Teorema do quadrilátero de Euler

O teorema do quadrilátero de Euler, ou lei de Euler para quadriláteros, nomeado em homenagem a Leonhard Euler (1707–1783), descreve uma relação entre os lados de um quadrilátero convexo e suas diagonais. Trata-se de uma generalização da lei do paralelogramo, que por sua vez pode ser vista como uma generalização do teorema de Pitágoras. Por conta disso, a reformulação do teorema de Pitágoras em termos de quadriláteros é ocasionalmente chamada de teorema de Euler–Pitágoras.

Teorema e casos especiais

Para um quadrilátero convexo com lados , diagonais e , e sendo o segmento de reta que liga os pontos médios das duas diagonais, a seguinte equação se aplica:

Se o quadrilátero for um paralelogramo, então os pontos médios das diagonais coincidem, de modo que o segmento de reta tem comprimento 0. Além disso, os lados opostos são de comprimento igual, e o teorema de Euler se reduz a:

que é a lei do paralelogramo.

Se o quadrilátero for um retângulo, a equação se simplifica ainda mais, pois as duas diagonais são de igual comprimento:

Dividindo ambos os lados por 2, obtém-se o teorema de Euler–Pitágoras:

Em outras palavras, no caso de um retângulo, a relação entre os lados do quadrilátero e suas diagonais é descrita pelo teorema de Pitágoras.[1]

Formulação alternativa e extensões

Teorema de Euler com paralelogramo

Euler originalmente derivou o teorema acima como corolário de um teorema ligeiramente diferente que requer a introdução de um ponto adicional, mas fornece mais clareza estrutural.

Para um dado quadrilátero convexo , Euler introduziu um ponto adicional tal que forma um paralelogramo, e então a seguinte igualdade se aplica:

A distância entre o ponto adicional e o ponto do quadrilátero (não pertencente ao paralelogramo) pode ser vista como uma medida de quanto o quadrilátero se desvia de um paralelogramo, e é o termo de correção que precisa ser adicionado à equação original da lei do paralelogramo.[2]

Sendo o ponto médio de , temos . Como é o ponto médio de , ele também é o ponto médio de , já que e são ambas diagonais do paralelogramo . Isso nos dá e, portanto, . Assim, segue-se do teorema das bissetrizes (e seu recíproco) que e são paralelos e , o que leva ao teorema de Euler.[2]

O teorema de Euler pode ser estendido para um conjunto mais amplo de quadriláteros, incluindo os cruzados e os não planares. Ele é válido para os chamados quadriláteros generalizados, que consistem simplesmente de quatro pontos arbitrários em conectados por arestas de forma a formar um grafo ciclo.[3]

Notas

  1. Lokenath Debnath: The Legacy of Leonhard Euler: A Tricentennial Tribute. World Scientific, 2010, ISBN 9781848165267, pp. 105–107
  2. a b Deanna Haunsperger, Stephen Kennedy: The Edge of the Universe: Celebrating Ten Years of Math Horizons. MAA, 2006, ISBN 9780883855553, pp. 137–139
  3. Geoffrey A. Kandall: Euler's Theorem for Generalized Quadrilaterals. The College Mathematics Journal, Vol. 33, No. 5 (nov., 2002), pp. 403–404 (JSTOR)

Referências

  • Deanna Haunsperger, Stephen Kennedy: The Edge of the Universe: Celebrating Ten Years of Math Horizons. MAA, 2006, ISBN 9780883855553, pp. 137–139
  • Lokenath Debnath: The Legacy of Leonhard Euler: A Tricentennial Tribute. World Scientific, 2010, ISBN 9781848165267, pp. 105–107
  • C. Edward Sandifer: How Euler Did It. MAA, 2007, ISBN 9780883855638, pp. 33–36
  • Geoffrey A. Kandall: Euler's Theorem for Generalized Quadrilaterals. The College Mathematics Journal, Vol. 33, No. 5 (nov., 2002), pp. 403–404 (JSTOR)
  • Dietmar Herrmann: Die antike Mathematik: Eine Geschichte der griechischen Mathematik, ihrer Probleme und Lösungen. Springer, 2013, ISBN 9783642376122, p. 418

Ligações externas