Thomas Roscoe Rede Stebbing
Reverendo Thomas Roscoe Rede Stebbing (6 de fevereiro de 1835, Londres – 8 de julho de 1926, Royal Tunbridge Wells) foi um zoólogo britânico que se descrevia como "um servo da história natural, principalmente dedicado aos crustáceos".[1] Educado em Londres e Oxford, ele só se dedicou à história natural após os trinta anos, tendo trabalhado como professor até então. Embora fosse um sacerdote anglicano ordenado, Stebbing promoveu o darwinismo em várias obras populares, o que resultou em sua proibição de pregar. Suas pesquisas científicas focaram principalmente nos crustáceos, especialmente os anfípodes e os isópodos, com destaque para seu trabalho sobre os anfípodes da expedição Challenger.
Sua abreviação de autor zoológico é Stebbing.[2]
Biografia

Thomas Roscoe Rede Stebbing nasceu em 6 de fevereiro de 1835, em Euston Square [en], Londres, o sétimo de treze[3][4] ou quatorze filhos,[5] de um clérigo e editor do Athenaeum, Henry Stebbing [en], e sua esposa, Mary Griffin.[1] Thomas foi educado na King's College School [en] e, posteriormente, ingressou no King's College de Londres, onde estudou clássicos,[5] graduando-se com um bacharelado em artes em 1855.[1] Ele então se matriculou no Lincoln College, em Oxford,[5] antes de estudar no Worcester College [en], onde obteve um bacharelado em direito e história moderna em 1857 e um mestrado em 1859. Durante esse período, foi professor no Radley College [en] e no Wellington College [en].[1] No Worcester College, ocupou diversos cargos, incluindo membro (1860–1868), tutor (1865–1867), vice-reitor (1865) e, eventualmente, decano (1866),[1] além de lecionar teologia.[5] Ele renunciou ao cargo de membro em 1868.[5] Foi ordenado na Igreja da Inglaterra por Samuel Wilberforce, Bispo de Oxford, em 1859.[5]
Em 1863, Stebbing começou a trabalhar como tutor em Reigate, Surrey, onde conheceu o entomologista William Wilson Saunders [en], cuja filha Mary Anne Stebbing [en] era uma habilidosa botânica e ilustradora.[1] Stebbing iniciou seus estudos em história natural nessa época e casou-se com Mary Anne em 1867.[1] Após o casamento, o casal mudou-se para Torquay, Devon, onde Stebbing continuou atuando como tutor e diretor de escola, começando a escrever sobre teologia, darwinismo e história natural, parcialmente influenciado pelo naturalista William Pengelly.[1]
Em 1873, Stebbing publicou seu primeiro artigo sobre crustáceos e começou a estudar os anfípodes no ano seguinte.[1] Em 1877, mudou-se para Royal Tunbridge Wells, onde viveu em Ephraim Lodge, próximo ao Tunbridge Wells Common, para aproveitar o maior número de alunos em Londres e estar mais perto de bibliotecas, museus e círculos científicos da capital.[5] Com a melhoria de suas finanças, ele pôde abandonar o ensino e se dedicar integralmente à escrita.[5] Faleceu em Ephraim Lodge em 8 de julho de 1926.[1] Seu funeral foi realizado na Igreja de São Paulo, em Rusthall [en], onde Stebbing ocasionalmente oficiava quando solicitado; como o cemitério da igreja era inadequado, seu corpo foi sepultado no cemitério público da cidade.[4] Sua esposa faleceu poucos meses depois.[3]
Evolução e religião
Formado como evangélico anglicano, Stebbing inicialmente esperava ser um firme opositor da recém-publicada teoria da evolução de Charles Darwin por seleção natural.[5] Ele relatou que, ao ler A Origem das Espécies, "ao invés de refutar, confesso que me tornei um ardente discípulo", adotando assim uma postura de racionalismo religioso.[5] Após uma crítica de A Descendência do Homem e Seleção em Relação ao Sexo no The Times em 1871, Stebbing ganhou notoriedade ao responder na revista Nature.[4][3]
Stebbing escreveu vários ensaios sobre o darwinismo, nos quais analisou os argumentos contrários à teoria e questionou aspectos do cristianismo,[5] incluindo a verdade literal do livro de Gênesis, a doutrina da Trindade, a divindade de Jesus, muitos dos Trinta e Nove Artigos, milagres e profecias.[1] Suas obras incluem Essays on Darwinism (1871), Faith in Fetters (1919) e Plain Speaking (1926).[1] Sua postura franca resultou em sua proibição de pregar, e ele nunca recebeu uma paróquia da igreja.[5]
Crustáceos

A maioria das obras científicas de Stebbing, composta por mais de 110 artigos, tratava de crustáceos anfípodes.[1] O reverendo Alfred Merle Norman, membro do Comitê Challenger, recomendou que Stebbing elaborasse uma monografia sobre os anfípodes coletados durante a expedição de 1872–1876 do HMS Challenger, o que ele fez, reproduzindo a descrição original de cada gênero e fornecendo uma extensa bibliografia do grupo.[1]
Ele também produziu uma monografia sobre os cumáceos, uma história natural dos crustáceos e uma biografia do naturalista escocês e fundador da Estação Biológica Marinha da Universidade de Millport, David Robertson.[1] Em 1906, Stebbing publicou o volume sobre Gammaroidea para a série Das Tierreich.[5]

Legado
Stebbing foi eleito Membro da Linnean Society of London em 5 de dezembro de 1895,[4] Membro da Royal Society em 4 de junho de 1896,[6] e recebeu a Medalha Linneana em 1908.[1] Ele defendeu vigorosamente a admissão de mulheres na Linnean Society of London, obtendo uma carta suplementar para permitir isso; sua esposa esteve entre as primeiras mulheres admitidas.[4]
Várias espécies de animais foram nomeadas em sua homenagem:[7]
- Hyale stebbingi Chevreux, 1888 (Amphipoda: Hyalidae)
- Parapodascon stebbingi (Giard & Bonnier, 1895) (Isopoda: Podasconidae)
- Argissa stebbingi Bonnier, 1896, sinônimo de Argissa hamatipes (Norman, 1869) (Amphipoda: Argissidae)
- Phronima stebbingii Vosseler, 1901 (Amphipoda: Phronimidae)
- Metapenaeus stebbingi [en] (Nobili, 1904) (Decapoda: Penaeidae)
- Protellopsis stebbingii Pearse, 1908 (Amphipoda: Caprellidae)
- Sphyrapus stebbingi Richardson, 1911 (Tanaidacea: Sphyrapidae)
- Macropisthopus stebbingi K. A. Barnard, 1916 (Amphipoda: Ampithoidae)
- Carpias stebbingi (Monod, 1933) (Isopoda: Janiridae)
- Pardaliscoides stebbingi Ledoyer, 1970 (Amphipoda: Pardaliscidae)
Publicações
- Stebbing, Thomas R. R. (1871). Essays on Darwinism. London: Longmans, Green and Co. OCLC 15051183
- —— (1871). «The "Times" Review of Darwin's "Descent of Man"». Nature. 3 (77): 488–489. Bibcode:1871Natur...3..488S. doi:10.1038/003488c0
- —— (1893). A History of Crustacea: Recent Malacostraca. London: Kegan Paul, Trench, Trübner & Co. OCLC 907584315
- —— (1900–1920). «On Some Crustaceans from the Falkland Islands collected by Mr. Rupert Vallentin». Proceedings of the Zoological Society of London. OCLC 670221777 (publicado em três partes, 1900, 1914, 1920)
- —— (1913). Cumacea (Sympoda). Col: Das Tierreich (em inglês). 39. Berlin: R. Friedlander und Sohn. OCLC 1895484 (em inglês)
Referências
- ↑ a b c d e f g h i j k l m n o p Eric L. Mills (Setembro de 2004). «Thomas Roscoe Rede Stebbing». Oxford Dictionary of National Biography online ed. Oxford University Press. doi:10.1093/ref:odnb/38300. Consultado em 10 de setembro de 2010 (Requer Subscrição ou ser sócio da biblioteca pública do Reino Unido.)
- ↑ «Australian Faunal Directory: Parawaldeckia». biodiversity.org.au (em inglês). Consultado em 11 de outubro de 2022
- ↑ a b c W. T. C. (1927). «Obituary Notices of Fellows Deceased». Proceedings of the Royal Society B. 101 (712): i–xxxviii. doi:10.1098/rspb.1927.0027
- ↑ a b c d e B. D. J. (1926–1927). «Thomas Roscoe Rede Stebbing». Proceedings of the Linnean Society of London. 139 (1): 101–103. doi:10.1111/j.1095-8312.1927.tb00076.x
- ↑ a b c d e f g h i j k l m «The Stebbing Collection». King's College London. Consultado em 7 de setembro de 2021. Cópia arquivada em 19 de outubro de 2010
- ↑ «List of Fellows of the Royal Society 1660–2007. K-Z» (PDF). Royal Society. Consultado em 10 de setembro de 2010
- ↑ Hans G. Hansson. «The Rev. Thomas Roscoe Rede Stebbing». Biographical Etymology of Marine Organism Names. Göteborgs Universitet. Consultado em 10 de setembro de 2010