To Have an Have Not (livro)

To Have and Have Not
Autor(es)Ernest Hemingway
Idiomainglês
Gêneroficção
EditoraCharles Scribner's Sons
Lançamento1937
Páginas192

To Have and Have Not é um romance de Ernest Hemingway publicado em 1937 pela Charles Scribner's Sons que acompanha a história de Harry Morgan um capitão de barco pesqueiro de Key West, Flórida. Sendo então o segundo romance de Hemingway ambientado nos Estados Unidos, depois de The Torrents of Spring.

Escrito esporadicamente entre 1935 e 1937, e revisado enquanto visitava a Espanha durante a Guerra Civil Espanhola o romance retrata Key West e Cuba na década de 1930 e fornece um comentário social sobre aquela época e lugar. O biógrafo de Hemingway, Jeffrey Meyers, descreveu o romance como fortemente influenciado pela ideologia marxista à qual Hemingway foi exposto por seu apoio à facção republicana na Guerra Civil Espanhola enquanto o escrevia. A obra obteve uma recepção crítica mista.[1]

Enredo

O romance se passa principalmente em Key West e Havana durante a Grande Depressão e acompanha Harry Morgan, um veterano de guerra que sobrevive como capitão de um barco de aluguel. Quando os negócios entram em crise e ele não consegue sustentar a esposa Marie e as filhas, Morgan aceita transportar contrabando entre Cuba e a Flórida. A trama se torna cada vez mais sombria à medida que ele é forçado a se envolver em atividades ilegais, como tráfico de imigrantes chineses e ajuda a revolucionários cubanos, enfrentando traições, perdas e violência. A narrativa é fragmentada em três partes, alternando o ponto de vista de Morgan com o de outros personagens de Key West, o que amplia o retrato social da desigualdade e da corrupção da época.

Desenvolvimento e lançamento

To Have and Have Not começou como um conto — intitulado de "One Trip Across" na Cosmopolitan em 1934 — apresentando o personagem Harry Morgan. Um segundo conto foi escrito e publicado na Esquire em 1936, momento em que Hemingway decidiu escrever um romance sobre Harry Morgan. No entanto, a eclosão da Guerra Civil Espanhola atrasou seu trabalho.[2]

To Have and Have Not foi publicado pela Scribner's em 15 de outubro de 1937, com uma tiragem de primeira edição de aproximadamente 10.000 cópias. A Cosmopolitan publicou uma seção do romance como "One Trip Across" em 1934; a Esquire publicou uma seção como "The Tradesman's Return" em 1936.[3]

Adaptações

A adaptação de To Have and Have Not (1944), dirigida por Howard Hawks transformou profundamente a obra original: o enredo deixou de retratar a Flórida e Cuba da Grande Depressão para situar-se na Martinica sob domínio de Vichy durante a Segunda Guerra Mundial, inserindo o protagonista Harry Morgan (Humphrey Bogart) como um herói mais simpático e menos moralmente ambíguo do que no livro; o roteiro de Jules Furthman e William Faulkner também reforçou a dimensão romântica ao criar a icônica relação entre Morgan e Marie “Slim” Browning (Lauren Bacall), deslocando o peso narrativo das tensões sociais e econômicas para o charme, o suspense e o clima de resistência política. Inicialmente recebeu críticas negativas por sua semelhança com Casablanca (1942) mas atualmente é visto como um clássico.[4][5][6] A série televisiva de faroeste Cheyenne lançou em 1956 o episódio "Fury at Rio Hondo" que copia história e trechos de diálogos do filme de 1944, não dando os devido créditos a equipe de roteiristas de To Have and Have Not.[7]

Em 1950, o diretor Michael Curtiz dirigiu The Breaking Point estrelado por John Garfield e Patricia Neal sendo uma adaptação mais fiel do romance. Embora atualmente esquecido em comparação com a versão de 1944 ainda recebeu avaliações positivas da crítica especializada e do próprio Hemingway.[8][9][10]

Uma releitura foi lançada em 1958 por Don Siegel intitulada de The Gun Runners, apesar do próprio diretor se sentir relutante com isto afirmou que "precisava do dinheiro". Executado de forma rápida e barata, o autor Gene D. Phillips chamou The Gun Runners de uma "exploração grosseira do livro de Hemingway".[11]

Captain Khorshid (1987), dirigido por Nasser Taghvai, é uma adaptação livre de To Have and Have Not transposta para o sul do Irã, no Golfo Pérsico.[12]

Bibliografia

Referências

  1. Meyers 1985, p. 292–296.
  2. Baker 1972, p. 203–204.
  3. Oliver 1999, p. 327.
  4. Krzemienski, Ed (1 de agosto de 1999). «There's Something about Harry: To Have and Have Not as Novel and Film». Bright Lights Film Journal (em inglês). Consultado em 1 de outubro de 2025 
  5. Rothman, William, ed. (2003). «To Have and Have Not Adapted a Film from a Novel». Cambridge: Cambridge University Press. Cambridge Studies in Film: 158–166. ISBN 978-0-521-82022-6. Consultado em 1 de outubro de 2025 
  6. «To Have and Have Not». Rotten Tomatoes (em inglês). Consultado em 1 de outubro de 2025 
  7. Green, Paul (23 de janeiro de 2014). Roy Huggins: Creator of Maverick, 77 Sunset Strip, The Fugitive and The Rockford Files (em inglês). [S.l.]: McFarland. p. 59. Consultado em 27 de julho de 2025 – via Google Books 
  8. Barrett, Michael (21 de agosto de 2017). «How It Slips Away: 'The Breaking Point' Crosses Hemingway With Noir». PopMatters (em inglês). Consultado em 1 de outubro de 2025 
  9. «The Breaking Point». Rotten Tomatoes (em inglês). Consultado em 1 de outubro de 2025 
  10. «The Breaking Point Screens at L.A. Film Festival on Saturday». www.film-foundation.org. Consultado em 1 de outubro de 2025 
  11. Phillips, Gene D. (1980). Hemingway and film. Internet Archive. [S.l.]: New York : F. Ungar Pub. Co. pp. 63–65. ISBN 978-0804426954. Consultado em 1 de outubro de 2025 
  12. Eftekhari, Ali (23 de abril de 2017). «Classics Restored: Taghvai's Captain Khorshid Returns to Fajr Screen». Fajr International Film Festival (em inglês). Consultado em 1 de outubro de 2025