Teatro Oficina

Teatro Oficina
Sede do Teatro Oficina
Informações gerais
ArquitetoLina Bo Bardi e Edson Elito[1]
Construção1958[1]
EstadoSP
Websiteteatroficina.com
Património nacional
ClassificaçãoCondephaat
Data1983[2]
Geografia
PaísBrasil
CidadeSão Paulo

Teatro Oficina Uzyna Uzona é a sede da histórica companhia de teatro homônima de São Paulo, Brasil, reconhecida como a maior e uma das mais longevas companhias de teatro em atividade permanente do país.[3] Fundado em 1958 como Companhia Teatro Oficina por José Celso Martinez Corrêa (o "Zé Celso") e outros estudantes da Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo, como Amir Haddad e Carlos Queiroz Telles[4], o grupo tornou-se referência na renovação e experimentação teatral no Brasil.

Desde sua profissionalização, em 1961, o Teatro Oficina está sediado no bairro do Bixiga, em São Paulo. O prédio atual, anteriormente ocupado pelo Teatro Novos Comediantes, foi adquirido pela companhia na década de 1960.[5] Após um incêndio que destruiu o edifício, remontagens de peças foram realizadas para arrecadar fundos e reconstruí-lo.[6]

Ao longo de sua trajetória, o Teatro Oficina encenou dezenas de obras fundamentais da dramaturgia brasileira e ocidental, reunindo centenas de artistas em sua história.[3] O espaço teatral ganhou projeção internacional pelo seu projeto arquitetônico inovador, assinado por Lina Bo Bardi[7] e Edson Elito, inaugurado em 1994, que foi eleito pelo jornal The Guardian como o melhor teatro do mundo na categoria projeto arquitetônico em 2015.[8][9]

Após o falecimento de Zé Celso em 2023, a luta histórica pela preservação do entorno do Teatro Oficina ganhou novo impulso. A Prefeitura de São Paulo, em acordo com o Ministério Público e outros atores, avançou no processo de desapropriação do terreno vizinho ao estabelecimento para a criação do Parque Municipal do Rio Bixiga. O parque, uma antiga reivindicação de Zé Celso e da comunidade artística e local, representa uma vitória coletiva após mais de quatro décadas de mobilização e disputas judiciais.[10][11][12][13][14]

História

Fundação e primeiros anos (1958–1963)

Fundado em 1958, em um contexto de efervescência cultural e política, por estudantes que buscavam romper com os modelos tradicionais e criar uma linguagem teatral inovadora[15], em um encontro de artistas no Centro Acadêmico 11 de Agosto da Faculdade de Direito do Largo de São Francisco, em São Paulo. Entre os fundadores estavam José Celso Martinez Corrêa, Renato Borghi, Etty Fraser, Fauzi Arap, Ronaldo Daniel e Amir Haddad.[1]

As primeiras montagens, como "Vento Forte para Papagaio Subir" (1958) e "A Incubadeira" (1959), já demonstravam a busca por uma dramaturgia inovadora e engajada.[16] Essas peças refletiam o desejo de experimentar novas formas de encenação, com forte teor autobiográfico e experimental, e já apontavam para a ruptura com o teatro tradicional.[17] Profissionalização, Sede e Inovações Arquitetônicas (1961–1966)

Zé Celso em meio aos escombros do Teatro Novos Comediantes em 1966.

O grupo se profissionalizou no início da década de 1960,[5] adquirindo no ano seguinte o Teatro Novos Comediantes, um teatro espírita, na Rua Jaceguai, no bairro do Bixiga, e estabelecendo-se como um dos principais polos de experimentação cênica do país.[18]

Ao chegarem na locação, constataram que o antigo proprietário havia removido todo o mobiliário, restando apenas a estrutura do edifício. Nesta circunstância, surge a primeira contribuição conjunta de arquitetura com a Companhia, sob o projeto arquitetônico de Joaquim Guedes: um palco central, ladeado por duas arquibancadas se defrontando[6], promovendo maior interação entre atores e plateia.[19] Essa configuração, conhecida como "teatro-sanduíche", foi pioneira no Brasil e influenciou a cena teatral nacional.[20]

O Oficina foi influenciado pelo modernismo brasileiro, especialmente a antropofagia de Oswald de Andrade. O grupo buscava uma linguagem cênica própria, conectada à realidade nacional e às vanguardas internacionais, dialogando com as ideias de Stanislavski, Brecht, Grotowski e Artaud.[21]

São criadas a companhia profissional e a sala de espetáculos, com a encenação de "A Vida Impressa em Dólar", de Clifford Odets. Foi feita uma reforma a partir de um projeto do arquiteto Joaquim Guedes, que criou o teatro como um "sanduíche", com duas plateias frente a frente e separadas pelo palco central, que assim permaneceu durante essa primeira fase da companhia.[1]

Em 1962, são levados à cena Um Bonde Chamado Desejo, de Tennessee Williams, e "Quatro Num Quarto", de Valentin Kataev. A peça Pequenos Burgueses, de Máximo Gorki, estreia em 1963. O grupo monta "Andorra", de Max Frisch, em 1964, ano do golpe militar no Brasil, e "Os Inimigos", de Máximo Gorki, em 1966. No ano de 1966, o teatro que até então possuía formato de arena, com duas plateias opostas, teve seu espaço cênico transformado por nova reforma, após um incêndio que o destruiu completamente.[1]

José Celso Martinez Correa e parte da companhia.

Com o golpe de 1964, o Oficina realizou montagens de forte teor político, como "O Rei da Vela" (1967), de Oswald de Andrade, que dialogava com o Manifesto Antropofágico e propunha uma devoração crítica das influências culturais estrangeiras.[10] O grupo intensificou seu caráter político, tornando-se alvo de censura e repressão. Enfrentou cortes, proibições e ataques violentos, como a invasão do Comando de Caça aos Comunistas (CCC) durante a apresentação de "Roda Viva" (1968), que resultou em agressões físicas, tendo sua sede incendiada em 1966 e membros perseguidos pelo regime.[18][21]

A arquitetura do espaço, com palco central e arquibancadas laterais, eliminou a separação tradicional entre palco e plateia, promovendo a participação ativa do público e a improvisação. O corpo do ator tornou-se central, e a improvisação passou a ser utilizada como método de criação e estratégia cênica, radicalizando a experiência sensorial e coletiva.[22]

Em 1967, a apresentação de "O Rei da Vela", de Oswald de Andrade, traz notoriedade ao teatro, lançando o tropicalismo. Na Europa, o espetáculo torna o grupo internacionalmente conhecido. As montagens de "Galileu Galilei" (1968) e "Na Selva das Cidades" (1969), ambas de Bertolt Brecht, são o ápice do Oficina.[1]

Em 1971, com o lançamento do filme Prata Palomares, uma crise interna surge e a companhia se desfaz, ressurgindo posteriormente com outra equipe, mas ainda sob a liderança de José Celso Martinez Corrêa e Renato Borghi, que patrocinam a vinda do grupo experimental estadunidense The Living Theatre. Com a apresentação da obra de criação coletiva "Gracias, Señor", surge o Oficina Usyna Uzona. A encenação seguinte é uma recriação autobiográfica de "As Três Irmãs", de Anton Tchekhov, 1972.[1]

Exílio de Zé Celso e ressurgimento

Teatro visto do futuro Parque Rio Bixiga

Em 1974, José Celso é detido e exilado pela ditadura militar brasileira. Ele vai morar em Portugal e retorna ao Brasil em 1979.[1] Em 1983, o prédio foi tombado pelo Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico (Condephaat), por sua importância histórica ao teatro brasileiro.[2] Em 1984, o local passa a ser oficialmente chamado de Teatro Oficina Uzyna Uzona.[1][23] [24] [25]

O prédio passa por um novo processo de reforma com base em um projeto criado pela arquiteta ítalo-brasileira Lina Bo Bardi, em parceria com o arquiteto Edson Elito. Com a ideia central de aproximar a rua do espaço cênico, o teatro desenvolve-se através de uma faixa de pranchas de madeira com cerca de 1,5 metro de largura e 50 metros de comprimento entre o acesso frontal e dos fundos. A obra é concluída em 1994.[26][1] Em 2015, o jornal britânico The Guardian considerou o projeto arquitetônico do teatro como o "melhor do mundo" em sua categoria.[8]

A companhia volta chamar a atenção pública com a montagem "Ham-let", de Shakespeare, em 1993, que reinaugura o novo edifício do teatro.[26] Em 1996, a adaptação de "As Bacantes", de Eurípides, e, 1998, a encenação da peça "Cacilda!", do próprio José Celso, também têm boa repercussão. Entre 2002 e 2006, Zé Celso realiza a montagem da obra "Os Sertões", de Euclides da Cunha.[1]

Conflito com o Grupo Silvio Santos

O espaço onde está instalado o Teatro Oficina desencadeou uma disputa imobiliária entre José Celso e o empresário Silvio Santos. O teatro foi tombado em 1981 pelo Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Arqueológico, Artístico e Turístico (Condephaat) por ser uma referência artística e cultural. Ainda na década de 1980, o Grupo Silvio Santos adquiriu terrenos vizinhos ao teatro, com o objetivo de construir um prédio para o conglomerado de empresas no bairro.[27]

Durante décadas, José Celso e Silvio Santos se reuniram diversas vezes para tentar resolver o impasse do terreno. Em 4 de dezembro de 2018, o Ministério Público Federal (MPF) em São Paulo realizou uma reunião para resolver um impasse entre José Celso e o Grupo Silvio Santos, que pretende construir prédios de até 100 metros de altura região, no Centro de São Paulo, o que prejudicaria a construção do teatro, que é tombado desde 2010 pelo patrimônio histórico nas esferas federal, estadual e municipal. Após a reunião, em que não houve consenso entre as partes, o MPF decidiu que ingressará com uma ação na Justiça buscando a preservação do patrimônio cultural. Para os representantes do diretor do teatro, o empreendimento não respeitaria a preservação do patrimônio tombado, tanto do edifício, quanto do bem imaterial a ser preservado.[28]

Placa de comemoração dos 50 anos do Teatro

Em maio de 2018, o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), deu parecer favorável para a construção dos prédios residenciais. Segundo o Iphan, o processo atende às normas relativas ao processo de tombamento e o parecer favorável refere-se "estritamente ao que se refere às delimitações de suas áreas de entorno e de tombamento". No caso do Teatro Oficina, que possui uma fachada com janela de vidro, a área que o Iphan impede a construção é definida por um cone visual com abertura de 45º a partir de cada lado da janela. Nesta área, nenhuma obra pode ser construída em uma faixa de 20 metros a partir da lateral oeste do teatro.[28] A discussão por autorização para realizar construções ao redor do teatro oficina se arrasta há anos e Silvio Santos também realizou pedidos ao Conselho Municipal de Preservação do Patrimônio Histórico, Cultural e Ambiental da Cidade de São Paulo (Conpresp) e no Condephaat, que avaliam a questão.[28] Em dezembro de 2019, o Conpresp aprovou o projeto das torres de Silvio Santos ao lado do Teatro Oficina.[29][30]

Em fevereiro de 2020, o projeto de lei 805/2017, que determinava a implementação do "Parque Bixiga" no local onde as torres residenciais seriam erguidas, foi aprovado por unanimidade em segunda votação na Câmara Municipal de São Paulo.[31] Em março do mesmo ano, no entanto, o então prefeito em exercício da cidade, Eduardo Tuma, vetou o projeto ao citar questões legais e financeiras.[15]

Em 19 de dezembro de 2023, o Ministério Público e a Prefeitura de São Paulo anunciaram que vão destinar 51 milhões de reais para a implantação do Parque do Rio Bixiga, ao lado do Teatro Oficina.[10]

Teatro pós-Zé Celso

Interior do Teatro em 2025 durante o Oscar.

José Celso Martinez Corrêa, fundador e principal diretor do teatro, faleceu em 6 de julho de 2023, aos 86 anos, em São Paulo, em decorrência de queimaduras graves sofridas em um incêndio residencial.[32] O velório, realizado na sede do grupo no Bixiga, reuniu artistas, familiares e admiradores, marcando o fim de uma era para o teatro brasileiro.[33] O falecimento de Zé Celso gerou ampla repercussão na imprensa nacional e internacional, com homenagens de artistas, intelectuais e autoridades. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva destacou o papel do diretor na formação de novos artistas e na cultura nacional.[34] O velório, realizado na sede do Oficina, foi marcado por rituais, música e celebração da vida e obra do diretor.[35] Especialistas e críticos ressaltaram o papel revolucionário de Zé Celso na renovação do teatro brasileiro, sua linguagem antropofágica, a abolição da separação entre palco e plateia e o engajamento político do Oficina.[36]

Após a morte de Zé Celso, a liderança do Oficina foi assumida por Marcelo Drummond,[37][38] companheiro do diretor por mais de três décadas e seu herdeiro legal. Drummond tornou-se presidente da associação que dirige o grupo, em decisão colegiada tomada logo após o falecimento do fundador.[39] A transição foi marcada por uma descentralização da direção artística, com valorização de diretores e atores formados no próprio Oficina, e abertura para colaborações externas.[39] A nova fase, chamada internamente de "era da moçada", caracteriza-se por uma gestão mais colegiada e flexível, com maior participação de jovens artistas e colaboradores históricos do grupo.[33]

O primeiro espetáculo do Oficina após a morte de Zé Celso foi "O Jogo do Poder", uma colagem de 36 obras de William Shakespeare, dirigida por Marcelo Drummond. O elenco reuniu veteranos e jovens atores, mantendo o ritual coletivo e a participação intensa do grupo.[40]

Em 2025, a programação incluiu montagens de obras de Nelson Rodrigues, como "Senhora dos Afogados" (dirigida por Monique Gardenberg) e "7 Gatinhos" (dirigida por Joana Medeiros), além de adaptações de textos de Clarice Lispector e Franz Kafka. O grupo também reencenou "Fausto", última peça escrita e dirigida por Zé Celso, e discutiu a possibilidade de remontar clássicos do repertório, como "As Bacantes".[41][42]

A linguagem inventada por Zé Celso — marcada pela antropofagia cultural, experimentação formal, participação do público e integração entre palco e plateia — foi mantida como referência central. No entanto, a direção de Marcelo Drummond é descrita como mais econômica e minimalista, em contraste com o estilo barroco do fundador. A "era da moçada" trouxe maior abertura para novas vozes, diversidade de estilos e parcerias externas, sem abandonar a experimentação cênica, o uso de multimídia e o engajamento em causas sociais e urbanísticas, como a luta pela criação do Parque do Rio Bixiga.[39]

Zé Celso Vive! Grafado na rua em frente a fachada do Teatro

Desde 2016, o Teatro não conta com patrocínio institucional, dependendo de contribuições de apoiadores ("amantes") e campanhas de financiamento coletivo para custear suas atividades e a manutenção do espaço.[43][44][45] Em julho de 2024, a Câmara Municipal de São Paulo aprovou a criação do Parque Municipal do Rio Bixiga, área de 11 mil metros quadrados a ser desapropriada pela prefeitura, encerrando uma disputa de mais de 40 anos e atendendo a um dos principais sonhos do fundador.[46]

O Teatro enfrenta desafios de financiamento, preservação de memória e adaptação a novos contextos culturais. A liderança de Marcelo Drummond e o engajamento da nova geração garantem a continuidade do projeto artístico e político do grupo, que segue como símbolo de resistência, inovação e luta pelo espaço público e pela liberdade de criação. A companhia mantém sua linguagem experimental, mesmo diante de mudanças de direção, e reafirma seu compromisso com a coletividade, a experimentação e a transformação social. A aprovação do Parque do Rio Bixiga representa uma vitória histórica e a realização de um dos principais sonhos de Zé Celso.[39][47][48][49][50][51][52][53]

Estética e linguagem teatral

O Teatro Oficina rompe explicitamente a quarta parede ao abolir a moldura tradicional do palco italiano e trazer a ação para o cotidiano, frequentemente envolvendo o público em situações inesperadas e provocativas.[54] A ausência de cortinas, a iluminação igualitária e a circulação livre de espectadores e atores pelo espaço reforçam a transparência e a integração.[6][55]

Os atores se dirigem diretamente à plateia, convidando-a a participar da criação da cena, seja por meio de perguntas, provocações ou convites para subir ao palco. Em montagens como “Os Sertões” e “Ham-let”, o público circula livremente, interage com os atores e pode influenciar o desenrolar da narrativa.[56] O corpo do ator é o principal instrumento expressivo no Oficina. A atuação valoriza a presença física, o movimento, o gesto e a improvisação, criando uma comunicação sensorial e visceral com o público. O treinamento físico rigoroso e a exploração do espaço são centrais na preparação dos atores. A improvisação é utilizada tanto como técnica de criação quanto como filosofia de abertura ao imprevisível e ao coletivo. Exercícios de jogos, estímulos temáticos e respostas ao ambiente e ao público são práticas recorrentes, permitindo que cada apresentação seja única e adaptada ao contexto do momento.[57]

A arquitetura e a encenação do Oficina incentivam a participação ativa do público, que pode circular pelo espaço, interagir com os atores e até influenciar o rumo do espetáculo. Essa abordagem se inspira em tradições do teatro popular e ritualístico, dissolvendo as fronteiras entre performer e espectador.[56]

Colaborações e parcerias marcantes

Logradouro fictício: Rua Lina Bo Bardi

O Oficina foi um dos principais braços teatrais da Tropicália, influenciando e sendo influenciado por músicos como Caetano Veloso, Gilberto Gil e Chico Buarque. A montagem de "O Rei da Vela" inspirou diretamente artistas do movimento, e a parceria com Chico Buarque em "Roda Viva" tornou-se símbolo de resistência cultural.[58]

A colaboração com a arquiteta Lina Bo Bardi e Edson Elito resultou na reconstrução do espaço do Oficina, considerado um dos teatros mais inovadores do mundo.[59][30] A reforma arquitetônica conduzida a partir de 1984, transformou o espaço do Teatro Oficina em um marco da arquitetura teatral mundial. O edifício foi concebido como uma “rua cênica”, com um palco-passarela central de 50 metros de comprimento, ladeado por galerias laterais em andaimes de até quatro níveis.[60] Essa configuração, conhecida como "teatro sanduíche", elimina a separação entre palco e plateia, estimulando a circulação e a participação ativa do público, favorecendo a participação do público e a quebra da quarta parede.[61]

Sérgio Mamberti e Zé Celso Martinez em 2016.

A grande parede de vidro conecta visualmente o teatro à cidade, ao futuro Parque Rio Bixiga, integrando o espaço cênico ao contexto urbano e reforçando o caráter público e democrático do edifício.[56] O uso de materiais como aço, concreto e tijolos aparentes reflete a filosofia de “arquitetura pobre” de Bo Bardi, que valoriza a honestidade estrutural e a flexibilidade espacial. O espaço aberto, flexível e transparente estimula a improvisação, a corporeidade e a interação direta entre atores e espectadores, tornando-se parte indissociável da linguagem teatral do grupo. O cenógrafo Flávio Império também foi parceiro fundamental, contribuindo para a estética singular do grupo.[59]

O Oficina dialogou com o cinema, especialmente com Glauber Rocha, e promoveu intercâmbios com grupos internacionais como o The Living Theatre, influenciando sua abordagem performática e política.[62]

O grupo foi espaço de formação e atuação para nomes como Marília Pêra, Dina Sfat, Othon Bastos, Otávio Augusto, Marieta Severo, Alexandre Borges, José Wilker, Rosamaria Murtinho, Tarcísio Meira, Augusto Boal, Fernanda Montenegro, Zezé Motta, Leona Cavalli, Bete Coelho e Reynaldo Gianecchini.[56]

Homenagens e legado

Fachada do Teatro em janeiro de 2026.

O Teatro e a escola de samba Vai-Vai compartilham raízes profundas no bairro do Bixiga. Ambos os coletivos são reconhecidos por sua atuação inovadora, resistência cultural e valorização da diversidade, tendo contribuído para a efervescência artística da região.[63] A relação entre Zé Celso e a escola de samba foi marcada por respeito mútuo e integração simbólica. O pavilhão da escola foi colocado sobre o caixão do diretor em seu velório, realizado no próprio Teatro Oficina, evidenciando a ligação entre as duas instituições.[19] O enredo oficial da Vai-Vai para o Carnaval de 2025 foi: "O Xamã Devorado y a Deglutição Bacante de Quem Ousou Sonhar Desordem".[64] O desfile propôs uma abordagem antropofágica e ritualística da vida e obra de Zé Celso, inspirando-se em sua própria frase: “Quando eu morrer, eu quero ser devorado. Quero minhas vísceras entregues a algum ser canibal e artístico!”.[65] A narrativa percorreu diferentes fases da trajetória do artista, incluindo sua atuação pré-ditadura, o enfrentamento à repressão militar, o exílio, o retorno ao Brasil, a parceria com Cacilda Becker e a consagração popular no Bixiga.[19]

Ocorrido na madrugada de 2 de março de 2025, encerrando os desfiles do Grupo Especial do Carnaval de São Paulo no Sambódromo do Anhembi.[66] O carnavalesco Sidnei França estruturou o desfile como uma grande peça teatral, com 30 alas — número superior ao das demais escolas — para permitir maior riqueza de detalhes e distribuição do enredo.[64]

As alegorias e carros alegóricos foram concebidos para romper com padrões tradicionais, incorporando elementos disruptivos e sensoriais, em sintonia com a estética do Teatro Oficina.[65]

  • Carro alegórico em homenagem a Cacilda Becker, referência à parceria artística e afetiva com Zé Celso.[67]
  • Alegorias que faziam referência direta a espetáculos como "O Rei da Vela" e "Os Sertões", com elementos visuais e cênicos inspirados nas montagens do Oficina.[64]
  • Carros que simbolizavam a devoração ritualística do artista, com forte carga simbólica e teatral.
  • As fantasias exploraram a diversidade de personagens e temas do universo de Zé Celso, com destaque para a sensualidade, a liberdade corporal e a mistura de referências culturais brasileiras.[65]

O samba-enredo foi composto por Naio Denay e Francis Gabriel, com interpretação de Luiz Felipe. A letra faz referências explícitas ao Teatro, ao bairro do Bixiga, à liberdade criativa e à trajetória de Zé Celso.[64] O Oficina participou ativamente do processo de elaboração do carnaval, abrindo seu acervo de saberes e vivências para a escola.[19] Artistas do grupo estiveram presentes no desfile, contribuindo para a concepção de alas, performances e elementos cênicos. Marcelo Drummond, viúvo de Zé Celso, desfilou em destaque, vestindo o mesmo traje do casamento com o dramaturgo. Outros integrantes históricos, como Amir Haddad e Renato Borghi, também participaram.[67]

Alegoria do dramaturgo quando recebeu uma homenagem póstuma da Vai-Vai no enredo "O Xamã Devorado y A Deglutição Bacante de Quem Ousou Sonhar Desordem" para o carnaval de 2025.[68]

O desfile foi amplamente elogiado pela crítica especializada e pelo público, sendo considerado um dos momentos mais significativos do carnaval de 2025.[19] A apresentação foi marcada por energia, emoção e exaltação à liberdade criativa, mantendo as arquibancadas do Anhembi lotadas até o amanhecer.[65] A imprensa destacou o caráter “sagrado e profano” do desfile, a força do enredo e a potência visual das alegorias.[66] Familiares e colaboradores de Zé Celso expressaram grande emoção diante da homenagem. Marcelo Drummond relatou que a experiência foi comparável à emoção de seu casamento com Zé Celso, destacando a presença de referências ao Teatro Oficina e a atmosfera de celebração da liberdade corporal e artística.[67]

A homenagem foi objeto de análises acadêmicas e culturais que destacaram a interseção entre o teatro experimental de Zé Celso e o universo do carnaval.[64] Estudos apontam que o Teatro Oficina, desde os anos 1960, já dialogava com elementos do carnaval, da música popular e dos rituais afro-brasileiros, promovendo uma fusão de linguagens que se materializou de forma exemplar no desfile de 2025. A abordagem antropofágica, central à obra de Zé Celso, foi incorporada ao desfile como metáfora da "devoração" da arte e da cultura, promovendo uma reflexão sobre a liberdade, a diversidade e a resistência às normas conservadoras. Ela impulsionou novos desdobramentos culturais e acadêmicos, como o lançamento do livro "O Devorador: Zé Celso, vida e arte", organizado por Claudio Leal, e a reexibição de documentários sobre o dramaturgo. O impacto cultural da homenagem reforçou o papel do Teatro Oficina e de Zé Celso como símbolos de resistência, liberdade e inovação artística.[19]

A preservação do legado de Zé Celso tornou-se prioridade para o grupo. Parte significativa do acervo do diretor foi digitalizada antes do incêndio que atingiu sua residência, salvando manuscritos e registros históricos. Marcelo Drummond e outros integrantes trabalham para organizar e disponibilizar esse material, além de planejar publicações e exposições sobre a trajetória do Oficina.[69]

Referências

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Bibliografia

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Ligações externas