Thrigmopoeinae
Thrigmopoeinae
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Thrigmopoeinae é uma subfamília de tarântulas pertencente à família Theraphosidae. É endêmica dos Ghats Ocidentais, região montanhosa da Índia reconhecida como um dos principais hotspots de biodiversidade do planeta.[1] O grupo compreende aranhas de grande porte, escavadoras, com hábitos terrestres e presença de órgão estridulante usado para comunicação.
Taxonomia e histórico
A subfamília foi descrita por Reginald Innes Pocock em 1900. Durante mais de um século, manteve-se como um dos menores grupos dentro de Theraphosidae, com apenas dois gêneros reconhecidos: Haploclastus Simon, 1892 e Thrigmopoeus Pocock, 1899.
Em 2024, uma revisão taxonômica conduzida por Zeeshan A. Mirza resultou na descrição do novo gênero Cilantica e de quatro novas espécies, ampliando significativamente o conhecimento sobre o grupo.[1] A revisão baseou-se na reexaminação de material de museus e em coletas recentes realizadas ao longo dos Ghats Ocidentais.
O número de espécies da subfamília permanece em discussão. Publicações de 2014 a 2018 identificaram sinonímias entre espécies previamente descritas, como o caso de Cilantica devamatha e Thrigmopoeus psychedelicus, que foram reconhecidas como a mesma espécie.[2]
Um caso notável na história taxonômica da subfamília envolve o gênero Phlogiodes Pocock, 1899. Originalmente descrito como gênero separado, foi sinonimizado com Haploclastus por Raven em 1985. Uma tentativa de revalidação foi proposta por Mirza e Sanap em 2013, mas não obteve aceitação pela comunidade científica. Atualmente, Phlogiodes é considerado sinônimo júnior de Haploclastus, e suas espécies foram transferidas para este último gênero.
Gêneros
A subfamília compreende atualmente três gêneros:
- Haploclastus Simon, 1892 - descrito originalmente com base em espécimes da Índia. Inclui aranhas de coloração variável, algumas com policromatismo marcante.
- Thrigmopoeus Pocock, 1899 - gênero-tipo da subfamília, caracterizado por espécies robustas com carapaça e pernas predominantemente escuras.
- Cilantica Mirza, 2024 - gênero recém-descrito para acomodar espécies dos Ghats Ocidentais meridionais, incluindo formas anteriormente classificadas em outros gêneros.
Características morfológicas
Thrigmopoeinae distingue-se de outras subfamílias de Theraphosidae por características diagnósticas específicas. A superfície externa das quelíceras não apresenta escópula ou almofada de pelos plumosos. A superfície interna da coxa palpal apresenta cerdas aciculadas simples dispersas, ao contrário da subfamília relacionada Selenocosmiinae.
O órgão estridulante está localizado entre a quelícera e o segmento basal do palpo. Nas quelíceras, alguns pelos da porção posterior da franja oral são modificados formando um pequeno grupo de cerdas vibratórias. Nas maxilas adjacentes, há cerdas aciculadas rígidas dispostas regular ou irregularmente que raspam contra as da quelícera quando a maxila se move, produzindo um som sibilante.
As espécies apresentam dimorfismo sexual, com fêmeas geralmente maiores e mais robustas que os machos. O tamanho total varia entre 50 e 60 milímetros nos adultos, com carapaça medindo 20 a 30 milímetros de comprimento.
Distribuição e habitat
A subfamília é exclusivamente endêmica dos Ghats Ocidentais, cadeia montanhosa que se estende por aproximadamente 1.600 quilômetros ao longo da costa ocidental da Índia. Os Ghats Ocidentais são reconhecidos pela Conservation International como um dos 35 hotspots de biodiversidade global, caracterizados por alto endemismo e ameaças significativas.[3]
As espécies de Thrigmopoeinae habitam principalmente paisagens tropicais no sul e oeste da Índia, com registros concentrados nos estados de Kerala, Karnataka, Tamil Nadu e Maharashtra. As localidades-tipo de várias espécies incluem Kanara Ghats, Nilgiri Hills e regiões florestais de altitude.
As aranhas ocupam tocas não ramificadas revestidas com seda. As tocas apresentam entrada circular única, frequentemente ornamentada com folhas secas coladas formando uma pequena torre. A construção ocorre em barrancos de lama às margens de estradas e no chão de florestas, a alturas variando de 1 a 6 metros do solo.
Comportamento
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As espécies apresentam hábitos escavadores terrestres, permanecendo a maior parte do tempo em suas tocas. A atividade é predominantemente noturna, com saídas para forrageamento e reprodução.
O órgão estridulante é usado para comunicação, especialmente em situações de defesa ou corte. O som produzido pela fricção das cerdas modificadas serve como aviso para predadores potenciais.
Algumas espécies exibem policromatismo notável. Cilantica devamatha, por exemplo, apresenta duas formas de coloração distintas: forma rosa (com prossoma azulado e opistossoma rosado) e forma azul (com prossoma e opistossoma uniformemente azul-escuros). A mudança de coloração pode estar relacionada à idade, mas confirmação requer investigações adicionais.
Conservação
Por ser endêmica de um hotspot de biodiversidade, Thrigmopoeinae representa um grupo prioritário para conservação de invertebrados. Os Ghats Ocidentais perderam mais de 70% de sua vegetação original, e a perda de habitat continua sendo a principal ameaça.
A região abriga pelo menos 1.500 espécies de plantas vasculares endêmicas e concentra grande diversidade faunística. A fragmentação do habitat em complexos de montanhas isoladas ("ilhas de altitude") restringe o fluxo gênico entre populações e aumenta o risco de extinções locais.
Não há informações específicas sobre o status de conservação das espécies de Thrigmopoeinae em listas oficiais como a da IUCN. A ocorrência em áreas protegidas como parques nacionais e reservas florestais oferece algum nível de proteção, mas muitas populações habitam terras privadas ou áreas sem proteção formal.
Referências
- ↑ a b Mirza, Zeeshan A. (2024). «Systematics of the Western Ghats endemic tarantula subfamily Thrigmopoeinae with the description of a new genus and four new species». Travaux du Muséum National d'Histoire Naturelle "Grigore Antipa". 67 (2): 183-234. doi:10.3897/travaux.67.e112517
- ↑ Siliwal, Manju; Molur, Sanjay; Raven, Robert J. (2018). «A new synonym in the subfamily Thrigmopoeinae (Araneae: Theraphosidae) with notes on its distribution in the Western Ghats of India». Zootaxa. 4394 (1): 145-150. doi:10.11646/zootaxa.4394.1.10
- ↑ «World Spider Catalog». Natural History Museum Bern. Consultado em 17 de janeiro de 2026
Ligações externas
«Systematics of the Western Ghats endemic tarantula subfamily Thrigmopoeinae - Pensoft» (em inglês)
«A new synonym in the subfamily Thrigmopoeinae - PMC» (em inglês)
«World Spider Catalog» (em inglês)
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