Tomás Luís Osório

Tomás Luís Osório
Nome completoTomás Luís Osório
Nascimento
Morte
21 de abril de 1768 (51 anos)

ProgenitoresMãe: Antónia Maria Perestrelo
Pai: Francisco da Fonseca Osório
CônjugeFrancisca Joaquina de Almeida Castelo Branco
OcupaçãoMilitar
Serviço militar
PaísPortugal Reino de Portugal
ServiçoExército Português
PatenteCoronel
ConflitosGuerra Guaranítica Guerra Hispano-Portuguesa (1762–1763)

Tomás Luís Osório[nota 1] (Cartaxo, c. 1717Lisboa, 21 de abril de 1768) foi um militar português, conhecido por liderar tropas contra Pedro de Cevallos, governador da província de Buenos Aires, durante a breve guerra contra a Espanha na Banda Oriental de 1762 a 1763.[1] Foi tio-bisavô do Marquês do Herval, Manuel Luís Osório.

Biografia

Tomás Luís Osório nasceu por volta de 1717 em Cartaxo, filho de Francisco da Fonseca Osório e de sua mulher, Antónia Maria Perestrelo. Era irmão de José Luís Osório[2] e sobrinho de Diogo Osório Cardoso.

Era casado com Francisca Joaquina de Almeida Castelo Branco, filha de José Rolão Pimentel e de Josefa Teresa da Silva Castelo Branco.[2]

Osório serviu no posto de capitão do Regimento de Dragões do Rio Pardo até 24 de Dezembro de 1749. Passou a sargento-mor em 13 de Dezembro de 1750, havendo-se, conforme diz a sua carta-patente «com honra, valor e distinção em todas as diligências que lhe foram confiadas no decurso desse tempo.» Foi elevado a tenente-coronel em 1752 e depois a coronel do referido Regimento.[3]

Guerra Guaranítica

Após o frustrado ataque ao Forte de Jesus, Maria e José do Rio Pardo, em 22 de Janeiro de 1754, o general Gomes Freire enviou um contingente de 200 homens comandado pelo coronel Osório para reforçar a guarnição do forte.[4][5] Novamente, no dia 29 de Abril, por volta das 8 da manhã, os guaranis atacaram o forte, desta vez sob o comando de José Tiaraju, do cacique Alexandre Mouarari e de mais um jesuíta.[6][7] O ataque foi fracassado, e o tenente Pinto Bandeira perseguiu e aprisionou 53 guaranis, dentre eles Tiaraju. Os guaranis aprisionados foram levados para o Rio Grande, onde 38 deles foram chacinados pelos condutores, na lagoa dos Patos. Os demais, incluindo Tiaraju, foram libertados por Osório.[5]

Durante a batalha de Caiboaté, em 10 de Fevereiro de 1756, Osório foi ferido em três partes: recebeu duas flechadas no braço direito e uma nas costas, mas sem correr risco de vida.[8][9]

Logo após a batalha, durante a passagem do rio Churiebi (atual arroio Chuni), Osório escapou incólume entre um chuveiro de flechas, pedras e tiros de bocas de fogo.[9]

Em Junho de 1758, pelos seus feitos durante a Guerra Guaranítica, o general Gomes Freire, futuro Conde de Bobadela, fez uma doação ao coronel Osório, de terras que ficavam às margens da lagoa dos Patos. Nessas terras, mais tarde, se formaria a atual cidade de Pelotas.[10]

A guerra contra a Espanha

Osório foi destacado para a fronteira do Rio Grande em 1762, e em 6 de Outubro do mesmo ano, começou a reconstruir a fortaleza de Santa Teresa. Em 16 de Abril, Cevallos toma posições à frente da trincheira de Santa Teresa, com o efetivo de 6 000 homens, enquanto Osório comandava apenas 320.[11] Em 19 de Abril, Cevallos invade a fortaleza, Osório rende-se e Cevallos o faz prisioneiro junto com 25 oficiais,[12][13][14] onde são enviados para a Colónia do Sacramento, mas são logo soltos em virtude do armistício celebrado.[15]

Seguindo para o Rio de Janeiro, o coronel Osório foi preso na fortaleza de São José da Ilha das Cobras, onde, no processo da devassa, foi interrogado e solto. Seguiu para Minas Gerais, onde o envolveram numa denúncia falsa de que lhe resultou em uma nova prisão, por supostamente dar guarida a um jesuíta (banidos de Portugal e de seus domínios desde 1758), ou por corresponder-se com jesuítas, a quem foi agradável a perda da Colónia do Sacramento, de acordo com Camilo Castelo Branco em seu Perfil do Marquês de Pombal.[16] Osório foi enviado a Lisboa, e lá enforcado na Cruz dos Quatro Caminhos, a 21 de Abril de 1768.[12][16] Após a sua morte, sua viúva apresentou provas que mostravam o erro da acusação.[12][17]

Notas e referências

Notas

  1. Na grafia da época, Thomáz Luiz Osório.

Referências

  1. Indias, Archivo General de; Mateos, Francisco (1949). Historia de la Compañía de Jesús en la provincia del Paraguay: (Argentina, Paraguay, Uruguay, Perú, Bolivia y Brasil) según los documentos originales del Archivo General de Indias. [S.l.]: V. Suárez. pp. 793–5. Consultado em 18 de outubro de 2018 
  2. a b Osório 1894, p. 52.
  3. Osório 1894, pp. 52–53.
  4. Assis Brasil 2005, p. 55.
  5. a b Donato 1996, p. 334.
  6. Rio Branco, p. 278.
  7. Assis Brasil 2005, p. 57.
  8. Assis Brasil 2005, p. 111.
  9. a b Osório 1894, p. 53.
  10. «Primeira referência histórica de Pelotas». Prefeitura de Pelotas. Consultado em 18 de outubro de 2018. Arquivado do original em 25 de março de 2009 
  11. Rio Branco, p. 261.
  12. a b c «La fortaleza arrancada a españoles, portugueses y a la arena.». Rocha Uruguay. Consultado em 18 de outubro de 2018 
  13. Mellado, Francisco de Paula (1851). Enciclopedia moderna: diccionario universal de literatura, ciencias, artes, agricultura, industria y comercio. [S.l.]: Establecimiento Tipográfico de Mellado. p. 547. Consultado em 18 de outubro de 2018 
  14. Rio Branco, p. 265.
  15. Osório 1894, p. 64.
  16. a b Osório 1894, pp. 64–65.
  17. Osório 1894, p. 65.

Bibliografia