Surena (marzobã)

 Nota: Para outras pessoas de mesmo nome, veja Surena.
Surena
NacionalidadeImpério Sassânida
OcupaçãoMarzobã

Surena (Suren;[1] m. 23 de fevereiro de 572[2]), ainda conhecido como Xir Gusnaspe (Šihr-Gušnasp)[3] e Jir-Vesnasbe (Jihr-Vešnasb),[4] foi um nobre sassânida da casa de Surena que tornou-se marzobã da Armênia entre 564 e 572.[1] Talvez possa ser associado ao Surena, pai de Mebodes.[5]

Nome

Surena é a forma latina do parta, persa médio e siríaco Surém (Sūrēn), que derivou do iraniano antigo Suraina (*Sūr-aina-; de *sūra-, "forte, heroico"). Essas formas podem ter se originado da junção de *sūra- com a partícula sufixal -ēn.[6] Foi registrado em bactrio como Soreno (Σορηνο), em grego como Surenas (Σουρήνᾱς; Sourénās) e em armênio como Surém (Սուրեն, Surēn).[7] Nos Períodos Arsácida e Sassânida, em geral tratava-se de um sobrenome de uma das grandes famílias de origem parta que governavam o planalto Iraniano.[8]

Vida

Surena era membro da Casa de Surena, um dos grandes clãs partas, e parente do Cosroes I (r. 531–579). Surena gozou de alto estatuto e serviu como azarapates (hazarapet em armênio) ou primeiro-ministro da Armênia. Em 561, participou das discussões com o emissário bizantino Pedro, o Patrício sobre a Suânia e foi um dos persas que pouco tempo depois concluíram a Paz de 50 anos com os bizantinos que terminou a Guerra Lázica.[5] Em 564, foi nomeado o marzobã armênio em sucessão de Varasdates.[9]

À época, a nobreza armênia estava dividida em dois grupos, a nacional chefiada pela família Mamicônio e a pró-persa dirigida pela família Siuni.[10] Foi então que Vaanes I solicitou a transferência do divã (nesse contexto, o centro administrativo) ao qual Siúnia estava sujeita de Dúbio para Fatacarana, no Azerbaijão (Nina Garsoïan propôs que esse evento ocorreu em 591[11]).[12] Vaanes alegou que pretendia romper com a influência moral que Vardanes III Mamicônio exercia sobre a Armênia por intermédio do católico residente em Dúbio, João II de Gabélia (r. 557–574). Ele pediu a Cosroes I para erigir sua capital, e o rei concordou.[13]

Ignorando as instruções do xá, Surena decidiu impor o masdeísmo na Armênia.[14] Construiu um templo de fogo em Dúbio e adotou uma política de coerção contra os cristãos. Para minar a resistência do partido nacional, atormentou a aristocracia local e capturou as mulheres nobres.[4] Também assassinou, em 571[15] ou 572,[16] Manuel II, irmão de Vardanes. Exasperado, o clero cristão e a nobreza feudal insurgiram-se em uma revolta liderada por Vardanes e pelo católico João, durante o qual Surena foi morto por Vardanes.[17] Esse ato foi o estopim de uma nova guerra entre bizantinos e sassânidas.[5]

Ver também

Precedido por
Varasdates
Marzobã da Armênia
564-572
Sucedido por
Vardanes Vesnaspe

Referências

  1. a b Grousset 1973, p. 242.
  2. Dédéyan 2007, p. 203.
  3. Toumanoff 1990, p. 506-507.
  4. a b Estêvão de Taraunitis século XI, II.2.
  5. a b c Martindale 1992, p. 1208.
  6. Ačaṙyan 1942–1962, p. 588.
  7. Martirosyan 2021, p. 14.
  8. Fausto, o Bizantino 1989, p. 409-410.
  9. Greatrex 2002, p. 138.
  10. Grousset 1973, p. 242-243.
  11. Fausto, o Bizantino 1989, p. 487.
  12. Hewsen 1992, p. 104.
  13. Grousset 1973, p. 243.
  14. Grousset 1973, p. 244.
  15. Garsoïan 1997, p. 108.
  16. Hewsen 2001, p. 82.
  17. Grousset 1973, p. 242-244.

Bibliografia

  • Ačaṙyan, Hračʻya (1942–1962). «Սուրեն». Hayocʻ anjnanunneri baṙaran [Dictionary of Personal Names of Armenians]. Erevã: Imprensa da Universidade de Erevã 
  • Dédéyan, Gérard (2007). Histoire du peuple arménien. Tolosa: Privat. ISBN 978-2-7089-6874-5 
  • Fausto, o Bizantino (1989). Garsoïan, Nina, ed. The Epic Histories Attributed to Pʻawstos Buzand: (Buzandaran Patmutʻiwnkʻ). Cambrígia, Massachusetts: Departamento de Línguas e Civilizações Próximo Orientais, Universidade de Harvard 
  • Garsoïan, Nina (1997). «The Marzpanate (428-652)». In: Hovannisian, Richard G. Armenian People from Ancient to Modern Times vol. I: The Dynastic Periods: From Antiquity to the Fourteenth Century. Nova Iorque: Palgrave Macmillan. ISBN 978-1-4039-6421-2 
  • Greatrex, Geoffrey; Lieu, Samuel N. C. (2002). The Roman Eastern Frontier and the Persian Wars (Part II, 363–630 AD). Londres: Routledge. ISBN 0-415-14687-9 
  • Grousset, René (1973) [1947]. Histoire de l'Arménie: des origines à 1071. Paris: Payot 
  • Hewsen, Robert H. (1992). The Geography of Ananias of Širak. The Long and Short Recensions. Introduction, Translation and Commentary. Wiesbaden: Dr. Ludwig Reichert Verlag 
  • Hewsen, Robert H. (2001). Armenia: A historical Atlas. Chicago e Londres: The University of Chicago Press. ISBN 0-226-33228-4 
  • Hovannisian, Richard G. (1997). Armenian People from Ancient to Modern Times, vol. I : The Dynastic Periods: From Antiquity to the Fourteenth Century. Nova Iorque: Palgrave Macmillan. ISBN 978-1-4039-6421-2 
  • Martindale, John R.; Jones, Arnold Hugh Martin; Morris, John (1992). The Prosopography of the Later Roman Empire - Volume III, AD 527–641. Cambridge e Nova Iorque: Cambridge University Press. ISBN 0-521-20160-8 
  • Martirosyan, Hrach (2021). «Faszikel 3: Iranian Personal Names in Armenian Collateral Tradition». In: Schmitt, Rudiger; Eichner, Heiner; Fragner, Bert G.; Sadovski, Velizar. Iranisches Personennamenbuch. Iranische namen in nebenüberlieferungen indogermanischer sprachen. Viena: Academia Austríaca de Ciências 
  • Toumanoff, Cyril (1990). Les dynasties de la Caucasie chrétienne de l'Antiquité jusqu'au xixe siècle : Tables généalogiques et chronologiques. Roma: Edizioni Aquila