Samuel Wilberforce

Samuel Wilberforce
Foto de Samuel Wilberforce por Lewis Carroll
Conhecido(a) porCrítica à Origem das Espécies
Nascimento
Morte
19 de julho de 1873 (67 anos)

Dorking, Surrey, Inglaterra
NacionalidadeBritânico
ProgenitoresMãe: -
Pai: William Wilberforce
OcupaçãoBispo da Igreja de Inglaterra
ReligiãoAnglicano

Samuel Wilberforce, FRS (Londres, 7 de setembro de 1805 - Surrey, 19 de julho de 1873), foi um bispo anglicano considerado um dos maiores oradores de sua época. Wilberforce foi Bispo de Oxford e Deão de Westminster. Ele é considerado um dos maiores oradores públicos de sua época.[1] Tornou-se conhecido por suas excessivas críticas a Charles Darwin e pelo debate com Thomas Henry Huxley, que teve lugar em Oxford, sobre o tema "Darwinismo e Sociedade".

Vida pregressa

Samuel Wilberforce era o terceiro filho de William Wilberforce, famoso político e ativista antiescravista. Seus pais eram religiosos e em vez de mandá-lo para a escola, eles o educaram de forma particular, sob a supervisão de uma série de professores religiosos.[1]

Em 1823, Wilberforce matriculou-se no Oriel College, Oxford. Embora ele e seus amigos de faculdade fossem excepcionalmente eruditos e religiosos, Wilberforce também apreciava atividades mais leves, como salto com barreiras e atletismo. Ele se formou em 1826 e dois anos depois foi ordenado padre anglicano.[1] Ele se alinhou a High Church e ao Alto Tory no começo de seu sacerdócio.[2]

Wilberforce casou-se em 11 de junho de 1828 com Emily Sargent (1807–1841), filha de John Sargent, e sua esposa Mary Smith, filha de Abel Smith. Eles tiveram cinco filhos que sobreviveram à primeira infância, uma filha e quatro filhos.[2]


Ele assumiu como cura-chefe em Checkenden, perto de Henley-on-Thames, Oxfordshire, onde iniciou sua carreira de destaque como um clérigo entusiasmado e competente. Em 1830, foi nomeado pároco de Brightstone, Ilha de Wight, até 1839, quando foi nomeado arquidiácono de Surrey. No ano seguinte, tornou-se pároco de Alverstoke, Hampshire.[1]

Em janeiro de 1841, Wilberforce foi nomeado capelão do príncipe Alberto, uma nomeação que ele deveu a um discurso antiescravista que havia feito alguns meses antes. Ele foi escolhido como palestrante Bampton daquele ano, na Universidade de Oxford, mas sua esposa Emily morreu em 10 de março e ele se retirou.[2] Em 1844, se tornou sub-esmoler da Rainha Vitória, o distribuidor oficial de esmolas aos pobres.[1]

Bispo Wilberforce, fotografia de Julia Margaret Cameron

Ao longo de seu ministério, promoveu ativamente a Igreja, introduzindo serviços extras e fundando escolas dominicais. Escritor prolífico, Wilberforce publicou coletâneas de hinos, sermões e contos, além de uma vasta produção epistolar. Destaca-se, em 1838, uma publicação sobre a vida de seu pai, escrita com seu irmão Robert. Samuel ficou especialmente conhecido como um dos principais oradores de sua época. Dentro das disputas entre Protestantismo e do Catolicismo Romano na Inglaterra, ele seguiu um caminho cauteloso entre os dois lados opostos. Devido a sua desenvoltura nos argumentos, seus críticos o chamavam de "Sam, o Saboneteiro".[1]

Em março de 1845, Wilberforce aceitou o cargo de Deão de Westminster e depois, em outubro do mesmo ano, foi nomeado bispo de Oxford por Sir Robert Peel, Primeiro-ministro do Reino Unido.[1][2] Nesse ano, também, ele foi eleito membro da Royal Society.[3] Entre 1847-1869, foi alto esmoler da Rainha Vitória. Em 1854, abriu uma faculdade de teologia em Cuddesdon. Permaneceu como bispo de Oxford até 1869, quando foi transferido para Winchester.[1]

Wilberforce morreu em um acidente a cavalo em 19 de julho de 1873, perto de Abinger, Surrey. Ele estava a caminho de visitar William Ewart Gladstone em Holmbury St Mary, com Lord Granville.  Ele foi enterrado em East Lavington com sua esposa e sua irmã.[2]

Debate sobre o darwinismo

Caricatura de Wilberforce no debate Huxley-Wilberforce de 1860, publicada na Vanity Fair, 1869

Em 30 de junho de 1860, Wilberforce tomou parte em um famoso debate sobre a Evolução das Espécies na Universidade Oxford com o aclamado cientista Thomas Henry Huxley. Embora se opusesse a Charles Darwin, Wilberforce tinha grande interesse em história natural e possuía um conhecimento razoável do assunto. Enquanto preparava seu discurso, pediu conselhos a Richard Owen, um eminente cientista muito religioso que também rejeitava a teoria da evolução.[1]

A conferência científica no Museu de História Natural da Universidade de Oxford reuniu mais de 700 pessoas. Wilberforce subiu ao pódio primeiro. Após apresentar seu caso com eloquência, tentou minar os apoiadores de Darwin com uma pergunta provocativa: Thomas Huxley descendia de um macaco por parte do avô ou da avó? Huxley, outro orador público formidável, respondeu categoricamente que não tinha vergonha de sua ascendência, mas que "teria vergonha de estar ligado a um homem que usou grandes dons para obscurecer a verdade".[1]

A sugestão de Huxley de que ele preferiria ter um macaco como ancestral a um bispo causou alvoroço. Uma senhora desmaiou enquanto Robert FitzRoy, capitão de Darwin em sua viagem a bordo do Beagle, brandia uma Bíblia e implorava à plateia que tivesse fé em Deus. Muitos relatos interpretaram que Huxley "venceu" a luta, mas o debate em si foi um avanço para os darwinistas, marcando uma virada na história da ciência, já que antes, qualquer pessoa que apoiasse publicamente visões científicas contrárias à doutrina religiosa aceita arriscava ser ostracizada.[1]

Naquele ano, o bispo também publicou uma longa resenha de A Origem das Espécies, no periódico Quarterly Review; Darwin achou o artigo "incomumente inteligente".[1][4]

Referências

  1. a b c d e f g h i j k l «Samuel Wilberforce | Natural History Museum». www.nhm.ac.uk (em inglês). Consultado em 15 de setembro de 2025. Cópia arquivada em 12 de outubro de 2012 
  2. a b c d e Burns, Arthur (8 de janeiro de 2009). «Wilberforce, Samuel». www.oxforddnb.com. doi:10.1093/ref:odnb/29385. Consultado em 16 de setembro de 2025 
  3. Philosophical Transactions of the Royal Society of London (em inglês). [S.l.]: W. Bowyer and J. Nichols for Lockyer Davis, printer to the Royal Society. 1850. p. 35. Consultado em 16 de setembro de 2025 
  4. «Wilberforce's review of The Origin of Species». www.victorianweb.org. Consultado em 16 de setembro de 2025