Sylvino de Godoy

Sylvino de Godoy
Presidente da Correio Popular S/A
Período12 de abril de 1938 a
03 de abril de 1970[1]
Vice-presidenteVicente Torregrossa[1]
Antecessor(a)"Cargo criado"[nota 1]
Sucessor(a)Edvard de Vita Godoy
Vereador de Campinas
Período01 de janeiro de 1936 a
31 de dezembro de 1939
Membro do Conselho Consultivo
do Município de Campinas
Período30 de outubro de 1933 a
31 de dezembro de 1935
Interventor nomeante[nota 2]Armando Sales de Oliveira
Membro do Conselho Consultivo
do Município de Campinas
Período01 de março de 1932 a
30 de julho de 1932
Interventor nomeanteManuel Rabelo
Dados pessoais
Nome completoSylvino de Godoy
Nascimento1889
Campinas, Província de São Paulo, Império do Brasil
Morte3 de abril de 1970 (81 anos)
Campinas, SP
NacionalidadeBrasileiro
ProgenitoresMãe: Maria Francisca da Rocha Godoy
Pai: José Américo de Godoy
Alma materFaculdade de Direito, Universidade de São Paulo
CônjugeCarmela de Vita Godoy

Sylvino de Godoy (Campinas, 1889 - Campinas, 3 de abril de 1970), foi um político, advogado e empresário brasileiro, mais conhecido por ter sido presidente do Correio Popular de 1938 até seu falecimento, em 1970. Foi também um dos empresários que protagonizaram o desenvolvimento econômico de Campinas a partir da década de 1920.[2][3]

Biografia

Nasceu em 1889, em Campinas, que já era oficialmente uma cidade faziam quase cinco décadas. Em 1895, quando contava seis anos de idade, Sylvino se mudou com sua família para Serra Negra. Vivia com seus pais, seus cinco irmãos e sua cunhada, além dos criados da família.[3]

A família de Sylvino se mudou para uma fazenda chamada "São Domingos", localizada a cerca de cinco quilômetros de distância da zona urbana, que seu pai comprara do antigo proprietário. Conforme conta Sylvino, as bagagens foram levadas até lá em troles, alugados antecipadamente por seu pai, atravessando a pequena cidade sob os olhares curiosos da população local.[3]

A família permaneceu na fazenda de Serra Negra por cerca de cinco anos. Após a queda do preço do café, as dificuldades econômicas fizeram os Godoy decidirem se mudar para a zona urbana, onde compraram um casarão localizado no largo da matriz, a Paróquia Nossa Senhora do Rosário.[3]

Sylvino se formou na Faculdade de Direito do Largo de São Francisco, em São Paulo, tendo encerrando seus estudos em dezembro de 1912, aos 23 anos de idade. Após sua formatura, retornou para Serra Negra, onde passou a exercer a advocacia, especialmente devido ao incentivo de Norberto Penafiel, um advogado imigrante português que atuava em várias causas no fórum local.[3]

Um dos destaques de sua vida profissional foi o ajuizamento do pedido de falência do Banco de Custeio Rural de Serra Negra, do qual foi nomeado síndico, e depois liquidatário. Esse caso proporcionou ao seu escritório novos clientes.[3]

Casou-se com Carmela de Vita em junho de 1915, que era de uma família residente na cidade de Amparo.[3]

Fábrica de tecidos "Godoy & Valbert"

Buscando promover contribuir com a industrialização de Campinas, Sylvino de Godoy e Guilherme Roberto Valbert inauguraram, em 1921, a "Fábrica de Tecidos Elásticos Godoy & Valbert".[2]

Inicialmente contando com pequenas instalações, buscou promover a libertação do segmento têxtil da região com relação aos fornecedores estrangeiros, especialmente da Inglaterra, da Itália e da Suíça.[2]

A fábrica comercializava sua produção numa localidade do estado de São Paulo que, pelo menos por algum tempo, proporcionou aos sócios uma espécie de proteção contra concorrentes de outras regiões, devido aos elevados custos de transporte até Campinas e cidades vizinhas, mesmo para empresários de grandes centros urbanos como Rio de Janeiro e São Paulo, o que acabava por praticamente eliminar a concorrência da região no segmento têxtil.[2]

Confinada nesse mercado extremamente restrito, a fábrica de Campinas cresceu auferindo boas margens de lucro, e de tal forma que veio a ganhar prêmios nacionais e internacionais, além de fazer com que o governo estadual prestasse assistência aos produtores de seda, bem como influenciar na criação do Serviço de Sericicultura de Campinas.[2]

As contribuições de Sylvino produziram frutos, tendo nascido na década de 1930 um programa instituído para a defesa da indústria nacional, mediante a atuação de diversos órgãos do Estado. Na década seguinte, uma série de órgãos foram instituídos pelo Estado Novo de Getúlio Vargas, por meio do "Decreto-lei n° 5.982, de 10 de novembro de 1943", destacando-se o Conselho Nacional de Política Industrial e Comercial (CNPIC) como órgão que favoreceu a concorrência e o desenvolvimento da indústria nacional, deslocando a base do mercado externo para o interior das fronteiras brasileiras.[2][4][5]

Correio Popular

Em 12 de abril de 1938, Sylvino abriu a empresa "Correio Popular S/A", a fim de administrar o jornal homônimo fundado por Álvaro Ribeiro, o qual pretendia adquirir. A primeira composição da Diretoria do jornal foi a seguinte:[1][6]

  • Presidente: Sylvino de Godoy
  • Vice-presidente: Vicente Torregrossa
  • 2° Secretário: Nelson Omegna
  • 1° tesoureiro: Pedro Penteado
  • 2° tesoureiro: José Oliveira dos Santos


Sylvino esteve na presidência do Correio Popular durante 32 anos, até que veio a falecer em 3 de abril de 1970, aos 81 anos. Foi sucedido por seu filho Edvard de Vita Godoy, que conduziu a empresa até seu falecimento em 02 de março de 1976.[6]

Edvard foi sucedido na presidência por sua mãe, Carmela de Vita Godoy, que contribuiu bastante para o crescimento da empresa jornalística, em especial a inauguração do parque gráfico do Correio Popular na Avenida José de Souza Campos (via Norte-Sul).[2][3][6]

Ela permanece no cargo até 07 de novembro de 1978, quando veio a falecer. A presidência é assumida por Carmem Godoy Jacob, irmã de Edvard. Carmem permaneceu à frente do Correio Popular até 1987, quando é sucedida no comando do jornal pelo filho de Edvard, que levou o nome do avô: Sylvino de Godoy Neto. Sylvino Neto comanda o Correio e o Grupo RAC, cuja formação se deve à sua gestão, que exerce até os dias de hoje.[2][3][6]

Livro de memórias

Em 1970, terminou de escrever seu livro de memórias, "Histórias da minha vida". Contudo, veio a falecer em 03 de abril daquele mesmo ano, antes de ver seu livro publicado alguns meses depois.[3][7]

Notas

  1. A empresa "Correio Popular S/A" foi aberta para administrar o jornal, que veio veio a ser adquirido, em seguida, por Antônio J. Ribeiro e Ademar Ribeiro, respectivamente irmão e sobrinho de Álvaro Ribeiro, com quem fundaram o Jornal
  2. Entre novembro de 1930 e 1934, as Câmaras Municipais deixaram de existir. Substituídas pelos Conselhos Consultivos, criados por Vargas em 1931, e regulamentados por decreto do interventor federal do estado de São Paulo, que também era a autoridade responsável por nomear os membros dos conselhos

Referências

  1. a b c «Ficha de Breve Relato Digitalizada (dados anteriores a 1992)». Junta Comercial do Estado de São Paulo. Consultado em 15 de outubro de 2025 
  2. a b c d e f g h BATTISTONI FILHO, Duílio (25 de julho de 2014). «Um grande empreendedor». Correio Popular. Consultado em 15 de outubro de 2025 
  3. a b c d e f g h i j GODOY, Sylvino de (1970). História da minha vida. Campinas: Edição do autor 
  4. CABRAL, Mário André Machado (8 de dezembro de 2021). «Silêncio na historiografia econômica brasileira: a legislação concorrencial como inovação institucional (1937-1945)». Florianópolis: Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). Seqüência Estudos Jurídicos e Políticos. v. 42 (n. 88): pp. 01–32. doi:10.5007/2177-7055.2021.e78946. Consultado em 15 de outubro de 2025 
  5. BRASIL (10 de novembro de 1943). Decreto-lei n° 5982/1943. Brasília: Câmara dos Deputados (Publicação original no Diário Oficial da União, Edição do dia 12 de novembro de 1943, Seção 01, p. 16.659)
  6. a b c d REDAÇÃO (9 de setembro de 2024). «A saga dos Godoy à frente do Correio». Correio Popular. Consultado em 26 de setembro de 2025 
  7. NEGRÃO, Ana Maria Melo; CASTANHO, Sérgio (2024). Phoenix Campinense - Revista da Academia Campinense de Letras - Nova Fase. Campinas: Pontes Editores. 197 páginas. ISBN 978-85-217-0332-7