Cilantica


Cilantica
Cilantica kayi, anteriormente classificada como Haploclastus kayi
Cilantica kayi, anteriormente classificada como Haploclastus kayi
Classificação científica
Reino: Animalia
Filo: Arthropoda
Subfilo: Chelicerata
Classe: Arachnida
Ordem: Araneae
Subordem: Mygalomorphae
Família: Theraphosidae
Subfamília: Thrigmopoeinae
Género: Cilantica
Mirza, 2024
Espécies
C. agasthyaensis

C. devamatha
C. kayi

Cilantica é um gênero de aracnídeos da família Theraphosidae, descrito em 2024 pelo herpetólogo e aracnólogo indiano Zeeshan A. Mirza, pesquisador do Max Planck Institute for Biology na Alemanha.[1] O gênero é endêmico da região do Palakkad Gap, nos Gates Ocidentais da Índia, e pertence à subfamília Thrigmopoeinae, um grupo de tarântulas exclusivo dessa cordilheira.[1][2]

As espécies de Cilantica são caracterizadas por um padrão distinto de cerdas nas pernas e pela presença de escópula densa nos tarsos e metatarsos das pernas anteriores.[1] São tarântulas de tamanho médio, com fêmeas adultas medindo entre 25 e 38 milímetros de comprimento do corpo, que habitam tocas em barrancos de córregos e áreas florestais.[1]

Etimologia

O nome do gênero Cilantica deriva da palavra tâmil silanthi (சிலந்தி), que significa "aranha", latinizada para formar o nome científico.[1] A escolha do nome reflete a distribuição geográfica do gênero na região de língua tâmil do sul da Índia.

Descrição

As espécies de Cilantica são tarântulas de porte médio, com fêmeas adultas apresentando comprimento total do corpo variando de 25 a 38 milímetros.[1] A carapaça é ligeiramente mais longa que larga, com coloração marrom-avermelhada a marrom-escura. A fóvea é recurvada e moderadamente profunda. As quelíceras são robustas e equipadas com rastelo bem desenvolvido, utilizado para escavação.[1]

Uma característica distintiva do gênero é o padrão de cerdas nas pernas. Os tarsos e metatarsos das pernas I e II apresentam escópula densa, enquanto os tarsos III e IV possuem escópula esparsa ou ausente. As unhas tarsais são bidentadas em todas as pernas.[1] O abdômen é oval, com coloração uniforme variando do cinza ao marrom-escuro, frequentemente com padrão sutilmente marmoreado.

As fêmeas de Cilantica apresentam comportamento reprodutivo característico, carregando sacos de ovos nas quelíceras por períodos prolongados.[1] As espécies constroem tocas tubulares em barrancos de córregos e encostas florestais, revestindo a entrada com seda.

Distribuição e habitat

O gênero Cilantica é endêmico da região do Palakkad Gap, uma importante descontinuidade biogeográfica nos Gates Ocidentais do sul da Índia.[1][3] Esta lacuna, com altitude mais baixa entre as partes norte e sul dos Gates Ocidentais, atua como barreira evolutiva, resultando em alto endemismo e especiação em diversos grupos taxonômicos.

As espécies habitam principalmente áreas de floresta tropical úmida e florestas montanas, em altitudes variando de 600 a 1.200 metros. São encontradas em barrancos de córregos perenes, encostas rochosas e áreas com vegetação densa.[1] A região do Palakkad Gap, localizada nos estados de Kerala e Tamil Nadu, é reconhecida como um dos centros de diversidade de tarântulas da Índia.

Espécies

O World Spider Catalog reconhece atualmente três espécies válidas no gênero Cilantica:[2]

Espécie Autoridade Distribuição
Cilantica agasthyaensis Mirza, 2024 Índia (Kerala)
Cilantica Devamatha (Prasanth & Sunil Jose, 2014) Índia (Kerala)
Cilantica kayi (Gravely, 1915) Índia (Kerala)

C. agasthyaensis é a espécie-tipo do gênero, descrita a partir de espécimes coletados nas colinas de Agasthyamala, em Kerala.[1] As outras duas espécies, C. devamatha e C. kayi, foram originalmente descritas no gênero Haploclastus e transferidas para Cilantica por Mirza em 2024.[1][2]

História taxonômica

O gênero Cilantica foi estabelecido por Zeeshan Mirza em 2024 como parte de uma revisão sistemática abrangente da subfamília Thrigmopoeinae.[1] A subfamília, endêmica dos Gates Ocidentais, havia permanecido taxonomicamente confusa por décadas, com várias espécies descritas em gêneros que posteriormente se mostraram inadequados.

Mirza transferiu duas espécies anteriormente classificadas no gênero Haploclastus para o novo gênero Cilantica: H. kayi (originalmente descrita por Gravely em 1915) e H. devamatha (descrita por Prasanth & Sunil Jose em 2014).[1] Adicionalmente, descreveu C. agasthyaensis como espécie-tipo do novo gênero.

No mesmo trabalho, Mirza propôs ressuscitar Cilantica psychedelicus (originalmente Thrigmopoeus psychedelicus Sanap & Mirza, 2014) como espécie válida, rejeitando a sinonímia com C. devamatha estabelecida por Sankaran & Sebastian em 2018.[1] Contudo, o World Spider Catalog não aceitou esta proposta, mantendo C. psychedelicus como sinônimo júnior de C. devamatha e reconhecendo apenas três espécies válidas no gênero.[2] A justificativa do catálogo baseia-se em critérios nomenclaturais específicos relacionados ao formato de publicação do artigo de Mirza.

Esta divergência taxonômica reflete debates em andamento na comunidade aracnológica sobre os limites de espécies no grupo e os critérios para validade de descrições científicas.[2]

Conservação

As espécies de Cilantica enfrentam ameaças significativas devido à sua distribuição restrita e à crescente pressão humana sobre os habitats dos Gates Ocidentais.[3] A região do Palakkad Gap, embora reconhecida como área de alta biodiversidade, sofre com desmatamento, expansão agrícola e desenvolvimento de infraestrutura.

Uma preocupação particular é o comércio ilegal de tarântulas para o mercado de animais de estimação. Mirza documentou que espécimes de Haploclastus devamatha (agora C. devamatha) apareceram à venda em mercados internacionais apenas oito meses após a descrição científica original da espécie em 2014.[3] Este padrão se repete com outras espécies raras de tarântulas indianas, que rapidamente se tornam alvos de coletores ilegais assim que suas localizações são publicadas em artigos científicos.

Para mitigar este problema, pesquisadores têm adotado a prática de omitir coordenadas geográficas precisas em descrições de espécies, fornecendo apenas informações gerais de localidade.[3] Mirza também advoga pela exigência de licenças de coleta por periódicos científicos e pelo incentivo ao consumo de espécimes criados em cativeiro certificado, em vez de animais potencialmente contrabandeados de países em desenvolvimento.[3]

Referências

  1. a b c d e f g h i j k l m n o p Mirza, Zeeshan A. (2024). «Systematics of the Western Ghats endemic tarantula subfamily Thrigmopoeinae with the description of a new genus and four new species». Travaux du Muséum National d'Histoire Naturelle "Grigore Antipa". 67 (2): 183-234. doi:10.3897/travaux.67.e112517 
  2. a b c d e «Genus Cilantica Mirza, 2024». World Spider Catalog. Natural History Museum Bern. Consultado em 17 de janeiro de 2026 
  3. a b c d e Kimbrough, Liz (29 de março de 2025). «Exploring India, finding new species: Interview with biologist Zeeshan Mirza». Mongabay. Consultado em 17 de janeiro de 2026 

Ligações externas

«Cilantica no World Spider Catalog» (em inglês) 

«Artigo original de descrição do gênero» (em inglês) 

«Cilantica no Wikispecies» (em inglês)