a se divorciar de Mayo Methot e um ano depois de To Have and Have Not se casou com Bacall e permaneceram casados até a morte do ator em 1957.[9][41] Hawks expandiu o personagem da atriz para aproveitar a química dos protagonistas. De acordo com o documentário "A Love Story: The Story of To Have and Have Not", incluído no lançamento do DVD de 2003, o cineasta reconheceu o potencial de estrela do filme para Bacall. Ele enfatizou o papel dela e minimizou as cenas de Dolores Moran, a outra protagonista feminina do longa-metragem (boatos posteriores informam que Hawks e Moran tiveram seu próprio caso durante a produção).[42] Duas semanas antes do fim das gravações, o diretor chamou Bacall para sua casa onde disse-lhe que Humphrey Bogart não a amava, que ela corria o risco de perder oportunidades de carreira e além de a ameaçar de mandar para a fazer filmes B da Monogram Pictures. A atriz ficou muito chateada e informou a conversa entre eles a Bogart.[43] Isso causou uma discussão entre Hawks e o ator, interrompendo a produção por duas semanas. O intérprete reconheceu seu poder e usou a negociação a seu favor. Depois de negociar com a Warner, Bogart recebeu um salário extra de US$ 33.000, desde que ele prometesse não mais paralisar a produção.[44]

Direção

Em sua autobiografia, Lauren Bacall descreveu o que chamou de "método de trabalho brilhantemente criativo" de Hawks no set. A artista descreveu que todas as manhãs no set, o diretor sentava-se com ela, Bogart e quem mais estivesse na cena em cadeiras em círculo enquanto uma assistente do roteirista lia a cena. Depois da leitura, o cineasta adicionava diálogos e insinuações sexuais entre os protagonistas, após isto, começavam a encenação e então Hawks os encorajava a se moverem livremente e fazerem o que fosse confortável para eles. Assim que terminam, o diretor de fotografia Sidney Hickox discutia sobre as configurações da câmera.[45]

De acordo com o biógrafo Todd McCarthy, To Have and Have Not é um filme quintessencial de Hawks. Contém personagens hawksianos clássicos, como o homem forte e sua contraparte feminina. Ele também afirma que, embora elementos de Hemingway, Faulkner e Casablanca (1942) possam ser encontrados no filme, ele representa a capacidade de expressão autoral do cineasta, afirmando que é, "sem dúvida, exatamente o trabalho que seu diretor pretendia que fosse, e não teria sido nada parecido com isso nas mãos de qualquer outra pessoa".[46]

Trilha sonora

Cricket, o pianista do hotel, foi interpretado pelo cantor e compositor Hoagy Carmichael. No decorrer do filme, Cricket e Slim interpretam "How Little We Know", de Carmichael e Johnny Mercer e "Am I Blue?" de Harry Akst e Grant Clarke. Eles também executam "Hong Kong Blues", de Carmichael e Stanley Adams junto com "The Rhumba Jumps".[47] A música "Baltimore Oriole" deveria ser o tema de Bacall para o longa-metragem, mas foi adicionada apenas como música de fundo na trilha sonora devido à inexperiência vocal da intérprete.[48] Tanto a música de fundo quanto a não diegética é mínima durante as cenas.[49] No entanto, a sua banda sonora, incluindo a faixa-título foi composta por Franz Waxman.[50] Uma sugestão musical, 7b, é creditada ao funcionário da equipe musical que se chama William Lava na partitura original.[51]

De acordo com o professor de estudos de cinema Ian Brookes, Howard Hawks usa jazz, particularmente através de cenas de performance interraciais, para sublinhar o antifascismo na história de To Have and Have Not.[52] Um mito persistente é a de que o adolescente Andy Williams, uma futura estrela da música, dublou o canto para Bacall. De acordo com fontes confiáveis, incluindo Hawks e a atriz citada, isso não era verdade. Williams e também algumas cantoras foram testadas para dublar para Bacall por medo de que ela não tivesse as habilidades vocais necessárias. Mas esses medos foram ofuscados pelo desejo da intérprete fizesse seu próprio canto (talvez defendido por Bogart).[53] O boato é propagado no episódio "Three for the Road" de MacGyver quando um cinéfilo faz esta pergunta específica à sua esposa, e ela responde que Andy Williams, quando tinha 14 anos, dublou a voz de Lauren Bacall mesmo que já naquela época havia fontes contestando essa afirmação.[54][55][56] Adrienne L. McLean comenta que a voz baixa e grave da atriz ajuda a tornar este mito crível.[57]

Referências culturais

Em uma cena, Marie diz a Morgan: "Sou difícil de conseguir, Steve. Tudo o que você precisa fazer é me perguntar". Esta citação veio do filme Only Angels Have Wings (1939) no qual Jean Arthur afirma a Cary Grant: "Sou difícil de conseguir, Geoff. Tudo o que você precisa fazer é me perguntar".[58]

Lançamento

A Warner Bros. lançou To Have and Have Not em 11 de outubro de 1944.[59][60] Teve um relançamento em 4K Blu-ray pela Warner Archive Collection no dia 30 de agosto de 2016.[61]

Recepção

A recepção crítica de To Have and Have Not em sua época de lançamento foi mista e muitas vezes desfavorável. A publicidade inicial e grande parte da reação concentraram em Lauren Bacall, elogiando-a ou criticando seu papel como apenas um veículo midiático para chamar a atenção da imprensa. Alguns também criticaram a infidelidade do filme ao livro, já que apenas os primeiros quinze minutos se assemelham ao seu romance. Além disso, os americanos preocupados com a Segunda Guerra Mundial podem ter tido pouco interesse em um herói (Morgan) que rejeita consistentemente o compromisso e cujo único interesse na causa da França é financeiro, para ajudar a si mesmo e sua namorada (Marie).[62] No geral, os críticos chamaram o longa-metragem de um romance rápido e espirituoso, cujo enredo era apenas "uma desculpa para algumas boas cenas".[63] A Variety citou sua inferioridade em relação a Casablanca e outros melodramas da Warner Bros., mas reconheceu o sucesso de sua caracterização.[64] Outros até o consideraram um remake de Casablanca; A Time chamou-o de "um melodrama romântico metálico que milhões de cinéfilos esperam desde Casablanca". Entretanto a New York Variety foi mais mista, citando "engenhosos acessórios de produção", mas um enredo "muito instável".[63] O crítico de cinema americano James Agee gostou do longa-metragem, mas sentiu que Going My Way era melhor, porque To Have and Have Not se concentrou muito no "caráter e na atmosfera" em vez do enredo, estando muito mais interessado na atuação de Bacall do que nos temas antifascistas[65][66] e concluiu: "Mas To Have and Have Not não é um filme de ação nem um filme de Bogart. Sua história é, na verdade, apenas um pano de fundo vagamente pintado para um tipo de romance que os filmes quase esqueceram - o tipo em que os namorados abandonados são superficialmente indiferentes, mas essencialmente ardentes como chamas... Lauren Bacall tem personalidade cinematográfica para queimar, e ela queima ambas as pontas contra um meio incomumente pequeno. Sua personalidade é composta em parte por Bette Davis, [Greta] Garbo, [Mae] West, Marlene Dietrich, Harlow e Glenda Farrell, mas mais do que o suficiente dela é completamente nova para a tela".[67] O filme foi uma das dez produções de maior bilheteria de 1944. De acordo com os registros da Warner Bros, o filme arrecadou US$ 3.652.000 (US$ 65.230.000 em termos de 2024) no mercado interno e US$ 1.605.000 (US$ 28.670.000 em termos de 2024) no exterior, chegando perto dos altos ganhos de Casablanca.[68]

Posteriormente, a recepção tornou-se mais positiva. A crítica Pauline Kael escreveu: "Howard Hawks dirigiu este melodrama da Segunda Guerra Mundial, habilmente profissional e completamente agradável [...] Não se deixe enganar: é a mistura da Warner como antes — sexo e política — mas melhor desta vez".[69] No website agregador de críticas Rotten Tomatoes, To Have and Have Not tem uma taxa de aprovação de 95% com base em 37 avaliações e uma classificação média de 8,10/10. O consenso crítico afirma: "Com Howard Hawks dirigindo e Bogey e Bacall na frente das câmeras, To Have and Have Not se beneficia de vários níveis de química finamente ajustada - todos os quais se inflamam na tela".[70] O Metacritic, que usa uma média ponderada, atribuiu ao filme uma pontuação de 90 em 100, com base em 16 críticos, indicando "aclamação universal.[71]

Prêmio

Prêmio Categoria Pessoa Resultado
National Board of Review Awards[72] Melhor ator Humphrey Bogart Venceu

Análise

O roteirista e crítico de cinema Paul Schrader classificou o filme como noir, feito durante o primeiro período ou período de "guerra" do filme noir.[73] Alguns outros estudiosos categorizam o filme como noir, enquanto alguns não acreditam que Howard Hawks tenha feito um verdadeiro "noir".[74] Os nomes dos personagens em To Have and Have Not estão diretamente relacionados à sua personalidade. Personagens que devem despertar a simpatia do espectador são conhecidos por seus apelidos: Steve, Slim, Eddie, Frenchy e Cricket. Dessa forma, o cineasta cria a ilusão de um personagem, despojando-o de papéis sociais passados e presentes que podem ser associados a um sobrenome. Vilões ou personagens corrompidos são chamados por seus sobrenomes, como Johnson.[75]

Antifascismo

De acordo com o crítico de cinema inglês Robin Wood To Have and Have Not apresenta "uma das declarações antifascistas mais básicas que o cinema nos deu".[76] O filme retrata temas antifascistas comuns ao período por meio de sua ênfase na liberdade individual expressa pelo personagem de Bogart e por meio de sua representação de pessoas progredindo e trabalhando bem juntas.[77] Quando ele decide se juntar à causa da resistência, Morgan raciocina: "talvez porque eu goste de você e talvez porque eu não goste deles". O poder dessa declaração antifascista vem porque é instintiva, em vez de vir de uma ideologia esperada.[78] De forma mais geral, Hawks expressa um protesto contra o autoritarismo e a violação dos direitos individuais. O diretor, no entanto, alegou que não estava interessado em política e que o foco do filme estava no relacionamento entre Bogart e Bacall. Independentemente disso, os temas antifascistas aparecem no melodrama entre eles, que representam o indivíduo enfrentando aqueles que abusam de seu poder.[79] De acordo com Ian Brookes, durante a cena em que Bacall canta "Am I Blue?" com Hoagy Carmichael, sua voz baixa a estabelece como "um dos garotos" e, portanto, um "soldado" na causa antifascista.[80] Além disso, durante esta cena, os clientes do bar representam diferentes raças e são racialmente integrados a todo o espaço, desafiando as ideias de segregação racial durante o período.[81] A próxima música, "Hong Kong Blues" lembra a versão pré-guerra de Django Reinhardt. Isso representa o espírito de resistência francês, já que a música swing se tornou um símbolo de resistência na França, porque era o único exemplo disponível da cultura americana na França daquela época.[82]

Harry Morgan

Um tema comum de filmes de guerra como To Have and Have Not é a narrativa de conversão. Um indivíduo que originalmente não quer se envolver no esforço de guerra eventualmente se converte por meio de uma mudança de atitude e aceita seu dever como cidadão de participar nela. Junto com a transformação de Harry Morgan, a persona de Humphrey Bogart mudou ao longo dos anos, tornando-o uma importante decisão de elenco para o longa-metragem.[83] O protagonista representa o centro da história de To Have and Have Not e de acordo ele é a personificação da personalidade de Humphrey Bogart e do herói hawksiano.[84] Harry Morgan como personagem representa um mito que o público aceita como real, como os heróis de Homero.[85] Ele age em seus próprios interesses, mas não é auto indulgente, cuidando de seus "próprios negócios", faz o bem por causa da responsabilidade que sente que tem por seus companheiros.[85] Controlando e estabelecendo a moralidade do enredo através da distinção entre o que se faz e o que se é, o personagem de Bogart estabelece que a identidade pessoal de alguém não é determinada pelas ações se ela não permitir que isso aconteça. No filme, Slim rouba a carteira de Johnson e Harry ignora isso até certo ponto porque ele (Johnson) não pagou Morgan por seus serviços como capitão de barco. Quando ambos são abordados pelo personagem principal, Slim não demonstra vergonha, indicando que sua moralidade não foi afetada por suas ações. Johnson, no entanto, demonstra vergonha e não recebe simpatia porque revela que é definido por suas ações.[86] O protagonista é então direto mas faz um esforço para não julgar uma pessoa pelo seus atos.[79] Harry Morgan abrange as qualidades do herói "Hawksiano" devido à sua integridade pessoal e, ao mesmo tempo, poderia ser descrito como um herói do código Hemingway por causa de sua coragem e lealdade.[87]

Uma das maiores diferenças entre o filme e o romance é a resolução de Harry Morgan. No livro, Morgan é derrotado ao longo da trama e morre no final enquanto no longa-metragem, porém, o protagonista acaba vitorioso. Isso foi especificamente alterado por Hawks, pois ele não gostava de histórias sobre "perdedores".[88]

Legado

Com alguns considerando To Have and Have Not como um dos melhores de Hawks, o filme representa a única vez que dois vencedores do Prêmio Nobel, William Faulkner e Ernest Hemingway, trabalharam numa mesma produção cinematográfica.[89] Algumas das falas de Lauren Bacall se tornaram conhecidas por seu duplo sentido; como por exemplo: "You know how to whistle, don't you, Steve? You just put your lips together and... blow...", frase que figura na 34° posição na lista AFI's 100 Years...100 Movie Quotes do American Film Institute e posteriormente a instituição o colocou em 60° lugar na lista das maiores histórias de amor do cinema estadunidense.[90][91] Quando Humphrey Bogart foi enterrado, Bacall colocou um apito de ouro com a inscrição "If you want anything, just whistle" em seu caixão, uma referência à fala dela em seu primeiro filme juntos.[92]

Influências e adaptações

To Have and Have Not é conhecido por sua semelhança com filmes anteriores como Casablanca (1942), Marrocos (1930) e Garras Amarelas (1942).[93] Existem algumas semelhanças com o enredo de Casablanca de Michael Curtiz e ambas as histórias envolvem a Resistência Francesa. Outras mudanças de Hemingway tenderam na mesma direção, como a introdução de um pianista simpático como um personagem coadjuvante importante, ele não estava no livro de Hemingway e é paralelo ao Sam de Dooley Wilson. Vários membros do elenco de Casablanca também aparecem no filme; além de Humphrey Bogart, Marcel Dalio, Dan Seymour no filme de Michael Curtiz. Como em Casablanca, o personagem inicialmente relutante de Bogart auxilia os membros da Resistência. As únicas diferenças entre os longa-metragens estão na mudança da colônia francesa de Marrocos para Martinica e a personalidade femme fatale que junto com o final feliz da produção tornam To Have and Have Not um "anti-Casablanca".[94][95]

To Have and Have Not foi adaptado como uma peça de rádio de uma hora para o Lux Radio Theater com Bogart e Bacall reprisando seus papéis na tela, a produção teve a sua transmissão em 14 de outubro de 1946.[96] A Warner Brothers adaptou o romance uma segunda vez com o filme The Breaking Point (1950) de Michael Curtiz que dirigiu Casablanca (1942). Esta nova adaptação tem mais semelhanças com o romance que a versão de 1944, pois o roteirista Ranald MacDougall pretendia criar algo "mais modelado".[97][98] Apesar da fidelidade do filme ao romance, ele continua menos popular do que To Have and Have Not, embora Hemingway tenha dito que o remake "combinou com ele".[99] Uma releitura foi lançada em 1958 por Don Siegel intitulada de The Gun Runners, apesar do próprio diretor se sentir relutante com isto afirmou que "precisava do dinheiro".[100] Executado de forma rápida e barata, o autor Gene D. Phillips, The Gun Runners nada mais foi do que uma "exploração grosseira do livro de Hemingway".[101]

De 1951 a 1952, Humphrey Bogart e Lauren Bacall participaram de uma série semanal de aventura radiofônica de meia hora chamada Bold Venture, que pretendia ser um spin-off de To Have and Have Not.[102][103] Bacall to Arms é um curta-metragem de 1946 dos Looney Tunes que parodia cenas de To Have and Have Not e apresenta "Bogey Gocart" e "Laurie Bee Cool". Está incluído como um recurso especial no lançamento em DVD do longa-metragem.[104] A série televisiva de faroeste Cheyenne lançou em 1956 o episódio "Fury at Rio Hondo" que copia história e trechos de diálogos do filme de 1944, não dando os devido créditos a equipe de roteiristas de To Have and Have Not.[105] A cena da troca de chapéus é replicada no episódio piloto de Reprisal.

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